18 Dez, 2017

The Rugby Championship 2016 – Antevisão

Francisco IsaacAgosto 18, 201626min0

The Rugby Championship 2016 – Antevisão

Francisco IsaacAgosto 18, 201626min0

O The Rugby Championship vai começar e as selecções da Austrália, África do Sul, Argentina e Nova Zelândia querem conquistar o maior troféu de selecções do Hemisfério Sul. Quem é favorito, quais os jogadores em evidência, os pontos fracos e fortes. Toda a Antevisão no Fair Play.

Um vício, uma vontade, uma força, um querer… é o que o rugby representa para os praticantes e apaixonados pela modalidade no Hemisfério Sul. O The Rugby Championship (antigas Tri-Nations) é o maior torneio de selecções do “outro lado” do Mundo, com a Argentina, Austrália, África do Sul e Nova Zelândia a disputarem a competição. Um torneio a duas voltas (o do ano passado só deu direito a uma, devido ao Mundial de Rugby) entre Agosto e Outubro, com os jogos a realizarem-se, na sua maioria, no Hemisfério Sul, com a excepção do Austrália-Argentina, jogo esse que decorrerá em Twickenham. Vamos para 5ª edição do actual formato, que em 2011 viu a Argentina a ser aceite como selecção “residente” do torneio, evoluindo do Tri-Nations para o Rugby Championship. Entre 1996 e 2011, a Nova Zelândia somou 10 troféus (50 vitórias e 22 derrotas) com o período de 2005 a 2008 (inclusivé) a verificar-se como o melhor até jogo para os All Blacks. A Austrália segue com 3 troféus, assim como a África do Sul. A partir de 2011 – altura em que o modelo passou de 3 para 4 equipas – até aos dias de hoje, os All Blacks conquistaram 3 Rugby Championships, mas a Austrália levantou em 2015 o seu primeiro troféu, pondo fim ao domínio dos neozelandeses na prova. A Argentina e África do Sul nunca ganharam esta prova, com os Pumas a terem obtido a sua melhor classificação na temporada passada (3º lugar, à frente dos Springboks). Mas o que vai acontecer em 2016? Quem é que está pronto para somar nova competição? Será que os Wallabies têm a mesma capacidade que em 2015? Ou os All Blacks voltaram a subir a um “trono” que lhes escapa desde 2014? Será a vez dos sul-africanos com a sua nova geração de Lions e Sharks? Ou, pela 1ª vez, a Argentina quebrará com o domínio das três e fará sentir a raça dos Pumas? Uma nota prévia, se desejar aceder às convocatórias clicar no link abaixo:

Convocatórias: goo.gl/wL6lyW

Calendário completo (horas portuguesas): goo.gl/ZrQwko

AUSTRÁLIA

Seleccionador: Michael Cheika (Austrália);
Capitão: Stephen Moore (Austrália / Talonador / Reds);
Melhor Jogador: David Pocock (Austrália / nº8 / Brumbies);
Jovem a seguir: Samu Kerevi (Austrália / centro / Reds);
Estádio(s): ANZ (Perth / 83,500), Suncorp (Brisbane / 52,500), NIB (Perth / 20,500);
Posição em 2015: 1º lugar;
Previsão para 2016: 2º lugar;

Os campeões em título, os vice-campeões mundiais e uma das selecções mais entusiasmantes de ver jogar. Uma mistura do jogo físico com a técnica individual aprumada (quem olha para Kuridrani só “vê” força e impacto, mas esquece-se da capacidade do centro em escolher o “caminho” a entrar ou a forma como ele consegue meter a oval onde é preciso encaixá-la), onde as grandes referências “carregam” a equipa para jogos de altíssimo nível. São, ao lado da Nova Zelândia, os candidatos a conquistar o torneio em 2016. Uma selecção muito forte, já que Michael Cheika conseguiu chamar Matt Giteau (RC Toulon), Adam Ashley-Cooper (Bordeaux-Bégles), Will Genia (Stade Français) e Drew Mitchell (RC Toulon) para esta edição. Giteau deverá ocupar a posição de centro (nº12) ao lado de Tevita Kuridrani, o que traz logo capacidade de pontapé (Giteau é um dos “mestres” do jogo ao pé nesta posição), placagem (os dois foram uma “muralha” autêntica no Mundial de 2015) e de penetração (Kuridrani arranja o espaço suficiente, para lançar Giteau e este procura sempre meter a bola de forma aos seus pontas ou 15 explorarem o jogo). A grande questão será quem ocupará as “faixas laterais” com a dupla Drew Mitchell e Adam Ashley-Cooper a assumirem o favoritismo da titularidade, o que será a cópia fiel do Mundial 2015. Dizemos isto porque, Will Genia deverá assumir a obrigação de ser o formação (a não ser que a sua forma esteja abaixo do satisfatório), com Bernard Foley a médio de abertura e a 15, não há dúvida alguma, estará Israel Folau.

Photo: The Guardian
Samu Kerevi (Foto: The Guardian)

Este será um dos jogadores “nucleares” da equipa australiana que procurará com o jogador dos Waratahs, criar jogadas, ir ao ensaio com qualidade (é um especialista em abrir “brechas” e explorá-las com máxima destreza e agilidade), arranjar soluções de ataque à sua equipa (nos jogos frente à Inglaterra, em Junho, o defesa foi responsável por “salvar” a equipa em certos momentos ofensivos) e garantir uma boa “âncora” no momento da defesa (no Super Rugby completou 45 placagens falhando o “alvo” em somente 5). A maior preocupação de Cheika está na produção dos seus avançados. Kepu, Moore e Sio serão a parelha da frente, que terá a obrigação de aguentar as fortes formações ordenadas da Nova Zelândia e Argentina, suster a velocidade e jogo de “cintura” dos Springboks e o nunca desistir dos argentinos… uma quebra de rendimento, ao jeito do que aconteceu em Junho frente à Inglaterra, podem significar problemas graves, seja com penalidades (Nicolas Sánchez, Beauden Barrett ou Elton Jantjies “esfregam” as mãos) ou cartões amarelos (menos um durante 10 minutos pode ser comprometedor). Rob Simmons e Kane Douglas farão parelha na 2ª linha (Dean Mumm e Will Skelton “espreitam” a titularidade), com a terceira-linha a ser o “ponto” mais interessante destes Wallabies. Michael Hooper, Scott Fardy e David Pocock. Ter Pocock significa ter turnovers, o que aumenta as possibilidades de pontos, seja com ensaios ou pontapés. Pocock assumirá, mais uma vez, a posição nº8 onde a forma como trabalha na defesa (está no top-5 de melhores defesas, que compõe não só a componente de placagem, mas a forma como se predispõe para lutar na linha, a sua aplicação nos turnovers e a categoria na leitura defensiva) será um dos grandes pontos a favores dos australianos. Depois Scott Fardy, que apesar de passar despercebido na maioria do jogo, é um “cão de caça” puro, com uma lealdade e capacidade de sacrifico em prol da equipa acima de – quase – todos. Vai ser um jogador importante na forma de como parar o ataque adversário ou no carregar da bola em movimentos curtos. Por fim, o jogador que mais nos entusiasma para além de Israel Folau, Drew Mitchell e David Pocock. Hooper é uma asa que transfigura-se com facilidade num “ponta” ou num “centro” quando a equipa assim o pede. Nos amigáveis frente à Inglaterra, o asa completou mais de 45 placagens, 5 turnovers, 3 ensaios e 5 quebras de linha. Hooper é um pequeno diabo quando decide aparecer no jogo ao largo, procurando ser uma opção viável no ataque à defesa adversária, com movimentos que o tornam um dos asas da nova “era”. Para isso será importante o trabalho feito pelos seus restantes colegas, com conquista de metros (sejam 3 ou 10 metros) e o esticar das linhas adversárias, para possibilitar as roturas na defesa e entrar a “matar”. O banco será muito importante para o gerir de jogo dos australianos… e desta feita, é bem superior do que foi em Junho. Com a chegada dos atletas “franceses”, Reece Hodge, Dane Haylett-Petty, Rob Horne, Matt Toomua e Nick Phipps vão surgir como soluções para a 2ª parte ou em caso de lesões. E, claro, Samu Kerevi que terá uma palavra a dizer na ostentação da camisola nº12. O jogador dos Reds, com 22 anos, foi dos melhores jogadores em 2016 do Super Rugby, com a sua capacidade de choque (fez a vida dos seus adversários complicada), pace e velocidade e resistência física (é interessante ver a capacidade de Kerevi em entrar no contacto e repor-se na linha em tempo quase recorde). Michael Cheika convocou a sua melhor equipa, no ataque ao Rugby Championship… e a grande pergutna vai para… que tipo de Austrália vamos ver? Contra a Inglaterra houve uma perda de “rumo”, de resposta eficaz e que consiga suster o ataque dos seus adversários (com a Inglaterra tiveram dificuldades em defender os rucks de forma “positiva”, ou seja, sem faltas), o que criou amplos problemas à equipa de Cheika. Se conseguirem ser a unidade equilibrada, “imaginativa” e unida do Mundial, podem ser um verdadeiro problema para a Nova Zelândia e África do Sul, equipas que passam por uma fase de transição das Grandes Lendas para a Nova Vaga de Estrelas e apresentarão problemas ao longo dos jogos. Partem como favoritos, com os All Blacks, mas conseguirá Giteau, Ginea, Folau, Hooper, Pocock e Moore somar o seu 2º Rugby Championship?

Photo: Dave Hunt - Sanzar
Foto: Dave Hunt – Sanzar

ÁFRICA DO SUL

Seleccionador: Allister Coetzee (África do Sul);
Capitão: Adriaan Strauss (África do Sul / Talonador / Bulls);
Melhor Jogador: Lionel Mapoe (África do Sul / Centro / Lions);
Jovem a seguir: Pieter-Steph du Toit (África do Sul / 2ª Linha / Stormers);
Estádio(s): Mbombela (Nelspruit / 40,929), Loftus Versfeld (Pretoria / 51,762) e Growthpoint Kings Park (Durban / 52,000);
Posição em 2015: 4º lugar;
Previsão para 2016: 3º lugar;

Os Springboks sonham, desejam e querem regressar aos títulos o mais rapidamente possível… desde 2009 que não há direito a um Tri Nations/Rugby Championship e a “queda” em 2015 para o 4º lugar, atrás da Argentina, no maior torneio de selecções do Hemisfério Sul levantou alguma “revolta” no seio da comunidade sul-africana. Porém, o bronze do Mundial 2015, em que quase que deixavam a Nova Zelândia de fora da final, repôs alguma fé nos Springboks. De lá para cá, um novo seleccionador entrou, Allister Coetzee, antigas Lendaretiraram-se, Schalk Burger (deixou de ser opção para os Springboks) ou Jean de Villiers (o centro retirou-se dos campos de rugby) e uma “revolução” de juventude se iniciou, Faf de Klerk (formação dos Lions), Pieter-Steph du Toit (2ª linha dos Stormers) ou Malcolm Marx (talonador dos Lions). Este Rugby Championship pode ser o início de uma nova Era para o rugby sul-africano, que precisa que os seus jovens jogadores se tornem a referência da selecção de Coetzee. Algumas questões e dúvidas levantam-se no horizonte do seleccionador Springboks: Willie Le Roux teve mesmo que ficar de fora? Van Rensburg não poderia ocupar a posição de nº12 como titular ou suplente, invés da convocação de três médios de formação? E Jantjies vai ser o novo camisola 10? Em relação à primeira, Le Roux fará sentir a sua ausência… a capacidade técnica que dava outra “forma” ao ataque dos boks’, mais a “agressividade” defensiva (parece que Le Roux é só um jogador de classe e ataque, mas a postura na defesa e a forma como placa eleva a sua qualidade) e “construção” de jogo eram pormenores que o 15 trazia para o “relvado”. Agora, na sua ausência, Jesse Kriel assumirá a camisola… tem o defesa dos Bulls as “ferramentas” necessárias para fazer a diferença? Poderá Johan Goosen assumir esse papel? Goosen fez uma temporada soberba no Racing Metró 92′, em que culminou com o título do Top14, mas jogou só 8 jogos como defesa e os restantes a centro, incluindo na final frente ao RC Toulon. Será curioso ver por quem Coetzee optará por.

Pieter-Steph du Toit (Photo: Irish Times)
Pieter-Steph du Toit (Foto: Irish Times)

Rensburg, jogador dos Lions, não fez parte da convocatória dos Springboks apesar de ter sido um dos “instrumentos”” que levou a equipa de Johan Ackermann à final do Super Rugby, o que significa que a equipa da África do Sul vai alinhar com: de Allende e Mapoe. Depois o “Olímpico” de Jongh e Goosen surgem como soluções… não poderia de Jongh ter ficado de fora para entrar Rensburg? A irreverência, força e capacidade de decisão do nº12 dos Lions teriam feito a diferença nesta convocatória. Por fim, Elton Jantjies, o médio de abertura dos Lions aparece como o grande candidato à posição de médio de abertura… porém, o nervosismo e apatia podem ser apontamentos problemáticos para Jantjies. Claro que tudo aquilo que ele traz é superior a esses “medos” (na final do Super Rugby, frente aos Hurricanes foi-se claramente abaixo no jogo, sempre bem pressionado pelos neozelandeses), com um jeito especial para criar jogadas fenomenais (seja ao pontapé ao passes longos), leitura do que a equipa necessita para criar perigo (nos Lions a “química” era perfeita com os seus colegas) e a excelente qualidade no que toca a chutar aos postes (190 pontos, 175 em pontapés convertidos em 236 possíveis) podem e vão fazer a diferença, se tiver a titular a tempo inteiro. Sem Pollard ou Lambie, só Morné Steyn é que poderá ter uma palavra a dizer nesta questão, mas dificilmente conseguirá removê-lo de 1ª opção… pelo menos na 1ª jornada. De resto, os sul-africanos têm uma série de opções de alto nível para atacar a competição: dois dos melhores 2ª linhas do Mundo, com Pieter-Steph du Toit e Eben Etzbeth (há Lood de Jager também), vão emperrar as formações ordenadas contrárias e garantir outro tipo de qualidade no jogo ofensivo (não são só jogadores de hit and bash); François Louw, Jaco Kriel a nº6 e 7 ocuparam parte da 3ª linha… e quem para nº8? Duane Vermeulen, que passou ao lado da temporada do RC Toulon? Ou Warren Whiteley, o 3ª linha que deu um especial toque nos Lions esta temporada? Whiteley é acima de tudo um líder, com uma voz de comando audível e capaz de motivar a equipa a acreditar em si (veja-se o 2º jogo frente à Irlanda, o impacto que Whiteley teve mal entrou em campo). Vermeulen é mais completo tecnicamente, mas o facto de não estar em forma, de não ter evoluído neste espaço de tempo e de se encontrar mais pesado, vai tornar a avançada mais pesada e menos móvel. Faf de Klerk, Rudi Paige ou François Hougaard, que vão lutar pela posição 9, precisam de uma 3ª linha super móvel para combinarem com excelência com as linhas atrasadas. de Klerk parte em vantagem pela sua tremenda temporada em 2016, com Hougaard a poder ser uma escolha muito interessante em caso que seja chamado… mas continuará Paige fora de opção, como tem acontecido desde 2014? Em relação às restantes posições, JP Pietersen e Bryan Habana surgem nas pontas, com Ruan Combrinck a ser a 1ª solução em caso de lesão de Habana (desconhece-se o estado físico do ponta do Toulon). Na 1ª linha, Strauss, o capitão, comandará as “operações” com apoio de Mtawarira e Trevor Nyakane… gostaríamos de ver Vincent Koch a conquistar a titularidade, só que não será convencer Coetzee em assumir esse “risco” (será realmente um risco?). A África do Sul tem de fazer melhor que 2014 e 2015, para demonstrar que a quota de jogadores de raça negra não tem implicações na qualidade de jogo dos Springboks e que não passa de uma falsa questão.

Photo: Sanzar
Foto: Sanzar

ARGENTINA

Seleccionador: Daniel Hourcade (Argentina);
Capitão: Agustín Creevy (Argentina / Talonador / Jaguares);
Melhor Jogador: Martín Landajo (Argentina / Formação / Jaguares);
Jovem a seguir: Santiago Cordero (Argentina / Ponta / Jaguares);
Estádio(s): Padre Ernesto Martearena (Salta / 20,400), Monumental (Buenos Aires / 61,688) e Twickenham (Londres / 82,000)
Posição em 2015: 3º lugar;
Previsão para 2016: 4º lugar;

É complicado atribuir a última posição à Argentina para este Rugby Championship, não há dúvidas… mas o desgaste do Super Rugby, a ausência de algumas estrelas “europeias” (Imhoff por exemplo) e as possíveis lesões de algumas das melhores unidades (Sánchez por exemplo, está em dúvida para o 1º jogo) podem ser alguns dos problemas que Daniel Hourcade terá de enfrentar. Com uma selecção composta 99% por jogadores a jogar na Argentina (na franquia do Super Rugby os Jaguares), só Tomás Cubelli, dos Brumbies da Austrália, é que teve direito a ser convocado mesmo estando fora do país das Pampas. A grande ausência é Juan Imhoff, o ponta do Racing Metró 92′, que marcou em mais de 21 ocasiões pela Argentina (em 50 ocasiões) e que não voltará a vestir as cores da albiceleste até regressar à Argentina, seja daqui 1 ou 5 anos. Com a saída de Imhoff, Montero ou Moyano devem ter uma clara hipótese de tentarem ficar com o lugar a titular, sendo que Moroni, também pode descair para a ponta completando o trio de trás com Santiago Cordero e Joaquin Tuculet. É aqui que a Argentina pode tirar os seus maiores dividendos, uma vez que o trio de trás é excepcional (imaginem com Imhoff, ao jeito do que foi o Mundial 2015), onde a velocidade, agilidade e técnica “colidem” em Cordero e Tuculet, com o ponta a ser um dos melhores jogadores a nível Mundial. Com apenas 22 anos, o ponta dos Jaguares já conseguiu atingir a marca de 6 ensaios em 20 jogos, em que a “magia” que distribui à ponta cria enormes problemas aos adversários que o enfrentam.

Santiago Cordero (Photo: Olé)
Santiago Cordero (Foto: Olé)

Há toda uma leitura ofensiva fenomenal de “Santi”, que procura, no momento da placagem, realizar uma troca de pés e explodir em velocidade, o que cria dificuldades sérias às equipas que aplicam poucas unidades nos flancos. Depois, se a quebra de linha acontecer, aparece Tuculet em alta velocidade, sempre bem apoiado por Lavanini (dos 2ªs linhas com melhor qualidade de jogo e um físico impressionante) ou Landajo, o formação que faz tudo acontecer. A criatividade e imaginação que emana das unidades das linhas atrasadas é uma das razões porque devem seguir a Argentina. A dupla Landajo-Sánchez tem tudo para criar um tipo de domínio no Hemisfério Sul, uma vez que o ritmo e qualidade de passe de Landajo com a capacidade técnica de pés e execução de jogo à mão de Sánchez, abrem boas possibilidades para um avanço sistemático no terreno de jogo. Mas é importante, acima de tudo, que haja disciplina dentro das linhas de campo, algo que faltou aos Jaguares durante toda a campanha do Super Rugby. Com Hourcade a “música” é outra, há um controlo maior sob a raça e “agressividade” defensiva dos argentinos. Se falharem neste sector, vão perder os jogos garantidamente, uma vez que Foley, Jantjies/Steyn ou Barrett não falham 90% dos seus pontapés aos postes. Por isso, recai na poderosa avançada argentina a mesma disciplina que tiveram no Mundial 2015 e que quase os catapultaram para a final do maior “encontro” de selecções. Creevy será o talonador e capitão, com Ramiro Herrera e Lucaz Paz a subirem ao “relvado” como pilares (Ayerza, um dos melhores pilares de sempre dos Pumas continua associado aos Leicester Tigers e não será opção, enquanto que Nahuel Chaparro não foi convocado devido a uma lesão). Tomás Lavanini e Matías Alemanno vão jogar lado a lado na 2ª linha, com a possibilidade de Guido Petti em “roubar” o lugar de Alemanno, se este não conseguir subir a “parada” na selecção (no Super Rugby perdeu a “corrida” para Petti). Por fim, na 3ª linha Pablo Matera, Juan Leguizámon e Leonardo Senatore farão aquele bloco de “asas” que criou graves problemas tanto à Nova Zelândia (a queda física na 2ª parte “estragou” tudo) como à Irlanda (foi uma das bases da vitória esmagadora sobre os irlandeses). Facundo Isa será um dos jogadores a “salta” do banco para ocupar a posição 8 na 2ª parte, mas seria interessante vê-lo a titular, uma vez que nos Jaguares demonstrou uma qualidade “gigantesca” tanto a 7 como a 8. A Argentina necessita de ter os seus melhores jogadores em campo, “frescos” e com capacidade de demonstrar as mesmas “garras” que há quase 1 ano atrás… há que aproveitar o momento de reestruturação da África do Sul e Nova Zelândia para sonhar alto e atingir um 2º lugar, se tudo corresse espectacularmente bem. Será preciso saber impor aquele ritmo argentino, sempre alto e rápido, mas também fazer com que os avançados dos Pumas queiram trabalhar curto durante alguns períodos de jogo, de forma a desgastar os adversários e criar um sentido de impaciência a equipas como os All Blacks ou a Austrália. A experiência de Leguizámon, Senatore, Amorosino e, mais importante, Hernandez (El Mago vai tentar espalhar o pânico com as suas trocas de velocidade e pontapés “matreiros”) é outro tónico bastante importante para esta campanha no Rugby Championship…. haverá espaço para um upset? Ou a Argentina ainda não está no “ponto” para quebrar a hegemonia dos seus parceiros do Hemisfério Sul?

Photo: Cameron Spencer
Foto: Cameron Spencer

NOVA ZELÂNDIA

Seleccionador: Steve Hansen (Nova Zelândia);
Capitão: Kieran Read (Nova Zelândia / Nº8 / Crusaders);
Melhor Jogador: Beauden Barrett (Nova Zelândia / Abertura / Hurricanes);
Jovem a seguir: Ardie Savea (Nova Zelândia / 3ª Linha / Hurricanes);
Estádio(s): Westpac (Wellington / 34,500), AMI (Christchurch / 18,000) e Waikato (Hamilton / 25,800);
Posição em 2015: 2º lugar;
Previsão para 2016: 1º lugar;

Os sempre favoritos ao 1º lugar atravessam uma nova fase de reconstrução, com as saídas de Daniel Carter, Richie McCaw, Ma’a Nonu, Conrad Smith, Kevin Mealamu e Ben Franks. Mas, a fase de “choro” já passou e após dois jogos complicados contra o País de Gales (o 3º foi relativamente “fácil”), há um novo horizonte para os All Blacks. São a selecção que neste momento junta dois bicampeonatos mundiais assim como o título do Super Rugby (Hurricanes vencedores em 2016 e Highlanders em 2015), faltando conquistar o Rugby Championship para tornar 2015/2016 uma temporada inesquecível na história do rugby neozelandês. Por treze vezes conquistaram as Tri-Nations/Rugby Championship, mas em 2015 deixaram o título fugir para os rivais da Austrália. Agora, com a dupla de irmãos Savea, um regressado Israel Dagg, um Barrett em modo beast e com Read a demonstrar toda a sua aptidão como capitão de equipa, os All Blacks querem conquistar a vitória neste torneio do Hemisfério Sul. Porém, há algumas reservar a ter, mesmo quando falamos dos All Blacks: a ausência de uma dupla de centros estável, a fora de forma de Julian Savea e falta de um chutador totalmente fiável. Comecemos pela última dúvida: Beauden Barrett terminou no topo de jogadores com mais pontos do Super Rugby, pela 2ª temporada consecutiva. Sim, não há dúvida da sua qualidade como chutador (continuamos a preferir a sua qualidade de pontapé no jogo corrido, onde o ensaio frente aos Chiefs diz tudo da sua visão de jogo e qualidade em formatar o pontapé adequado a cada situação), mas veja-se que em 25 pontapés de penalidade, Barrett falhou 13 (39 pontos) e em 50 conversões errou o alvo por 18 vezes (44 pontos), algo que num torneio como o Rugby Championship (6 jogos) não poderá acontecer. Claro que o objecto de comparação é com Daniel Carter, o médio de abertura que deixou um legado difícil de assumir… mas Barrett torna-se um médio de abertura quase inesquecível por tudo o que faz… é um exímio atleta, sabe criar espaços, não tem receio de sofrer com uma ou duas placagens, a velocidade é quase imparável e a visão de jogo é desconcertante para os seus adversários. Acima de tudo, quando temos um abertura que gosta de placar (vejam toda a fase a eliminar do Super Rugby e notem que o 10 dos Hurricanes, realizou mais de 30 placagens e 5 turnovers) e defender, a equipa sai sempre a ganhar. Esta será a oportunidade para Barrett acabar com as preocupações e iniciar o seu “reinado” como o novo dono da camisola 10… Se falhar, Aaron Cruden estará à espera da oportunidade.

Ardie Savea (Photo: Stuff)
Ardie Savea (Foto: Stuff)

Sobre os centros, novas preocupações a atacam a equipa técnica de Steve Hansen uma vez que Sonny Bill Williams ficará de fora durante 8 meses e George Moala, também, com um problema no joelho fica de fora das primeiras duas jornadas. Durante os testes de Junho, Ryan Crotty assumiu o lugar de 12 enquanto que o de 13 passou de Fekitoa para Tamanivalu, que ficou de fora da convocatória por lesão (assim como Charlie Ngatai). Por isso, não fugirá a Fekitoa o lugar de 13… a não ser que Ben Smith avance para a posição de 2º centro, abrindo caminho para Israel Dagg assumir a camisola nº15. Mas, ao jeito dos All Blacks, não haverá invenções tácticas… há que colocar confiança nas opções assumidas e assim veremos Crotty-Fekitoa na abertura do Rugby Championship. A Austrália poderá ver isto como um ponto de jogo a explorar? Sim, possivelmente, uma vez que a falta de experiência de ambos e rotinas pode criar amplos problemas em situações de jogo… porém, quem conhece bem os All Blacks sabe que gostam de fazer as suas aparentes fraquezas das suas maiores forças… Crotty em Junho provou a sua qualidade, onde a resiliência, sacrifício e velocidade de execução abriram brechas na defesa do País de Gales. Será importante ver qual a harmonia entre ambos, mas não era de todo errado convocar Matt Faddes, um dos melhores outside centers do Super Rugby 2016. E Julian Savea? Como vai ser com o The Bus? Se o seu irmão está muito bem lançado para ganhar o lugar a titular (Sam Cane poderá ficar de fora do primeiro jogo por lesão, mas em caso que consiga “debelar” o problema, Hansen o promoverá à titularidade), já Julian, um dos recordistas mundiais em ensaios (tem o melhor rácio no momento), vai ter que demonstrar toda a sua capacidade nos treinos para conseguir voltar a usar a camisola 11. Com o regresso de Israel Dagg, Steve Hansen poderá optar por colocar Smith a ponta e Naholo na outra, optando por colocar os 3 jogadores em melhor forma. Dagg fez um bom Super Rugby (5 ensaios e 5 assistências), motivando Hansen a reconvocar o atleta… já Ben Smith esteve em alta e foi dos principais jogadores nesta temporada dos Highlanders. Por isso, até sexta-feira imperá a dúvida sobre quem fica nas pontas… mas Naholo está tem o lugar confirmado. De resto, Owen Franks, Wyatt Crockett e Dane Coles (se recuperar a tempo, senão entrará Nathan Harris ou Codie Taylor) ficam nos lugares da 1ª liga (a dupla dos Blues, Faumuina e Tu’ungafasi poderiam ser adições interessantes no decorrer dos jogos), com a 2ª linha a ser ocupada por dois dos melhores nessa posição no Mundo, Brodie Retallick e Sam Whitelock. Já a 3ª, Ardie Savea terá a sua grande hipótese de ficar “rei e senhor” como asa aberto, enquanto que Jerome Kaino fica com a camisola 6. Kieran Read, capitão, é o nº8 de serviço e, no momento, o melhor do Mundo. O rugby dos neozelandeses partirá dos avançados dos seus avançados (Ardie Savea será fulcral na criação de jogadas a partir de rucks, onde o asa se tornou um perigo na saída com bola) que terão que impor o seu ritmo de jogo, para depois os seus 3/4’s consigam em poucas jogadas fases acontecer o ensaio. Gostam de ir de fase em fase e têm paciência em esperar por um erro dos seus adversários… depois Barrett vai explorar o jogo ao pé, com os asas e nº8 a servirem de peças de pressão, para depois atacarem o ataque adversário com uma pressão “agressiva” e asfixiante. Mas a eficácia dos centros será um dos elementos primordiais de jogo da Nova Zelândia… se falham, se não se aplicam ou não conseguem fazer oposição aos seus homólogos do outro lado do campo, a ideia de jogo vai por “água abaixo” e vamos ver os campeões do Mundo a tremer. Os All Blacks são sempre um crónico favorito, mas para este Rugby Championship será importante que o “crónico” passe de hipotético para real… são campeões do Mundo em título, têm uma equipa recheada de talento e carisma, mas conseguirão “abanar” as dúvidas e ir em busca do título que lhes fugiu em 2015?

Photo: World Rugby
Foto: World Rugby

PREVISÕES FAIR PLAY

Vencedor do Rugby Championship: Nova Zelândia;
Melhor pontuador: Beauden Barrett (Nova Zelândia);
Melhor marcador de ensaios: Santiago Cordero (Argentina) ou Israel Folau (Austrália);
Melhor placador: Ardie Savea (Nova Zelândia) ou Michael Hooper (Austrália);
“Rei” dos Turnovers: David Pocock (Austrália);
Melhor jovem: Pieter-Steph du Toit (África do Sul);<
“Fura Linhas” do Torneio: Israel Folau (Austrália) ou Santiago Cordero (Argentina);


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