21 Ago, 2017

The Lions Defence Lesson – 5 pontos da 8ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacAbril 16, 20178min0

The Lions Defence Lesson – 5 pontos da 8ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacAbril 16, 20178min0

Defender foi o princípio da vitória dos Lions, os Chiefs fazem uma reviravolta mirambolante, os Hurricanes “aguentam” a pressão, mais um amarelo a estragar a “noite” aos Jaguares. O que aconteceu na 8ª ronda do Super Rugby em 5 pontos

O PROBLEMA: JAGUARES E O VÍCIO PELO AMARELO

Não está a ser nada produtiva a viagem dos Jaguares por terras sul-africanas já que averbaram nova derrota, agora contra os Bulls de Pretória. Algo surpreendente quando estamos a falar de uma das equipas que pior está a jogar em 2017 e que pouco tem feito para ir no caminho das vitórias… os Jaguares, por outro lado, têm sido uma surpresa com alguns resultados de boa nota, porém o jogo de Sábado deixou muito a desejar.

O ensaio de Travis Ismael, na 1ª parte, foi uma completa atrapalhação de ambas as equipas, mas com o ónus de culpa a cair nos ombros dos argentinos que não mostraram intensidade a defender (um apatia muito estranha), abriram espaço na defesa e nem as placagens do costume se viram.

Quando o resultado estava num “tremido” 10-03 a favor da equipa da casa, Santiago Iglesias, o médio de abertura, vai receber “convite” para sair do campo durante 10 minutos. Uma falta desnecessária (entrada ilegal no ruck e não larga a oval no chão) que acabou por penalizar os visitantes.

Com Iglesias fora os Bulls aproveitaram para subir de 10 para 16 e nem o ensaio que os Jaguares conseguiriam marcar logo aos 49′ permitiu a reviravolta. Os Jaguares voltaram a pecar na disciplina (13 faltas), tendo contribuído directamente para o resultado final.

É o 9º amarelo da equipa da Argentina em apenas 7 jornadas, um recorde no Super Rugby e algo que serve para reflexão. Os cartões têm punido faltas (algumas desnecessárias) por anti-jogo ou excesso de fisicalidade que “estraga” por completo o domínio dos Jaguares.

Nove amarelos em sete jogos é um assunto “sério” e que tem de merecer reflexão, caso contrário os Jaguares irão ter problemas sérios a curto, médio e longo prazo no Super Rugby.

A REVIRAVOLTA: CHIEFS DO ZERO AO 46!

Que primeiros 40 minutos das Cheetahs do Free State, estando a ganhar por 24-00 até aos 28 minutos da primeira parte. Mohojé, Rhule ou Marais estavam a criar dificuldades à formação de Waikato, que nem por Lowe, McKenzie, Cruden conseguiam encontrar um “fio de jogo” para carregar a oval até à área de ensaio.

Estava a ser um dia, no mínimo, complicado… os Chiefs voltariam a cair na África do Sul? Não, de forma alguma… quem tem uma equipa cínica, fria e inteligente como têm os Chiefs tudo é possível.

Em menos de 50 minutos viraram uma desvantagem de 00-24 para 41-27, algo só ao alcance dos campeões (um statement ou previsão?). Lowe e McKenzie foram duas “pulgas” incansáveis, sempre à procura do espaço ou da rotura defensiva que permitisse ir ao ensaio, com Pulu a aproveitar para chegar ao ensaio por duas vezes (o 2º num voo acrobático que quase o atirava para uma lesão).

A capacidade física, a gestão do “pulmão” e a vontade de manter um ritmo de jogo alto por parte dos Chiefs quebrou por completo com a equipa da casa que não teve capacidade de os parar e segurar uma vantagem que até tinha sido bem larga.

Hurricanes, Chiefs e Lions parecem mais “maduros”, mais competentes e cada vez mais “sozinhos” nesta luta pelo Super Rugby. Será o “adeus” perfeito de Aaron Cruden à franquia de Waikato?

A “MURALHA”: LIONS THE ULTIMATE PRIDE

Os campeões fazem-se na defesa… não há dúvidas disso, especialmente numa modalidade como o rugby. Sem uma defesa competente, sem uma equipa de placadores acérrimos e sem um colectivo que queira sacrificar-se em prol do clube, não há vitórias ou títulos.

Os Lions nesta 8ª ronda deram um “espectáculo” no que concerne ao como bem defender, impedindo os Stormers de conseguirem chegar ao ensaio, especialmente, nos últimos 10 minutos da primeira parte.

Com Kriel em beast mode (15 placagens e três turnovers) e Whiteley a liderar a entrega do seu pack avançado, os Emirates Lions crivaram as “garras” nas camisolas dos Stormers, pondo fim às tentativas dos azuis em chegar ao ensaio.

Só mesmo um rasgo de D. Leyds (aos 11′) é que passou pela muralha dos Lions, que sustiveram a sua vitória nesse ponto para depois responder com boas movimentações de equipa, subindo o pace e a velocidade para um ponto que os da casa não conseguiram aguentar.

Uma defesa segura, sem faltas (só 7 penalidades cometidas num jogo intenso e extremamente dinâmico) e que quis “estragar” (dentro das leis do jogo) a estratégia dos Stormers (9 turnovers).

Especial atenção à forma como defenderam junto ao ruck, placando baixo com uma pressão decidida ou quando placavam mais alto, sustinham o adversário no “ar” e tornavam a bola injogável conquistando formações ordenadas a seu favor.

Para além disso, a comunicação de Faf de Klerk (o formação) com as linhas atrasadas, a pressão “armadilhada” e a eficácia na placagem de toda a equipa (são especialmente bons a proteger o canal mais externo) garantem uma defesa inexpugnável.

Os Lions quando se unem são uma equipa inesquecível, apaixonante e inspiradora, com um rugby destemido e carregado de união… a defesa do jogo contra os Stormers disse tudo sobre quem eles são.

O RISCO: QUADE COOPER UM GÉNIO PROBLEMÁTICO

Som do apito, árbitro estica o braço, penalidade conquistada (dentro dos 10 metros defensivos) e Quade Cooper decide atirar um pontapé para o outro lado do campo… encontra Karmichael Hunt que segue para a área de validação, oferecendo os 5 pontos a Perese.

É sublime o que Cooper fez, é um toque de génio, um risco tão desnecessário como especial… é tudo o que representa o médio de abertura da Austrália. É o que o rugby deve procurar, quando há hipótese para tal… o risco, saber arriscar, contornar a monotonia do costume e ir à procura de algo tão louco que “obrigue” os adeptos a irem ver os jogos.

É criticável a solução do nº10, podia ter ido ao alinhamento e assim ganhar metros para jogar umas fases mais seguras. Porém, com Cooper há um “universo” infindável de opções, de ideias, estratégias e loucuras.

Os Reds voltaram a “sorrir”, apesar de terem consentido 34 pontos dos Kings, com um jogo bem dinâmico e “alegre” onde Karmichael Hunt (que bela temporada que o defesa está a fazer) foi uma das principais “personagens” para além de Cooper.

A forma como os Reds arriscaram no lançamento de jogo, esticando-o o máximo possível, sem ter que depender da capacidade física e de penetração de Kerevi, prova que os koalas conseguem melhor do que têm feito até aqui.

O médio de abertura realizou duas assistências para ensaio, converteu 12 pontos e ainda teve em mais duas jogadas que deram ensaio. Era bom que Cooper mantivesse esta bitola, o Super Rugby, a Austrália e os Reds assim o precisam!

O JOGADOR: BARRETT = DOR DE CABEÇA

Mais um fim-de-semana, mais um jogo memorável de Beauden Barrett, o Melhor Jogador do Mundo para a World Rugby. Incrível, inexplicável e imparável, o nº10 dos Hurricanes “destruiu” a defesa dos Blues em vários momentos do jogo.

É um dez absolutamente carismático, com uma pujança e um poder de explosão excepcional, onde o jogo ao pé é um factor decisivo (veja-se que um pontapé para fora, a sacudir a pressão, “andou” mais de 55 metros…) para além da “fome” que tem para o ensaio.

Revejam a primeira ida dos Hurricanes até à área de validação: saída de uma formação ordenada, Barrett recebe a oval  e mete “a 5ª”, seguindo sozinho com a linha de defesa dos Blues em desespero de causa. Um bom apoio de Laumape (temporada incrível do centro, piscando o “olho” aos All Blacks) vai resultar num belo ensaio, onde Barrett conseguiu prender quatro adversários ao seu redor.

Sucederam-se as situações de jogo, os pontapés, as roturas na defesa contrária e, até, um ensaio que foi bem apanhado após um erro de transmissão de bola dos Blues, em que o médio de abertura jogo ao pé (e não é ao calhas) captando a oval e aumentando em mais 5 pontos a sua conta pessoal.

Ter Barrett é colocar uma “enxaqueca” brutal aos adversários dos Hurricanes, onde o ensaio está sempre iminente e a vitória está, quase, garantida.

Os Hurricanes continuam com um jogo muito dinâmico, intenso e exigente… os erros, quando acontecem causam um dano complicado, mas quando conseguem criar e lançar jogo são uma formação “assustadora” pelo perigo iminente que lançam.


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