14 Dez, 2017

The Force is with them: 5 pontos da 2ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacMarço 6, 201712min1

The Force is with them: 5 pontos da 2ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacMarço 6, 201712min1

Force prometeu na 1ª ronda e cumpriu na 2ª, Hurricanes continuam a “tempestar” os seus adversários, os Crusaders dão a volta ao jogo em 25 minutos, Sharks com last minute try e muito mais na 2ª jornada do Super Rugby

O UNDERDOG: FORCE RESURRECTED!

Uma vitória em casa ao fim de 668 dias… ao fim de quase três edições de Super Rugby, a equipa de Perth conseguiu reaver a “dignidade” e “glória” de ganhar em casa. Foi frente aos Reds de Quade Cooper, Samu Kerevi, George Smith e Stephen Moore.

Já na semanada passada a equipa da Western Force tinha complicado a “noite” aos Waratahs (a suposta melhor equipa australiano do Super Rugby), tendo obtido um ponto de bónus defensivo que serviu de aviso.

O underdog voltou a dominar nas formações ordenadas, conquistando duas directamente e mais três em formato de penalidade. Para além disso, “espoliou” cinco penalidades dos dez que os Koalas dispuseram.

A partir daqui, foram indo aos “poucos” para cima dos Reds, operando bem no jogo curto, fechado e concentrado, uma vez que a maioria das bolas “compridas” eram perdidas no “ar” ou no contacto (8 turnovers dos Reds, 6 deles realizados pelos 3/4’s).

Contudo, talvez o melhor ensaio da ronda foi “montado” pela Force, com Chance Peni a “cavar” em alta velocidade logo no primeiro minuto de jogo. Vale a pena rever a boa comunicação, os passes e a linha de corrida das linhas atrasadas da equipa de Perth.

A Force demonstrou que num ano (ou dois) podem ser um “saco de pancada” de 95% das outras equipas para depois darem a volta por cima e deixarem os seus adversários preocupados em ter que jogar com uma equipa excelente na formação ordenada e “aguerrida” no contacto.

O Super Rugbby é feito de underdogs e a Force bem que pode ser uma delas.

OS SKILLS: CHIEFS SCHOOL OF HANDLING AND SHOW

2ª jornada e os Chiefs já provaram que estão cá para ganhar o Super Rugby 2017, desta feita não com uma exibição cínica, mas sim com uma carregada de jogadas estonteantes, passes delirantes e ensaios de categoria máxima.

Com o supra assistente Aaron Cruden (três assistências para ensaio) a criar ensaios e o flash Damian McKenzie a conquistar metros, metros e metros (115 no total em 15 tentativas), a equipa dos Chiefs facilmente dispôs da dos Blues com seis ensaios contra três.

Facilmente é visível o quão bom foi o jogo da equipa de Waikato/Hamilton quando ao fim de 40 minutos tinham 300 metros somados, para só 140 dos Blues o que se traduziu em 10 quebras de linha para apenas uma dos Blues.

Ou seja, sempre que os Chiefs conquistavam a bola, facilmente “corriam” com ela, mantinham domínio sobre a posse de bola (sempre que perdiam recuperavam-na rapidamente na formação ordenada ou no contacto), o que se traduziu em pontos (22 mais precisamente).

A expulsão de Luatua (placagem sem bola, alta e fora de tempo) valeu 40 minutos a jogar contra 14 o que facilitou, ainda mais, a missão desta equipa de fantasistas.

No final dos 80′ registou-se um 41-26 (boa reacção final dos Blues, onde Kaino, Ranger, Tupou, Faumuina e Tu’ungafasi merecem destaque pelo excelente trabalho que trouxeram a partir do banco de suplentes), altamente merecido para uma equipa que dá uma importância central aos skills, técnica de passe e linhas de corrida.

Se McKenzie voltou a espalhar algum do terror que o notabilizou em 2016, já Kerr-Barlow foi um formação irritante e que não deu paz aos seus avançados, assim como James Lowe (já vai em três ensaios em dois jogos) no momento de passar o placador e seguir imparável até à finish line.

Vejam só este pormenor de Atunaisa Moli, pilar dos Chiefs, como demonstração da importância dada aos skills por Dave Rennie

A RECUPERAÇÃO: A REAL CRUSADER(S) BELIEVES UNTIL THE END

Uma pergunta para o leitor: a perder por 25-06 a 25 minutos do final do jogo, no estádio do adversário, acreditavam na reviravolta no resultado? Esta questão é lançada de modo a criar alguma dúvida, com a “dica” que no rugby tudo é possível.

Tanto que é que os Crusaders a jogar em Dunedin, cidade dos Highlanders, conseguiram sair com a vitória apesar de se terem visto a perder por 25-06 aos 55 minutos de jogo.

Até lá, tinha sido um festim da equipa dos Smith&Smith que “esventraram” a defesa dos maiores campeões de sempre, com três ensaios (dois do super Naholo, uma boa aposta para a fantasy), pondo os cruzados a “saborear” uma possível derrota logo na 2ª ronda.

Com Israel Dagg algo “longe” das grandes incidências e Mo’unga sem a capacidade de fazer a equipa mexer, os Crusaders viam-se num aperto… como recuperar de 21 pontos (isto para o empate)?

Primeiro começaram a recuperar nos avançados que fizeram “mossa” na formação ordenada dos Highlanders aos 55′. Uma queda “dupla” levou a que o juiz da partida, Paul Williams, decidisse pelo ensaio de penalidade.

Com um 27-13 o jogo entrou numa “toada” louca, algo que prejudicou os Highlanders, uma vez que a gestão da bola não existiu… os da casa queriam o ensaio da “matança” e os Crusaders queriam o ensaio do relançamento.

Já que os Highlanders “prejudicaram-se” por não terem tido mais paciência, os Crusaders aproveitaram para crescer, crescer e crescer… de tal ponto, que encostaram nos últimos dez minutos, a equipa da casa nos seus 22 metros.

Havili conseguiu abrir nova “brecha” na defesa dos Highlanders, subindo a parada… 25-18.

Depois veio a pior mensagem que se pode ter quando estamos a defender com “unhas e dentes”, dentro dos nossos últimos metros defensivos e com o relógio a andar mais devegar… uma expulsão.

Fekiota entra mal numa placagem, subindo ligeiramente acima dos ombros e recebe um cartão amarelo “letal”, para si e para a sua equipa. Os Crusaders tinham tudo alinhado para conseguirem a reviravolta.

A jogar com 14, a equipa de Ben Smith e Aaron Smith, não conseguiu aguentar com os ataques “vorazes” dos Crusaders, que apostaram em sequências rápidas juntos ao ruck, com o nº9 a servir mais de incitador de saídas rápidas do que fazer jogar.

Com o desgaste em terem que ter atenção, simultaneamente, às saídas junto ao ruck e à pressão das linhas atrasadas, os Highlanders consentiram espaço suficiente.

Mitchell Drummond (entrou no decorrer da 2ª parte) abriu ao largo, dando a Seta Tamanivalu (um excelente reforço) espaço e tempo para que não só assistisse para um ensaio aos 75′ mas que ele próprio fosse à área de validação para confirmar o 30-27 aos 78′.

Um comeback, uma reviravolta, uma cambalhota, como queiram chamar a esta “situação” de alto nível. Já tínhamos dito que os Crusaders tinham pretensões a fazer algo mais esta temporada e vitórias destas podem motivar a equipa a ir nesse sentido.

Um colectivo que se juntou, percebeu onde estavam os problemas e que em 25 minutos conseguissem marcar 24 pontos… quase um ponto por minuto.

A REVELAÇAO: VINCE ASO NO OLHO DO FURACÃO

Todos os anos, os espectadores, analistas, comentadores, “lunáticos” e restantes procuram a “novidade” em termos de jogador que possam seguir e torná-lo quase num ídolo.

O ano passado foi Faf de Klerk, Ardie Savea, Rieko Ioane (a espaços), Samu Kerevi, entre uns poucos mais.

Agora em 2017 já há uma novo “vício” de jogador a seguir: Vince Aso. O ponta/centro dos Hurricanes tem estado numa forma letal com quatro ensaios em dois jogos.

Não só isto, mas também o facto de já ter percorrido 278 metros em 160 minutos, estando à frente de Julian Savea (colega de equipa), Waisake Naholo, James Lowe, Santiago Cordero, entre outros tantos, em quase todos os parâmetros.

Com 22 anos, Aso está em busca de ser uma das soluções para o lugar de 11/14 dos All Blacks, o que não será fácil. Porém, em duas jornadas pudemos vislumbrar alguns pormenores que fazem de Aso um try killer.

pace (ritmo) é invulgar, uma vez que consegue transitar de uma velocidade média para alta em menos de 1 segundo, pondo em prática uma “dança” eficaz que tira a oportunidade de placagem aos seus adversários em situações de 2×1, 3×2 ou 1×1.

O trabalho de handling, a consciência de ter mais colegas em seu redor e a leitura de como a defesa se presta a “bloquear” os ataques são algumas das qualidades que “brilham” no ponta da equipa da Wellington.

Duas jornadas, quatro ensaios, quase 300 metros, nove quebras de linha provam que este ano será de Aso, primo de Rieko e Akira Ioane… uma geração de novos All Blacks prepara-se para tomar controlo do Super Rugby.

A “MURALHA”: SHARKS COM DENTES DE FERRO

Os Sharks de Durban continuaram a sua ronda de “visitas” pelo Hemisfério Sul, com a segunda a ser em Canberra frente aos Cavalos Selvagens dos Brumbies.

Um jogo “apertado” para ambas as formações, já que nesta fase da competição é necessário captar bons resultados para “animar” as hostes e seguir em força na competição.

Os Sharks tinham caído perante a formação dos Reds, em Queensland, por 26-28 ficando com uma “espinha na garganta”… um ponto de bónus defensivo não trouxe “felicidade” e nesta semana era necessário garantir os 4 pontos.

Os Brumbies estão num momento supra delicado, já que a ausência de David Pocock começa a fazer mossa em termos de liderança, comando e apoio nos momentos mais complicados.

Por isso, seria uma autêntica batalha frenética pela vitória em Canberra, onde os Sharks tinham uma “ás” que faria a diferença no final dos 80 minutos.

Essa “cartada” foi a defesa “agressiva”, que soube encontrar os pontos de convergência certos, aplicando uma pressão que os Brumbies tiveram dificuldades em transpor e compreender como passar a cortina de “dentes” dos Sharks.

Vale a pena destacar dois pormenores: a placagem e a pressão colectiva.

placagem “fechada”, em que o placador e o seu apoio “estudavam” o atacante para perceberem se a oval podia ser “pilhada” (Lukhanyo Am foi um mestre neste pormenor).

A partir deste ponto conseguiram chegar aos postes por duas vezes (Pat Lambie converteu com excelência), o que prova a necessidade de não só placar bem, mas também de analisar qual a postura e estratégia na placagem.

Já na pressão defensiva, mérito para o trabalho excepcional que os Sharks fizeram ante um ataque australiano que tinha Godwin, Kuridrani, Toua ou Speight (todos Wallabies).

Não basta subir a defesa numa pressão baixa/média/alta, é fundamental estudar os timings e dinâmicas do ataque adversário, saber quando e como aplicar a pressão e tirar capacidade de penetração e mobilidade ao ataque.

Os Sharks fizeram isto com qualidade, apostando numa defesa “falsa” lenta, que num primeiro momento deixava o ataque dos Brumbies receber a oval para depois fecharem numa defesa pressionante.

Os Brumbies consentiram 10 erros forçados, 7 dos quais devido à tal pressão que os obrigou a tentar jogar rápido ou assumirem riscos “delicados” no ataque.

Os Sharks terminaram o encontro com 150 placagens, apenas 15 falhadas, assumindo Du Preez o placador da noite (18), com Am a ser não só o “ladrão” de bolas mas também o homem do momento, quando marcou aquele ensaio no final do encontro.

Um ataque de qualidade dá vitórias, mas uma defesa aguerrida dá títulos… os Sharks estão em ano de “reforma” e de consolidação de equipa, mas um dos pontos nevralgicos está encontrado: a defesa de apoio, leitura e pressão inteligente.

O ensaio aos 80′ da vitória

DICAS PARA A FANTASY

Para quem “apostou” em ser treinador de bancada da Fantasy do Super Rugby da Fox Sports (a liga Fair Play já atingiu os 40 participantes), deixamos algumas “dicas” para apostarem:

  • James Lowe (Chiefs – 48 pts) voltamos a frisar o nome do ponta dos Chiefs. Mais um jogo, mais um ensaio, mais 80 metros e mais quatro quebras de linha;
  • Vince Aso (Hurricanes – 48 pts) pelos pontos mencionados no texto;
  • Josh Mann-Rea (Brumbies – 74 pts) o talonador dos Brumbies será sempre um jogador com boas pontuações, pelo facto de ser titular, importante na formação ordenada e um dos jogadores que melhor conduz os alinhamentos;
  • SP Marais (Stormers – 84 pts) o nº15 dos Stormers vai ser um dos elementos importantes da formação sul-africana, já que pelos seus pés e mãos passam ensaios, assistências e movimentações dignas de registo. A posição que ocupa nas jogadas das linhas atrasadas dos Stormers iram precipitar a sua actuação para mais de 60/70 metros de corrida por jogo;

One comment

  • Carlos Carta

    Março 7, 2017 at 8:36 am

    🙂
    Para a pergunta Highlanders x Crusaders…
    Sim é possível Isaac… já o vivenciamos 🙂
    Abraço…

    Reply

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