17 Out, 2017

The Crusaders New Era? – 5 pontos da 9ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacAbril 25, 20179min0

The Crusaders New Era? – 5 pontos da 9ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacAbril 25, 20179min0

Mais uma surpresa, novamente com uma equipa australiana metida ao “barulho”, Crusaders continuam a conquistar “praças”, Sharks e Rebels no pior jogo de sempre e Matt Faddes a liderar os Highlanders. 5 pontos sobre a 9ª ronda do Super RUGBY

A SURPRESA: CAN PAWNS BECOME KINGS?

Balde de água fria em Sydney, com os Waratahs a caírem perante a “pior” formação do Super Rugby, os Kings. A equipa sul-africana tinha uma vitória e seis pontos na classificação, ocupando só um lugar acima dos Sunwolves do Japão ou dos Rebels de Melbourne.

Foi um jogo atípico, com vários erros dos dois lados, especialmente no controlo de bola ou no domínio dos rucks, ponto onde os Waratahs não conseguiram controlar. A equipa dos Kings arrancou doze turnovers, quatro dos quais já em cima dos seus últimos 5 metros, com claro destaque para Michael Willemse e Chris Cloete, ambos com dois cada.

Mas se há alguém que merece destaque é o 2º centro, Berton Klaasen, que a nível defensivo foi uma autêntica “barreira” parando duas boas investidas de Israel Folau (continua abaixo da sua forma ideal) e Bernard Foley.

Os Kings realizaram um jogo colectivo defensivo de raça, compromisso e intensidade, impondo o seu maior peso na formação ordenada (conquistaram duas penalidades e “roubaram” duas bolas dos Waratahs), maior calma no seguimento aos alinhamentos e, acima de tudo, divertiram-se a jogar.

Era notório que a equipa dos Waratahs não estava a conseguir reproduzir o seu estilo de jogo (desapareceram os traços gerais que os levaram a conquistar o Super Rugby em 2014) e os vários erros no ruck, na FO, no jogo corrido (os passes foram, na sua maioria, mal recebidos com o portador da bola parado ou sem velocidade para explorar o contacto) prejudicaram, largamente, o objectivo de conquistarem a vitória.

Para os Kings é um “balão de oxigénio”, é uma demonstração que afinal não são assim tão maus como alguns querem “pintar”. O jogo não foi de todo bom, mas não deixa de ser meritório a capacidade dos Kings em deixarem de serem sacos de pancada para assumirem uma postura tão “agressiva” que pôs os Tahs num estado de nervos curioso.

O PIOR: TOOTHLESS SHARK AND SCARED REBELS

O pior jogo do Super Rugby aconteceu em Durban no dia 22 de Abril às 18h00, com os “actores” a serem os Sharks e Rebels. É uma afirmação “complicada” porque há sempre maus jogos em todas as épocas, mesmo no Super Rugby. Todavia, se tiverem coragem para rever o jogo, vão perceber o quão “fraco” foi.

Em erros acumulados de ataque, os Sharks consentiram vinte e uma (21) falhas, oito das quais foram avants e o resto divididos em bolas perdidas no ruck ou no contacto. Esperavam todos muito mais de uma equipa que tem estado francamente bem em 2017, com um rugby explosivo, intenso e de alta pressão, que ficou bem aquém das suas capacidades.

Nem com um cartão amarelo para os Rebels aos 3′, os Sharks conseguiram chegar aos últimos dez metros de terreno, com Lubabalo Mtembu e Lukhanyo Am a totalizarem sete perdas de bola (!). A ausência de Van Wyk da ponta e a recolocação de Am para ponta (tem sido um dos centros mais convincente na presente temporada), quebraram com a fluidez de jogo dos Sharks que nem Curwin Bosch conseguiu “salvar”.

E, para ajudar ainda mais, André Esterhuizen (um jogador já referenciado pelo Fair Play como futuro dos Springboks) decidiu “expulsar-se” quando placa e vira de cabeça para baixo um adversário no momento em que o árbitro tinha parado o jogo. Vermelho directo, Rebels com oportunidade de ouro para castigar os sul-africanos de Durban.

No entanto, os Rebels conseguiram ainda fazer pior até ao final do encontro com várias falhas de movimentação, velocidade fraca de jogo e sem capacidade de penetrar no contacto, apesar da insistência de Naivalu à ponta (120 metros percorridos). Os Rebels têm um ponto no seu jogo que os torna inoperantes: o apoio e aceleração no contacto.

Há um notório problema de garantir uma plataforma segura, estável e que lhes permita “assaltar” a área de ensaio contrário. Como prova disso foram as 12 penalidades cometidas quando tinha a oval em seu poder, um recorde do Super Rugby.

Ao todo os Rebels somaram (tomem nota) 19 penalidades em 80 minutos de jogo, acabaram com dois amarelos e um vermelho no total do encontro.

Um jogo caótico, anárquico, com dois cartões amarelos, um vermelho, 25 penalidades, 36 bolas perdidas e muita confusão em  tentar jogar rugby a la Hemisfério Sul, que terminou num desapontante 09-09.

O SÍMBOLO: MATT FADDES – O PROTÓTIPO DO HOMEM DA CASA

Os Sunwolves continuam na sua animada viagem por terras neozelandesas, tendo visitado o terreno dos Highlanders para um jogo bem “vivo” e com bons ritmos de jogo.

A equipa da casa garantiu uma importante vitória com ponto de bónus, com o par de centros a serem determinantes para o outcome desse jogo.

Malakai Fekitoa (que temporada “gigante” do centro All Black, que poderá estar de saída para a Europa) e Matt Faddes foram esses dois jogadores responsáveis por desmontar a formação dos Sunwolves. Se o primeiro marcou o seu ensaio da praxe (para além de 10 placagens, um registo sempre notável de assinalar), já Faddes completou um jogo formidável.

Sempre com o “pé” no acelerador, com umas ganas de ir à bola e entrar no espaço de rompante (vejam o 1º ensaio do centro, a entrar completamente lançado, baixo e em velocidade máxima), Faddes marcou dois ensaio e ainda esteve nas jogadas de outros três (como assistente ou um dos últimos dois passes antes do ensaio). Foram 130 metros conquistados, 7 quebras de linha com um rugby sempre “vivo” e apaixonante.

Isto prova a necessidade do envolvimento do 13 na articulação ofensiva dos Highlanders, algo que sentiam falta.

Faddes é um homem da casa, nascido e criado em Otago, chegou a trabalhar na loja do clube até 2014 enquanto fazia parte da equipa regional de Otago. Conseguiu em 2016 chegar ao Super Rugby, conquistou um lugar (e vários ensaios) e em 2017 volta a ser uma peça importante no xadrez da equipa de Tony Brown.

A EQUIPA: UMA NOVA CRUZADA PELO TÍTULO

Quem é que dava favoritismo ou sequer um boa posição aos Crusaders para 2017? Poucos foram aqueles que mantiveram as suas esperanças e acreditaram que a equipa de Canterbury demonstrasse um domínio na sua região.

Na recepção aos sempre difíceis Stormers (sem SP Marais, por exemplo), que derrotaram os Chiefs (fora), os Crusaders teriam que realizar um belo jogo para passar esta prova de fogo. Felizmente, para quem os apoia, passaram com distinção pondo em prática um jogo flexível, ágil, rápido e enérgico.

Ao intervalo o resultado estava num 36-03, onde um blitz dos Crusaders “explodiu” com a defesa dos Stormers e tirou a elasticidade por completo da equipa. Se notarem alguns dos ensaios, principalmente os três de George Bridge em que só teve de receber passes médios-largos para marcar os pontos.

A ideia dos Crusaders passou por infligir o máximo de contacto entre o centro do terreno, explorando bem a linha de defesa, amontoando os defesas contrários, tirando potenciais problemas nas alas e depois num rasgo rompiam com os poucos “obstáculos” para atingir a área de validação.

É um jogo bem construído, onde a parte física é um ponto importante (a forma como os Crusaders aguentam 80 minutos é um sinal de perigo para os seus adversários), assim como a segurança no contacto (raramente perdem a bola no ruck ou na luta de corpo-a-corpo) e a técnica individual.

A gestão de 2016 está a dar “frutos” (e dos bons) em 2017, com uma equipa bem articulada, onde há um trabalho fenomenal da equipa técnica (Scott Robertson merece ser visto como um dos futuros grandes treinadores da Nova Zelândia) e uma união total dos jogadores. Será este ano que temos nova Cruzada pelo título?

O ENSAIO: BRUMBIES 1 MINUTE SHOW

Hurricanes receberam a equipa dos Brumbies e, como esperado, somaram mais uma vitória com ponto de bónus (56-21). Todavia, os primeiros 40 minutos foram intermitentes, já que os australianos chegaram a dominar o jogo nos últimos 20′, com destaque para um ensaio espectacular de equipa.

Quando o cronómetro bateu nos 28:15, os Brumbies tinham acabado de receber novo pontapé de reinício de jogo. Seguros, confiantes e algo “manhosos”, a equipa de Canberra saiu a jogar os seus últimos dez metros e em 9 passes fez praticamente 100 metros de corrida.

Foi brilhante a forma como o apoio ia surgindo, para além de como os jogadores dos Brumbies iam atacando o espaço, comprometendo-se com o seu colega do lado, com um só pensamento: de avançar no terreno.

Vale a pena reverem a jogada e tomarem em atenção ao minuto 00:03/04 do vídeo abaixo disposto. Aidan Toua recebe a bola a seguir a um ruck, percebendo que tem mais unidades para ataque que os Hurricanes para defender. O defesa deixa que Vince Aso (nº13) pressione sozinho, deixando a linha de defesa exposta e desfavorecida.

Depois bastou simular que ia chutar, meter o pé para dentro, encontrar as costas de Aso e passar a bola. Rory Arnold entra bem, volta a quebrar a linha e sprinta… a partir daí os Hurricanes são apanhados em contra-pé e sem possibilidade de contestar a situação, apesar de algumas placagens de socorro.

A velocidade foi bem metida, o apoio a horas e a capacidade de trabalhar colectivamente permitiu que o ensaio do 21-14 chegasse num momento importante. Joe Powell (bela temporada do formação dos  Brumbies) teve o prazer de poder concluí-la.

Os Brumbies – dos primeiros 40 minutos – demonstraram aquilo que devia pautar nas equipas australianas: uma mistura de físico e “agressividade” na disputa de bola, com um sabor de risco e “magia”, com uma eficácia letal. Só assim podem voltar a ombrear com a Nova Zelândia… enquanto, fizerem o mesmo jogo que os neozelandeses não conseguirão ir mais longe do que isto.


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