14 Dez, 2017

The Barrett Partnership – 5 pontos da 6ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacAbril 5, 20178min0

The Barrett Partnership – 5 pontos da 6ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacAbril 5, 20178min0

Os irmãos Barrett deram o “mote” para a vitória em Queensland, Lions-Sharks foi o grande jogo da ronda e os Stormers continuam a “assustar” a concorrência. Estes e outros pontos na nossa análise do Super Rugby

O LUXO: PERENARA + BARRET’S + SAVEA’S = SHOW

Quem pensava que ia ser um passeio dos campeões em título em Queensland estava totalmente enganado. A equipa dos Reds deu luta, cresceu e obrigou aos Hurricanes suarem durante 80 minutos.

Não fossem as exibições magníficas de TJ Perenara (o melhor formação do Super Rugby de momento), Jordie Barrett (uma assistência e três quebras de linha para além de um pé de ouro), Ardie Savea (100 metros corridos pelo nº8 e uma assistência para ensaio mais 10 placagens e três turnovers) e Beauden Barrett.

O médio de abertura foi o deal breaker nos momentos em que a equipa de Wellington sentiu-se mais “ameaçada”, conseguindo encontrar espaço para fugir ou para passar.

O primeiro ensaio do jogo, por Julian Savea, foi graças a uma movimentação de Barrett que deixou a defesa australiana “presa”, sem saber pelo que optar: ir ao 10 ou esticar a linha de defesa?

Barrett quando consegue estar a escassos centímetros da passar a linha de vantagem é uma total ameaça para quem defende…mínima “frecha” e ele vai encontrá-la para “fugir” para o ensaio.

Foi assim que aconteceu no último ensaio do encontro, quando Barrett recebe a bola perante uma defesa que meteu uma pressão a dois tempos, concedendo demasiado espaço.

O 10 simulou o passe, meteu o pé para dentro e acelerou até à linha de ensaio… não havia forma de pará-lo para o desespero dos Reds.

Quando uma equipa tem Perenara, os Savea e os Barrett, para além de outros nomes, o luxo pode dar direito a vitórias… mas voltará a dar títulos em 2017?

O CLÁSSICO: ENTRE MANDÍBULAS DE LEÕES E TUBARÕES

Jogo inacreditável em Joanesburgo entre Lions e Sharks… incrível o ambiente, com 58 mil espectadores a assistir a um dos clássicos da África do Sul.

Se o ambiente foi arrebatador o que dizer do jogo em si? Teve de tudo desde ensaios de alto gabarito (o último, por Kriel por exemplo), placagens de estalar ombros (Du Preez e Mostert foram os monstros da defesa), drops de 50 metros (Curwin Bosch começa a “assustar” com tanto rugby nas pernas), quebras de linha, dribles, offloads… bem de tudo.

Foi um jogo imenso, um tipo de encontro que faz falta ao rugby sul-africano já que promove toda uma imagem diferente daquele rugby maçador, sem velocidade ou dinâmicas nas linhas atrasadas.

Com jogadores como Skosan, Van Wy, Mvovo, Andries Coetzee (começa a surpreender o defesa dos Lions), o jogo só podia ser jogado em alta velocidade, sem nunca parar.

Se tiverem tempo seria o jogo (a par dos Reds-Hurricanes) que convidaríamos a ver pela qualidade que se reflectiu nos 80 minutos.

Notem que aos 75′ o encontro estava empatado num 29-29, com um barulho frenético, uma loucura incontrolável e as duas equipas em busca da vitória… no final sorriu aos vice-campeões em título, os Lions.

O rugby só tem a ganhar com este tipo de jogo, com este tipo de abertura e de vontade de jogar… a equipa jovem dos Sharks e a dos Lions podem ser os grandes catalisadores dos Springboks no futuro… é só dar espaço e tempo para que assim o seja.

Tomem gosto do 1º ensaio do jogo, aos 7’… reparem na velocidade de jogo, na forma como o nº9 dos Sharks, Jacobus Reinach, põe a equipa toda a mexer com o seu ritmo alto de jogo, com um 1ª linha a correr quase 20 metros com a oval na mão.

O PEDIDO: IS IT TIME TO GIVE THE 15 TO MCKENZIE?

Respondendo à pergunta que está no título, na nossa opinião…ainda não é o momento, muito pelo facto de Ben Smith ainda estar a 100% nos All Blacks por exemplo.

Mas que McKenzie é um jogador surpreendente, que reúne tudo aquilo que uma equipa precisa para ganhar, sim isso sim.

Neste momento, o 15 dos Chiefs soma quase 500 metros com a oval nas mãos, com 10 quebras de linha e 16 defesas batidos.

Não tem stats tão altos como em 2016, o que não significa nada… os números muitas vezes não nos contam metade de uma “história” que merece ser lida alto a todos.

Veja-se o impacto que McKenzie teve no jogo frente aos Bulls, onde a vitória por 28-12 foi conquistada depois de muito batalhar.

O 1º ensaio é só de Stevenson, com uma leitura brilhante do ponta, aproveitando uma subida do ponta e um centro dos Bulls para meter uma finta de passe e um pontapé curto para chegar ao ensaio.

O ensaio de McKenzie foi uma jogada incrível de Kerr-Barlow (que pontapé mágico) com o electrizante defesa a vir a correr e a apanhar a bola do chão (dificuldade máxima) para meter a oval entre os postes.

McKenzie fez uma exibição que deu bastante trabalho aos Bulls de defender, com uma série de quebras de linha, defesas “plantados” no chão (6 batidos) e uma mão cheia de pormenores que fazem dele o grande diamante da Nova Zelândia do momento.

Não esquecer outro destaque do jogo, o 150º jogo de Liam Messam pelos Chiefs, um momento sempre de celebração!

A CELEBRAÇÃO: HAPPY 100th GAME AARON SMITH

Aaron Smith, o mestre da camisola nº9 dos All Blacks e Highlanders celebrou o seu centésimo jogo no Super Rugby com uma vitória frente aos Rebels.

Num ano que está a ser particularmente difícil, já que a equipa conta com 10 lesões (8 deles titulares), Aaron Smith vai ressurgindo como o líder da formação de Dunedin.

No encontro frente aos Rebels, Smith foi importante logo no 1º ensaio, onde a forma como “grita” com os avançados, pedindo mais um “go, go” permitiu conquistarem a formação ordenada, levando o 9 a jogar directamente para o nº10.

Smith deu sempre um ritmo alto jogo, obrigou aos avançados quererem ter a bola nas mãos, de procurarem o espaço e de a devolverem em condições para fazer jogo outra vez.

Com 90 passes em 80 minutos, Smith é uma das “pilhas duracell” da formação dos Highlanders, que estão a tentar recuperar o tempo (e as derrotas) perdido na competição.

Com Aaron Smith tudo fica mais acessível, é um 9 que sabe ler o jogo, encontrar os pontos críticos dos adversários e explorá-los com exactidão, para além de perceber como “respira” a formação ordenada da sua equipa.

Numa vitória por 51-12, os 100 jogos de Smith valem uma “soma” incalculável para a formação de Dunedin.

Happy 100th game Aaron Smith!

O BANCO: IOANE’S TO THE RESCUE

Estava particularmente difícil pôr fim aos Force, não estava Tana Umaga? Os Blues continuam a não estar no seu melhor e nem uma nova vitória pode disfarçar esse ponto.

Os Force, de Perth, chegaram a estar à frente do resultado por 08-00 durante 29 minutos, o que é um claro sinal que existe alguma inconsistência da parte dos homens de Auckland.

Mas, quando se tem um banco espectacular tudo pode mudar de figura… Akira Ioane, o nº8 que estava no banco, saltou de lá aos 26′ e quatro minutos depois fez o 1º ensaio dos Blues, após uma boa saída de um maul.

Akira entrou para fazer uma exibição monumental, já que percorreu 80 metros, foi responsável por três quebras de linha e colocou uma pressão soberba sobre a linha ofensiva dos Force, que tiveram dificuldades em passar pela defesa dos Blues.

Quando os Force voltaram a aplicar pressão e estavam perto de criar problemas à equipa da casa, lá veio outro jogador, saído do banco, para dar a volta à questão: Rieko Ioane.

Recordam-se do jovem de 19 anos que marcou um hattrick na estreia? Bem, dele nasceu o ensaio da “acalmia” com uma corrida a partir dos 22. É perfeito o movimento de Ioane que explora o espaço entre dois defesas, obrigando-os a quase juntarem-se.

Depois veio um offload (a defesa podia ter placado o centro), com Collins e Nanai a explorarem o espaço para o último transmitir a oval para Ioane e este a seguir para a área de validação.

E só para ser a “cereja em cima do bolo” foi outro jogador saído do banco a construir o 4º e último ensaio dos Blues: Ihaia West. O abertura recebeu a bola em movimento, alargou a passada e aproveitou uma desatenção para fura a defesa…depois foi só passar a Collins e ver a sua equipa a festejar.

Os Blues não estão a jogar bem e há várias lacunas no seu jogo, tudo verdade… mas quando um banco destes opera com excelência tudo é possível. Há possibilidade de Tana Umaga conquistar um lugar no playoff 2017?


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS




Newsletter


Categorias


newsletter