14 Dez, 2017

Thank You Suva – 5 pontos da 13ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacMaio 22, 20179min0

Thank You Suva – 5 pontos da 13ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacMaio 22, 20179min0

Waratahs, Highlanders, Lions e Hurricanes trataram de marcar 50 ou mais pontos nos seus encontros da 13ª ronda, enquanto os Crusaders seguem imbatíveis. Vince Aso quebra recorde de Tana Umaga e Courtnall Skosan o “Line-Breaker King”. Estes e outros pontos da 13ª do Super Rugby 2017

O AMBIENTE: SUVA, THANK YOU FOR THE MEMORIES

Espectacular recepção no ANZ Stadium em Suva, nas Ilhas Fiji. O embate entre Chiefs e Crusaders fora marcado, já há bastante tempo, para a capital das Ilhas Fiji e sem dúvida alguma que foi uma aposta bem ganha.

O estádio estava, como se diz na gíria, à pinha com 20,000 mil pessoas (lotação esgotada) a gritar ora por Tamanivalu (nascido em Lautoka, nas Fiji) ora por Manasa Mataele (que esteve a centímetros de marcar um ensaio), ouvindo-se, de repente, apoios estridentes aos Chiefs.

Foi intenso, uma demonstração do melhor que o rugby (e neste caso o Super Rugby) tem para oferecer a comunidades que estão completamente imersas numa paixão pelo Planeta da Oval.

O encontro entre as duas franquias da Nova Zelândia resumiu-se a uma intensidade e entrega total, com grandes momentos de rugby e um show de Richie Mo’unga que deixou a defesa dos Chiefs “pregada” ao relvado por três vezes. Para além disso, conseguiu conquistar 16 pontos com o seu pé ao contrário de Aaron Cruden que acabou por ser um dos jogadores desilusão da semana, apesar de um ensaio com a sua autoria.

A estratégia dos Crusaders foi excepcional no que toca à placagem, à forma como conseguiram “fechar” espaço para as investidas de Damian McKenzie (ainda conseguiu criar duas situações de ataque de enorme calibre) e em “derrotar” os avançados dos Chiefs que dispuseram nos últimos 4 minutos de dois alinhamentos nos últimos 10/5 metros e acabaram por as perder com más introduções de Hika Elliot ou um salto menos conseguido de Liam Messam.

O Super Rugby teve “festa” total nas Fiji e terá de se repetir num futuro próximo… com ou sem equipa das Ilhas do Pacífico.

A AMEAÇA: WELCOME TO THE LIONS DEN

Os Lions continuam a “alimentar” o seu sonho de conseguirem voltar a ir uma final do Super Rugby, repetindo o feito de 2016… na recepção aos Bulls de Pretória, a equipa de Ruan Ackermann não esteve de modas e “devorou” os Touros em 80 minutos.

Ruan Combrinck e Courtnall Skosan foram os “líderes” da alcateia dos Leões de Joanesburgo com 3 ensaios, dois e um ensaio respectivamente. Mas Skosan foi um regalo para quem gosta de ver quebras de linha, situações de rotura defensiva e velocidade total… o ponta sul-africano já soma 28 line breaks no Super Rugby, sendo o nº1 nesse aspecto.

A forma como consegue ler a defesa colectiva dos seus adversários e a capacidade com que pulsa uma velocidade que o torna um jogador quase inalcansável fazem estremecer as equipa que defrontam os Lions.

Combrinck é, talvez, dos melhores pontas a nível mundial… é uma afirmação muito delicada e que pode ser alvo de contestação, mas a verdade é que o ponta resolve jogos. Não se limita a receber a oval e correr com ela,« ou de procurar bons espaços no meio do campo… Combrinck é um “rei” nos ares, um placador nato, um jogador que sabe dar equilíbrio à equipa e que fisicamente é um portento… dificilmente um defesa consegue incapacitá-lo.

Neste jogo contra os Bulls, os dois pontas somaram 227 metros, cinco quebras de linha, 10 defesas batidos, três ensaios em vinte e dois carries. Foram decisivos no ataque, não abriram brechas na defesa (8 placagens e dois turnovers) e acabaram por ser decisivos nos 51-14.

A soma destes pontos, para além de outros como Jantjies, Whiteley, Kriel, Mapoe ou Marx, fazem dos Lions uma supra equipa que pode estar no caminho de chegar a uma final e porque não a um vitória final no Super Rugby?

O RECORD BREAKER: VINCE ASO DESTRONA UMAGA

Está feito! Vince Aso já ultrapassou Tana Umaga em número de ensaios numa época só, com o hattrick frente aos Cheetahs. Aso tem 22 anos, assumiu o lugar de centro após a saída de Halaholo e tem sido uma das máquinas dos Hurricanes em 2017.

É um tremendo finisher, um jogador que sabe galgar metros, sabe estar bem no apoio e compreende como tem de atacar de forma a conseguir não só quebrar a linha de vantagem mas de sobretudo chegar à linha de ensaio.

O duo de centros que os Hurricanes têm são formas de “quebrar” uma equipa adversária, muito pela forma como Laumape ataca a linha e ganha metros (talvez, o centro com mais poder no confronto de 2×1 ou 1×1) e como Aso surge no apoio, sempre com boa velocidade, um bom hand-off e uma qualidade de leitura de jogo acima da média.

Nos 61-07 frente aos sul-africanos do Free State, Laumape assistiu Aso por 3x, com o nº13 a acelerar sempre bem no momento X. Vejam o 2º e 3º ensaio de Aso, a forma como Laumape vai ao contacto dentro dos seus 22 metros, consegue tirar dois ou três defesas da frente, “apanha” o espaço e sprinta até chegar a um ponto que tem uma vantagem ofensiva para soltar um passe (o pontapé por cima é de se louvar).

A grande questão que se põe a Aso é se só brilha nestes jogos mais “fáceis” porque tanto contra os Chiefs ou Crusaders, o centro eclipsou-se e deixou algumas dúvidas que terão de ser respondidas já quando defrontarem os Chiefs a 9 de Junho. Até lá há Bulls e Force para derrotar e para Aso, quem sabe, chegar a um novo recorde ultrapassando Julian Savea como melhor marcador de sempre numa edição de Super Rugby.

O ASA: Hooper e um olhar para todos os lados!

Waratahs estão mais perto de apanharem os Brumbies no topo da classificação da conferência australiana. Uma exibição muito bem conseguida, num jogo de um caos defensivo total, com 18 turnovers, 11 ensaios e 1264 metros percorridos que permitiu a Michael Hooper marcar dois ensaios, um deles de grande equilibrismo!

O asa australiano tem sido um dos melhores 3ªs linhas da competição, com todo uma potência física e técnica que deixam Michael Cheika expectante para a época de amigáveis de selecções que aí vem.

Sem Hooper, os Waratahs não tinham conseguido ganhar com “facilidade” (só a partir dos 30 minutos de jogo é que começaram a dominar) aos Rebels. Esteve em todo o lado, foi um defesa “bombeiro” (salvou a equipa em dois momentos, mas acabou por consentir 5 falhas de placagem, algo não tão “normal” em Hooper), apareceu sempre bem atrás de Bernard Foley (parece que está a regressar à sua melhor forma, organizando bem as saídas para o ataque e as movimentações de jogo) ou Horwitz e galgou 130 metros nos 14 carries que dispôs.

Hooper numa equipa que tenha um alto nível de resistência e de “rins” manobráveis será sempre um jogador decisivo no ataque e um tremendo enforcer na defesa (já vai para 28 turnovers nesta temporada, com três frente aos Rebels), um líder entre os avançados e um comunicador exemplar com as linhas atrasadas, destacando-se como um dos melhores asas e o melhor jogador australiano do momento.

Hooper um jogador atento, com um olhar que cobre todo o campo, consegue medir bem os tempos no breakdown, sabe surgir num espaço sem “invadir” a função de falso do seu colega e tem uma qualidade soberba no fazer jogar.

A CONFUSÃO: STORMERS E BLUES E UMA SÉRIE DE SITUAÇÕES ESTRANHAS

Ninguém no Mundo do rugby gosta de falar de arbitragens, de as criticar, de apontar erros e de levantar questões… no entanto, se podemos fazer isso tudo a treinadores, jogadores e dirigentes, porque é que não se pode (de forma civilizada e argumentada) o mesmo aos juízes de jogo?

No jogo entre Stormers e Blues, onde a vitória sorriu à equipa da casa (ao fim de quatro derrotas consecutivas), Jaco van Heerden esteve em vários momentos do jogo que podem ser alvo de contestação. Ficou um vermelho para dar a Shaun Treeby (placagem alta e sem intenção de jogar à bola), que no entretanto já recebeu três jogos de suspensão, o 2º amarelo a Matt Duffie é discutível (assim como o primeiro, mas esse é aceitável mediante a lógica apresentada pelo árbitro) e Etzbeth e Ioane deviam ter visto o cartão vermelho pela troca de agressões na 1ª parte.

Van Heerden deixou o jogo atingir um ponto de descontrolo tal, que as duas equipas entraram num rebuliço em diferentes ocasiões, com os rucks a serem disputados no limiar da falta (alguns já em falta), com cargas desnecessárias, com um ambiente asfixiante e excessivamente agressivo que estragou o jogo quase por completo.

O problema também foi dos jogadores que se entregaram às emoções do jogo, não tiveram frieza para recalcular e repensar, acabando por preferir entrar numa disputa tão física que até levou a Piers Francis a sair com uma lesão na cabeça (a tal placagem alta de Treeby).

Tem sido um ano de muito bom rugby no Super Rugby, com grandes jogos, duelos enormes e uma qualidade de jogo muito acima de 2015 e 2016… por outro lado, também tem sido um ano com confusões na parte da arbitragem, nas discussões da SANZAAR, no corte de equipas, tudo ruído que danifica a imagem da melhor liga de rugby Union do Mundo.


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