20 Out, 2017

Super Rugby Revolution – 5 pontos da 7ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacAbril 10, 20179min0

Super Rugby Revolution – 5 pontos da 7ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacAbril 10, 20179min0

Um passe por trás das costas, o melhor ensaio do ano, os Sunwolves derrotam os Bulls, Beauden Barrett foi expulso, os Brumbies estão “praticamente” no playoff e, mais importante, o Super Rugby passará a Super XV em 2018. Estes pontos na nossa análise da ronda 7 do Super Rugby

O DETALHE: LEYDS “FECHA” COM O SUPER RUGBY

Fim-de-semana grande no Super Rugby, com uma dose (e que dose) de ensaios que deixaram todos num estado de loucura total. Que dizer daquele ensaio congeminado por Lionel Cronjé (faz uma volta ao torso com a oval e depois mete um gruber para o ensaio de Malcolm Jaer)?

Ou daquela sucessão de passes, arranques, apoios e offloads dos Chiefs em casa dos Stormers (melhor ensaio de colectivo do ano?)?

Ou ainda o ensaio dos Blues, que conseguem pôr a bola nas mãos de Faumuina com este a “comer” o seu placador com um detalhe à 3/4?

E aquele passe “maldoso” de Dewet Roos por trás das costas mesmo em cima da linha de ensaio que resulta em 5 pontos para Andrew Smith?

Foi um fim-de-semana espectacular em jogos, jogadas, placagens e, como dissemos, em ensaios. Mas houve um que fica na memória pela ousadia em excesso que acarretou…falamos do ensaio de SP Marais que foi criado em dois momentos, um deles atinge o pico de brilhantismo do Hemisfério Sul.

Tudo começa com os Chiefs a perderem o controlo da oval, com C. Kolbe (defesa dos Stormers) a fazer um turnover e sair a jogar… pouco conseguiu correr, mas antes de ser placado o 15 atirou um pontapé (arriscado, podia ter sido avant) que foi parar ao meio-campo da equipa de Waikato.

Em alta velocidade surge Dillyn Leyds, o ponta da equipa de Cape Town, que capta a oval, leva uma “sapatada” de McKenzie… no chão e rodeado por três adversários, o ponta faz uma espécie de breakdance, fica sentado e sem mais demoras atira um passe por trás das costas para as mãos de SP Marais… o defesa só teve de sprintar e meter o ensaio no “saco”.

A loucura, o êxtase e os festejos tomaram conta de todos… é no mínimo sensacional o que o ponta fez… uma jogada carimbada com o rótulo de “savage” (expressão usada pelos ingleses para situações deste tipo) que patenteia o que é o Super Rugby!

O ACREDITAR: SUNWOLVES VOLTAM A GANHAR

Os Sunwolves….voltaram a ganhar no Super Rugby! A equipa nipónica conquistou os seus primeiros 4 pontos na competição com uma vitória por 21-20 frente aos Bulls de Pretoria.

Foram cerca de 12 jogos sem ganhar (contando com 2016), onde as penosas derrotas foram se somando e deixando críticas à capacidade dos japoneses. Em 2016 perderam por 50-06 frente aos Bulls… mas em 2017 inverteram o resultado e puderam festejar.

Num jogo, geralmente, mal jogado com vários erros entre as duas equipas (os Bulls estão a ter uma época para esquecer), registando-se 30 erros no total, os Bulls estavam por cima do encontro até ao momento fatídico: expulsão temporária de Jan Serfontein aos 68′.

A ganhar por 20-11, os Bulls só tinham de manter os Lobos japoneses longe da área de ensaio. Porém, a jogar contra 15 jogadores + 23,000 adeptos, os Sunwolves conseguiram ir aos 71′ ao ensaio (bem explorada a linha de vantagem) e aos 75′ converteram uma penalidade.

21-20, os Sunwolves voltam a poder festejar e os Bulls podem entrar em depressão… isto é o Super Rugby, ou a essência do que devia ser… em qualquer jogo uma equipa pode sair por cima, bastando para isso paciência (os Sunwolves tiveram outra postura neste encontro), compromisso (a equipa lutou até ao final) e acreditar.

A PROMESSA: CURWIN BOSCH VEIO PARA FICAR

And a Star is Born! é uma frase que explica bem o início de carreira de Curwin Bosch neste Super Rugby 2017. O defesa/abertura é tudo aquilo que os adeptos do rugby sul-africano gostam: rápido, esguio, forte no contacto, pontapé poderoso, visão de jogo de ponta, boa agressividade e sempre muito intenso.

Bosch já tinha deixado algumas pessoas espantadas com aquela tentativa de drop de 50 metros no jogo frente ao Lions, mas semana após semana, o nº15 tem sido uma das “notas” mais altas dos Sharks.

No vitória frente aos Jaguares por 18-12, Bosch correu 100 metros com a oval, foi responsável por três quebras de linha e deu ritmo ao três de trás.

Bosch tem 19 anos, esteve em todas as selecções jovens, já tinha despontado na Currie Cup e vem amealhando pontos e façanhas na sua 2ª época no Super Rugby. Tem uma capacidade inegável de “criar” destruição na linha de vantagem, tem um handling de qualidade e garante jogo ao pé.

A equipa de Durban é uma autêntica montra de jovens talentos: André Esterhuizen, Jacobus Van Wyk, Lukhanyo Am, Jean-Luc du Preez, etc. E Bosch tem provado que a juventude pode ser uma forma de sucesso.

Os Sharks agradecem a sua inclusão nas “filas de dentes” da equipa de Durban e a vitória com os Jaguares (mesmo tendo deixado cair a bola antes da linha de ensaio) prova o seu potencial e futuro… se mantiver este processo de crescimento.

A DESILUSÃO: REDS IN THE RED LINE ZONE

Não há dúvidas que após a 7ª ronda do Super Rugby, a equipa desilusão são os Reds de Queensland. Uma temporada fraca a todos os níveis, onde os reforços têm representado pouco ou nada para os australianos.

As chegadas de Stephen Moore, Quade Cooper, Scott Hinginbottham ou George Smith não foram suficientes para dar outra capacidade de ataque ou estímulo para defender melhor.

Nick Stiles, o treinador da franquia de Queensland, não pode ser o único culpado, até porque os problemas já vêm desde 2014. Ou seja, há algo mais grave do que os simples mortais pensam… um problema de liderança na administração?

O planeamento para o futuro existe? Os Reds voltam a estar em risco de acabar nos fundos do Super Rugby e agora nem o argumento de terem poucos jogadores com reputação vai servir para defender a causa.

Num jogo fundamental frente aos Brumbies, os Reds só aguentaram 20 minutos…depois foi a quebra total, sem capacidade para suster a “agressividade” ofensiva dos Brumbies que foram à área de validação por seis vezes.

Foi, como se diz na gíria, a morte do artista para os Reds… sem capacidade para implementar um ritmo de jogo consistente, sem cultura defensiva, sem ligação entre os jogadores e sem capacidade ou espírito de sacrifico (foram “varridos” numa formação ordenada por mais de 10/15 metros, com Butler a marcar ensaio), os Reds têm de fazer um reboot à sua forma de estar.

A POLÉMICA: SUPER RUGBY REGRESSA A QUINZE

Bomba! O Super Rugby vai passar de 18 equipas para 15 em 2018, o que obrigará às federações da Austrália e África do Sul, a dar com o “machado” em uma ou duas franquias, respectivamente.

Abriu-se, assim, um período de “crise” já que as equipas que poderão ficar de fora já estão a avançar para uma queixa em tribunal e suspender, de imediato, a alteração dos modelos para 2018.

Isto vai “quebrar” com a ténue aliança entre as Federações e a SANZAAR que usa o argumento das estações de televisão e das constantes críticas que são alvo quer de treinadores ou jogadores.

O grande problema, na redução, é que voltamos a ter um emagrecimento… quem sai fora? Force (equipa australiana com piores resultados)? Rebels? Kings? Cheetahs? Porque não os Bulls que estão numa crise de resultados e económica?

O regresso às 15 equipas será, no entanto, igual ao que temos agora… divididos em grupos de três (Sunwolves vão para o grupo australiano e Jaguares para os dos sul-africanos) cada um com 5. Dentro da própria conferência jogam entre si duas vezes e (8 jogos) mais 8 jogos fora da conferência (a decidir quem contra quem).

Avançam três equipas de imediato (os campeões da conferência) mais 5 outras equipas (wildcards) que são escolhidas pela pontuação final.

Isto tudo levanta várias perguntas: será que assim vai existir maior competitividade?  O sistema de conferências não era o foco de maior crítica? E é justo para essas três equipas ficarem de fora assim do nada?

Para além disso, ficamos a saber que não haverá espaço para uma equipa do Pacífico, da Argentina (haveria espaço para uma segunda formação da terra das Pampas) ou do Japão.

Uma competição para resultar precisa de tempo para estabilizar e crescer, alterar um ou dois pontos (mínimos) e procurar cativar público. O nível de rugby está francamente muito superior ao de 2016, há mais vida nos Kings, nos Force… os Sunwolves ainda precisam de tempo para se estabilizar, os Jaguares já começam a sonhar com o playoff por exemplo.

Uma revolução necessário ou uma descoordenação total que envergonha o rugby mundial?

Relembramos as palavras de Andy Marinos (CEO da SANZAAR) quando decidiram aumentar o Super Rugby


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