18 Ago, 2017

Super Rugby 2017 – Antevisão

Francisco IsaacFevereiro 21, 201746min0

Super Rugby 2017 – Antevisão

Francisco IsaacFevereiro 21, 201746min0

Esqueçam o Superbowl, a Liga dos Campeões, o Mundial de Andebol ou, e até, as Seis Nações… a maior competição desportiva chega agora em Fevereiro: Super Rugby 2017! O Fair Play faz a sua antevisão com seis convidados especiais

No meio do Inverno europeu e do “acordar” da Primavera/Verão do Hemisfério Sul, sai da “toca” a grande prova mundial de rugby… o Super Rugby.

É verdade que temos as Seis Nações, a Premiership, o Rugby Championship e, até, o Tour dos British&Irish Lions, mas o Super Rugby é aquela competição tão especial e única que nos obriga a acordar mais cedo só para “aprendermos” algo novo.

É uma competição que reúne as 18 melhores franquias (já passamos a explicar rapidamente do que se trata) do Hemisfério Sul, que se gladiam por um título que todos querem ganhar, mas só um vai lá chegar.

Em 2016 foram os Hurricanes do incrível Beauden Barrett (melhor jogador do ano para a World Rugby) que levaram o troféu no meio de uma “tempestade” que nem os mais valorosos Lions conseguiram lá chegar.

Mas muito muda em 8 meses, há profundas alterações nas squads, saídas surpreendentes e chegadas ainda mais desconcertantes. O Fair Play faz uma (breve) análise a cada uma das franquias que vão participar nesta edição de 2017, num ano de grande impacto para o rugby mundial.

As rondas todas podem consultar aqui assim como os seus horários: Super Rugby

Terão a oportunidade de ler as opiniões de alguns jogadores/técnicos do rugby nacional que partilharam os seus “conhecimentos”: Diogo Stilwell (asa do RC Santarém), Pedro Leal (top-10 de recorde de pontos no Circuito de Sevens Mundial e mundialista em 2007), Lino Rebolo (preparador físico da AIS Agronomia), Gonçalo Prazeres (atleta da AIS Agronomia e da selecção Sub-20), Diogo Cabral (atleta do CF “Os Belenenses” e capitão da selecção sub-18) e Pedro Jaleco (atleta da Selecção de sub-18 e do RC Montemor).

(NOVA ZELÂNDIA)

O CAMPEÃO: HURRICANES

Palmarés: 1x Campeões do Super Rugby (2016)
Local: Wellington, Nova Zelândia
Estádio: Westpac Stadium (34,500)
MVP: Beauden Barrett (Abertura e Melhor Jogador do Mundo em 2017)
Em Ascensão: Victor Fifita (2ª linha)
Posição Final em 2016: 1º Lugar (Campeões)

Os Hurricanes ou ‘Canes são o principal candidato ao título em 2017, uma vez que possuem um plantel altamente dinâmico que voltará a fazer “danos” profundos aos seus adversários.

Com um estilo de jogo muito directo, onde a própria avançada lança-se em linhas de corridas de ponta e gostam de participar nas acções rápidas e elaboradas das linhas atrasadas. Barrett, a médio de abertura, traz velocidade, “malabarismo”, ritmo e genialidade, o que só vai provocar ensaios atrás de ensaios para os neozelandeses de Wellington.

Todavia, para os mais entusiastas dos Hurricanes, há problemas preocupantes para a estabilidade de jogo dos campeões em título, que passam pelas saídas de alguns jogadores nucleares: Jason Woodward (Bristol), James Marshall (London Irish), Willis Halaholo (Cardiff Blues), Jamison Gibson-Park (Leinster) e, mais importante, Victor Vito (La Rochelle). A saída do nº8 vai levantar alguns questões no funcionamento da 3ª linha, ou seja, na saída de bola nas formações ordenadas, na execução rápida de rucks e no apoio ao ataque (Vito era exímio a aparecer para o offload).

Por isso, quem assumirá a posição de nº8? Blade Thompson ou Toa Halafihi. Thompson tem mais experiência que Halafihi (para além de possuir 1,98 de altura), porém o jovem jogador que provem de Taranaki (equipa regional de Barrett ou Naholo por exemplo) fez uma extraordinária Mitre 10 (competição regional neozelandesa) e ganhou de tal forma destaque que foi promovido aos Hurricanes.

Nehe Skudder is back! (Foto: Sanzar)

Mediante isto e com algumas dúvidas, apontamos os Hurricanes como finalistas da competição em 2017… se vão ser campeões? Isso dependerá da força anímica e da facilidade em aplicar o seu esquema de jogo com 4 alterações no XV.

Diogo Stilwell, um dos nossos convidados exprimiu o porquê dos Hurricanes serem a sua equipa favorita,

“São o exemplo prefeito do melhor que o rugby do hemisfério sul tem. Sempre foram a minha equipa favorita, mesmo antes de serem campeões. Não sei explicar porquê. Estas coisas do coração não se explicam. Qualidade que sobressai é o Attacking flair.”

Diogo Cabral, centro do CF “Os Belenenses” Rugby e capitão da selecção sub-18 também é um fã convicto dos Hurricanes,

“Quero voltar a reforçar o meu gosto pela equipa dos Hurricanes e pelos seus jogadores. É bom ver um rugby em que a continuidade e velocidade imposta é elevada, por isso acho que a competição em questão é adequada para quem gosta de offloads e intensidade. Vejam nos Hurricanes jogadores como Dane Coles na primeira linha, que é um dos meus jogadores preferidos até a Milner-Skudder, os irmãos Savea e os irmãos Barrett (evidenciando o Beauden, considerado o melhor jogador do mundo em 2016)”.

Com o regresso de Nehe Milner-Skudder (praticamente 9 meses de fora por lesão), o génio de Beauden Barrett, a entrega física de Fifita ou o talonador-ponta-centro Dane Coles, os Hurricanes estão prontos para “levar tudo na tempestade”.

O COLECTIVO: HIGHLANDERS

Palmarés: 1x Campeões do Super Rugby (2015)
Local: Dunedin, Nova Zelândia
Estádio: Forsyth Barr Stadium (30,70)
MVP: Ben Smith (Defesa dos All Blacks)
Em Ascensão: Matt Faddes (Centro)
Posição Final em 2016: Eliminados nas meias-finais

Os Highlanders de Otago/Dunedin estão de regresso com uma “fome” de voltar a somar títulos que a dupla Smith&Smith trouxe em 2015. Depois de uma época agridoce (iniciaram a temporada a dominar para depois caírem perante os Lions nas meias-finais), a equipa Tony Brown (será a primeira época como treinador principal, assumindo o cargo após a saída de Jamie Joseph) tem as “armas” suficientes para se lançar no ataque ao título.

Um rugby defensivo, que não precisa de muito tempo de posse de bola para chegar à área de ensaio, a equipa dos Highlanders aperfeiçoou a forma de jogar à Hemisfério Norte, com os traços do Sul, onde as jogadas inesquecíveis têm de encontrar o seu espaço no trabalho intenso da avançada.

O ano de 2016 não foi propriamente o melhor (perda do título de campeões do Super Rugby, jogos intermitentes pela Nova Zelândia que levaram à perda da titularidade nos All Blacks), sendo o de 2017 o comeback do experiente nº9.

The pack! (Foto: Newshub)

A grande “estrela” é Ben Smith, um defesa/ponta/centro que pode dar a resposta necessária nos piores momentos dos Highlanders, onde a agilidade, acuidade física e técnica de mãos e pés, fazem a diferença. Mais, não há muitos jogadores que tenham a capacidade de ler a defesa contrária como Ben Smith, o que o torna um jogador altamente fundamental para os Highlanders.

Em termos de novidades, destacar a entrada de Tevita Li, que foi “roubado” aos Blues, vizinhos da equipa de Dunedin. Kayne Hammington (Chiefs), Guy Millar (excelente contratação para a 1ª linha, com o australiano ex-Force a ter optado por uma “fuga” para a Nova Zelândia) e Siate Tokolahi foram outras das contratações.

Nas palavras de Pedro Jaleco, os Highlanders são uma equipa a tomar em conta,

“Com os olhos todos postos nos Hurricanes, com a expectativa de uma dobradinha, penso que quem vai somar mais um título são os Highlanders. Mantiveram a espinha da equipa da época passada com a adição do perigoso ponta Tevita Li. Sem nomes tão sonantes como alguns plantéis, os Highlanders possuem uma equipa que pratica um rugby muito atraente e já está habituada aos grandes palcos”.

O colectivo aqui fará diferença, ao bom estilo de uns Highlanders que não arredam “pé”!

A magia de Sopoaga

OS RISK TAKERS: CHIEFS

Palmarés: 2x Campeões do Super Rugby (2012 e 2013)
Local: Hamilton, Nova Zelândia
Estádio: Waikato Stadium (26,500)
MVP: Aaron Cruden (Abertura dos All Blacks)
Em Ascensão: Damian McKenzie (Centro)
Posição Final em 2016: Eliminados nas meias-finais

O Super Rugby nem começou e os Chiefs já conquistaram o seu primeiro troféu, com os Brisbane 10’s (o 1º evento foi um sucesso), pulsando um ritmo fenomenal e uma vontade de jogar no risco única.

O “feiticeiro-mor” Dave Rennie (foi o treinador que guiou os Chiefs ao bicampeonato entre 2012-2013) mantém-se no leme para tentar guiar a formação de Hamilton até ao título… todavia, mal termine a temporada Rennie sairá da Nova Zelândia para assumir o cargo de treinador dos Glasgow Warriors.

Mas falemos do presente e da formação recheada de talento, que gostam tanto jogar no risco que é impossível assistir um jogo dos Chiefs sentado. Falamos de jogadores como Liam Messam, Nathan Harris, Aaron Cruden (um nº10 de classe mundial, com um toque de bola quase único), Carlie Ngatai, Nanai-Williams, Lienert-Brown (vai explodir nesta temporada) e, obviamente, o surpreendente Damian McKenzie.

It’s Chiefs time! (Foto: Chiefs.com)

O nº15 que só ostenta 21 anos de idade, já leva 231 pontos na competição, tendo conseguido vestir a camisola dos All Blacks por duas vezes em 2016! É conhecido como o Serial Rugby Killer, pela olhar que impõe no momento de chutar uma bola ou naquele infra-segundo antes de partir a linha de defesa. Tem um dom para o rugby, tem um dom para o espectáculo.

Esta equipa dos Chiefs sofreu várias saídas desde Sonny Bill Williams, Pauliasi Manu e Augustine Pulu (estes três foram para os Blues), passando pelo surpreendente “adeus” de Seta Tamanivalu que partiu para as cruzadas de Christchurch, o que tira algumas opções ao elenco de Rennie… porém, a vontade de jogar no risco, a agressividade atacante e a paixão pelo ensaio não vai desaparecer com estas saídas.

OS INTEMPORAIS: CRUSADERS

Palmarés: 7x Campeões do Super Rugby (1998, 1999, 2000, 2002, 2005, 2006 e 2008)
Local: Christchurch, Nova Zelândia
Estádio: AMI Stadium (18,500)
MVP: Kieran Read (Capitão dos All Blacks e Melhor Jogador do Mundo em 2013)
Em Ascensão: Richie Mo’unga (médio de abertura)
Posição Final em 2016: Eliminados nos quartos-finais

Longos vão os tempos em que os Crusaders dominavam o Super Rugby (na altura Super XV) com uma força única… desde 2008 que não tocam em qualquer título e só por duas vezes nas últimas oito temporadas conseguiram voltar a ir à final.

Numa formação recheada de grandes glórias dos All Blacks, como Kieran Read, Wyatt Crockett, Owen Franks, Sam Whitelock, Andrew Ellis e o “enigmático” Israel Dagg. Para além deste “sangue velho” carregado de “honra”, há toda uma nova geração de All Blacks a despontar como Codie Talyor, Scott Barrett, Matt Todd (o asa “deseja” a camisola nº6 de Jerome Kaino), Jone Macilai-Tori ou Ryan Crotty (apesar dos 28 anos de idade, parece-nos ser uma das grandes “caras” dos cruzados).

Para além destes todos, há o grande reforço: Seta Tamanivalu, o centro/ponta que transferiu-se dos Chiefs. Tamanivalu é uma “máquina” na luta no contacto, um jogador complicado de “parar”, de fazer frente e que é “duro” a defender.

Em relação a outras transferências destacar o “êxodo” de saídas como Fonotia (Ospreys), Johnny McNicholl (Scarlets), Nemani Nadolo (Montpellier,  o ponta vai fazer muita falta na linha de ataque e defesa dos Crusaders) ou Jimmy Tupou (ingressou nos Blues), que só foram superadas pelo abandono de Todd Blackadder que aceitou o desafio de ser director de rugby do Bath Rugby.

A nova Cruzada? (Foto: Getty Images)

Scott Robertson foi designado como novo treinador da franquia de Christchurch... no seu palmarés “só” tem um Mundial de sub-20 e três títulos da Mitre 10 pelo Canterbury. Chega? Bem, veremos… o Super Rugby é uma época sempre agressiva para todos. E para os Crusaders será uma época de provação… conseguirão ombrear com os rivais neozelandeses?

Diogo Stilwell, revelou-nos que para ele, “os Crusaders serão uma das desilusões da prova.”.

Por outro lado, é a equipa que mais simpatia reúne entre os nossos convidados, uma vez que Pedro Leal, Gonçalo Prazeres e Pedro Jaleco têm um “carinho” especial pelos cruzados. Nas palavras de Leal,

“Crusaders porque me fazem lembrar o meu clube (GDD) se bem que nos últimos anos gostei muito dos Hurricanes e Chiefs.”

na de Prazeres,

Crusaders, porque desde que acompanho a competição era a equipa dos meus jogadores(Dan Carter, Richie Mccaw) preferidos e isso acabou por me influenciar na decisão.”

E Jaleco,

Sem dúvida os Crusaders. Talvez por influência do meu pai, ou talvez pela constelação de estrelas que era a equipa na altura em que me comecei a interessar pelo Super Rugby, fizeram de mim um adepto incondicional dos Crusaders. Jogadores como Richie McCaw, Daniel Carter ou Kieran Read fizeram-me apaixonar pelo rugby do Hemisfério Sul.“.

A glória do passado vai influenciar a ambição do presente?

A SURPRESA: BLUES

Palmarés: 3x Campeões do Super Rugby (1996, 1997 e 2003)
Local: Auckland, Nova Zelândia
Estádio: Eden Park (50,000)
MVP: George Moala (centro dos All Blacks)
Em Ascensão: Rieko Ioane (ponta/centro)
Posição Final em 2016: 11º lugar, fora da fase final

Se há equipa que nos tira o “sono” em termos de qualidade e potencial, são os Blues de Auckland. Tana Umaga tem um elenco fenomenal de jogadores que estão a surgir no rugby Mundial como as futuras grandes referências do rugby neozelandês caso dos irmãos Ioane (Akira e Rieko), Blake Gibson, Jimmy Tupou (veio dos Crusaders), Alex Hodgman, Ihaia West todos eles com idades entre os 20 e os 23.

Depois há já jogadores com outro “arcabouço” como George Moala (um powerhouse nos centros, com uma capacidade para amassar os seus adversários com facilidade), Augustine Pulu (boa “pesca” por Umaga em casa dos Chiefs), Sonny Bill Williams (só estará de regresso em Abril após 8 meses lesionado), Patrick Tuipulotu e o grande Jerome Kaino (o capitão e um exemplo de jogador).

O Maestro dos Blues (Foto: Planet Rugby)

Os Blues têm um jogo “bonito” de se ver, com uma velocidade categórica, uma classe própria com a bola nas mãos, uma resiliência definitiva em defender cada bola como se fosse a última… mas, será que basta para chegarem à fase de playoff?

Dependerá do ritmo e capacidade física, dois problemas dos Blues desde 2013. Quando Umaga chegou à equipa em 2016, isso foi visível até a meio da temporada para de repente começarem a impor o seu jogo e estilo conseguindo, ficar a 11 pontos do apuramento para a fase final.

Na opinião de Diogo Cabral, os Blues são uma equipa

penso que me poderá surpreender são os Blues. Com as contratações sonantes de Sonny Bill Williams, Augustine Pulu e Pauliasi Manu, o plantel dos Blues é um misto de jogadores experientes com jovens irreverentes, como é o exemplo dos irmãos Ioane. Têm uma avançada com muitos ‘All Blacks’ e uns 3/4 muito rápidos, a maior parte vindo dos Sevens. Uma equipa para lutar pelos playoffs e quem sabe algo mais…”

Por outro lado, Lino Rebolo (preparador físico da AIS Agronomia) alerta que,

Bem, os Blues e os Reds após novas contratações e épocas menos conseguidas têm a obrigação de melhorar as suas performances, mas não sei se serão a surpresa da prova.”.

Para o bem da competição, precisamos de ter os Blues na sua máxima força… para o bem dos outros, é melhor que isso não aconteça.

A melhor exibição em 2016 frente aos Waratahs

(AUSTRÁLIA)

OS “PERDEDORES”: BRUMBIES

Palmarés: 2x Campeões do Super Rugby (2001 e 2002)
Local: Canberra, Austrália
Estádio: GIO Stadium (25,011)
MVP: Scott Fardy (Asa dos Wallabies)
Em Ascensão: Kyle Godwin (centro, estreou-se pela Austrália em 2016)
Posição Final em 2016: Eliminados nos quartos-final

Os Cavalos Selvagens de Canberra estão de regresso, com vários problemas no seu roster muito devido a transferências, lesões, “adeus antecipados” e licenças sabáticas. Foi um off-season muito duro para os lados de Stephen Larkham, o técnico que tem a missão árdua levar os Brumbies ao playoff.

A grande baixa foi a saída de David Pocock, que entre uma paragem de 6-8 meses por licença sabática (o experiente asa vai concentrar-se nos estudos durante esse tempo) ainda pode estar de partida para a liga japonesa, algo que não agradou aos australianos.

Saídas de Stephen Moore (ingressou nos Reds), Matt Toomua (está em Inglaterra, a jogar pelos Leicester Tigers), Joe Tomane, entre outros, tiraram capacidade de choque, defesa e equilíbrio técnico/mental da equipa de Canberra. Para além disto, Christian Lealiifano não sabe quando regressa (ou se regressa ainda em 2017) devido à sua batalha contra a Leucemia.

Perante este quadro nocivo, Larkham teve direito a alguns “remédios” para fintar (ou pelo menos tentar) a possível má temporada que se avizinha: Lolo Fakaosilea (um asa/nº8 que pode ser uma das novidades interessantes dos Brumbies), Anthony Fainga’a (era um dos melhores jogadores dos Reds, ocupará a posição de Toomua), Kyle Godwin (era, para além de Haylett-Petty, o melhor jogador na Force) e Saia Fainga’a (ocupará a posição de Stephen Moore).

The Wild Brumbie is a great Brumbie (Foto: Brumbies.com)

Não temos certeza de como se vão apresentar os Brumbies em 2017, ou se o estilo de jogo vai continuar igual em que a posse de bola era bem gerida, esperando uma boa interacção com os pontas (procuravam espaços, após um ruck no centro do terreno) e um apoio de qualidade. Pocock trazia turnovers, recuperando a bola para depois jogarem rapidamente e encontrarem a área de validação.

Pedro Jaleco apostou nos Brumbies como equipa desilusão para 2017,

“Não será fácil o campeonato para a equipa de Camberra. Os Brumbies vão ter que lidar com a perda de 4 jogadores titularíssimos em épocas anteriores (David Pocock, Matt Toomua, Joe Tomane e Stephen Moore) e tentar corresponder às boas épocas que têm realizado. Como tal, penso que os Brumbies vão ser a equipa desilusão.”

Mas o que será dos Brumbies para 2017? Haverá lugar para os Cavalos Selvagens?

OS “USURPADORES”: REDS

Palmarés: 1x Campeões do Super Rugby (2011)
Local: Queensland, Austrália
Estádio: Suncorp Stadium (50,000)
MVP: Quade Cooper (médio de abertura dos Wallabies)
Em Ascensão: Samu Kerevi (centro dos Wallabies, estreou-se em 2016)
Posição Final em 2016: 15º lugar, fora da fase final

Que renovação formidável dos Reds, com as chegadas de Quade Cooper (o excêntrico abertura, que tem uns “pézinhos” de veludo), Stephen Moore (um jogador exemplar, um dos líderes da selecção australiana), George Smith (sim, esse mesmo como referiu Diogo Stilwell, o formidável asa, uma lenda Wallaby), Scott Higginbotham, entre outros.

As saídas de Holmes, Browning Gill, Goromaru (todos estes para a Europa), Saia Fainga’a, foram bem colmatadas e darão a Nick Stiles (foi o homem que a direcção dos Reds escolheram para liderar esta nova tentativa de assalto ao título) um novo fôlego.

O novo treinador “viveu” em 2016 uma fase de crise da equipa de Queensland, que despediu a meio da temporada passada Richard Graham (agora treina a parte de avançados da Geórgia) e optou por ter Stiles como treinador interino.

Kerevi and the Red Faith (Foto: Green and Gold Rugby)

Ao fim dessa época, Stiles ganhou a confiança da direcção e assim fica como treinador de uma franquia que já levantou o título de campeão em 2011. Com Cooper, Moore, Smith e Higghinbotham a equipa ganha velocidade e magia, liderança e garra, músculo e estratégia, dinamismo e raça.

Essencialmente, Cooper terá em Samu Kerevi o “catalisador” de explosão de ataque que precisa para garantir metros e respeito dos seus adversários. Basta que a avançada aguente as fases estáticas e garanta o princípio de jogo que os Reds querem para saírem para o ataque.

Se gostam de rugby rápido, carisma, velocidade e raça, apostem nos Reds… poderão não chegar ao título, mas vão ser uma equipa a seguir.

OS BRIGÕES: WARATAHS

Palmarés: 1x Campeões do Super Rugby (2014)
Local: Sydney, Austrália
Estádio: Allianz Stadium (45,500)
MVP: Israel Folau (defesa dos Wallabies)
Em Ascensão: Jack Dempsey (asa)
Posição Final em 2016: 10º lugar, fora da fase final

A equipa australiana candidata a classificar-se para a fase final em 2017. Não são uma equipa brilhante, mas são uma colectivo forte, altruísta e que gosta de jogar rugby de forma “agressiva”.

Com um “tom” muito físico, uma equipa que passa de um momento “maçador” para uma explosão de sequências de altíssimo nível, os Waratahs são uma das equipas de melhor qualidade de jogo no Super Rugby. Apesar de algumas quedas de forma em 2016 (ficaram a 4 pontos de se apurar para a fase seguinte) os Tahs’ têm tudo para em 2017 lutarem pelo título.

Um rugby muito impulsivo, onde Folau assume o papel de grande perigo para a defesa contrária (em 60 jogos já fez 36 ensaios), com uma série de quebras de linha de elevada categoria, a sua excelente recepção a pontapés no ar (permanece bem assente essa “costela” do Rugby League), capacidade de placagens “agressivas” (pára os adversários no lugar), entre outras qualidades importantes para se afirmar como a grande referência da equipa de Sydney.

Hooper on the carry (Foto: Planet Rugby)

Em termos de entradas e saídas, há que destacar os “adeus” de Kurtley Beale (para os London Wasps), Polota-Nau (será jogador dos Force até 2019) e Wycliff Palu (foi um dos que seguiu para o Japão, Toyota Verblitz). Em sentido contrário, Daryl Gibson (director técnico da equipa de Syndey) reforçou os Waratahs com Sekope Kepu, Dean Mumm (já tinha chegado em 2016 mas será em 2017 que fará a diferença), Damien Fitzpatrick (veio do Lyon, o 2ª linha) e Michael Wells.

São reforços de qualidade, para dar volume a uma formação que tem nomes como Bernard Foley, Jed Holloway, Michael Hooper (talvez um dos melhores asas a nível mundial), Will Skelton (finda o seu empréstimo aos Saracens agora em Abril), Rob Horne entre outras “estrelas”.

Este será o ano dos Waratahs? Bem capaz que o seja, pois o rugby de pulso forte, capacidade de criar interacções na linha e a velocidade de jogo farão a diferença nos momentos mais difíceis.

Israel Folau, a “arma” dos Waratahs

A INCÓGNITA: REBELS

Palmarés: 0x Campeões do Super Rugby
Local: Melbourne, Austrália
Estádio: AAMI Park (30,000)
MVP: Reece Hodge (centro dos Wallabies)
Em Ascensão: Jonah Placid (defesa)
Posição Final em 2016: 12º lugar, fora da fase final

Os rebeldes de Melbourne vão ser a incógnita da Austrália para 2017, já que não têm um plantel propriamente consistente e/ou com caras conhecidas, nem têm uma estrutura fenomenal.

Em 2016 atingiram o 12º lugar (em 18 formações), ficando muito longe dos lugares de discussão pelo playoff. Um rugby algo frágil, que transita de bons períodos de jogo para erros incalculáveis que representam pontos sofridos e derrotas avolumadas.

Treinados por Tony McGahan, os Rebels têm alguns jogadores de qualidade (que não nos parece que fiquem muito mais tempo em Melbourne) como Reece Hodge (mesmo tendo apenas 22 anos, já assumiu um papel semi-importante na Austrália de Michael Cheika), Mitch Inman (pode não ser um jogador espectacular, mas garante qualidade ao jogo dos Rebels) ou Sean McMahon, o poderoso asa/nº8 que tem um futuro imenso e que tem de liderar a avançada australiana.

Rebelião a caminho? (Foto: Ishii/Getty Images)

É uma equipa que faz uso da sua avançada, principalmente da 3ª linha, para “desgastar” a linha de defesa contrária, assumindo uma postura capaz e resistente para dar espaço a Jack Debreczeni (um abertura com qualidade e boa visão de jogo) de libertar o jogo rapidamente para pontos mais amplos do campo.

Houve uma “sangria” de transferências para fora, como Mike Harris, Jamie Hagan, Luke Jones, Adam Thompson, todos eles elementos importantes em 2016. Dominic Day (internacional pelo País de Gales) ingressou na formação de Melbourne, assim como alguns atletas de equipas da região de Melbourne, o que demonstra que há uma aposta em formar uma equipa “musculada” para o futuro.

Se vamos ter alguma rebelião em 2017? Isso só McGahan e os seus rebeldes o poderão dizer no decurso de uma época que se espera difícil e árdua. A vitória ante os ‘Tahs em 2016 foi uma das melhores prestações em 2016

A DESILUSÃO PERMANENTE: FORCE

Palmarés: 0x Campeões do Super Rugby
Local: Perth, Austrália
Estádio: nib Stadium (20,050)
MVP: Dane Haylett-Petty (defesa dos Wallabies)
Em Ascensão: Matt Philip (2ª linha)
Posição Final em 2016: 10º lugar, fora da fase final

Numa palavra: deprimente, é a melhor forma de explicar ou definir a equipa da Western Force, uma formação que está em queda livre e que teve mesmo de receber apoio da Federação Australiana de Rugby em 2016, pois a franquia encontrava-se prestes a decretar falência técnica.

Perante estes cenários, a Force voltará a ser uma decepção em 2017, com um roster de jogadores muito limitado, apesar de terem alguns nomes bem interessantes como Haylett-Petty, Adam Coleman, Ben Daley, Robbie Coleman, Luke Morahan, Matt Hodgson (asa que é um exímio placador e a relançar o jogo a partir do ruck) e Ben McCalman.

Os reforços internacionais como Volavola (bom reforço vindo dos Crusaders), Bill Meaks e Polota-Nau podem dar outra consistência aos Force que lutarão pelos lugares mais baixos da divisão da Australiana-Neozelandesa e do Super Rugby.

Lino Rebolo, destaca a entrada do novo treinador (David Wessels que está ligado à região de Perth já a alguns anos) e o que pode acontecer em 2017,

Os Western Force terão (mais) um ano complicado, se não conseguirem resultados a franquia pode acabar de vez, o novo treinador já disse que as segundas oportunidades acabaram e este é o ano de provar algo, eu gosto dos “Underdogs” e espero que consigam melhorar este ano.”

(ÁFRICA DO SUL)

A COQUELUCHE: LIONS

Palmarés: 0x Campeões do Super Rugby
Local: Joanesburgo, África do Sul
Estádio: Emirates Airline Park (62,567)
MVP: Ruan Combrinck (ponta da África do Sul)
Em Ascensão: Rohan van Rensburg
Posição Final em 2016: Finalistas

A equipa que mais se aproxima ao estilo de jogo das franquias da Nova Zelândia, os Emirate Lions são a coqueluche do momento do Super Rugby. Um rugby sofisticado, rápido, explosivo e recheado de detalhes técnicos soberbos, vão meter o “pé no acelerador” para tentar conquistar o título que lhes fugiu em 2016.

As linhas atrasadas são um dos pontos supra-positivos desta formação sul-africana de Joanesburgo: Faf de Klerk, Elton Jantjies, Rensburg, Mapoe, Combrinck, Skosan e der Walt… é uma linha sensacional, sendo quase todos internacionais pelos Springboks.

Uma velocidade alucinante, um dinamismo quase incomum e uma sede pelos ensaios insaciável, são alguns dos grandes argumentos da equipa comandada por Johan Ackerman. No defeso, fizeram “compras” para a avançada introduzindo alguns jogadores dos Bulls (Hencus van Wyk e Marvin Orie) e dos Kings ( Sti Sithole e Justin Ackerman) dando “músculo” e profundidade à primeira e segunda-linha.

As duas grandes saídas passaram pelo abandono de Stephan de Wit (ingressou nos Stormers) e Marnitz Boshoff (ainda está à espera de data de estreia no Connacht, o campeão irlandês em título), mas nenhuma delas fará “danos” na forma de jogar dos Lions.

As maiores debilidades dos Lions tem a ver com o “excesso” de dinamismo ou de entrega imposta durante os primeiros 30-40 minutos de jogo… se uma equipa adversária aguentar, sem sofrer grandes ensaios e pontos, os Lions arriscam-se a ter um jogo muito ingrato nas suas mãos. Por isso, o segredo passa por garantirem pontos logo a “abrir” para levar ao desnorte dos seus adversários.

Na opinião de Diogo Cabral, os Lions poderão não conseguir fazer algo tão bom como em 2016,

A época de 2016 foi inesquecível para os Lions, tendo chegado com todo o mérito à final. Contudo, o fator surpresa desapareceu e penso que o plantel não terá força suficiente para provar que a época anterior não foi apenas uma casualidade.”

Conseguirão os leões  de Joanesburgo “caçar” o título que lhes escapou em 2016?

A ETERNA PROMESSA: STORMERS

Palmarés: 0x Campeões do Super Rugby
Local: Cidade do Cabo, África do Sul
Estádio: Newlands Stadium (51,000)
MVP: Damian de Allende (centro da África do Sul)
Em Ascensão: Pieter-Steph du Toit (2ª linha da África do Sul)
Posição Final em 2016: Eliminados nos quartos-final

Os Stormers, franquia que só por uma vez na sua história se qualificou para a final da competição (2010), não deverão conseguir atingir a fase dos playoff, ao contrário do que se passou em 2016.

As perdas de jogadores representam um dos pontos mais “críticos” da equipa da Cidade do Cabo, uma vez que saíram/deixaram sair 19 jogadores incluído estrelas como Nic Groom (Northampton Saints), Jean Kleyn (Munster), Jaco Taute (Munster) ou Kobus van Wyk (Sharks) tirando poder de choque e “agressividade” no contacto (Groom e Taute eram especialistas nesse departamento), velocidade e ensaios (Kobus van Wyk assumia-se como um autêntico perigo à ponta, com 9 ensaios em duas temporadas).

A somar a isto, Leolin Zas vai falhar toda a temporada (fracturou a perna esquerda em dois sítios) assim como Scarra Ntubeni, o que tira ainda mais duas unidades de valor à formação dos Stormers.

A Storm is brewing (Foto: Phando Jikelo)

Os reforços provieram de duas localizações em especial: Newlands (Western Province, a equipa regional da franquia), com sete reforços, onde se inclui Khanyo Ngcukana (jogador a ter “debaixo” de olho); Bulls (a franquia de Pretória), com três contratações realizadas, com as vindas de SP Marais (excelente adição para a posição de defesa), Dan Kriel e Bjorn Basson.

Para além disso, destacamos a vinda de Dewalt Duvenage, formação sul-africano que andou por terras gaulesas entre 2013 e 2016, tendo somado 72 jogos. A experiência do formação dará outra consistência à saída de bola no ruck, ao passe para a linha, gestão de timings e velocidade de jogo.

Com um rugby muito caracterísitco, onde há uma vontade de jogar rápido, aberto e com dinâmicas consecutivas, os Stormers são a eterna promessa do rugby sul-africano. Será uma época para surpreender, talvez, os críticos onde jogadores como Pieter-Steph du Toit (um 2ª linha que facilmente pode jogar a asa), Eben Etzebeth, Damien Allende (dos jogadores com um pacing de alta categoria) ou Huw Jones farão o máximo para dar “voz” aos Stormers.

OS LÍDERES ADORMECIDOS: BULLS

Palmarés: 3x Campeões do Super Rugby (2007, 2009 e 2010)
Local: Pretória, África do Sul
Estádio: Loftus Versfeld (52,760)
MVP: Jesse Kriel (centro/defesa da África do Sul)
Em Ascensão: RG Snyman (2ª linha)
Posição Final em 2016: 9º lugar, fora da fase final

Uma equipa que esteve em “gestação” em 2016 e que prepara para os seus primeiros “passos” à séria em 2017. Estes são os Blue Bulls de Pretória, uma equipa que já agarrou o título por 3x na sua História e que deseja ainda mais.

Um rugby físico, onde o contacto é explorado até ao seu último pormenor em que a predisposição física faz a diferença, a equipa dos touros tem cinco ou seis personagens que farão, sem dúvida, a diferença.

Falamos de Handré Pollard, Jesse Kriel, Rudy Paige, Jan Serfontein e Lood de Jager. Destacamos o primeiro, pois trata-se de um dos melhores médios-de-abertura da nova geração, com um especial dom no pontapé, uma visão de jogo única e uma capacidade de criar transições de jogo de forma, diguemos, especial.de Jager no comando (Foto: Planet Rugby)

A lesão que o tirou da selecção e do Super Rugby em 2016 está debelada (por pouco não perdeu o seu braço direito, devido a uma infecção grave após a operação ao ombro) e agora deverá assumir as rédeas dos seus Bulls.

Kriel é um jogador de momentos críticos, gosta de criar espaços e de os explorar, dando vagas de “penetração” para chegar à área de validação. Para além disto, a defender é um exemplo, com placagens de força e que enviam uma mensagem à equipa adversária.

Numa temporada que se viram reforçados, especialmente, com potenciais estrelas para o futuro, vindas da sua equipa regional, a contratação de Lood de Jager foi “providencial” podendo ser o 2ª linha um dos catalisadores no 5 da frente.

Tenham uma especial atenção aos Bulls… a época pode não começar bem, mas se acertarem ritmos, combinações e colectivo irão “assustar” algumas franquias destinadas ao título do Super Rugby em 2017.

OS SEM RUMO: SHARKS

Palmarés: 0x Campeões do Super Rugby
Local: Durban, África do Sul
Estádio: Growthpoint Kings Park (55,000)
MVP: Patrick Lambie (abertura da África do Sul)
Em Ascensão: André Esterhuizen (centro)
Posição Final em 2016: 8º lugar, fora da fase final

JP Pietersen, Marcell Coetzee, Paul Jordaan, Joe Pietersen, Willie le Roux, Jacques Potgieter e Kyle Cooper? Reconhecem a maioria destes nomes? Especialmente JP Pietersen e Willie Le Roux, correcto? Bem estes foram só os titulares que abandonaram a formação de Durban e partiram para a Europa ou Japão em 2017.

A somar a estas despedidas todas, Gary Gold, um dos treinadores mais interessantes da África do Sul (e que, de vez em quando, tinha uma altercação com árbitros) abandonou a franquia e partiu para Inglaterra, onde assumiu o cargo técnico dos Worcester Warriors.

Foi uma “revolução” negativa entre o fim da época de 2016 e o relançamento de 2017… o que resta? Bem há Pat Lambie, um médio de abertura de elevada categoria, onde o seu pontapé representa pontos e as mãos ensaios.

Para além do 10, há Mvovo (um bom ponta), Coenie Oosthuizen (dedicado primeira linha), Michael Claassens e André Esterhuizen (centro de enorme qualidade, foi um dos top-tacklers da temporada passada do Super  Rugby), somando-se a experiência de Michael Claasens e Tendai Mtawarira à formação dos tubarões.

Nas mãos de Lambie (Foto: Sharks Rugby)

O rugby dos Sharks passa muito por um contra-ataque mortífero (boas bolas recuperadas no contacto ou alinhamentos), umas fase-estáticas controladas e um relançamento de jogo através do pontapé que lhes permite impor uma pressão alta às defesas contrárias.

Porém, estes traços identificativos dos Sharks não deverão surgir com tanta expressividade uma vez que na falta de jogadores-estrela (as contratações provieram da equipa regional da Currie Cup) é necessário ao novo treinador Robert du Preez encontrar um rumo para a equipa de Durban.

A ESCOLA DE CAMPEÕES: CHEETAHS

Palmarés: 0x Campeões do Super Rugby
Local: Bloemfontein, África do Sul
Estádio: Free State Stadium (48,000)
MVP: Francois Venter (centro da África do Sul)
Em Ascensão: Sergeal Petersen (ponta)
Posição Final em 2016: 14º lugar, fora da fase final

Os Cheetahs do Free State são uma equipa que não tem qualquer possibilidade de chegar ao título ou playoff, mas que não deixa de ser uma formação interessante, dinâmica e alegre a jogar rugby.

É uma verdadeira “escola de campeões” uma vez que formaram jogadores como Os du Randt, Gurthro Steenkamp, CJ van der Linde, Juan Smith, Ruben Kruger, André Venter mas nunca tiraram o devido proveito que mereciam.

Um rugby que peca por estabilidade, onde as formações ordenadas e alinhamentos são uma “guerra” para serem conquistadas. Para tentar combater isso, Franco Smith conseguiu garantir que a maioria dos jogadores de 2016 ficassem para 2017, o que vai ser um ponto a favor.

A toda a velocidade (Foto: SA News)

Ora, há também um ponto contra, que é a perda tanto de Lood de Jager (não se pode censurar a aposta do 2ª linha na sua transferência para os Bulls) como de Maks van Dyk (saída do Stade Toulousain), o que vai tirar algum “peso” e confiança à avançada.

Por isso, registaram-se três saídas e só uma entrada (Ryno Eksteen dos Stormers), o que não deixa de ser interessante… estará Franco Smith a procurar um tipo de estabilidade que poderá ser altamente vantajoso para esta temporada?

Ter conseguido ficar com jogadores como Sergeal Petersen (fenomenal ponta, que marcou 10 ensaios na temporada passada), Clayton Blommetjies, Raymond Rhule ou Uzair Cassiem (asa com uma tremenda predisposição para defender) representam grandes vantagens para estes chitas.

Terá um final feliz esta jogada de risco do colectivo de Free State?

O resultado mais expressivo de sempre no Super Rugby pertence aos Cheetahs

O “REI” DOS PIORES: KINGS

Palmarés: 0x Campeões do Super Rugby
Local: Port Elizabeth, África do Sul
Estádio: Nelson Mandela Bay Stadium (48,459)
MVP: Schalk Ferreira (talonador)
Em Ascensão: CJ Velleman (asa)
Posição Final em 2016: 17º lugar, fora da fase final

Uma equipa que é “espezinhada” pela maioria dos críticos, por não ter um conteúdo sólido, um futuro bem delineado e uma ideia de estrutura forte… os Southern Kings querem (tentar) mudar essas opiniões em 2017.

Altamente reforçados com vários atletas de várias localizações, destacamos a chegada de Schalk van der Merwe (o primeira-linha chega do Montpellier), Ross Geldenhuys (campeão pelos Highlanders em 2015), Chris Heiberg (saiu da equipa australiana dos Force) ou Chrysander Botha (o namibiano já jogou na Europa, afirmando-se como um defesa de confiança).

Are they Kings or Pawns? (Foto. Rugby365)

Os Kings de Deon Davids têm vários problemas, a começar na estabilidade no cinco da frente, na velocidade de reacção dos centros ou na perspicácia e sentido de oportunidade do trio de trás. Cometem diversos erros, são fracos no apoio ao portador da bola (são uma equipa que é fácil “roubar” a oval) e que fisicamente estão longe das suas congéneres do Super Rugby.

Será mais uma época difícil, ardilosa e muito longe de merecerem destaque… Gonçalo Prazeres apontou que a sua desilusão para 2017 serão os Kings, muito pela falta de “perfume” ou “raça” que normalmente acompanham o rugby sul-africano.

(ARGENTINA)

A FÚRIA LATINA: JAGUARES

Palmarés: 0x Campeões do Super Rugby
Local: Buenos Aires, Argentina
Estádio: Estadio José Amalfitani (49,500)
MVP: Facundo Isa (nº8 da Argentina)
Em Ascensão: Emiliano Boffelli (centro)
Posição Final em 2016: 13º lugar, fora da fase final

Los Jaguares da Argentina voltam a 2017 com uma confiança redobrada, uma motivação diferente e uma “fome” de “caçarem” não só pontos e equipas, mas quem sabe um lugar nos playoff.

2016 foi uma temporada “azeda” já que em 15 jogos, só somaram 4 vitórias e 11 derrotas, pondo fim à ideia que os Jaguares vinham para “incomodar” no ano de estreia. Porém, 2017 será o ano de ressurgimento, numa formação que só perdeu um titulo: Lucas Amorosino.

O centro terminou o seu contrato e não viu chegar uma renovação, o que não deixa de ser uma acção de risco… de qualquer forma, há Santiago Cordero (dos melhores pontas do Hemisfério Sul), Manuel Montero ou Emiliano Boffelli (pode “descair” para centro).

Por la caça Jaguares (Foto: Olé)

Capitaneados por Augstín Creevy, o talonador que representa bem a raça dos Jaguares e da Argentina, a equipa de Buenos Aires tem tudo para dar certo, desde que não caia no erro de cometerem penalidades (chegaram ao ponto de realizar 18 penalidades num só jogo), discutirem com o árbitro ou terem acções que levem a admoestação com cartões.

Um rugby raçudo, com espectaculares detalhes técnicos (Cordero e Sánchez são “reis” neste aspecto), uma defesa resiliente (Facundo Isa ou Pablo Matera) e uma vontade rápida de quebrar linhas de vantagem.

Os Jaguares vivem em dois mundos, entre o rugby espectacular que agarra os adeptos à televisão (ou computador no caso português) e o excesso de vontade e agressividade que leva a uma onda de críticas e censuras por parte dos especialistas.

Será este o ano dos Jaguares?

(JAPÃO)

OS “APRENDIZES”: SUNWOLVES

Palmarés: 0x Campeões do Super Rugby
Local: Tóquio, Japão
Estádio: Chichibunomiya Rugby Stadium (27,100)
MVP: Ed Quirk (asa/nº8)
Em Ascensão: Kenki Fukuoka (ponta)
Posição Final em 2016: 18º lugar, fora da fase final

Os Sunwolves de Tóquio, franquia japonesa, vê 2017 como mais um ano de aprendizagem e crescimento, estando no horizonte o Mundial de rugby em casa. Os nipónicos têm uma formação “estranha” já que perderam vários jogadores, mas foram buscar outros tantos.

Registaram-se 22 saídas e 32 entradas, naquilo que foi a equipa que mais alterou o seu roster e por conseguinte XV inicial. Destaque para a saída de Akihito Yamada (contratado pelos Panasonic Knights, o ponta que terminou a época com 9 ensaios), Tusi Pisi (o genial abertura ingressou no Bristol), Tim Bond, Fa’atiga Lemalu, entre outros tantos.

A alcateia nipónica (Foto: Sunwolves.com)

O rugby rápido, trabalhador e de conquista de fases dinâmicas, terá de ser alimentado pelas novas “caras” como Takeshi Hino (ex-Jubilo, é um pilar com qualidade, principalmente nas fases estáticas), Fumiaki Tanaka (saiu dos Highlanders para voltar para casa, o formação tem tudo para liderar as linhas atrasadas) ou Timothy Lafaele (o samoano naturalizado japonês, provem do Coca-Cola Red Sparks, sendo um centro/abertura de qualidade).

Na temporada transacta, os japoneses tanto jogavam com cabeça, dominavam certas fases do jogo, tinham um bom impacto nas fases estáticas e as linhas de corrida eram de qualidade, como quebravam facilmente, sucumbiam à pressão e deixavam-se ir em erros “infantis”.

Com os Jaguares, são um conceito “novo” e precisam de tempo para crescer… no entanto, ao contrário dos argentinos não têm todos os jogadores da selecção ao seu dispor, o que torna toda a missão complicada para os Sunwolves.

A vertente comercial dos Sunwolves

O SUPER NO RUGBY E O PORQUÊ DE O VER?

Para acabar em “beleza”, terminamos este artigo com uma pergunta simples aos nossos convidados: Porquê o Super Rugby?

Um dos maiores internacionais de sempre portugueses, Pedro Leal, deixa uma preocupação e sugestão para este ano, “O Super Rugby é sempre espectacular e a melhor prova do Mundo. Não sei se passar de 15 para 18 equipas vai continuar a ser bom para a competição. Vão haver cada vez mais jogos o que torna o Campeonato numa maratona! Agora é esperar que passe na nossa SPORTTV!”

Pedro Jaleco, um sempre entusiasta do Super Rugby, deu uma última análise da prova,

Creio que mais uma vez se irá observar uma supremacia das equipas neo-zelandesas no Super Rugby, muitas delas chegando às finais. Com muitos jogadores sul-africanos a deixarem o seu país para irem jogar para a Europa, 2017 será mais um ano complicado para as equipas da África do Sul.

Quanto aos Jaguares da Argentina e aos Sunwolves do Japão, depois de um primeiro ano de adaptação, irão certamente melhorar o seu desempenho. Penso que esta equipa dos Jaguares seja capaz de atingir um lugar na metade de cima da tabela. Acima de tudo, teremos o privilégio de assistir a jogos muito ofensivos, característico do Super Rugby, jogados sempre no risco.

Veremos muitos ensaios espetaculares, placagens duras, side-steps do outro mundo e que, no fim, ganhem os Crusaders!”

Outra sugestão proveio das palavras de Diogo Cabral, um fã confesso dos Hurricanes,

 Sempre olhei para as equipas do hemisfério sul de uma maneira diferente. Nesta competição em particular, acho que nos é apresentado um rugby mais dinâmico, rápido e emocionante de ver, enquanto que no hemisfério norte é um jogo com mais fases, muito mais fechado (contudo a selecção inglesa tem mostrado um jogo mais aberto desde que Eddie Jones assumiu o comando e a selecção francesa impressionou-me bastante com a dinâmica do seu jogo neste começo do Torneio das Seis Nações), mas muito interessante também!

Quero voltar a reforçar o meu gosto pela equipa dos Hurricanes e pelos seus jogadores. É bom ver um rugby em que a continuidade e velocidade imposta são elevadas, por isso acho que a competição em questão é adequada para quem gosta de offloads e intensidade.

Para quem não é espetador da modalidade a melhor maneira de começar a ser é vendo um jogo do Super Rugby, sem dúvida alguma, e para quem já acompanha e gosta de se sentir entusiasmado, o conselho é o mesmo”

Gonçalo Prazeres, vai seguir atentamente 2017,

Para mim sem duvida que é a melhor competição de equipas que existe no mundo do rugby, porque são equipas maioritariamente das melhores seleções do mundo e isso traz muita qualidade e porque também todos os anos há sempre jogadores pouco conhecidos que se revelam serem “craques”. E também, na minha opinião, penso que o número de equipas seja talvez o limite para o Super Rugby porque depois haveria um grande desigualdade na qualidade das equipas apesar de isso já acontecer um bocado.”

Lino Rebolo, explica porque é que é o melhor campeonato de rugby do planeta,

“Para mim é o melhor Campeonato de Rugby do Mundo, equilíbrio em grande parte dos jogos, ritmo elevado de jogo, equipas que jogam a partir de qualquer lado, offloads, steps e fintas sempre com o ensaio em vista.”

Diogo Stilwell, finaliza com classe dizendo “Welcome back Super Rugby. You are late!”

FAIRPLAY: PROGNÓSTICOS

Campeões: Hurricanes / Chiefs / Highlanders
Melhor treinador: Tana Umaga / Chrys Boyd / Nollis Marais
Equipa Surpresa: Blues / Bulls
Equipa Desilusão: Brumbies / Sharks
Melhor Jogador: Seta Tamanivalu / Beauden Barrett / Ruan Combrinck
Melhor Marcador de Ensaios: Ruan Combrinck / Digby Ioane / Julian Savea
Jogador Surpresa: Toa Halafihi / Kyle Godwin / Ben Lam
Jogador Desilusão: Faf de Klerk / Pat Lambie / Aaron Cruden
XV do Ano: 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SUPLENTES: A. Creevy (Jaguares), S. Sio (Brumbies), C. Oosthuizen (Sharks), V. Fifita (Hurricanes), S. Cane (Chiefs), N. Phipps (Waratahs), R. Ioane (Blues) e I. Folau (Waratahs)


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