24 Nov, 2017

Saracens e Clermont na luta pelo pedestal Europeu – 4 pontos sobre a Champions Cup

Francisco IsaacAbril 26, 20177min0

Saracens e Clermont na luta pelo pedestal Europeu – 4 pontos sobre a Champions Cup

Francisco IsaacAbril 26, 20177min0

Os Saracens vão voltar a marcar presença no maior palco europeu de Rugby, onde encontrarão o ASM Clermont que terá mais oportunidade para “agarrar” um título que já deu grandes “pesadelos”, isto tudo à custa de Munster e Leinster. 4 pontos sobre as meias-finais da European Champions Cup

O CAMPEÃO: SARACENS COM O SONHO DA DUPLA DOBRADINHA

Um jogo extremamente físico, fechado e “apertado” entre Munster e Saracens não deu grandes ensaios, mas não deixou de ser vivido com um ritmo altíssimo de jogo.

A equipa londrina sabia que para sair da casa dos Stags com a vitória tinha de trazer o seu melhor jogo a nível defensivo, sem erros, sem brechas, sem quedas de intensidade ou de concentração.

Para além disso, o ataque tinha de ser, a todos os pontos, “venenoso”, obtendo pontos sempre que conseguissem explorar os últimos 40 metros dos irlandeses.

A estratégia de Mike McCall funcionou, já que o Munster teve vários problemas em conseguir penetrar na defesa inglesa, especialmente nos primeiros 35 minutos. Até a esse momento tinham o dobro dos carries, tinham conquistado mais metros, mas sem tirar grande proveito desses números.

Os sarries estiveram “perfeitos” no que toca à defesa, seja individual ou colectiva, combinando bem a 3ª linha (Michael Rhodes volta a realizar um jogo “gigante” com 17 placagens) com as restantes unidades.

Destacar o papel de Mako Vunipola, Vincent Koch e Jamie George, com os  três a completarem 40 placagens e dois turnovers. O primeiro está numa forma assombrosa, ocupando com “agressividade” o seu espaço, assim como soube ajudar na pressão externa ao Munster que nunca conseguiu meter a oval em condições em Zebo ou Earls.

80 minutos sem quebras de linha para o Munster prova que os Saracens são, neste momento, a melhor defesa a nível da Europa e do Hemisfério Norte.

O ataque apareceu quando tinha de “picar o ponto”, com ensaios de Mako Vunipola (através de um bom maul) e Chris Wyles (o norte-americano saiu do banco para “tremer” o jogo), para além dos 16 pontos a partir do pé de Farrell.

O Munster e a sua forma de viver o jogo, com uma paixão imensa que depois é transmitida numa intensidade única, foram bem paradas por aquela que poderá ser a nova formação dominante a nível do Hemisfério Norte nos próximos anos.

O MVP: LOPEZ REMÉDIO PARA TODOS OS MALES

Durante 2015 e 2016, os franceses choravam pelo facto de não possuírem um nº10 que enchesse as medidas e respeitasse o champagne que os Les Bleus gostam tanto de praticar (já nem tanto).

Bem, a temporada de Camille Lopez poderá servir de demonstração que o abertura do Clermont é, sem dúvida alguma, o homem que tanto precisam e sonham. Já nas Seis Nações 2017 (findadas em Abril), Lopez tinha dado provas que estava diferente, mais confiante, mais participativo com vontade de mexer o jogo sempre que possível.

Frente ao Leinster não teve vida fácil, uma vez que um dos planos de jogo dos irlandeses passava por atacar o canal interior e exterior do 10, impossibilitando-o de se “mexer” ou de criar soluções ofensivas mais “profundas”.

Veja-se que os dois ensaios do Clermont aconteceram após um trabalho exigente na saída do ruck, em picks e depois num lançamento sempre rápido do 9 para as unidades que estavam montadas mais cercas dessa fase dinâmica. Lopez estava mais longe e profundo, à espera de um aglomerar irlandês para receber a oval e meter a bola na outra ponta… mas nunca foi preciso.

O Leinster, por Isa Nacewa ou Sexton, tentaram explorar o canal do 10, a nível ofensivo, só que Lopez esteve resiliente e aguentou todas as investidas que passaram ao seu lado, como provam as 8 placagens.

Para finalizar, Lopez coroou uma boa exibição com dois drops de alto nível, sendo que o primeiro é de difícil execução metendo uma pressão e efeito na bola de grande qualidade e mestria. Numa altura em que é raro vermos este tipo de pontapé, Lopez avisou os seus adversários que o Clermont tem capacidade para marcar de todas as formas e feitios.

Um nº10 que merece uma ovação pela qualidade, raça e entrega que traz ao jogo, para além de todo um “perfume” com a bola nas mãos.

A DECEPÇÃO: METROS TÊM DE SIGNIFICAR ENSAIOS LEINSTER

Dois factos que nos precipitam para afirmar que o Leinster realizou uma exibição abaixo do expectável: 650 metros conquistados deram só um ensaio e os primeiros 40 minutos oferecidos ao Clermont.

Se uma equipa consegue fazer mais de meio km de metros com a oval na mão e não consegue fazer ensaios, então há algo de errado nos processos e na forma como atacam a linha de defesa no último quarto de terreno.

Não foi por insistência de Sexton (jogo mediano do nº10 irlandês) ou do trabalho do par de centros que não tiveram mais pontos, mas foi essencialmente pela falta de capacidade de ler a defesa e de explorar as (poucas) falhas que o Clermont demonstrava na sua linha defensiva.

Sem capacidade de penetração tudo fica mais difícil, pois não há pontos e sem pontos não há vitória. Jamie Heaslip é um jogador fundamental na criação de roturas defensivas, já que o seu físico e mobilidade permite ao Leinster sair a jogar mais rápido e encontrar outros pontos de ataque.

O segundo ponto foi algo que trouxe a “sombra” da derrota à equipa do Leinster: os 40 minutos de avanço concedidos ao Clermont. A primeira parte terminou num 15-03, onde um dos ensaios dos franceses era evitável (desatenção à ponta e sem placagens efectivas) e a concentração dos irlandeses esteve em “baixa”.

As linhas atrasadas do Leinster efectuaram 9 erros forçados de ataque, separados do 9 ao 15, alguns deles de alguma gravidade já que lhes tiraram boas oportunidades para chegarem à área de validação.

Por isso, com uma defesa mais “branda” na 1ª parte (Sean O’Brien foi outro jogador que fez falta) e um ataque soft, o Clermont aproveitou para ganhar uma boa margem que seria inultrapassável para o Leinster e o sonho de tentar conquistar uma 4ª Champions Cup.

A REVELAÇÃO: GARRY RINGROSE VAI MARCAR UMA NOVA ERA?

Voltamos a revisitar e escolher um detalhe do jogo do Clermont-Leinster para fechar os 4 pontos das meias-finais da Champions Cup: Garry Ringrose.

O centro está a passar por uma fase de momentum espectacular com uma série de pormenores que podem levá-lo a atingir um patamar do mais alto possível… fazer jus ao nome e lenda de Brian O’Driscoll.

O centro, de 22 anos, já realizou 8 jogos pela Irlanda e tem sido uma das coqueluches da selecção de Joe Schmidt. No Leinster assumiu um papel preponderante na defesa e ainda mais no ataque… o ensaio contra o Clermont prova toda essa “sofisticação” que o centro possui e que pode mudar, radicalmente, a forma de atacar do Leinster.

Essa jogada mirabolante, carregada de toda uma excentricidade e noção de como aproveitar o espaço e os erros de placagem do adversário. O explorar dos “buracos” e a forma como acelerou neles, tornaram-no impossível de segurar.

Ringrose fez 134 metros em 15 carries, bateu 14 defesas e acabou com duas quebras de linha… sem qualquer erro de controlo de bola (foi o único dos 3/4’s nesse aspecto). Tem tudo para ser um dos novos mastros do rugby irlandês.

Referência muito breve a Niall Scannell, o talonador do Munster. Jogo de alta qualidade do nº2, que teve excelente nas fases estáticas (15 alinhamentos conquistados mais a 5 formações ordenadas) para além de ser um excelente apoio a quem carrega a oval ou na forma como disputa os rucks.

Garry Ringrose e Niall Scannell são o futuro do rugby irlandês, que precisa rapidamente de uma mudança para aproveitar esta “bolsa” de crescimento que foi conquistada na Champions Cup, na Pro12 ou nas Seis Nações 2017.


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