21 Fev, 2018

Rugby e o Profissionalismo: o caso do Brasil

Francisco IsaacOutubro 28, 20176min0

Rugby e o Profissionalismo: o caso do Brasil

Francisco IsaacOutubro 28, 20176min0
O que significa tornar o Profissionalismo de uma modalidade? O caso brasileiro é importante para perceber os prós e contra que Victor Ramalho explica neste artigo

O rugby brasileiro vive um momento de novos planos. Passado o Rio 2016, o foco da Confederação Brasileira de Rugby passou a ser desenvolver a seleção de rugby XV do país e vem recebendo apoio e todo o interesse do World Rugby, que enxerga o Brasil como um mercado estratégico para o crescimento da ovalada no mundo, pelo tamanho do mercado brasileiro.

Tal apoio da máxima entidade do rugby mundial vem levando os Tupis a viajarem para test matches no exterior e o programa de alto rendimento desenvolvido pela Confederação Brasileira elevou significativamente o nível de jogo da equipa, que conseguiu vitórias recentes expressivas sobre Portugal, Canadá (2017) e Estados Unidos (2016). O que vem pela frente nos planos brasileiros?

Tour pela Europa novamente

Pelo segundo ano seguido, os Tupis jogarão na Europa em novembro. Desta vez, no entanto, não haverá o duelo entre Brasil e Portugal, com os Lobos se focando no compromisso contra os checos. O Brasil, que não venceu nenhuma partida na Europa em 2016, enfrentará mais uma vez a Alemanha (contra quem foi derrotado duas vezes no ano passado), em Leipzig, no dia 11; a Bélgica, em Bruxelas, no dia 18; e a Espanha, em Villajoyosa, no dia 25. Serão dois confrontos que jamais ocorreram antes, contra belgas e espanhóis, seguindo a tendência dso Tupis buscarem partidas contra concorrentes diretos no Ranking Mundial.

Tupis na África do Sul?

O futuro da seleção brasileira está sendo negociado com World Rugby e com a União Sul-Africana de Rugby. Isso porque os brasileiros querem entrar no Super Challenge, antiga Vodacom Cup, a competição nacional da África do Sul paralela ao Super Rugby e que precede a Currie Cup. O intuito do Brasil é levar seus melhores atletas para a África do Sul por alguns meses, seguindo os passos da Argentina, que jogou a Vodacom Cup entre 2010 e 2014, preparando a criação dos Jaguares para o Super Rugby de 2016.

Entretanto, o dinheiro para se colocar uma equipa morando na África do Sul por três ou quatro meses não é pequeno e o nível dos Tupis não é alto o bastante. O resultado seria muito dinheiro investido e muitas derrotas pesadas. Por isso, o World Rugby precisa entrar subsidiando a ação e a entidade já está estudando tal proposta. A meta é que uma equipa sul-americana participe do Super Challenge em 2018 ou 2019, com um combinado entre Brasil e Uruguai sendo cogitado.

Liga Profissional?

No último dia 14, em São Paulo, foi lançado oficialmente o projeto de criação de uma liga profissional no Brasil, a Brasil Pro Series, que teria um modelo enxuto em seu início. A competição está sendo idealizada de forma independente, sem participação da Confederação, e terá como modo de operação a criação de franquias que tragam atletas estrangeiros ao país e permitam que os jogadores de elite do rugby brasileiro tenham jogos de maior nível a seu dispor. O torneio teria curta duração (não mais que um mês) em seu início, não conflitaria com o calendário da Confederação e as equipes seriam franquias que poderão ser adquiridas por clubes do rugby brasileiro ou por outras entidades interessadas. O projeto foi apresentado, mas ainda há muito que amadurecer para que se torne realidade. Por enquanto, está apenas no papel, mas mostra que há ambição do outro lado do Atlântico.

Vídeo de Apresentação da Liga Privada: aqui.

E o campeonato nacional?

E o Campeonato Brasileiro de 2018, como fica? Se em 2017 a competição teve somente os 8 grandes clubes do país em campo, enfrentando-se no sistema de todos contra todos, para 2018 o campeonato será bem diferente. Participarão 16 clubes, que serão separados regionalmente, evitando-se grandes deslocamentos. Com isso, pela falta de recursos financeiros e pelo foco declarado da Confederação em seu programa de academias de alto rendimento, focadas nos Tupis, os clubes terão que se adaptar a uma realidade mais modesta.

Até então, viagens interestaduais eram pagas pela Confederação, que custeava ônibus em deslocamentos de até 800 km e avião para distâncias superiores. Agora, a regionalização tem por objetivo reduzir os deslocamentos, mas terá como efeito contrário a diluição da qualidade de jogo, com partidas díspares sendo esperadas no ano que vem. Em 2017, a segunda divisão teve placares como 125-19 e 85-00 entre clubes que estarão na primeira divisão de 2018.

Enquanto isso, não há mais competições juvenis a nível nacional no Brasil para o rugby XV, sendo que apenas dois estados – São Paulo e Rio Grande do Sul – foram capazes de organizar competições estaduais de XV juvenil.

Estaduais?

Para os desavisados, todos os esportes no Brasil dividem suas temporadas entre campeonatos estaduais e campeonatos nacionais. Cada estado brasileiro tem o tamanho de um país europeu, com longas distâncias a serem percorridas pelas equipas. Por isso, o calendário busca sempre um equilíbrio entre estaduais e nacionais.

No rugby brasileiro, dos 27 estados, somente 6 (os 6 mais ricos do Sul do país) têm suas federações estaduais reconhecidas pela Confederação Brasileira: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Com isso, clubes de outros estados não têm acesso às competições nacionais de rugby XV, porém participam do seven-a-side como convidados.

Atualmente, os campeonatos estaduais de rugby XV no Brasil são jogados de março a junho e os nacionais (há duas divisões, primeira e segunda) são jogados de julho a outubro.

Foto: Portal do Rugby

Em resumo…

O rugby brasileiro está diante de decisões complicados. O país é muito grande e faltam os recursos para fazer o rugby crescer em todo o território. Porém, mesmo nas regiões onde o rugby é mais desenvolvido, as carências são muito grandes, em especial quando se percebe a fragilidade do rugby juvenil de clubes. Por outro lado, os investimentos estão sendo canalizados para o alto rendimento, com o projeto de que a evolução dos Tupis traga atenção e mais investimentos ao esporte. A estratégia está clara, mas ela gera intenso debate e questionamentos sobre o quanto o atual crescimento brasileiro é sustentável. Somente o tempo dirá. O que é certo é que veremos mudanças significativas nos próximos meses.

CRÉDITOS DA FOTO DE DESTAQUE: Daniel Venturole/Portal do Rugby


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