18 Ago, 2017

Rugby no Brasil: o que está a acontecer? – Parceria Portal do Rugby

Francisco IsaacAbril 7, 20179min0

Rugby no Brasil: o que está a acontecer? – Parceria Portal do Rugby

Francisco IsaacAbril 7, 20179min0

Do outro lado do Atlântico mora um país cada vez mais apaixonado pelo rugby… o Brasil está a crescer a “olhos vistos” e vale a pena perceber o que se passou em Fevereiro e Março em Terras de Veracruz e qual é a profundidade do “Mundo da Oval” brasileiro.

Fevereiro e Março nas Américas são como na Europa, meses de seleções nacionais. As disputas da segunda temporada do Americas Rugby Championship. Para o Brasil, a competição significou mais um resultado histórico. Se em 2016 os Tupis haviam derrotado pela primeira e única vez na história os Estados Unidos, em 2017 a caça ao Canadá foi bem sucedida, com os Cancucks tombando em visita a São Paulo, exatamente como as Águias no ano passado.

A estreia do Brasil no torneio ocorreu no dia 3 de fevereiro em São Paulo contra o Chile, com o estádio do Pacaembu voltando a receber a ovalada. Para quem não conhece, o Pacaembu é o tradicional estádio municipal de São Paulo, onde foi jogada a Copa do Mundo da FIFA de 1950 e centenas de grandes jogos de futebol.

Era o Pacaembu o estádio onde o Corinthians sempre mandava suas partidas, por ser o único dos grandes clubes paulistas sem um estádio. Porém, os corintianos ganharam seu estádio em 2014, a arena construída na Copa do Mundo, e o Pacaembu ficou sem jogos regulares de futebol.

Oportunidade dourada para o rugby, que já havia jogado duas vezes no mítico palco do futebol paulista, em 2015, contra a Alemanha (com público recorde de 10.600 pessoas), e em 2016, contra o próprio Chile (com presença de 7.500 devotos). Números significativos sobe o crescimento do rugby brasileiro nos últimos anos que, somados aos resultados em campo dos Tupis, dão esperanças de que o rugby no Brasil siga com fôlego de crescimento mesmo após o Rio 2016.

Debaixo de chuva, o Brasil fez o que dele se esperava. Foi somente em 2014 que o Brasil conseguiu sua primeira vitória oficial sobre o Chile e, após vitórias dos Cóndores em 2015 e no Americas Rugby Championship de 2016, ambos em solo chileno, o Brasil deixara escapar a segunda vitória com o empate no Pacaembu no Sul-Americano de 2016.

Agora, a expectativa era que, após dois anos de trabalho junto das academias de alto rendimento da Confederação Brasileira de Rugby (que totalizam 3, em São Paulo, São José dos Campos e Florianópolis), os Tupis dessem o passo adiante e se impusessem de vez sobre o Chile, na busca pela condição de terceira força do continente.

Foi o que ocorreu. Após um primeiro tempo de muitos erros, o Brasil se impôs no segundo tempo e venceu por 17 x 03, sem que em momento algum o Chile levasse real perigo aos brasileiros. Os chilenos não contaram com Ayarza, atleta do Bayonne, e seus atletas do sevens, mas a partida foi emblemática da nova correlação de forças na América do Sul.

Depois, vieram as derrotas para as seleções mais fortes do continente, Estados Unidos, Uruguai e Argentina. No pacote de viagens brasileiro o que se viu foi uma sequência de viagens desgastantes que raramente são vistas mesmo entre as grandes seleções do mundo.

Foram 25.000 km em 25 dias (São Paulo-Texas-Uruguai-Terra do Fuego-São Paulo), do Texas à Terra do Fogo argentina. No roteiro a comissão técnica brasileira usou de rotação de atletas. Contra os EUA, o Brasil não foi bem, sendo pesadamente derrotado, 51 x 03, sem ter a posse da bola. Contra o Uruguai, a derrota foi de 23 x 12, com os Tupis mostrando grande evolução defensiva e, contra a Argentina, apesar dos 79 x 07 esperáveis, os Tupis realizaram uma ótima primeira etapa, atacando os argentinos com um rugby aberto e vistoso nos 3/4s. A evolução ofensiva havia sido vista.

No encerramento da saga pan-americana, veio o jogo em casa contra o Canadá, que, sem seus principais nomes que atuam na Europa, vinha sofrendo ao longo da competição, tendo caído contra o Uruguai no sábado anterior.

O resultado foi um time brasileiro unindo a evolução defensiva mostrada contra os Teros com a evolução ofensiva apresentada contra os argentinos e, movidos pela possibilidade de retornarem ao Top 30 do Ranking Mundial, os Tupis fizeram uma grande partida, vencendo por 24 x 23.

Se no ano passado o rugby brasileiro mostrava força nos forwards mas grandes problemas com a bola em mãos, em 2017 o que se viu foi um equipe que aprendeu a atacar, encontrando uma formação de linha de qualidade com os irmãos Duque e os irmãos Sancery. Muito ainda há que se amadurecer nos Tupis, que fique claro.

Novamente, assim como contra os EUA em 2016, coube a Moisés Duque, maior pontuador de todo o Americas Rugby Championship, os pontos da virada no final do jogo.

Para consultar tabelas e classificações clicar aqui.

E o rugby de clubes no Brasil?

Passadas as disputas do Americas Rugby Championship, o rugby brasileiro se voltou aos clubes, pois a temporada 2017 de XV dos clubes no Brasil ocorre entre março e outubro.

No Brasil, pelas dimensões continentais, o primeiro semestre é focado nos campeonatos estaduais, enquanto o segundo semestre é do Campeonato Brasileiro, o “Super 8”, que terá início em julho apenas.

Quantos campeonatos estaduais existem no Brasil? O Brasil é formado por 27 estados, além do Distrito Federal, mas somente 6 contam com federações de rugby filiadas à Confederação Brasileira de Rugby: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio de Janeiro. O Campeonato Paulista (São Paulo) é o mais forte do país, com 5 dos 8 clubes do Super 8 sendo paulistas.

São Paulo, aliás, conta com segunda, terceira e quarta divisões, além de um campeonato universitário de Rugby XV, sendo um dos únicos dois estados com mais de uma divisão planejada para 2017. O outro é o Rio Grande do Sul, que conta com segunda divisão.

No entanto, há rugby em todos os estados do Brasil, com ligas e federações ainda em fase embrionária nascendo pelo país. Os destaques vão para os estados da Bahia, Ceará e Mato Grosso do Sul, que já têm estaduais de XV, assim como a Federação do Cerrado, que une os estados de Goiás, Tocantins e o Distrito Federal (Brasília), além de ligas regionais, como o Nordeste Super XV, a Liga Norte (região amazônica) e a Taça Pantanal.

Vamos a uma lista dos principais campeonatos de XV deste semestre, sendo que alguns já começaram. Entre parênteses as cidades das equipes:

Rio Grande do Sul – Campeonato Gaúcho (6 clubes): Farrapos (Bento Gonçalves), Charrua (Porto Alegre), San Diego (Porto Alegre), SC Rugby (Caxias do Sul), Brummers (Novo Hamburgo) e Universitário (Santa Maria);

Série B – Segunda divisão (7 clubes): Centauros (Estrela), Planalto (Passo Fundo), Guasca (Porto Alegre), Pampas (São Leopoldo), Antiqua (Pelotas), Guaíba (Guaíba) e Chuy (Chuí);

Paraná – Campeonato Paranaense (4 clubes): Curitiba (Curitiba), Urutau (São José dos Pinhais), Pé Vermelho (Londrina) e Lobo Bravo (Guarapuava);

Santa Catarina – Campeonato Catarinense (4 clubes): Desterro (Florianópolis), Joaca (Florianópolis), BC Rugby (Balneário Camboriú) e Chapecó (Chapecó);

Minas Gerais – Campeonato Mineiro (5 clubes): BH Rugby (Belo Horizonte), Uberlândia (Uberlândia), Nova Lima (Nova Lima), Inconfidentes (Ouro Preto) e Inconfidência (Belo Horizonte);

São Paulo – Campeonato Paulista (8 clubes): São José (São José dos Campos), Jacareí (Jacareí), SPAC (São Paulo), Pasteur (São Paulo), Band Saracens (São Paulo), Poli (São Paulo), Rio Branco (São Paulo) e São Carlos (São Carlos);

Série B – Segunda divisão (10 clubes): União Rugby Alphaville (Barueri), Templários (São Bernardo do Campo), Tornados (Indaiatuba), Wallys (Jundiaí), Lechuza (Itu), Urutu (São Paulo), São Bento (São Paulo), São Jorge Corinthians (São Paulo), Cougars (Vinhedo) e ABC (Santo André);

Série C – Terceira divisão (11 clubes): Medicina (São Paulo), Tucanos (São João da Boa Vista), Piratas (Americana), Jequitibá (Campinas), União (São Paulo), Tatuapé (São Paulo), Jaguars (Jaguariúna), Alto Tietê (Mogi das Cruzes), Armada (Santos), FEA (São Paulo) e Mackenzie (São Paulo);

Série D – Quarta divisão  (15 clubes): Leões da Paraisópolis (São Paulo), Barueri (Barueri), Taubaté (Taubaté), Iguanas (São José dos Campos), Pinda (Pindamonhangaba), INSPER (São Paulo), Ribeirão (Ribeirão Preto), Rio Preto (Rio Preto), São Roque (São Roque), Piracicaba (Piracicaba), Mogi Mirim (Mogi Mirim), SPAC B e Jacareí B;

Rio de Janeiro – Campeonato Fluminense (8 clubes): Niterói (Niterói), Guanabara (Rio de Janeiro), Rio Rugby (Rio de Janeiro), Itaguaí (Itaguaí), Maxambomba (Nova Iguaçu), UFF (Niterói), Carioca  (Rio de Janeiro) e Friburgo (Nova Friburgo);

Taça Cerrado (5 clubes): Goianos (Goiânia, estado de Goiás), Gigantes (Itumbiara, Goiás), UNB (Brasília, Distrito Federal), Rugby sem Fronteiras (Brasilia, Distrito Federal) e Palmas (Palmas, Tocantins);

Taça Pantanal (5 clubes): Cuiabá (Cuiabá, estado do Mato Grosso), Primavera (Primavera do Leste, Mato Grosso), Campo Grande (Campo Grande, Mato Grosso do Sul), Guaicurus (Três Lagoas, Mato Grosso do Sul) e Dourados (Dourados, Mato Grosso do Sul);

Bahia – Campeonato Baiano (4 clubes): Orixás (Salvador), Ymborés (Vitória da Conquista), Porto Seguro (Porto Seguro) e Sergipe (Aracaju, estado de Sergipe);

Nordeste Super XV (9 clubes) – Grupo A: Delta (Teresina, estado do Piauí), Piaui (Teresina, Piauí), Parnaíba (Parnaíba, Piauí) e Maranhão (São Luis, Maranhão); Grupo B: Sertões, Asa Branca e Tubarões (todos de Fortaleza, Ceará); Grupo C: Natal (Natal, Rio Grande do Norte) e Talleres (Recife, Pernambuco);

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