20 Ago, 2017

Rugby e Transferências: Top14

Francisco IsaacAgosto 3, 201616min0

Rugby e Transferências: Top14

Francisco IsaacAgosto 3, 201616min0

Top14 e o “Mundo” das transferências com várias novidades: Lyon reforça-se com 16 “caras” novas, com Michalak à cabeça, Victor Vito o novo atlante do Stade Rochelais, Trinh-Duc é o game changer do Toulon?

Top14, considerado com um dos melhores campeonatos a nível Mundial, foi “alvo” de várias mexidas que vão abanar com a próxima temporada. Apesar da queda de rendimento da selecção francesa, o campeonato “gaulês” continua a crescer em todas as direcções. Há cada vez um maior número de atletas do Super Rugby, AVIVA ou PRO12 a considerarem mudanças para equipas como o Pau, RC Toulon, Toulouse, Racing 92, Lyon ou Brive, onde os salários atraem.

Mas que novidades aconteceram durante o defeso? Bem veja-se que o Lyon, equipa que subiu em 2015/2016 para o Top14, contratou cerca de 16 jogadores, enquanto que o Castres Olympique, Brive, Montpellier ou RC Toulon deixaram sair cerca de 14 a 15 atletas, numa clara “remodelação” não só de plantel, mas quiçá, também, de direcção. Vamos voltar só a destacar as transferências mais sonantes ou que podem vir a ter um impacto sério no clube ou liga.

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Mais de 121 transferências  decorreram no Top14, em que escolhemos 68 para observarem. 55 foram entre clubes franceses (55 entre equipas do TOP14), com só apenas um regresso ao Super Rugby (Kepu para os Waratahs), com cinco para a Aviva Premiership e mais duas para o PRO12, com 4 retiradas e duas idas para a PRO12. Como já tínhamos referido, a equipa que me mais mexeu foi a equipa do Lyon. Pierre Mignoni e Bruno Sébastien, treinadores dos lobos de Lyon, decidiram enriquecer o plantel com alguns atletas mais experientes, caso de Frédéric Michalak (na foto) e Delon Armitage (ambos os atletas vieram do RC Toulon), que conheceram o “sabor” de títulos (ambos foram tri-campeões da Champions Cup e uma vez campeões do TOP14 em 2013). Por outro lado, foram em busca de alguns jovens que estão começar a dar a cartas a nível Mundial como Curtis Browning (asa dos Reds, jogou todos os jogos da equipa dos koalas onde marcou 3 ensaios com mais de 70 placagens e só 3 falhadas) ou Franco Mostert dos Lions. A vinda do 2ª linha dos Leões de Joanesburgo é um super reforço no que toca a ter uma “autoridade” nesse sector do jogo, onde os números provam a excelência do Springbok (estreou-se nos amigáveis de Verão frente à Irlanda): 86% de eficácia nas placagens, 40 saltos ganhos em 44 tentativas (5 “roubos” no ar), 1 ensaio (226 metros conquistados) em 15 jogos a titular. Ainda houve uma pequena “guerra” entre a SARU e o Lyon para tentar “forçar” que o sul-africano ficasse, mas os franceses foram irredutíveis no que queriam… ou seja, contar com o 2ª linha para as próximas duas temporadas. Em suma, o Lyon reforçou-se não só em quantidade mas como, e principalmente, em qualidade.

O Aviron Bayonne que também veio da PROD2 foi ao “mercado” de forma interessante com a chegada de Johnnie Beattie (ex-Castres joga a 7 ou 8), Tom Donelly (2ª linha ex-Montpellier) ou Tanerau Latimer (2ª linha ex-Blues). Uma curiosidade, as contratações foram todas para a avançada, numa clara intenção de “muscular” esse “departamento. Fala-se, ainda, na vinda de Romain Martial (Castres) para a posição de 11, porém ainda não há confirmação em absoluto deste dado.

E que tal referir o bom trabalho do Stade Rochelais? Vão ter “direito” a um bicampeão Mundial para a posição de 8… quem é? Victor Vito (na foto infra). Um dos “filhos” preferidos de Wellington (nascido e criado na capital da Nova Zelândia) decidiu aceitar o desafio lançado por Patrice Collazo, assinando contracto com a equipa do Oeste. Um All Black de qualidade fenomenal, Vito poderá dar outra “cor”, com aquele estilo próprio do Hemisfério Sul. Nessa linha, outro jogador da mesma zona do planeta decidiu acompanhar Vito, desta feita da África do Sul. Paul Jordaan, um dos centros que mais nos surpreendeu no Super Rugby (88% de eficácia na placagem), decidiu abandonar o projecto dos Sharks (um projecto que poderá dar frutos na próxima época) para “abraçar” a sua primeira experiência fora de “casa”. O contracto tem duração de uma temporada, com uma segunda de opção no caso de correr bem a ligação do ex-Tubarão com o Stade Rochelais. Brock James foi outra das contratações… terá o abertura, ex-Clermont, capacidade de dar outra “forma” dos atlantes franceses? Para já, e quando chegar, Jordaan deverá saltar logo para titular uma vez que é um dos pontos que o Stade Rochelais necessita de reforçar… já que a grande referência das linhas atrasadas, Benjamin Lapeyre (defesa, 29 anos, ex-Toulon e Racing) partiu para Brive e será um adversário directo.

E agora falemos em campeões seja do Top14 ou da Challenge Cup: Racing 92 e Montpellier. Se efectuarem uma primeira leitura até dá a entender que os reforços dos parisienses ficaram algo aquém das expectativas que temos para um campeão em título… porém, a entrada de Leone Nakarawa (2 metros de altura) que vem dos Glasgow Warriros vem dar força e peso à 2ª linha com um “cheiro” do rugby de Sevens (Nakarawa vai estar nos Jogos Olímpicos) alimentando uma posição que ainda tem Manuel Carizza, (Puma) e François Van der Merwe. Ainda para essa posição, a direcção do Racing conseguiu fazer algo de surpreendente ao tirar da reforma Ali Williams – tinha-se retirado em 2015 -, um All Black que foi considerado dos melhores na sua posição durante alguns anos. Williams conseguiu ser campeão do Top14 e bicampeão europeu tudo pelo RC Toulon. Não bastou ter quatro boas opções para a 2ª linha, a direcção do Racing 92 conseguiu uma 5ª: Gerbrandt Grobler. Sul-africano com 25 anos, esteve banido de todo o desporto durante 2 anos após, em 2014, ter falhado num controlo anti-doping. Na altura era visto como uma das esperanças para a camisola 4 ou 5 dos Springboks, mas o teste positivo e a assumpção de culpa quase que terminou com a carreira do “gigante” com dois metros e 120 kilos… o Racing 92′ abriu as portas de Paris e contratou o jovem formado na Western Province para tentar voltar aos grandes jogos.

Em relação ao campeão da Challenge Cup, que estará em 2016/2017 na Champions, os reforços foram vários e para todos os “gostos”. Dois “monstros” para as pontas, Joe Tomane e Nemani Nadolo (ver foto). São duas supra contratações, não há dúvidas, e vamos explicar porquê: Tomane é internacional pelos Wallabies, com 17 idas à selecção da Austrália (5 ensaios), onde os seus 85 pontos (17 ensaios) pelos Brumbies em 50 jogos ajudaram a chegar a duas meias-finais nos últimos 4 anos. Tomane tem velocidade, técnica de handling apurada e um work rate de topo (os treinadores que tiveram o ponta nas suas mãos, diziam que era o “primeiro a chegar e o último a sair” dos treinos). Em 2016 jogou só 8 jogos pelos Brumbies, uma vez que teve a contas com alguns problemas físicos (nova lesão grave vai obrigar a para 4 a 5 meses, goo.gl/Hv6rz4)… de qualquer forma, 6 ensaios em 50 carries (450 metros conquistados) prova que há qualidade no australiano. Do outro lado está Nemani Nadolo, o “The Big Man” das Fiji que nos impressionou no Mundial 2015 (aquele ensaio contra a Inglaterra que salta mais alto que Anthony Watson para conquistar a oval) e foi uma das figuras dos Crusaders em 2016. Em 14 jogos, conseguiu “invadir” por 6 vezes a área de validação adversária, destacando-se, igualmente, nas assistências com 7… é brilhante no offload, total na conquista de espaço e um “tanque” na colisão com a defesa contrária.  Com estas duas peças nas alas, Jake White (conquistou o Mundial 2007 pela África do Sul como seleccionador) poderá estar a esboçar um “ataque” ao Top14, uma vez que na época passada ficaram-se pelas meias-finais (derrota frente ao RC Toulon por 27-18). É curioso observar que esses dois reforços podem vir a tirar lugar ao melhor marcador do Top14 da temporada passada, o fijiano Timosi Nagusa (16 ensaios). Ben Botica, Nico van Rensburg e Tiaan Liebenberg são outros três “estrangeiros” que também assinaram pelos Cistes. Ao que parece não se deixaram afectar pelo facto de 58% do seu plantel (23) serem jogadores sem nacionalidade francesa, como demonstram a boa lista de novas unidades para 16/17. Todavia, Jake White conseguiu que a direcção do Montpellier conseguisse “arrancar” uma estrela francesa ao Racing 92… Alexandre Dumoulin. O centro de 26 anos, internacional pelos Les Bleus com 8 idas à selecção, vem dos actuais campeões nacionais de França para se juntar a Nadolo, Tomane, Botica, Malzieu, Mogg ou Bismarck du Plessis na luta pelo Top14. Em contrapartida saíram algumas estrelas seja para a reforma como Nicolas Más (um dos maiores 1ªs linhas dos últimos 20 anos), Pat Cilliers ou Ben Mowen, este último para o Pau de Conrad Smith e Cª.

Por fim, o RC Toulon, que em 4 anos conseguiu um Top14 e três Champions Cup e o Stade Toulousain, o maior campeão de sempre de França. Como sempre, a equipa de Mourad Boudjellal (o excêntrico milionário que tem feito uma aposta séria em tornar o rugby o desporto de referência na Europa) a ir ao mercado de forma “agressiva”. Se em 2015 foram buscar Ma’a Nonu, em 2016 apostaram na vinda de François Trinh-Duc (“elegante” médio de abertura que estava no Montpellier, na 1ª foto do artigo), Vincent Clerc (Toulouse) e Pierre Bernard (Bordeaux), demonstrando interesse no mercado nacional. Trinh-Duc vai tentar resolver um problema “antigo” desta formação que é a ausência de um médio de abertura de referência. Em 2015 a grande esperança caiu nas “mãos” de Quade Cooper, o fantasista Wallabie que vive entre um Mundo de show e de horrores (informações mais detalhadas: goo.gl/n2v8Uy). Cooper acabou por ser um fracasso como contratação, obrigando a Michalak a horas-extra, sendo que na final foi Matt Giteau a assumir a camisola nº10. A vinda de Trinh-Duc vai colocar a língua francesa como “rainha” no par de médios, onde Pélissié, Escande e, principalmente, Sébastien Tillous-Borde podem compor consigo uma virtuosa ligação entre 9-10. Se o Toulon conseguir encontrar harmonia aí, com o apoio de Giteau e Ma’a Nonu no par de centros, mais Clerc e Mitchell nas pontas (ou Habana) com Halfpenny a 15 (sem falarmos de Goromaru, o japonês que veio dos Reds), o Toulon terá uma das melhores linhas atrasadas não só de França, mas do Mundo. Para avançada, Marcel Van der Merwe (pilar) e Juandré Kruger, ambos sul-africanos (o primeiro vem dos Bulls e o segundo do Racing 92) mais Liam Gill (outra grande contratação feita em Queensland) vão dar “outra” potência aos 8 homens da frente. Agora será que as contratações vão estar em harmonia desde o princípio até ao fim? A resposta será conhecida em Janeiro, após terem decorrido 4 meses de jogos, incluindo Top14 e Champions Cup.

As saídas mais conhecidas foram dos irmãos Armitage, Michalak, Turner e Saulo, este último para o Stade Toulousain. A formação de Toulouse fez uma “espécie” de reboot após uma temporada decepcionante. Eliminados da Champions Cup na fase de grupos (último lugar) e eliminados nos quartos-de-final do Top14, houve necessidade de contratar alguns jogadores, mantendo a confiança geral no grupo mais “jovem”. Louis Picamoles (um dos nº8 da França) partiu para a Aviva Premiership, enquanto que Corey Flynn apostou numa ida para Glasgow e a PRO12. Perderam Vincent Clerc para o Toulon e David Mélé para o Grenoble, no que toca a transferências internas. Clement Poitrenaud e Imanol Harinordoquy, duas das maiores lendas do Toulouse, disseram adeus aos “relvados” mas manteve-se o core principal. A grande novidade (em todos os sentidos) é Richie Gray (na foto), o 2ª linha da Escócia que terminou o contracto com Castres Olympique em Maio, já tinha dado o “sim” em Novembro para se juntar ao Toulouse (para ver mais: goo.gl/SyeO7i). 55 internacionalizações pela Escócia, é também um Irish&British Lion e um jogador com alta experiência nos alinhamentos, formações ordenadas e uma unidade complicada de defender no jogo curto. Leone Ghiraldini, talonador da Itália (81 internacionalizações) vem preencher a vaga de Flynn, enquanto que Manasa Saulo (internacional pela Samoa de 27 anos) e Maks van Dyk (24 anos, ex-Cheetahs jogou 15 jogos nesta temporada), chegaram para a posição de 1ª linha. O primeiro acrescenta peso e “raça” à avançada, enquanto que o segundo foi um caso sério no que toca a eficácia da formação ordenada da equipa do Free State. E para terminar, a última contratação de interesse do Toulouse, foi a vinda de Samuel Marques, internacional português, do Pau para Toulouse. Como conseguirá o Lobo jogar? Conseguirá tirar o lugar a Bézy ou Doussain?

Este foi o ano de mercado do Top14, que começou bem cedo e está praticamente terminado em Agosto de 2016. Que contratações vão mexer com as equipas? Será que realmente a dupla Tomane e Nadolo farão mossa? E o Toulon com Trinh-Duc irá em busca de algo novo, na forma de jogar? O Racing terá a mesma capacidade para levantar o campeonato de 2016/2017?

Nos gráficos abaixo poderão constatar algumas ideias e factos do Top14 em termos de idas ao mercado. Relembramos que só estamos a tratar de 68 transferências, que poderão espelhar, na generalidade, as “vontades” de mercado. A exemplo disso notem, que contabilizámos 55 transferências internas (entre clubes franceses) em 68 no total, enquanto que no prisma das 120 calculámos 93 transferências intra-França (em que uma fatia de cerca de 40% são para equipas de divisões inferiores ao Top14). A posição mais reforçada foi a 2ª linha, com o Racing a assinar com 4 novos 2ªs, enquanto que há quase um empate técnico entre as idades a contratar, ou seja, para cima de 30 representam 48% das transferências, ficando com os restantes 52% de 29 até aos 19 (Vasil Lobzhanidze, um dos jogadores mais jovens de sempre a jogar em mundiais, foi a contratação mais jovem deste mercado de transferências).

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Ligas para onde saíram Jogadores

  • Top14
  • Aviva
  • PRO12
  • Super Rugby
  • PROD2
  • Retirados

Posições de Jogadores Negociados

  • 1ª Linha
  • 2ª Linha
  • 3ª Linha
  • Formação
  • Abertura
  • Pontas
  • Centro
  • Defesa

Idades de Jogadores Negociados

  • 35
  • 34
  • 30-33
  • 29
  • 25-28
  • 25-28
  • 24
  • 23
  • 19-22

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