21 Ago, 2017

Rugby e Transferências: Aviva Premiership

Francisco IsaacAgosto 4, 201612min0

Rugby e Transferências: Aviva Premiership

Francisco IsaacAgosto 4, 201612min0

Aviva Premiership e todo um “Universo” de novidades: o aumento do tecto salarial, Kurtley Beale fará parte das Vespas, Schalk Burger será sarraceno e Mike Phillips regressa às Ilhas Britânicas.

Verão muito agitado pelos lados de Inglaterra, e não foi só pelo BrexitAviva_Premiership_logo.svg o aumento do tecto salarial do Aviva Premiership (ver detalhes sobre novos acordos da Aviva: goo.gl/Fk3uUC) permitiu a várias equipas reforçarem-se com nomes bem sonantes, a somar já as muitas estrelas que já jogam no
campeonato inglês.

Mais uma vez, só escolhemos 70 transferências, num mercado em que se registaram 94 entradas e 128 saídas (entre da mesma liga, para a Championship, Top14, PRO12, Super Rugby ou reformas). As equipas que mais se reforçaram foram os recém-promovidos Bristol Rugby, os “gigantes” dos London Wasps e os Newcastle Falcons. Em contrapartida, a equipa que perdeu mais atletas foram os Falcons (16), Leicester Tigers (15) e Bath Rugby (15, numa época que viram Mike Ford a abandonar a equipa no final da temporada transacta). Houve de tudo um pouco neste mercado de Verão, sobretudo nomes sonantes a chegar a Terras de Sua Majestade.

avivatrans

Vamos começar pela mais sonante de todas, que não é nada fácil de escolher, uma vez que tivemos um “gigante” a vir de França (Louis Picamoles), um “dragão” do País de Gales (Taulupe Faletau), um super velocista da África do Sul (JP Pietersen) ou um “fantasista” da Austrália (Kurtley Beale). Vamos começar pela última, com o multi-facetado Kurtley Beale. O defesa, ponta, centro ou abertura (por ordem de posição mais rodada) chega ao “reino” dos London Wasps que querem regressar aos títulos o mais rápido possível (o último foi em 2007/2008), tendo, para isso, contratado Beale para ser uma unidade referências nas linhas atrasadas. O jogador ex-Waratahs é internacional Wallaby por mais de 60 vezes (participou em dois Mundiais), sendo um dos jogadores com mais pontos de sempre da equipa de Sydney (461 pontos em 110 jogos). O defesa australiano é um “mágico” com uma excelente aptidão para o pontapé (tanto na Austrália como nos ‘Tahs foi ultrapassado por Bernard Foley nessa função), que poderá trazer novas “armas” às Vespas. Não vai ser fácil substituir Piutau, que partiu para Ulster, mas se Beale regressar em força (está lesionado até Outubro/Novembro) e mostrar tudo aquilo que o fez ficar conhecido como um dos “terrores” na posição de defesa (em 2014 foi campeão do Super Rugby). Beale não é tão combativo como Piutau, que no contacto era um dínamo fenomenal, seja pela forma como explorava o espaço para fugir ou para lançar um offload. Beale poderá dar outra “vertigem” ao ataque dos Wasps, onde a visão de jogo é um dos seus maiores atributos para além do muito bom jogo ao pé. Por isso pela saída de Piutau entra Beale… e mais quem? O irreverente e problemático Danny Cipriani está de regresso (será que vai aguentar a pressão?), Nick de Luca e Kyle Eastmond chegam para dar outro “contorno” ao par de centros. No entretanto, Willie le Roux confirmou que jogará nos London Wasps a partir de Janeiro, altura que o seu contrato com os Canon Eagles (Japão) termina.

Mas não foram só os Wasps a ficar com os “louros” de “espoliar” as franquias do Hemisfério Sul das suas “estrelas”. Os bicampeões ingleses, Saracens, que já têm os irmãos Vunipola, Itoje, Farrell, Ashton, foram buscar agora um poderoso 3ª linha… Schalk Burger (ver foto, para mais ver: goo.gl/rgmABz). Mais de 120 jogos no Hemisfério Sul pelos seus Stormers, internacional pelos Springboks onde participou nos mundiais de 2007, 2011 e 2015, tendo conquistado o de 2007 em França. Um powerhouse na formação ordenada (excepcional como trabalha com os outros 7 nesse perímetro de jogo), inteligente na forma como vai coordenando as suas linhas de avançados e um mauler dos rucks, não fugindo a entradas no 1º ou 2º canal. A experiência que tem (mais de 250 jogos na carreira) vai fazer diferença durante a temporada, será uma “rocha” naquela 3ª, completando com Rhodes e Vunipola uma das melhores linhas de “asas” a nível Mundial. Vincent Koch, 1ª linha que foi considerado um dos melhores na sua posição do Super Rugby 2016, foi outro dos atletas a assinar com os Lobos de Londres, mais Sean Maitland, 2ª linha internacional pela Escócia, naquilo que é um claro fortalecimento da avançada dos Saracens. Por outro lado, os Saracens despediram-se de Jacques Burger (asa da Namíbia considerado dos melhores placadores no jogo) e Charlie Hodgson (internacional inglês e maior chutador de sempre da Aviva com mais de 2500 pontos) Vai ser muito difícil “quebrar” os campeões ingleses e europeus neste sector do jogo… quem poderá fazer frente no Aviva?

Que tal os Exeter Chiefs, finalistas do campeonato inglês do ano passado? Três reforços Aussies (Austrália) vêm dar outra dimensão à equipa de Rob Baxter: Lachan Turner (ex-Toulon), Greg Holmes (ex-Reds) e Dave Dennis (ex-Waratahs). Turner vai completar com Henry Slade, Ian Whitten, Michele Campagnaro e Sam Hill, um boa sequência de centros, mas será na ponta que vai dar o seu contributo… quem sai dessa posição? Nowell? Impossível. Olly Woodburn e James Short já se gladiavam por essa titularidade e agora com o experiente australiano (30 anos) será uma luta total. Greg Holmes vem dar um extra de experiência à primeira-linha, após ter participado em dois mundiais pelos Wallabies (Michael Cheika, seleccionador australiano, não ficou satisfeito com esta saída do pilar) e que foi campeão pelos Reds em 2011. Outro back que chega é Ollie Devoto, internacional inglês com 22 anos, proveniente do Bath Rugby. Ollie é um adição “gigante” para o mundo dos Exeter. São reforços que ao 1º segundo podem dar o impulso necessário para que os Chiefs atinjam o “sonho” de serem campeões da Aviva.

Porém, não é reforçando em quantidade que se garante um bom plantel… é em qualidade. E nesse departamento há-que dar mérito aos Northampton Saints… tirar Louis Picamoles do campeonato mais rentável do Planeta (o Top14 jogou a final em Barcelona para 90 fãs em Camp Nou) e do Toulouse (a equipa com mais títulos na Europa) e metê-lo no projecto dos Santos de Northampton é fenomenal. O nº8 da selecção da França vai fazer “mossa” na competição, com aquela irreverência, “agressividade” (Picamoles é duro no jogo, sabe procurar o espaço mas não deixa de colocar um impacto forte no contacto) e mobilidade que o fizeram de uma das referências dos Les Bleus. Com Calum Clark, Teimana Harrison a 6 e 7, Picamoles vai ter tudo aquilo que precisa para conquistar metros no terreno de jogo. Dá, também, outra segurança aos 3/4’s que têm assim uma plataforma de apoio ao ataque. Nic Groom, formação dos Stormers, foi outro dos atletas do Hemisfério Sul a seguir para a Europa, chegando a Northampton para jogar pelos Saints durante duas temporadas.

Os Leicester Tigers também mexeram-se, incrivelmente, bem no mercado. O energético Matt Toomua (mais informações em: goo.gl/R469sX), centro dos Brumbies e da Austrália, acordou um contracto de dois anos em terras inglesas, compondo uma dupla com Manu Tuilagi que fará sucesso no contexto europeu. Toomua (na foto) tem uma capacidade incrível de encontras as quebras de linha (8 nesta temporada do Super Rugby), placador “corajoso” (80% de eficácia, com mais de 100 na presente temporada) e um centro que sabe equilibrar o jogo, quando a equipa precisa. Toomua nos Brumbies não era tanto um conquistador de metros, era mais um “bombeiro” para resolver “fogos” no que toca à defesa, notando-se uma boa dose de turnovers (14 em toda a temporada). Se compararmos com Fekitoa, outro nº12 do Super Rugby, tem menos ensaios, metros ou clean breaks, mas comete menos erros e é uma solução a nível defensivo. Outro mega reforço é JP Pietersen, o ponta Springbok que vai dar aquela velocidade e brilhantismo à ponta. A saída dos Sharks foi após uma temporada de altos e baixos, com o ponta a ser dos melhores jogadores no decorrer de toda a campanha da equipa de Durban. Pietersen tem 24 ensaios pela selecção sul-africana, mais 40 pelos Sharks (o recorde é de Dough Howlett da Nova Zelândia com 59), isto tudo em 179 jogos nas duas equipas (ainda esteve uma temporada nos Panasonic Knights no Japão). Pietersen dá outra expressão ao jogo à ponta, compreende como os centros se mexem e tem uma técnica individual muito apurada, sendo um dos sul-africanos que melhor mexe na oval. George McGuigan, 1ª linha internacional inglês com 23 anos, foi contratado pelos Tigers, abandonando os Newcastle Falcons.

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Por fim, destacar outra chega de um 3ª linha… Taulupe Faletau (ver mais em: goo.gl/grTKaG). Um “truque” de mercado, com o clube de Bath a “roubar” o nº8 do País de Gales, naquilo que foi uma contratação que criou um “tremor de terra” na selecção dos Red Dragons. Faletau é dominador, gosta de jogar com as linhas atrasadas (há uma facilidade do 3ª linha em saber jogar ao largo) e, acima de tudo, é um jogador completo. Nestes dois últimos anos tem estado no top-3 de melhores jogadores do País de Gales… e agora faz parte da linha do Bath. Mas como vai ser com o outro nº8 David Denton da Escócia? Poderá um ser adaptado a asa? Com François Louw, Denton e Faletau voltamos a ter uma super 3ª linha no Aviva… será um “choque” formidável quando jogarem frente aos Saracens por exemplo. Luke Charteris, 2ª linha do País de Gales, abandonou o Racing Metró 92′ como campeão do Top14 e agora vem dar uma “mão” à equipa do sudoeste inglês, fazendo com Dave Atwood outra 2ª linha de enorme poderio. Para além dos reforços de campo, houve uma troca de treinadores com a saída de Mike Ford para a entrada do treinador dos Crusaders, Todd Blackadder. Que tipo de rugby vamos ter naquele que é um dos clubes mais antigos de Inglaterra e do Mundo?

De resto, Newcastle conseguiu “roubar” Vereniki Goneva (ponta fijiano) e Kyle Cooper (ex-Sharks, foi uma das saídas mais surpreendentes do Super Rugby), François Hougaard (na foto Bok que já tinha jogado de Janeiro a Maio, mas só agora assinou contracto definitivo) aceitou o desafio dos Worcester e vai dar experiência à jovem equipas dos Warriors (conquistou dois títulos do Super Rugby pelos Bulls), entre outras reforços.

Última nota vai para o “adeus” a várias das antigas estrelas do Mundo do Aviva Premiership: Todd Clever (EUA), Andy Goode (Inglaterra, um dos maiores recordistas de sempre, com 2,285 pontos), Jean de Villiers (a seguir ao Mundial falou-se num regresso aos Tigers mas o centro sul-africano optou por se retirar), Nick Easter (o 3ª linha inglês disse adeus aos Harlequins) e Nic Wood (nunca foi internacional por Inglaterra, mas foi sempre dos pilares mais dedicados e esforçados do campeonato inglês). Agora é tempo de criar novas Lendas da Aviva e novos futuros.

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Ligas para onde saíram jogadores

  • Top14
  • PROD2
  • Super Rugby
  • Japão
  • PRO12
  • Aviva
  • Retirados

Posições dos Jogadores Negociados

  • 1ª Linha
  • 2ª Linha
  • 3ª Linha
  • Formação
  • Abertura
  • Pontas
  • Centros
  • Defesa

Idades de Jogadores Negociados

  • 37-34
  • 33-30
  • 29
  • 28-25
  • 24
  • 23-19

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