20 Fev, 2018

O quase-regresso dos Springboks… e o vice-campeonato Wallaby

Francisco IsaacOutubro 9, 20176min0

O quase-regresso dos Springboks… e o vice-campeonato Wallaby

Francisco IsaacOutubro 9, 20176min0
O improvável vice-campeonato Wallaby chegou graças aos All Blacks, que ganharam aos Springboks por um ponto. Como? Descobre na nossa análise

E terminou mais um Rugby Championship, com um “clássico” entre Springboks e All Blacks que encheu as medidas de (quase) todos… um 25-24 a favorecer os campeões mundiais proporcionou-lhes o 2º Glan Slam de forma consecutiva

Na Argentina. os Wallabies “sobreviveram” à fome de ganhar dos Pumas e realizaram uma super segunda-parte com Will Genia e Bernard Foley em alta sintonia… a vitória garantiu um vice-campeonato Wallaby, “sacudindo” a suposta crise

O final do Rugby Championship no Fair Play


Springboks com “garras” e All Blacks com frieza de campeão

Um instant classic, é assim que podemos chamar ao último jogo entre sul-africanos e neozelandeses. Apesar da vitória dos All Blacks, foram os Springboks a realizar uma excelente segunda-parte que podia ter mesmo dado vitória para selecção de Alistair Coetzee… 24-25 foi o resultado final, com vários mundos de distância do que foi no jogo da 3ª ronda (57-00 a favor dos neozelandeses). O que mudou? Quase tudo…. entrega, capacidade de aguentar com o ataque dos neozelandeses, reacção eléctrica na defesa e correcção na postura e leitura defensiva.

Os sul-africanos foram de uma intensidade assustadora, pondo a equipa forasteira sem oxigénio, obrigando-os a a efectuar alguns erros menos prováveis, aproveitando bem os espaços dados para chegar à linha de ensaio. Muito contribuiu a imensa exibição de Pieter-Steph du Toit (jogou a asa), Eben Etzebeth e Malcolm Marx. Estes três foram os líderes da avançada ‘bok, que levou, por várias vezes, o jogo para a frente.

O grande problema passou por Elton Jantjies ou Ross Cronjé, com ambos a realizarem erros menos positivos e que até “estragaram” algumas oportunidades no jogo. Exemplo disso, foi aos 59′: Cronjé tira a bola do ruck, sai rápido e atira um passe mal calculado para Skosan… bola bate no peito do ponta, e vai parar ao suspeito do costume, Rieko Ioane. O ponta só teve de correr até à linha de ensaio e repor a vantagem a favor dos All Blacks (15-10).

Aos All Blacks valeu o trabalho defensivo de Sonny Bill Williams (23 placagens e dois turnovers), a “magia” de Damian McKenzie (os erros que cometeu com a bola nas mãos ou na interpretação de jogo, foram “salvas” com momentos espectaculares) e Sam Whitelock (nível altíssimo na defesa, recuperou a oval por duas vezes em momentos cruciais). O 25-24 chegou através do pé de Sopoaga (entrou na 1ª parte na sequência de uma lesão de Beauden Barrett) e pôs fim à grande revolução bok.

Com esta derrota sul-africana, quem podia aproveitar, e que efectivamente aproveitou, era a Austrália. A selecção comandada por Michael Cheika realizou uma partida de várias tonalidades… ora cinzenta, em que permitiu aos Pumas realizar boas acções no ataque… ora dourada, com lances espectaculares, de uma excelente combinação que trouxe ao de cima as melhores qualidades australianas.

Koroibete foi uma aposta ganha pela equipa técnica Wallaby, com o ponta a marcar o seu terceiro ensaio em três jogos, impondo alto ritmo na ponta, que combina a velocidade, precisão e força. Mas, o prémio MVP vai para a dupla de médios australiana: Bernard Foley e Will Genia. Somaram um total de 22 pontos, para além de mais duas assistências para ensaio… fazendo as contas, tiveram acção directa em 32 pontos em 37.

O formação fez o quis do seu homologo argentino, aproveitando bem o espaço concedido, descobrindo os “buracos” necessários para entrar pela linha de defesa e, deste modo, criar dano suficiente aos Pumas.

A equipa de Daniel Hourcade não aguenta 60 minutos num grande ritmo. Como assim? Faz uma excelente primeira-parte e depois, invariavelmente, do adversário entra num descontrolo físico, notando-se a falta de profundidade no banco. Facundo Isa, Imhoff, Bosch são só alguns nomes que podiam estar na equipa dos Pumas e que trariam outras “armas”. A Austrália saiu de uma “crise” de identidade e união (que assolou durante todo o Super Rugby), reergue-se e conseguiu um improvável 2º lugar na competição.

Será que podem aproveitar o 3º jogo da Bledisloe para finalmente voltar a ganhar aos All Blacks?

A nova revolução Marxista!

Malcolm Marx merece, sem discussão, figurar entre os três melhores jogadores do Mundo em 2017. Imenso, dinâmico, gigante e inteligente. O talonador dos Springboks fez uma exibição espectacular ante os All Blacks, com quatro turnovers (dois deles nos últimos 5 metros defensivos), um ensaio (através de maul dinâmico), uma assistência (um passe do fantasista de Pollard, permitiu a que Marx quebrasse a linha e assistisse Jean-Luc du Preez) para além de 70 metros conquistados, três quebras de linha e 15 placagens.

Marx tem sido um dos segredos desta “revolução” Springbok, que tarda a dar resultados mas começa a despertar interesse. Só falta afinar a formação ordenada, garantir estabilidade nos rucks e os Springboks voltam a ter uma avançada de altíssimo nível. O nº2 é um “rochedo”, letal no espaço curto, difícil de parar (melhor só Steven Kitshoff, o pilar sul-africano), com uma capacidade de fazer coisas diferentes… ou seja, é o Dane Coles sul-africano por assim dizer.

Para além de Marx, Etzebeth está um verdadeiro líder e a dupla de centros sul-africana tem futuro. Mas, e temos de “visitar” este jogador: Samuel Whitelock. A ausência de Retallick foi sentida (é um jogador inegavelmente fundamental para os bicampeões mundiais), o que forçou a Whitelock ainda subir mais o seu nível… para além das 23 placagens e dois turnovers, o 2ª linha não descansou até que a Nova Zelândia garantisse a vitória. O último ruck do jogo foi conquistado, graças a Whitelock e Todd, pondo fim à possibilidade dos sul-africanos atacarem a linha de defesa neozelandesa.

O The Rugby Championship 2017 chega ao fim, com a Nova Zelândia a conquistar (novamente) o título, os Wallabies a subirem ao 2º lugar e a África do Sul ainda a tentar despertar de um profundo “sono”. Preocupações ficam para o nível dos Pumas que precisam de algo novo, para voltarem à Argentina do passado.

África do Sul-Nova Zelândia: Highlights | Jogo Todo

Argentina-Austrália: Highlights | Jogo Todo


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS




Newsletter


Categorias


newsletter