17 Ago, 2017

Portugal deixa cair o bronze para o Japão – A Bola Rápida do Europeu de sub-18

Francisco IsaacAbril 16, 20176min0

Portugal deixa cair o bronze para o Japão – A Bola Rápida do Europeu de sub-18

Francisco IsaacAbril 16, 20176min0

E assim terminou a “campanha” de Portugal no Campeonato da Europa de sub-18, com uma derrota na luta pelo 3º lugar frente ao Japão. Um jogo “estranho”, com erros e alguma precipitação à mistura que não belisca a participação dos Lobos no torneio. A última Bola Rápida do Europeu de sub-18

Portugal deixa escapar o 3º lugar no Campeonato da Europa de sub-18 após uma derrota por 16-22 frente ao Japão, que consegue “roubar” as medalhas de bronze neste Open Invitational.

Os jovens Lobos tiveram boas possibilidade de chegar à vitória mas alguns erros e faltas de calma precipitaram para o resultado final.

Esta é a Bola Rápida do Europeu de sub-18

DIFERENTES TIPOS DE DEFESA – 4 PONTOS

Placar é, quase, a instituição máxima de uma equipa de rugby. Uma equipa que plaque com eficácia e sem conceder espaço está destinada a ganhar… Portugal foi exímio a defender nos últimos metros, onde garantiu quatro bolas (o Japão não conseguia passar) e saiu a jogar.

Porém, voltámos a pecar nas placagens em jogo corrido, com algumas falhas, especialmente, no meio do campo. A pressão não foi tão “categórica” como devia ter sido (era necessário pressionar no lado oposto à saída de bola), o que permitia ao Japão terem mais espaço para jogar.

Depois quando os portadores da bola aceleravam no contacto, Portugal tinha de os parar no sítio, não podia dar espaço. Em dois ensaios dos nipónicos tudo começou por uma falha de placagem no meio, que deu espaço suficiente para saírem a jogar rápido e entrarem numa intensidade alucinante que só parou dentro da área de validação.

Portugal foi uma equipa muito forte na defesa, mas precisou de comunicar mais, sentir ainda mais o aspecto da placagem dura e de meter a agressividade num ponto total, que bloqueie o adversário.

FASES ESTÁTICAS: A CRESCER É O CAMINHO – 4 PONTOS

Melhor nos alinhamentos, “agradável” nas formações ordenadas, Portugal voltou a demonstrar que conseguia aguentar contra um adversário mais poderoso e que iria procurar pontos de “ataque” por aí.

Duas penalidades e três bolas perdidas na formação ordenada e alinhamento, respectivamente, foram os piores pontos nas fases estáticas. Porém, Portugal forçou o erro japonês em quatro situações (duas para cada lado) e partiu para conquista de pontos importantes.

José Costa converteu duas penalidades, em que uma proveio de um dessas penalidades, e o ensaio de Vasco Morais aconteceu após uma formação ordenada portuguesa ter ganho a sua bola e garantido uma ponte de estabilidade.

Se há alguns anos atrás Portugal sentia grandes dificuldades para aguentar estas situações de jogo, hoje em dia há um crescimento exponencial e boas novidades que estes Lobos sub-18 trouxeram.

Seria interessante, num futuro próximo, conseguirmos ser mais estáveis nos alinhamentos e sair a jogar em velocidade máxima, que é algo que ainda nos difere de equipas como a Geórgia.

INTENSIDADE E COMUNICAÇÃO: FUSÃO PARA OUTRO RESULTADO – 3 PONTOS

Os ensaios do Japão não foram, sobretudo, falhas de placagem, foram sim um problema de comunicação entre a equipa que já dependia de algumas quedas de intensidade nesses momentos.

A forma como se “vive” o jogo é importante, a entrega, o sacríficio e a solidariedade para com os colegas de equipa. Mas a intensidade é um factor decisivo, é aquilo que garante um domínio claro de uma equipa sobre a outra, ainda por mais em jogos como este contra o Japão.

Sentiu-se que os portugueses “desligavam-se” por vezes do ritmo de jogo, ficavam na expectativa, o que permitia ao Japão respirar e ter outra calma na execução do seu plano de jogo. Um pouco mais de pressão, uma pitada de carga no ataque ou um pontapé mais “agressivo” podiam ter feito a diferença frente aos nipónicos.

Sentiu-se falta disto com alguns eixos de Portugal (o 6-7-8 ou 12-13) em certos momentos do encontro. A comunicação é um segundo passo importante e que foi escassa naqueles momentos de maior intensidade (que existiram) e que tinha sido fulcral para aguentar as tentativas de ensaio do Japão.

São processos que fazem parte da aprendizagem e que só podem ser apurados com jogos de preparação, estágios e a criação de um core de treinos mais “profissional” e capaz de dar aos seleccionadores aquilo que precisam para obter sucesso. Portugal está no bom caminho, está a saber crescer e evoluir, só falta esses pormenores para subir sucessivamente aos pódios.

PROIBIDO DESPERDIÇAR OPORTUNIDADES – 2 PONTOS

Portugal não pode “dominar” e não fazer ensaios, ainda por mais quando dispõe de algumas oportunidades de ouro para fazê-lo. Aos 24′ e 35′, a equipa dos Lobos sub-18 esteve praticamente em cima da linha de ensaio, mas por falta de paciência não conseguiu “matar” a bola.

Para atingir um patamar de vitórias e domínio “normal” há que aproveitar as oportunidades concedidas, até porque depois, no final, poderão fazer uma diferença significante no placard.

Os jovens Lobos trabalharam bem no contacto, garantiram a oval no ruck (alguma infelicidade da parte da arbitragem não ter penalizado os nipónicos no jogo faltoso no chão) e saíram a atacar.

Pedro Afra, Manuel Nunes (um batalhador com a oval nas mãos), Diogo Cabral ou José Costa (tem uma dose de impacto e agressividade interessante mas que tem de ser trabalhada e acreditada pelo próprio) foram catalisadores de boas situações de jogo que tinham de ter consequências mais significativas para o Japão.

Saber finalizar nos últimos dez metros, ter calma e presença de espírito e contornar o que a defesa contrária oferece são pormenores fundamentais para Portugal. Neste jogo, houve o risco (o ensaio de Duarte Matos foi um hino a isso mesmo), houve a vontade de fazer algo mais, mas faltou a paciência e capacidade de gerir a intensidade de jogo.

NOTA FINAL – 13 PONTOS

ASPECTOS POSITIVOS: Defesa nos últimos metros, combatividade no contacto, fases estáticas bem trabalhadas, capacidade de arriscar, pontapé de pressão de qualidade, disponibilidade física, rucks claros;

ASPECTOS NEGATIVOS: 1ª placagem, comunicação não foi sempre a melhor, finalização pouco eficaz, intensidade quebrou em certos momentos, concentração nem sempre foi a melhor;

PORTUGAL: Manuel Giões,  Francisco Simões , David Costa, Martim Bello, Tiago Gellweiler, António Cunha, Manuel Nunes, José Roque, Vasco Morais, Miguel Morais, Francisco Afra, Diogo Cabral, José Costa, Rodrigo Marta e Duarte Matos.
Suplentes: João Almeida, Duarte Conde,João Carneiro, Manuel Barros, Tiago Norton, Manuel Maia,  José Borralho, Pedro Lucas, Francisco Almeida, José Câmara, Tomás Marrana, Francisco Nobre.

Equipa Técnica: Rui Carvoeira, Francisco Branco, João Mirra (seleccionadores e treinadores Nacionais), Paulo Vital (Fisioterapeuta) e Pedro Tavares Rodrigues (Director de Equipa);

MVP do Torneio: Manuel Nunes – Asa (Camisola 7) do RC Montemor;


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