22 Out, 2017

Portugal à prova de holandeses – A Bola Rápida do Europeu de sub-20

Francisco IsaacMarço 27, 20178min0

Portugal à prova de holandeses – A Bola Rápida do Europeu de sub-20

Francisco IsaacMarço 27, 20178min0

Esta é a bola rápida, rubrica dedicada ao acompanhamento das seleçcões de sub-20 e 18 de rugby de Portugal. Os Lobos sub-20 ultrapassaram a Holanda com categoria, apesar de alguns “sufocos” iniciais. Uma revisão ao jogo e comentário final do seleccionador Nacional, Luís Pissarra

Vitória por 42-05 de Portugal frente à Holanda, na estreia dos lusos no Campeonato da Europa Sub-20, em Bucareste (Roménia).

Entre a (muita) chuva e o frio, o jogo de “quartos-de-final” (cada equipa tem três jogos, disputados em fase de eliminatória) foi “difícil” de jogar nos primeiros 20 minutos, muito pelo início a “frio” dos Lobos sub-20.

Numa análise rápida (ao jeito de uma bola rápida) vamos discutir os pontos positivos e negativos do jogo de estreia de Portugal.

Os pontos escolhidos são avaliados com uma pontuação de negativa (max. de -1) a um máximo (7 pontos = “ensaio com conversão”) que no final vai do 00 ao 20.

PLACAR E METER A ANDAR PARA TRÁS – 7 PONTOS

Um capítulo que, por vezes, “minou” alguns jogos a Portugal: a placagem. Seja nos séniores ou na formação, o pormenor de atacar o adversário com bola e impedir a sua progressão é algo que nos falta em certos momentos fulcrais do jogo.

Felizmente, no jogo com a Holanda tudo correu bem nesse aspecto, com os jovens portugueses a armar boas placagens (nem sempre baixas) que tinham um 2º apoio dinâmico.

Melhor que tudo era ver Vasco Ribeiro, Duarte Costa e Campos, Jorge Abecassis a dar às pernas (ou seja, não deixavam de trabalhar após de aplicarem o contacto no adversário) o pondo os seus adversários a andar para trás e, até, perderem a bola no contacto.

Houve um momento em que a defesa (comunicação excelente, destaque para Azevedo neste ponto) sofreu com maior pressão holandesa à passagem dos 18 minutos.

Todavia, comunicação, postura e técnica de contacto permitiram não só os holandeses ficarem fora dos últimos cinco metros como recuperarem a bola num avant.

Será fundamental que a postura, vontade e agressividade se mantenham assim para o jogo com a Roménia nas meias-finais.

Foto: FRR.RO

ARRISCAR E COMBINAR À MANEIRA LUSA- 5 PONTOS

O ensaio de José Luís Cabral (15′) resultou numa aposta de Jorge Abecassis em transmitir a bola no limiar da placagem ao centro do Direito que resultou num ensaio de bom recorte.

Normalmente, a aposta seria para meter a bola fora após a conquista de bola no alinhamento, já que se jogava dentro dos 40 metros defensivos… garantir a defesa primeiro, seria quase que uma ordem.

Só que quando há flexibilidade de ancas e rins rápidos, é permitido arriscar desta forma já que podem significar (e significou) em ensaio de Portugal.

Jorge Abecassis não esteve num dia totalmente feliz (já iremos a esse ponto) e as linhas atrasadas estiveram perras em certos momentos que obrigavam a terem velocidade de mãos e aceleração na corrida.

Todavia, o abertura em três ou quatro momentos “X” potenciou esse lado de termos criação de jogo e movimentação rápida, que será outro ponto fundamental (e já vamos em dois) para o jogo seguinte… lentidão e demasiado tempo para pensar vai resultar em estagnação e, possivelmente, perda de bolas no contacto ou no chão.

APOIAR EIS A QUESTÃO- 4 PONTOS

Não há dúvidas que sem um apoio efectivo, claro e rápido não há equipa que consiga manter a oval sob seu controle, podendo “estragar” a sua boa performance na linha de vantagem por uma perda no ruck.

Portugal só esteve bem neste capítulo a espaços, já que consentiu 7 turnovers no chão que foram resultado de um apoio ora lento ora longe do portador da bola.

Raramente vimos ligações do apoio com o jogador que carregava a bola (algo normal nas selecções de topo ou que lá querem chegar) o que pode tirar alguma expressão no conquistar de metros.

É bastante importante que Portugal não se deixe apanhar nos rucks, não sofra penalidades por prisão de bola ou que não veja um turnover ser transformado numa jogada rápida de ataque e de ensaio iminente.

A Holanda retirou bem a oval (aos 46′ por exemplo) do ruck mas depois tinha dificuldades em sair rápido a jogar ou querer mesmo fazer a oval girar.

Estes erros poderão ser pela falta de equilíbrio e ligação dos jogadores, (relembramos que não tiveram tantos treinos como o desejado) mas é provável que seja um acontecimento  de primeiro jogo e que será resolvido já para as meias-finais.

PORMENORES A RESOLVER- -1 PONTOS

Nem todas as boas exibições (e este jogo com a Holanda não passou dessa categoria) estão isentas de erros (como já demonstrámos no ponto anterior) ou de críticas em certos pontos.

Veja-se os pontapés directos para fora de Jorge Abecassis (três) que colocaram alguma pressão na defesa portuguesa, a passividade de Duarte Azevedo na saída do ruck (duas bolas largadas para trás resultado da bola estar molhada e falta de concentração) ou as falhas nos alinhamentos (má introdução por duas vezes e duas perdas quando montavam o maul.

Os pontapés podem custar metros, a passividade pode resultar em turnover por bola perdida (e gerar ocasiões de ensaio para o adversário) e as combinações deficitárias podem retirar oportunidades de marcar pontos.

Portugal tem rugby na “guelra”, gosta de jogar rugby (Vasco Ribeiro tem um erro de passe na 1ª parte quando transmite a bola sem olhar, imaginando que estaria alguém naquela zona: erro de passe, leitura ou de comunicação?) e pode causar danos nos seus adversários.

São situações que aconteceram com a Holanda mas não podem surgir nos jogos seguinte se queremos chegar à final e lutar pelo lugar no World Trophy.

NOTA FINAL – 15 PONTOS

ASPECTOS POSITIVOS: Vitória fácil, capacidade de conquistar metros, boa luta no contacto do portador da bola, possibilidade de arriscar, formações ordenadas no ponto e defesa apurada com placagens e apoio de qualidade;

ASPECTOS NEGATIVOS: Alguma passividade ofensiva, falta de algum apoio no contacto, não limpeza rápida no ruck, falhas em algumas combinações de ataque;

PORTUGAL: 1 – João Melo; 2 – Nuno Mascarenhas; 3 – Afonso Carreira; 4 – Rebelo de Andrade; 5 – Manuel Picão; 6 – João Granate (5); 7 – David Wallis (5); 8 – Duarte Campos (5); 9 – Duarte Azevedo; 10 – Jorge Abecassis (5,3,3,3,2,2,2,2); 11 – António Vidinha; 12 – José Luís Cabral (5); 13 – Vasco Ribeiro; 14 – Castelo Branco; 15 – Cardoso Pinto
Suplentes: José Sarmento, Sousa Nardi, José Pimentel, Fezas Vital, Manuel Peleteiro, Martim Cardoso, Pedro Silva, Rodrigo Freudenthal, Francisco Campos, Gonçalo Santos e José Sarmento.

PRÓXIMO JOGO: Roménia – 29 de Fevereiro às 15:00 (Portugal)

RESCALDO DO JOGO POR LUÍS PISSARRA (SELECCIONADOR NACIONAL DE SUB-20)

Faltava este primeiro jogo para que a equipa se encontrasse? Satisfeito com os 42 pontos marcados e só 5 sofridos?

LP. A nossa equipa veio para este torneio sem nenhum teste de jogo real. Fizemos 2 treinos com os sub18, muito úteis e importantes, mas não trazem a mesma preparação que um jogo internacional (só para dar conhecimento a Holanda jogou com a Polónia e Alemanha nos últimos 2 meses). Como tal, este grupo ainda não tinha uma prova de fogo para saber o seu real valor! Mais importante que a diferença de pontos considero que a forma como aniquilamos o bem organizado ataque da Holanda, com a nossa estrutura e agressividade defensiva, é que tem relevo.

Como vamos pôr dificuldades na Roménia/Bélgica? É a formação ordenada um ponto importante nesse jogo da meia-final? A

LP. Roménia joga em casa, com algum estímulo externo, e tem um poder físico diferente da Holanda! A estrutura defensiva/ofensiva da Holanda é mais evoluída mas a capacidade física dos jogadores romenos é impressionante e é a sua maior arma juntamente com o jogo ao pé do número 10. A FO da nossa equipa foi dominadora tal como a da Roménia no confronto com a Bélgica, creio que vai ser um ponto a testar as 2 equipas e que pode trazer uma ligeira vantagem psicológica. Para nos o mais importante vai ser a nossa capacidade defensiva/espírito de sacrifício e evitar bolas da Roménia nos nossos 22m.

Foto: FRR.RO


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter