25 Nov, 2017

Perfume da Inglaterra e Vingança da Nova Zelândia

Francisco IsaacNovembro 22, 201617min0

Perfume da Inglaterra e Vingança da Nova Zelândia

Francisco IsaacNovembro 22, 201617min0

Fim-de-semana cheio para o rugby internacional, com jogos entre os “grandes” mundiais: Inglaterra “domina” as Fiji; Austrália sai vitoriosa graças a uma “mão final”; Escócia e Itália colocam Argentina e África do Sul num vórtice negativo; Nova Zelândia sem brilhantismo põe termo ao sonho irlandês. Os Internacionais de Outono em 5 pontos

Um sábado de intensa loucura, com grandes jogos, algumas surpresas e médios de abertura a distribuírem espectáculo por onde passaram. Fiquem com os nossos destaques do fim-de-semana

A Coincidência: MÉDIO DE ABERTURA SIGNIFICA ESPECTÁCULO

Uma mera mas feliz coincidência neste fim-de-semana de jogos, já que em 12 nº’s 10, 3 conseguiram chegar à linha de ensaio, 4 assistiram colegas seus para esse efeito, para além de 10 quebras-de-linha e mais 82 pontos marcados entre todos. Finn Russell, Johnny Sexton, Josh Matavesi, Carlo Canna, Gareth Ascombe, Patrick Lambie e Yu Tamura não realizaram umas exibições de “encher o olho”, mas ainda assim foram importantes para o esboçar de algumas jogadas de maior impulso, com bons dinamismos (aqui foram especialmente interessantes Russell e Canna) e de ideias claras. Para compensar, George Ford (duas assistências para ensaio, um defesa batido e uma quebra de linha), Nicolas Sánchez (11 pontos convertidos e dois defesas batidos), Bernard Foley (nº10 de recurso para suplantar a ausência força de Quade Cooper, somou um ensaio, uma quebra de linha, 25 pontos e 26 metros conquistados), Jean-Marc Doussain (“calou” os críticos pela boa exibição que realizou, coroada com um ensaio e uma série de boas mudanças de linha que alteraram a velocidade da França) e Beauden Barrett (voltou às grandes exibições, com um ensaio marcado, uma assistência, três quebras de linha, 90 metros conquistados e dois defesas batidos para além dos 11 pontos).

Na hora H, Foley apareceu para animar o jogo da Austrália, que estiveram em risco de sair de Paris com uma derrota… Foley fez um bom ensaio, ao aparecer junto ao ruck, completamente lançado e sem que o poste conseguisse parar a corrida do nº10. Nesse momento (42 minutos de jogo), Foley se apercebeu que a França estava a defender de forma pouco pressionante, estando sempre na expectativa e com uma postura pouco “agressiva” junto do ruck, aproveitando Foley para “cortar” o espaço e surgir bem junto a esse perímetro do jogo para fazer o 20-11. Passados dez minutos, foi a vez de Doussain aproveitar um ruck rápido, para captar a oval e explorar o eixo do ruck, atirando-se para dentro da área de validação, naquele que foi um ensaio “carregado de manha”.

Mas os senhores aberturas foram Beauden Barrett e George Ford. O primeiro voltou a deslumbrar com um punhado de “aparições” decisivas no jogo frente à Irlanda, naquela que foi a vingança pela derrota de Chicago. Barrett assistiu Fekitoa para o 1º ensaio, com um cross-kick teleguiado que o nº13 (excelente regresso à titularidade) não desperdiçou para chegar à linha de meta. Passado uns minutos, foi o próprio nº10 a seguir para o ensaio, aproveitando um erro defensivo irlandês, para quebrar a linha e meter a bola no chão (ainda foi necessário ir ao TMO para certificar que Barrett tinha colocado a bola ou não no chão). Ainda participou no 3º ensaio dos All Blacks, com uma bela jogada entre ele, TJ Perenara e Fekiota. Barrett é, actualmente, o Melhor Jogador do Mundo para World Rugby e, talvez, assim o seja. Uma exibição “grande” que brilhou um jogo pouco brilhante dos All Blacks em Dublin.

Mas, poderá existir um nº10 que tenha a mesma capacidade que Barrett? De acordo, com Eddie Jones, sim e o nome dele é George Ford. O médio de abertura inglês do Bath, conseguiu a proeza de “meter” Owen Farrell a nº12, conquistando o seu espaço no XV da Inglaterra. Já vem sendo assim desde Junho, altura em que a Inglaterra foi à Austrália. De lá para cá, Ford tem vindo a amealhar boas exibições e no jogo frente às Fiji não fugiu a este novo “paradigma”. Duas assistências para ensaio, participou em mais três jogadas para esse objectivo, num resultado que terminou em 58-15 a favor dos ingleses. Ou seja, George Ford está em 5 dos 8 ensaios da sua selecção, algo fundamental para o que Eddie Jones e Paul Gustard querem da equipa de Sua Majestade: jogo rápido, ágil e com consequências “pesadas” para os seus adversários. Ford é/será fundamental para esta nova “realidade” do rugby inglês, já que é um jogador que gosta de viver na intensidade, em criar espaços onde só existem obstáculos e de levar ao jogo a um ritmo vertiginoso. Um detalhe bem interessante do jogo de Ford foi a execução do seu passe (100% eficácia, com uma qualidade de elevada categoria) e o posicionamento na defesa (10 placagens e 1 turnover) ou ataque (as Fiji sentiram dificuldades em ler os movimentos de Ford).

Um fim-de-semana em cheio para os médios de abertura, que tiveram a liberdade necessária para fazerem “magia”, assim como um engenho sempre especial.

O Momento: UMA “MÃOZINHA” PARA A VITÓRIA

Um fim-de-semana recheado de momentos que proporcionaram aos adeptos grandes momentos de espectáculo, intesidade, “terror” e paralização. Seja o final de jogo entre a Itália-África do Sul, que marcou um momento de glória para a equipa de Conor O’Shea (este é o 2º jogo do novo seleccionador da Itália), já que nunca antes os transalpinos tinham conseguido arrancar uma vitória frente aos temíveis Springboks. O perfume da Inglaterra, com dois ensaios de excelência, que ditam os momentos de loucura ou de maior espectáculo (o terceiro ensaio de Semesa Rokoduguni, é uma jogada tremenda de equipa, com todos os envolvidos a desempenharem as suas funções com extrema eficácia); o País de Gales-Japão foi de uma loucura total, em que o 30-30 aos 79′ colocou vários adeptos galeses a “roer as unhas”, no desespero de poderem ter mais um revés neste Novembro de jogos internacionais… porém, a frieza de Sam Davies possibilitou que os Red Dragons arrancassem uma vitória por 33-30, com um belo drop final.

No assunto de drops e momentos de “pânico”, o França-Austrália foi um hino a essas dois conceitos… os Les Bleus conseguiram realizar um jogo bem conseguido, com uma excelente articulação do seu pack avançado (10 alinhamentos e 6 formações ordenadas conquistadas, tendo ainda “roubado” 1 alinhamento e 3 formações ordenadas dos australianos), que foi bastante agressivo, impedindo a avançada Wallaby de conseguir ganhar nas fases estáticas. Porém, o ataque francês nunca foi o mais “rápido”, com vários erros (15 “erros” forçados), tendo desaproveitado alguns lances para chegar à área de validação australiana.

Do outro lado, a equipa da Austrália que não esteve bem nas fases estáticas, cometeu alguns erros no jogo curto e permitiu algumas falhas de placagem, minimamente, graves que foram “salvas” com os ensaios de resposta de Foley e Kuridrani (espectacular ensaio do nº13, que tem o descernimento e a lucidez de meter a bola no canto da área de validação antes que seja empurrado para fora das linhasde jogo). A França foi muito leviana junto ao ruck, concedendo certos espaços que a selecção de Michael Cheika aproveitou para marcarem os tais ensaios (veja-se o ensaio de Bernard Foley, que entra a “abrir” perante a passividade de Vakatawa ou a má dobra de Ollivon.

No entanto o momento do jogo estava reservado para o final dos 80′, aliás, já estávamos 2 minutos para lá do tempo com a França a tentar chegar a uma penalidade ou ensaio que possibilitasse a reviravolta final de 23-25 para 26-25. Os Wallabies defenderam com calma e paciência, não cometeram erros ou faltas no chão, o que premeditou que a equipa da casa tivesse de arriscar todo o jogo num drop de Camille Lopez. O nº10 do Clermont “armou” o pontapé, a bola bateu no chão e recebeu o pontapé que finalizou o jogo… por escassos centímetros a bola não entrou, passou ao lado e a Austrália coleccionaram uma nova vitória na sua demanda pelo Grand Slam Tour (querem somar só vitórias neste “estágio” de final de ano) de final 2016.

Mas houve algo que ditou que a bola não conseguisse passar por entre os postes e terá sido a carga final de Foley com Kyle Godwin (estreia de gigante do jovem centro) que terão dado uma “mãozinha” para que o pontapé de Lopez não tivesse o desfecho que Novés tanto queria.

O Jogador: THE LIFE AND WORK OF POCOCK

Não há palavras suficientes para descrever a imensidão de jogador que é David Pocock. O asa prepara-se para tirar o seu semestre sábatico do rugby internacional (ainda não sabemos para onde irá treinar e estudar durante esse tempo) e deixará saudades à comunidade do rugby. É um jogador com uma classe tremenda, não há adversário que no final não queira apertar a mão e de trocar algumas palavras com o 7 dos Brumbies e, acima de tudo, representa os valores do jogo da melhor forma possível.

No jogo frente à França, Pocock voltou a vestir a camisola de nº7 dos Wallabies, uma vez que já não a assumia desde 2012 (lesões e a ascensão de Michael Hooper). Por isso, David Pocock teria de demonstrar ao Mundo que ainda é um dos melhores asas abertos do Planeta… e ao fim de 80 minutos, não restaram dúvidas disso mesmo, ao ponto que já se discute em meter Hooper a 6 e manter Pocock a 7. Mas o que aconteceu neste jogo que levou os comentadores, analistas, adeptos e outros jogadores ao êxtase?

O jogo defensivo de Pocock foi soberbo: 18 placagens (três delas fundamentais para parar ataques), 4 turnovers (mais uma vez é o “Rei” desta secção)e três penalidades (no risco de tentar tirar a bola no ruck, Pocock foi castigado com três penalidades, sempre no meio-campo francês). No ataque esteve mais “escondido” que o costume, realizando um trabalho de apoio ao portador da bola, de decoy quando Foley assim o pedia, terminando o encontro com apenas 10 metros conquistados, 6 carries e sem erros atacantes forçados. Acima destes números e secções do jogo, Pocock foi um líder gigante dentro do campo, guiando a sua equipa em direcção da vitória e capitaneando (Stephen Moore ficou no banco neste encontro) com excelência.

Pocock não se assume como uma “Estrela” ou “Astro”, ele é o jogador que define melhor o conceito de “colectivo”, com uma entrega absoluta (já sofreu 13 lesões pela selecção, o que demonstra a forma como se sacrifica em prol da Austrália), uma raça inesquecível e uma vontade para gerar jogo para os Wallabies das situações de “desespero” (os turnovers que arranca possibilitam aos australianos partir para novas situações de ataque) em que se encontram. Pocock merece ser analisado à luz dos analistas de performance, pela forma como ele “estuda” o jogo, como consegue adaptar-se ao adversário (é o jogador que tem mais facilidade em jogar contra os All Blacks por exemplo) e encontrar formas de retirar os devidos dividendos nos momentos em que é chamado a intervir.

The Great Leader (Foto: L'Equipe)
The Great Leader (Foto: L’Equipe)

O Jogo: THE DRAGON ALMOST FELL TO THE WAY OF THE SAMURAI

Ponto prévio: o País de Gales não está na sua melhor forma. Segundo Ponto Prévio: O Japão partiu para estes jogos de Outono com 15 lesionados, o que impossibilitou ter a melhor selecção em jogo. A equipa de Warren Gatland (o homem que vai guiar os Irish&British Lions em 2017 na tour por Nova Zelândia) tinha uma missão única para o jogo frente ao Japão: ganhar! Do outro lado, está uma das “raposas velhas” do rugby Mundial, Jamie Joseph. O antigo treinador dos Highlanders (levou a equipa de Aaron Smith e Ben Smith ao título do Super Rugby em 2015) está a dar continuação do trabalho de Eddie Jones (o homem que deu a estocada nos Springboks no Mundial de 2015) e molda a cada dia que passa os seus Samurais no caminho certo para uma nova “realidade”.

O País de Gales obteve uma vitória em dois jogos, “sorrindo” frente à Argentina (24-20) e caíndo perante a Austrália (08-32) para a pior derrota desde 2006 em casa. Os japoneses jogaram frente à Argentina (derrota por 20-54 em Tóquio) e Geórgia (vitória por 28-22 em Tbilisi), ficando a faltar o tal jogo frente aos Dragões galeses e um final frente às Ilhas Fiji. Ou seja, como coincidência ambas conquistaram uma vitória por 4 pontos de diferença e ambas somaram derrotas em casa complicadas e por números avolumados.

No jogo de sábado passado, o Japão foi um problema sério para Gatland, já que obrigaram os Red Dragons correr durante 80 minutos, atrás de um prejuízo que os próprios causaram. O Japão passou a maior parte do tempo a defender (35% de posse de bola e mais de 19% no seu próprio meio-campo), esperando pelos momentos X para saírem em contra-ataque e garantirem pontos necessários para lutarem por uma vitória que poderia ter sido histórica. O ensaio aos 73′ de Amanaki Lotoahea, que tirou dois jogadores da frente, após um passe brilhante e carregado de risco de Amanaki Mafi, para chegar à área de validação e lançar o público do Millenium Stadium num frenesim… 30-30 a 5 minutos do apito final.

Com o tempo a passar, o Japão a defender cada vez mais “fechado” e sem falhas e o País de Gales sem a velocidade necessária para quebrar a linha e chegar a novo ensaio, Ascombe pediu a “obrigação” de chutar e atirou um drop bem medido e calculado que passou pelo meio dos postes… 33-30 a 1 minuto do final. A equipa galesa já não deixou a vitória fugir e puderam respirar melhor no final do encontro, apesar de todos os erros somados, das falhas consentidas e da falta de ideias para passar uma defesa (180 placagens e só 18 falhadas) que esteve intratável. O Japão está em grande crescimento e poderá ser mesmo uma super-nação para o futuro… Eddie Jones, Richie McCawe, Jean De Villiers já tinham apontado para esse sentido. Um grande jogo, que merece ser observado vezes sem conta!

A Queda: SPRINGBOKS E PUMAS EM EXTINÇÃO?

É verdade… Springboks e Pumas estão em queda num 2016 muito complicado para ambas as selecções. A Argentina soma só três vitórias em dez jogos, consentindo derrotas frente à Nova Zelândia (2x), Austrália (2x), França, País de Gales e Escócia, naquilo que está a ser um “complicado” para Daniel Hourcade. Esperávamos todos mais da equipa das Pampas, já que o rugby carregado de raça, vigor e “agressividade” deveria estar a “florescer” e a abordar as nuances de intensidade nas linhas atrasadas, ideias para criar roturas defensivas e outra mentalidade dentro de campo. Infelizmente, os Pumas continuam a preocupar-se mais com as arbitragens que o jogo jogado, entregam-se a um rugby demasiado físico e “duro de rins”, que consente perante a maior intensidade e frescura física das equipas de maior gabarito. Hourcade terá que procurar uma maior elasticidade da sua linha de ataque, encontrar soluções para penetrar nos canais exteriores e garantir que a sua equipa tenha 100% de eficácia nas fases estáticas (têm consentido vários erros nesses departamentos).

Para além disto tudo, há que ter outra mentalidade na abordagem ao jogo. A Argentina parece querer vestir o “fato de mártir”, que está a lutar contra todo o tipo de “males” do Mundo da Oval, bracejando e protestando com os árbitros ou adversários como se fosse obter vitórias desse perímetro do jogo. Em dez jogos, são 7 derrotas e algo terá de ser feito para que a nação dos grandes Pumas não caia num “tufão de negativismo”.

No mesmo Hemisfério, está a África do Sul que atravessa a sua fase mais conturbada dos últimos 15 anos. Uma equipa que não assume e não processa o plano de jogo como devia, que não se reconhece como a potência que é e que caiu no erro de aceitar todas as polémicas em seu redor, está sem rumo e sem direcção. Alistair Coetzee recebeu uma herança envenenada, já que o novo sistema de quotas (a SARU deve uma explicação à sua comunidade em porquê estar a aplicar medidas tão “pesadas” e graves no escalão máximo, invés de se preocupar com a igualdade nas escolas e rugby de formação) tem criado alguns cismas dentro da equipa. Há jogadores que estão no lugar de outros, simplesmente porque são de uma raça e não porque são melhores… mesmo assim, a África do Sul não tem desculpas para cair perante a Itália, como aconteceu neste fim-de-semana por 20-18. Os sul-africanos consentiram uma derrota histórica (nunca antes a Itália tinha sentido o prazer de ganhar aos Springboks), apesar de terem realizado uma exibição defensiva imaculada (90 placagens e só 3 falhadas) em que mesmo no sector das faltas esteve bem (7 faltas apenas).

Porém, Carlo Canna aproveitou para fazer 7 pontos e dar o seu contributo à sua Itália. Os Springboks a atacar estão lentos, pouco motivados e sem as características que se pede de uma selecção de topo. Curiosamente, neste jogo só jogaram três jogadores de raça negra, algo que “finta” o sistema de quotas… por isso será que a culpa das derrotas é só do sistema ou algo mais? É possível que os jogadores não estejam satisfeitos com a SARU, que as ideias de Coetzee ainda precisem de tempo para solidificarem ou que há que encontrar soluções boas para o futuro do rugby sul-africano. 2016 está a acabar, as 6 derrotas (Nova Zelândia 2x, Argentina, Austrália, Itália e Inglaterra 1x) e 1 empate (Barbarians) em 10 jogos terão de servir de lição para um 2017 mais “feliz”. Mas será que Coetzee ainda estará no banco dos Springboks em Março de 2017?

For one to go up, another must go down (Foto: Rugbyrama)
For one to go up, another must go down (Foto: Rugbyrama)


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