20 Nov, 2017

O Tango Mortal dos Jaguares – 5 pontos da 4ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacMarço 22, 201712min0

O Tango Mortal dos Jaguares – 5 pontos da 4ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacMarço 22, 201712min0

Crusaders voltam a “arrancar” a vitória na 2ª parte, Chiefs quase que tropeça em Melbourne, Jaguares vão para duas vitórias consecutivas e Quade Cooper vai para o “duche” mais cedo. Mais uma ronda “quente” do Super Rubgy 2017

A MÁQUINA: THE ALL BLACK TERMINATOR… RETALLICK 1.0

Melhor 2ª linha do globo quem é? Maro Itoje? George Kruis? Iain Henderson? Alun Wyn Jones? Richie ou Jonny Gray? Pieter-Steph du Toit? São todas boas opiniões, mas vamos optar por Brodie Retallick.

Terminator dos Chiefs realizou uma exibição de tal forma categórica, que nem foi preciso muito mais para a equipa de Waikato arrancar os 5 pontos de Melbourne.

Exageramos um pouco, já que o jogo foi muito complicado para os neozelandeses que só nos últimos dez minutos conseguiram desatar um nó de 14-14 frente aos Rebels.

Retallick decidiu liderar o pack de avançados, que estava sem “líder”, uma vez que Liam Messam estava mais preocupado com picardias e Sam Cane (que desempenhou com excelência as suas funções de asa) ainda estava a ambientar-se ao jogo.

O 2ª linha foi sempre para a frente, obrigou os Rebels a placarem baixo e a tentarem pará-lo quando já tinha alguns metros no seu “bolso”.

Uma categoria nas situações estáticas, um “voador” nato nos alinhamentos e um “dínamo” nos rucks, Retallick castigou de tal forma os australianos, que à passagem do minuto 66′ conseguiu chegar à área de validação num pick and go portentoso.

Aguentou dois placadores, continuou a dar às “pernas” e aterrou no terreno com a cara para permitir que nenhum adversário conseguisse pôr as mãos na bola. O sacrifício pelo bem da equipa, demonstra a grandiosidade do Terminator.

A somar ao ensaio, os 25 metros conquistados, as nove placagens e os três turnovers (sem penalidades), Retallick merece a menção da “Máquina” da semana.

Foi essencial para dar “agressividade” ao jogo dos Chiefs em Melbourne, onde o seu desempenho junto ao ruck e na pressão alta foi importante para a vitória por 27-14.

25 anos, com 60 internacionalizações pelos All Black’s e 71 jogos pelos Chiefs, o Terminator é uma das grandes “armadas” da Nova Zelândia para os próximos anos.

E para finalizar, vejam o último ensaio dos Chiefs e observem quem começa a jogada do ensaio com um offload que até McKenzie deve ter ficado surpreendido.

O AVISO: O TANGO DOS JAGUARES OU COMO SER LETAL EM TRÊS MOVIMENTOS

Nova vitória para equipa de Buenos Aires, naquela que é a sua 2ª época no Super Rugby, desta feita as vítimas foram as Cheetahs do Free State.

Raúl Pérez só pode estar orgulhoso do início de campeonato dos seus Jaguares, uma vez que já somam três vitórias em quatro jogos.

Um rugby com mais “classe”, mais paciente e menos de reacções “à flor da pele”, que lhes tem permitido sorrir mais em 2017.

No jogo frente à equipa sul-africana das Cheetahs (que podem estar de saída do Super Rugby em 2018 ou 2019), os argentinos completaram 153 placagens, num jogo em que só tiveram 41% do domínio territorial.

O que é que este dado prova? Que a defesa activa, a recuperação de bola e o relançamento de jogo rápido permitiu conquistarem três dos seus cinco ensaios.

Ramiro Moyano, o ponta internacional argentino, arrecadou três ensaios, sendo que o 1º é um dos momentos (senão o ensaio) da semana, destacando-se a forma rápida de jogo, os offloads de risco e o bom apoio no ataque.

Há uma consistência mais fiável nestes Jaguares, onde existe uma maior noção de estratégia e de ocupar melhor os espaços, para além que se nota uma maior disposição física e um apoio mais veloz ou, pelo menos, mais eficaz e que lhes dá estabilidade.

No jogo frente às Cheetahs notou-se isso, para além de uma versatilidade maior, capacidade de passar de jogo de avançados para fases rápidas e dinâmicas

Acima de tudo, os argentinos já contam com 14 pontos em 4 jornadas… em 2016 somaram apenas 22 em 15 jogos disputados no Super Rugby… isto serve de um sério aviso que os argentinos estão a crescer, as “garras” estão mais polidas e a “fome” é ambiciosa.

No entanto, deixamos um alerta para os fãs dos Jaguares que vem na forma de cartões: seis amarelos em quatro jornadas. E isto explica-se pelo excesso de “intensidade”, a interacção na defesa (muitas faltas no chão e de forma sucessiva) e a má postura com a equipa de arbitragem.

O VILÃO: QUADE COOPER VOLTA AO PASSADO?

Razia… é o conceito que melhor se pode atribuir ao que os Lions fizeram à equipa de Queensland no passado sábado. 44-14 é um resultado que espelha vários problemas e lança um debate “quente”: os Reds têm futuro no Super Rugby?

Num jogo que acabou com sete ensaios dos vice-campeões da competição, os Reds podem centrar a faixa de tempo dos 44-46′ como o momento do jogo.

Primeiro Eto Nabuli, o ponta que já conta com 4 ensaios em 2017, recebe ordem de expulsão temporária por anti-jogo (falta no chão a impedir saída rápida dos jogador dos Lions) aos 44′ quando perdiam por 15-00.

Na sequência da falta, a equipa de Joanesburgo vai conseguir o terceiro ensaio por Van Rensburg (excelente início de temporada para o jovem centro) que ainda resulta num cartão vermelho para Cooper.

Ora, num primeiro momento ninguém tinha notado a entrada alta de Cooper… aliás, tinham notado mas ninguém se apercebeu da gravidade ou a intensidade com que o abertura placou o seu adversário.

Placagem alta, ao pescoço, com alguma intensidade… não há espaço para discussão. Vermelho directo e os Reds com o jogo estragado… nova derrota, a terceira em quatro jogos.

Mas estaremos a ser duros com Cooper? Bem, o jogo frente aos Lions foi mais um de nível medíocre por assim dizer.

Pouco mais de 18 metros com a bola em seu poder, 14 passes, 1 offload e um erro forçado. Pouco mais que isto. Não é o mesmo Quade Cooper de outros tempos, falta a visão de jogo, a velocidade catapultante e a capacidade de criar jogadas fascinantes.

A 3ª linha dos Reds também não tem ajudado muito na “suavização” de pressão defensiva das equipas adversárias, o que põe uma pressão desgastante em cima do médio de abertura Wallabie.

Curioso que os únicos ensaios dos Reds foram feitos já com Quade Cooper fora, mas não deixou de ser um jogo traumatizante para uma equipa que foi campeã em 2011.

Conseguirá Quade Cooper voltar à sua forma ideal?

PORMENORES: BARRETT CLASS AND SMITH DEMISE

Um jogo de opostos entre os Hurricanes e Highlanders, onde o duelo teve momentos altos, especialmente no que toca a ensaios ou placagens.

Há muito mais para além disso e podemos dizer que foi um jogo de extremos com pormenores de interesse e que vale a pena os discutir aqui.

Seja pelos rasgos de Jordie Barrett ou pela inteligência de Aaron Smith, os Highlanders-Hurricanes foi um jogo “cheio” com detalhes bem interessantes, especialmente da parte dos campeões em título do Super Rugby.

Smith terminou o jogo com duas assistências para ensaio, sendo que a resultou no ensaio de Matt Faddes foi um “mimo” no que toca a uma boa saída de bola e na forma como “prende” tanto Perenara e Shields para dar espaço a Faddes de vir solto para o ensaio.

Para além disso, a forma como o centro entra na linha, só com olhos para a área de validação e em que a velocidade atinge um máximo no ponto em que mete o pé na linha da bola é um must para todos os que gostam de entrar com a bola no espaço.

Porém, Aaron Smith vai ter um erro de “participante” aos 37 minutos de jogo. Após mais uma bela jogada de Faddes (offload de categoria), Smith vai acabar por receber a bola e só com Jordie Barrett pela frente vai cair no erro de exceder-se nas fintas.

Se o nº9 dos Highlanders tivesse continuado pela esquerda tinha chegado ao ensaio… ao bater o pé para dentro ficou à mercê de Barrett (Beauden) e de Perenara que conseguem forçar o erro ao formação neozelandês.

Falando em Jordie Barrett, o 2º jogo a titular do “miúdo” já foi mais aceitável com duas assistências para ensaio e um par de detalhes muito interessantes.

Aos 35′, na ressaca do ensaio de Faddes, Jordie recebe a bola do irmão e num pontapé audacioso mete a bola à disposição de Laumape.

É incrível a calma que o nº15, de 20 anos, tem em perceber da possibilidade em criar a situação e arriscar num jogo em que os Hurricanes estavam a perder por 05-03.

No reatamento de jogo, Jordie volta a fazer uma assistência vertiginosa com um passe por detrás das costas após ter aguentado o seu placador com uma mão abrindo espaço para esse passe delicioso.

O Super Rugby é feito destes detalhes e riscos, que obrigam as equipas a superarem-se semana após semana.

Como último detalhe, vejam como Ardie Savea tira o ensaio a Fekitoa ao agarrar a bola mal Fekiota começa a rebolar no chão… isso e a placagem aos pés de Jordie.

MUDANÇAS: SUPER RUGBY PARA SUPER 16?

Poderíamos falar da execução atlética dos ensaios de Henry Speight, da forma que os Kings quase que ganharam aos Sharks ou no facto dos Sunwolves continuarem a não nos impressionar.

Porém, as notícias de um possível emagrecimento do Super Rugby “roubaram” a nossa atenção e merecem destaque final na nossa rubrica semanal.

Tudo começou quando Harold Vester, presidente executivo da franquia das Cheetahs, disse que a formação do Free State não seria alvo da “guilhotina” na próxima reformulação da competição.

Ironicamente, as últimas notícias que saíram é que seriam as Cheetahs a serem uma das equipas convidadas a abandonar a competição. Isto para além de uma equipa australiana, que poderão ser os Rebels ou Reds.

Para além disto, a reformulação visa uma formatação do calendário e das viagens de forma a não criar uma despesa maior do que as franquias já suportam, mas sim garantir que haja um “balão de oxigénio” melhor para todos, especialmente as formações sul-africanas.

Há algumas questões por responder no meio da nova “confusão” da SANZAAR (a federação que “governa” a competição do Super Rugby e o The Rugby Championship) como: haverá espaço para uma equipa do Pacífico (e há sponsor para tal)? O Japão não terá interesse em ter mais uma franquia? E as expansões para a América do Norte?

Todas as nossas perguntas vão para o factor aumentar, algo que não parece ser o objectivo da SANZAAR e das demais franquias.

Esse goal é agora arranjar uma sustentabilidade para as equipas com maior força (convergência do poder económico, nº de adeptos e sponsors), garantir uma maior paridade entre todas as franquias (haverá sempre os mais fortes e os menos fortes, mas ideia é que sejam todos fortes) e tornar o Super Rugby a competição mais vista no Hemisfério Sul.

As opiniões divergem, com vários artigos de opinião de interesse. Deixamos aqui alguns: TVNZ, The Roar ou The Guardian

Foto: Rugby365

DICAS PARA A FANTASY

Semana, no mínimo, complicada para quem arriscou nos jogos dos Bulls-Sunwolves e Sharks-Kings… os pontos dos pontas foram “fracos” e acabaram por prejudicar quem “apostou” nessa negra. Para esta semana recomendamos que arrisquem nos seguintes jogadores…vão trazer pontos!

  • Tevita Li (Higlhanders) ou Matt Duffie (Blues) vão ter um fim-de-semana em grande. Ambos os pontas têm de procurar o caminho para o ensaio e a recepção dos Blues aos Bulls poderá ser vantajoso para Duffie, enquanto que Li vai tentar “furar” o moral dos Brumbies;
  • Israel Folau (Waratahs) tem tido um início de época “estranho” com três ensaios, mas sem o brilhantismo do costume. Todavia, será uma aposta boa para o Rebels-Waratahs;
  • Wheto Douglas (Crusaders), Pablo Matera (Jaguares) e Warren Whiteley (Lions) são boas apostas para a 3ª linha nesta 5ª ronda;

Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS




Posts recentes



Newsletter


Categorias


newsletter