20 Fev, 2018

O reerguer da paixão dos Springboks – Rugby Championship 2ª ronda

Francisco IsaacAgosto 28, 20177min0

O reerguer da paixão dos Springboks – Rugby Championship 2ª ronda

Francisco IsaacAgosto 28, 20177min0
O balanço da 2ª ronda com Eben Etzebeth a merecer as honras de MVP da jornada, tendo sido uma peça fulcral na vitória dos Springboks em terras argentinas. Poderão ganhar o Rugby Championship?

Duas selecções confirmaram a sua candidatura ao título, definindo uma luta a dois até ao final do Rugby Championship: All Blacks e Springboks. Os bicampeões do Mundo voltaram a erguer a Bledisloe, num dos encontros mais “cardíacos” de sempre, enquanto que a classe e paixão dos Springboks permitiu-lhes caçarem os Pumas. A Paixão dos candidatos e os Galões de Campeão e o Enforcer Eben Etzebeth à luz do microscópio do Fair Play


PAIXÃO E RAÇA… O QUE FALTAVA AOS BOKS!

A Nova Zelândia que se prepare porque os Springboks finalmente “acordaram” daquele sono profundo que caíram durante todo o ano de 2016 e estão cheios de “fome”. Completamente transformados, o rugby rápido, elegante e de alta “agressividade” de Coetzee garantiu nova vitória frente à Argentina, desta vez em terras dos Pumas.

41-23 é um resultado que não deixa grande margem de discussão, apesar de terem chegado ao intervalo separados por 7 pontos, algo que parecia deixar espaço para uma possível reviravolta na 2ª parte.

No entanto, Tomás Lavanini “simplificou” o problema quando aos 56′ recebeu o 2º amarelo e subsequentemente expulsão. O que fez o 2ª linha? Depois de ter sido presenteado com um amarelo na 1ª parte por placagem ilegal (sem os braços), o argentino “cortou” uma jogada que dava ensaio aos Springboks com um avant propositado… não havia outra solução senão expulsá-lo das quatro linhas.

Os Pumas sentiram profundas dificuldades em aguentar o ritmo de jogo dos sul-africanos, que procuraram jogar rápido, construir boas fases de ataque, amassando a defesa contrária ao ponto que esta fazia faltas no chão (5 desse tipo num total de 11 penalidades), de fora-de-jogo ou abria os espaços necessários para os ‘boks conseguirem meter a oval rapidamente em Kriel (jogo surpreendente do centro) ou em Jantjies (pormenores deliciosos do médio-de-abertura que vai ganhando confiança) e, assim, chegar ao ensaio.

O domínio dos ‘boks foi total, com um caudal ofensivo bem ritmado contrastado com uma defesa alta e sufocante, pressionando bem nos rucks onde garantiram 8 turnovers, pondo fim a várias tentativas dos Pumas em chegar ao ensaio. Até podemos dizer que um dos ensaios da Argentina é mais demérito da equipa forasteira do que mérito dos Pumas, já que o ensaio de Moroni resultou de uma falta de comunicação entre Kriel e Skosan, permitindo à oval saltar e ressaltar para o ponta captar a bola e seguir até à área de validação.

Um jogo brutal em termos físicos, “assustador” na “agressividade” posta em cada placagem ou entrada (Kolisi e Jaco Kriel foram “Reis” nesse aspecto), com os sul-africanos a saírem por cima. É fundamental perceber que os Springboks estão diferentes, mais confiantes, arriscam bem mais no ataque, procuram encontrar soluções pelo seu três de trás (algo que não aconteceu nem em 2015 ou 2016) e têm outra postura no apoio ao portador da bola.

Desgastante foi, também, o outro jogo do Rugby Championship entre All Blacks e Wallabies. Com a Bledisloe em jogo (vantagem para os neozelandeses que tinham conquistado uma vitória em terras aussies), os Wallabies entraram com tudo dentro de campo e chegaram a estar na frente do resultado com um 17-00 que durou até aos 20 minutos de jogo. Começou tudo com uma intercepção de Israel Folau, aproveitando um mau passe de McKenzie (no espaço de uma semana, McKenzie conseguiu dar três ensaios à equipa adversária) para ir até aos postes.

Os All Blacks tremeram (e de que maneira) durante vinte minutos, permitindo aos australianos superiorizarem-se em quase todos os departamentos de jogo… infelizmente, as formações ordenadas fracassaram por completo, com os neozelandeses a ganharem sempre nesse confronto (apesar de Nigel Owens só ter apitado por uma vez uma penalidade a favor da equipa da casa nesse aspecto).

O ritmo dos neozelandeses foi subindo, com os australianos a oscilarem a partir dos 45 minutos, que mesmo assim apresentaram uma defesa sólida, impondo um desafio total aos All Blacks. Porém, mesmo a jogar uns “furos abaixo” da qualidade normal, os neozelandeses deram a volta ao resultado, tendo um dos seus ensaios resultado de 22 fases… bastou um excelente apoio, velocidade correcta e comunicação, para obrigarem os australianos recuarem e recuarem, até a um ponto que os colocou em contra-pé e à mercê da velocidade de Ioane, McKenzie e Ben Smith (foi o seu último jogo pelos bicampeões mundial, entrando numa sabática que terá duração de 7 meses).

Os segundos 40 minutos foram de domínio neozelandês, com mais de 30 minutos a acontecerem dentro do meio-campo dos Wallabies, que iam impedindo mais ensaios com boas placagens, boa reacção ao contacto e velocidade a sair do chão.

Por outro lado, os erros dos neozelandeses também ajudavam ao não aumentar do resultado, já que conseguiram cometer 18 erros no ataque, com Sonny Bill Williams (5, dois dos quais foram já nos últimos 10 metros) e Damian McKenzie (3), algo que não é nada normal numa equipa supostamente disciplinada.

Os Wallabies ainda tiveram a vitória na mão com um ensaio de Kurtley Beale aos 76’… mas valeu a calma e paciência dos neozelandeses, que logo a seguir marcaram o ensaio que selou a vitória, com Scott Barrett, Kieran Read e TJ Perenara a jogarem uma espécie de pingue pongue, entregando a oval a Beauden Barrett, com o 10 a fugir até à linha de ensaio.

Valeu o desejo de ganhar e a paciência, mas ficam várias interrogações ao futuro dos All Blacks… será que Steve Hansen terá de “reformular” alguns planos e trazer de volta Julian Savea e Israel Dagg, promovendo ainda a reintegração de Jerome Kaino? Ou as dores de crescimento representam exactamente isto: correr riscos, jogar mal por vezes para depois dar um salto qualitativo?

O GIGANTE ETZEBETH VISTO AO MICROSCÓPIO

Um autêntico bad boy do rugby, Eben Etzebeth está a ser dominador nos Springboks. O 2ª linha não foge a uma luta, gosta de enfrentar os seus adversários e se tiver de dar a cara pela sua equipa assim o fará. Foi o jogador que mais bolas recebeu no encontro contra os Pumas, com 11 carries, conseguindo 23 metros e uma quebra-de-linha. Foi fundamental no trabalho das fases mais “pesadas”, com uma boa passada e entradas de valor.

Para além disso, a nível defensivo Etzebeth esteve irrepreensível, com 8 placagens, duas delas a parar Cubelli, quando o formação dos Pumas preparava-se para escapar por entre o último jogador do ruck e o 1º poste. É um trabalhador, denotando-se outras componentes importantes para ser um avançado de topo mundial: ágil, fisicamente “perfeito”, resistente ao contacto e que aguenta os 80 minutos sempre a um alto nível.

Voltando ao jogo em questão, Etzebeth foi um líder nato, soube carregar a equipa e comunicar nos momentos “caústicos”, tornou o seu pack uma barreira inquebrável (não perderam um único alinhamento dos 18 que dispuseram e ainda roubaram um aos argentinos) e demonstra bem o que é esta “nova” África do Sul: um misto de paixão inesgotável e um trabalho físico demolidor.

Outros jogadores a destacar do fim-de-semana foram: Beauden Barrett, Jaco Kriel, Kurtley Beale (estrondoso a forma física e o poder do centro australiano), Matías Moroni, Elton Jantjies (aquele pontapé soberbo que resultou no primeiro ensaio de Kolisi), Kieran Read e Aaron Smith.

Argentina-África do Sul: Highlights Jogo Todo

Nova Zelândia-Austrália: Highlights Jogo Todo 

O Rugby Championship pára durante uma semana e volta no fim-de-semana de 9 de Setembro.

08h35 Nova Zelândia-Austrália
11h00 Austrália-África do Sul

Etzebeth… endurance total (Foto: Yahoo)


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS




Newsletter


Categorias


newsletter