18 Nov, 2017

O melhor jogador da Europa decide na Champions

Francisco IsaacJaneiro 18, 201710min0

O melhor jogador da Europa decide na Champions

Francisco IsaacJaneiro 18, 201710min0

Penúltima jornada da European Champions Cup, com o melhor jogador de rugby da Europa a partir “corações” em Gales e a dar o apuramento aos Saracens; Munster, Clermont e Leinster já têm o passaporte assegurada para o playoff. Quem se segue? A 5ª jornada em 5 pontos

Um inglês que não “respeitou” paixões no Parc y Scarlets em gales, um Leinster demolidor e com o sonho de voltar a reinar na Europa, passando pelo Clermont cínico e calculista, terminando numa vitória enorme dos Chiefs perante o Ulster de Piutau. Alguns pontos de discussão, uma análise e uma ode a Owen Farrell, quiçá o melhor jogador da Europa do momento

Para os que não leram a 1ª, 2ª, 3ª e 4ª jornada deixamos o link de acesso à mesma: goo.gl/mmuq8kgoo.gl/7yO3Qdgoo.gl/yQqzop e goo.gl/28HYX6

O Jogador: O MELHOR JOGADOR DA EUROPA, OWEN FARRELL

Amado pelos adeptos “sarracenos” de Londres, odiado por todos aqueles que sentem o cruel toque dos seus pés ou mãos, Owen Farrell tem vindo a ser um dos grandes jogadores a “passear” pelos relvados europeus nos últimos dois anos. Nesta 5ª jornada voltou a decidir um jogo que parecia perdido para os Saracens.

Quando o relógio já ultrapassava os 80 minutos, Farrell tirou do “chapéu” uma enorme jogada que deixou por terra James Davies e Tadgh Beirne. Com a quebra de linha só teve de esperar o momento X para passar a bola a Chris Ashton, com o bad boy dos campeões europeus a sprintar até à área de validação… 20-22, ainda faltava a conversão de Farrell que foi bem sucedida.

Mas não foi só nesse momento que Farrell surgiu no encontro… o nº10 no 2º ensaio da sua formação encontrou Marcelo Bosch no lado interior e, com um passe subtil, meteu a bola no argentino que só teve de esperar pelo aparecimento de Ashton para igualarem, na altura, o encontro.

O passe de Farrell “abriu” a defesa dos Scarlets (que estavam a efectuar um jogo de elevadíssima categoria) e repôs uma igualdade que pouco depois foi perdida, para mais tarde conseguirem “apanhá-la” com o tal 1º lance descrito.

Farrell tem tudo a seu favor: é o melhor chutador do Mundo, neste momento, é um jogador que gosta do contacto físico (já vai em 40 placagens em 5 jogos na EPCR), participa nos actos de decisão de jogo (já vai em 5 assistências) e “veste” o papel de grande cara dos Saracens, que estão sem os irmãos Vunipola, Barritt, Alex Goode e George Kruis.

Vejam as movimentações de Farrell durante 80 minutos, é um jogador enigmático que procura cansar os seus adversários mais directos ao ponto de conseguir, depois, arrancar para a linha de vantagem e explorá-la com vantagens para a sua equipa. Um 10 que pode jogar a 12 ou 13, que sabe a importância em manter a bola viva e de motivar os seus colegas sem ter que ser o foco do jogo.

O melhor jogador da Europa no momento? Sim, sem dúvida que sim.

A Surpresa: NEVER PLAY LIKE A COWBOY WITH A REAL INDIAN CHIEF

Ora quando todos estavam à espera de uma vitória do Ulster em terreno inglês, os Exeter Chiefs conseguiram “estragar” a festa da equipa de Belfast que tinha como grande objectivo atingir a fase seguinte da competição.

Rob Baxter flamejou a “alma” dos seus Chiefs, que precisavam de repor o orgulho perdido nas primeiras 4 jornadas da competição. Em casa, a jogar para um Sandy Park praticamente cheio, a equipa do “fundista” Jack Nowell, carimbou uma exibição gigante que já não se via a algum tempo.

Na primeira parte manteve-se um empate a 12-12, após duas trocas de ensaios, onde o ensaio de Campagnaro foi um regalo para os olhos, estando nomeado para melhor da semana (ver vídeo infra) assim como o de Charles Piutau, com uma bela troca de pés (no mesmo vídeo).

Piutau estava a ser uma autêntica dor de cabeça para a defesa dos Chiefs, enquanto que o pack avançado inglês, comandado por Thomas Waldrom, ia subindo no terreno através de boas movimentações curtas ou alinhamentos bem executados.

Na 2ª parte tudo mudou, com os Chiefs a meterem toda a sua confiança no máximo e com uma série de movimentações de alta solidariedade em grupo, onde as unidades de ataque encontram o ponto de equilíbrio. Ian Whitten, Jack Nowell, Don Armand e Greg Holmes foram sempre autênticos “lobos” a “morder” a defesa do Ulster, com boas quebras de linha.

Nem as 150 placagens encaixadas valeram de muito ao Ulster, que se deixou ir num “tumulto” provado pelos vice-campeões ingleses. A falta de vontade de explorar a linha e de acreditar ser possível ainda chegar à próxima fase (tinham tudo para atingi esse objectivo), acabou por lhes valer uma derrota por 31-19 e um “adeus” precoce à Europa, que acontece desde 2014.

Os Chiefs agora têm ainda uma efémera oportunidade de seguir para o playoff, para isso “basta” ganhar com uma vitória bonificada em França. Contra quem? Clermont…

O Jogo: A GAME BETWEEN WARRIORS AND STAGS

Belíssimo encontro entre irlandeses e escoceses com o apuramento directo a ser jogado até ao apito final… correu melhor para os Stags de Munster que através de um enorme ensaio de Francis Saili garantiram o apuramento directo para o playoff.

Um jogo muito cínico, sem ensaios até aos 70, mas com uma série de tentativas bem esboçadas e de grande qualidade que representaram bem as capacidades intrínsecas da paixão e entrega escocesa contra a chama e loucura irlandesa. No final como acabou? Vitória para a “chama” e o arriscar do Munster perante a tristeza e “pânico” dos escoceses que sonhavam com um “carimbo” para o playoff, algo que não acontece há vários anos.

240 placagens no total, 120 para cada lado, com apenas 34 falhadas representa bem o trabalho minucioso de ambas as formações na hora de defender. Rob Harley na equipa de Glasgow, com 13, e Jack O’Donoghue, com 11, foram os “senhores” da placagem.

Um exemplo da excelente prestação defensiva do Munster foi logo dentro do primeiro minuto de jogo, com a linha de defesa a subir de forma organizada mas desenfreada pondo fim a uma possível vantagem à ponta para os Warriors.

Na ausência de ensaios, surgiram os pontapés de penalidade bem convertidos quer por Finn Russell e Stuart Hogg assim como o irlandês Tyler Bleyendaal. Aos 45′ tivemos prazer de ver uma das melhores jogadas da semana, com a equipa escocesa a galgar metros, a conseguir duas quebras de linha mas o Munster provoca uma falta “inteligente”, que pára toda a máquina ofensiva da equipa da casa.

Até que chegámos ao momento fatídico da partida… 71 minutos… alinhamento, maul parado em falta e em três passes aparece Saili a receber um passe delicioso de Keith Earls. O neozelandês ficou a escassos milímetros de sair para fora de campo, mas não saiu… é o que separa da “imortalidade”, aquele separação entre o quase e o conseguir e Saili conseguiu-o.

14-12, ponto final no encontro, Munster sai de Scotstun com 4 pontos e Munster com 1 ponto, ponto esse que poderá vir a ser precioso no jogo final frente aos Tigers de Leicester.

O Caso: RUGBY HASN’T GONE SOFT… FRANÇOIS STEYN HAS GONE BARBARIC

Muito têm falado das novas leis de contacto e placagem, muitos “atropelos” têm-se feito à leitura das mesmas e das dificuldades que o rugby vai enfrentar daqui para a frente. É verdade que há algumas dúvidas em relação aos jogadores que se baixam antes do contacto, o que torna quase impossível não acontecerem acidentes ou placagens mais “acima” que o permitido, mas sempre foi uma vicissitude do rugby. Há Rugby Union, Rugby League, Touch Rugby e Tag Rugby. É preciso saber o que cada um representa e que riscos acarretam.

Posto isto, a placagem de François Steyn a Jonathan Sexton não é, de forma alguma, legal. Além do mais, o vermelho é a cor acertada… o sul-africano nunca teve a intenção de placar de forma “positiva”, indo em direcção da linha acima dos ombros. Steyn é um jogador que gosta de defender no limite da falta e neste jogo foi demasiado tempestivo e teve um approach que não respeita as leis de jogo.

Vermelho directo, não há discussão e poderá vir suspensão a caminho caso o jogador do Montpellier não assuma culpa. Para os adeptos/jogadores/técnicos que estão a entrar em pânico com as novas leis (podem questionar e duvidar, apresentar propostas e dificuldades de forma cordial, como foi o caso de Eddie Jones, Dai Young ou Rob Baxter), é preciso ter alguma atenção a casos e casos.

O Montpellier acabou por sair prejudicado e perdeu por 57-03 frente à equipa de Dublin que jogou para os 18,000 adeptos presentes na RDS Arena. Jogo imenso de Sexton, jogo extraordinário de Jack Conan e um “lugar reservado” para a fase a eliminar. O Montpellier ainda tem uma esperança, mas não deverá passar mais do que isso.

O Placador: DON’T CRY FOR ME ENGLAND, YOU HAVE THOMAS YOUNG – WORDS FROM ROBSHAW

A Inglaterra na rampa de lançamento para as Seis Nações está a viver uma fase difícil com várias lesões de algumas das suas principais “estrelas”, com a última a ser Chris Robshaw, o dono da camisola nº6. Perante esse cenário, o “medo” instalou-se nos pensamentos dos adeptos da selecção da Rosa. Porém, não temam, pois há um asa em grande forma que merece a oportunidade de voltar a ser titular pela Inglaterra.

Tom Wood dos Northampton Saints é o homem que falamos. No último jogo da formação inglesa, o asa “encaixou” 15 placagens e “roubou” uma bola do ruck, provando que é uma “rocha” sólida na defesa. Wood é um jogador versátil, algo mais “pesado” que Robshaw mas mais duro e combativo no jogo curto. Wood tem sido uma das melhores peças dos Northamtpon Saints em 2016/2017, tendo sido chamado por Eddie Jones para jogar durante os Jogos de Inverno.

A participação do asa foi fundamental para a vitória da sua equipa frente aos franceses do Castres Olympique, conseguindo o ensaio que quebrou o empate e deu a vitória por 28-21 (ver minuto 1:26). Tanto os ingleses como os franceses não avançam para a fase seguinte.


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