24 Nov, 2017

Lobos caçam Eagles e seguem para as meias – A Bola Rápida do Europeu de sub-18

Francisco IsaacAbril 8, 201710min0

Lobos caçam Eagles e seguem para as meias – A Bola Rápida do Europeu de sub-18

Francisco IsaacAbril 8, 201710min0

Portugal “absorve” o maior impacto físico dos EUA e riposta com três ensaios contra zero. Lobos sub-18 carimbam o passaporte para as meias-finais após um jogo bem sucedido na defesa, uma leitura de jogo curiosa e uma vontade de surpreender. A Bola Rápida do Campeonato da Europa de sub-18

Uma entrada em grande de Portugal, conseguindo conquistar a vitória nos quartos-de-final do Europeu de sub-18. Sempre com aquela raça imprescindível, uma intensidade defensiva de qualidade e um “olho” atento aos erros do adversário.

Os Estados Unidos da América apresentaram um rugby “poderoso”, onde a diferença de físicos era notória. Felizmente, para Portugal, ficaram-se por esse ponto uma vez que não existia harmonia nas linhas atrasadas, a fluidez de jogo era “fraca” e não souberam respeitar o adversário.

Esta é a Bola Rápida do Europeu de sub-18

METER O OMBRO, NÃO DESISTIR E INSISTIR – 7 PONTOS

Belo jogo de Portugal a defender, que só consentiu um ensaio em 80 minutos que adveio de uma sucessão de fases dos EUA. Para além disso, os americanos só dispuseram de mais duas oportunidades dentro dos 22 acabando por perder a oval na placagem (excessivos avants) ou no ruck (contra-ruck de qualidade).

Os jovens lusos aperceberam-se que para ganhar tinham de “cerrar os dentes”, partir para cima do adversário e colocar o ombro de forma a que os norte-americanos caíssem no chão.

Foi um ponto de grande categoria por parte de Portugal, que soube fechar bem o centro do terreno, forçou erros sucessivos dos seus oponentes e nos momentos mais delicados conseguiu reunir forças para pôr fim às investigadas dos EUA.

Note-se que há algumas “arestas por limar”, já que na 1ª parte o nº10 furou, com facilidade, a linha de defesa e só uma excelente placagem de Duarte Matos pôs fim a essa jogada.

Todavia, no cômputo geral a nota é extremamente positiva não só pelo resultado final, mas também pela forma como conseguiram contrariar o poderio físico com placagens “duras” e que irritaram os norte-americanos a partir de um certo momento.

Manuel Nunes, Diogo Cabral, Manuel Maia, José Costa e João Almeida foram dos que mais se prestaram a ir lá “abaixo” e fazer cair o adversário. Na verdade, os 20 jogadores que entraram estiveram – quase – ao mesmo nível.

UM GUIA DE COMO SABER PRESSIONAR- 5 PONTOS

Foi notório como os jovens Lobos se aperceberam da instabilidade dos EUA em captar bolas em jogo corrido… mal começámos a colocar uma pressão ao pé, os norte-americanos foram recuando e sentindo-se menos confortáveis no jogo.

Vasco Morais (bem na 2ª parte a mudar de abertura para formação), José Costa ou Duarte Matos aproveitaram a pressão demasiado alta dos EUA para colocar a oval nas “traseiras” de forma pingada… em quase todas essas situações, os adversários dos Lobos deram-se mal e reagiram ainda pior à saída com a mesma.

Não é fácil neste escalão pedir aos jogadores para “lerem” o jogo e perceberem como podem trocar as voltas ao adversário que está à sua frente. Contudo, os sub-18 de Portugal tiveram “cabeça” para tal e arriscaram num plano que acabou por correr bem.

Poderíamos ter pressionando melhor a seguir ao pontapé, já que por duas vezes os EUA aproveitaram a subida intermitente dos portugueses para sair a jogar nas alas e quase irem ao ensaio… por uma vez conquistaram 60 metros de terreno.

Com a França não teremos estas benesses, porque o adversário é bem mais avançado que os EUA e não se deixaram atemorizar com os pontapés… mas, se Portugal ler o jogo com calma e paciência – sem perder a intensidade – pode causar incómodos, sérios, aos gauleses.

Foto: Instagram FPR

FORMAÇÃO ORDENADA NO ALTO E ALINHAMENTO NO BAIXO – 3 PONTOS

Os três pontos vão, exclusivamente, para a forma como Portugal trabalhou na formação ordenada, conquistando todas as suas e fazendo só uma falta na dos EUA. Os pontos até seriam mais, mas a prestação medíocre do alinhamento (apesar do último ensaio ter nascido desse ponto) penaliza este aspecto.

Não se podem perder sucessivas bolas no alinhamento e proporcionar saídas de ataque a equipas que fisicamente (e tecnicamente, no caso da França) são superiores a Portugal. Há que ser rápido, eficaz e garantir a bola no ar, custe o que custar.

O erro aconteceu, na maior parte das situações, pela alguma lentidão e/ou falta de comunicação que permitiu aos americanos roubarem 5 bolas nos alinhamentos.

É uma situação “normal” nestas idades, uma vez que estão a ambientar-se à maior pressão nas fases estáticas. Todavia, a França vai abusar deste aspecto e estará sempre com os dois “olhos” e “ouvidos” em cima dos erros nesta fase.

A formação ordenada foi o tal regalo de ver, com os Lobos sub-18 a bloquearem os norte-americanos, a não arredarem pé e até conquistarem metros nas próprias fases do adversário.

Para uma equipa mais pequena e menos física, Portugal soube trabalhar a sua suposta “fraqueza” para a tornar um ponto importante na vitória frente aos EUA.

COMUNICAR E COMBINAR ANTES DE ARRISCAR – 0 PONTOS

Podíamos falar de mais um ou dois pontos (positivo e negativo), mas vamos optar por trabalhar num território “nulo”, ou seja, as combinações nas linhas atrasadas.

Portugal foi vítima de duas interceptações, uma delas algo perigosa, que nasceram de más combinações entre as linhas atrasadas de Portugal.

Os jovens Lobos tiveram dificuldades em construir jogadas de boa qualidade, seja pela boa pressão americana, pela falta de profundidade e arranco em falso das unidades de ataque ou os passes não terem a dinâmica necessária.

Vasco Morais, um puro fantasista da oval, não conseguiu demonstrar o seu melhor com a bola nas mãos, tendo tido uma jogada de risco mas de categoria com um pontapé rasteiro bem colocado dentro da área de 22.

Diogo Cabral e José Costa estiveram bem no espaço curto, na gestão de bola e no apoio ao portador da bola, apesar de algo arredados das movimentações e jogadas de ataque. O segundo esteve, especialmente, bem a trabalhar no contacto.

Uma atenção final para Francisco Afra, que marcou dois ensaios de bom recorte, sendo que o primeiro é de uma boa astúcia (salto no ar, colocando a oval dentro da área de ensaio… impossibilitando os seus potenciais placadores o meterem fora do campo) e o segundo é feito após uma excelente pressão a uma bola perdida da França e pontapé de José Costa, para fugir até à área de validação.

NOTA FINAL – 15 PONTOS

ASPECTOS POSITIVOS: Formação ordenada de qualidade, bom sentido de oportunismo, defesa realizou uma pressão de alto nível, placagens com a dose de agressividade pedida, vontade de assumir o risco e colectivo unido;

ASPECTOS NEGATIVOS: Alinhamentos descoordenados, pressão aos pontapés em nível médio, comunicação e movimentações nas linhas atrasadas teve falhas, falta de profundidade da linha de ataque;

PORTUGAL: João Almeida, João Carneiro, David Costa, Martim Bello, Manuel Barros, Manuel Maia, Manuel Nunes, José Roque, Pedro Lucas, Vasco Morais, Francisco Afra (5+5), Diogo Cabral, José Costa (3+3+3+2), Tomás Marrana e Duarte Matos.
Suplentes: Manuel Giões, Francisco Simões (5), Duarte Conde, Tiago Norton, António Cunha, José Borralho, José Câmara, Rodrigo Marta, Francisco Nobre e Francisco Almeida.

PRÓXIMO JOGO: FRANÇA, quarta-feira 11 de Abril às 17h00

RESCALDO DO JOGO POR RUI CARVOEIRA (SELECCIONADOR NACIONAL SUB-18)

fp.Os primeiros 15 minutos foi de “conhecer” o adversário, onde Portugal superou as expectativas, concorda? Qual foi a “chave”, ou “chaves”, para termos conseguido empurrar para trás o maior físico norte-americano?
RC. Queríamos começar forte, para impor ritmo e intensidade com a bola na mão e criar uma defesa agressiva sobre o portador da bola. Fizemos inclusive um aquecimento nesse sentido.
Conseguimos parar bem o ataque adversário mas não tivemos muita clarividência na utilização da bola.
Mas foi o elevado espírito competitivo que nos colocou, em nossa opinião, no caminho certo.
fp.Notou-se uma “alma” à Lobo na defesa, especialmente junto ao ruck ou nas pontas. Como é que este colectivo chegou a este ponto?
RC. Fomos insistindo ao longo da preparação nesta área do jogo, conjugando técnica individual com organização colectiva.
Os atletas têm vindo a assimilar bem esta metodologia que se baseia na aplicação das fases sequenciais da defesa colectiva. E esta tem de constituir uma marca do rugby nacional, a defesa agressiva, com coragem e eficácia.
fp.Satisfeito com o resultado de 26-05? Onde poderíamos ter estado melhor? E o que espera das meias-finais?
RC. O resultado é bom porque dá visibilidade ao rugby português e nos continua a dar a possibilidade de competirmos com os melhores. Mas só por si não nos põe ao nível dos habituais finalistas, França e Georgia.
Não passamos a ser os melhores do mundo nem seríamos os piores se tivéssemos perdido. Temos consciência dos inúmeros pontos de melhoria que temos pela frente e que os objectivos de performance e da qualidade do jogo individual e colectivo estarão sempre como prioridade no processo de formação. 

Vemos as meias finais como mais uma oportunidade de teste ao carácter e competência desportiva destes jovens.

Uma placagem que conta a “história” toda (Foto: Michel Renac – Via FPR)


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