14 Dez, 2017

Les Bleus atiram Portugal para a corrida do Bronze – A Bola Rápida do Europeu de sub-18

Francisco IsaacAbril 13, 201710min0

Les Bleus atiram Portugal para a corrida do Bronze – A Bola Rápida do Europeu de sub-18

Francisco IsaacAbril 13, 201710min0

França prova o seu favoritismo e derrota Portugal nas meias-finais do Campeonato da Europa sub-18. A intensidade e entrega dos Lobos não foi suficiente para contornar o maior impacto físico, a facilidade de processos e a disponibilidade para sair a jogar.

Um 47-00 coloca Portugal na luta pelo 3º/4º lugar do Campeonato da Europa de Sub-18. A França foi sempre mais forte, mais rápida, mais eficaz e mais agressiva, algo que dificultou o “à vontade” dos jogadores lusos.

Os Les Blues defenderam, e bem, o seu sonho de conquistar o bi-campeonato, garantiram uma 2ª parte mais “descansada” (apesar de alguns sustos provados pelos Lobos) e seguem para a final.

Esta é a Bola Rápida do Europeu de sub-18

MANTER A ESTRATÉGIA E ARRISCAR – 5 PONTOS

Era quase impossível fazer um “rasgo” na defesa francesa… o nível físico e a intensidade de jogo a defender permitia-lhes aguentar com excelência nas movimentações portuguesas.

Sempre estávamos perante os campeões da Europa de sub-18, que demonstram um físico maior e mais bem trabalhado (ao oposto do que se viu com os EUA no jogo dos quartos-de-final), o que só lhes garante capacidade de defender com exactidão.

No entanto, Portugal não virou a “cara à luta“, pelo contrário. Veja-se que não deixámos de arriscar, procurando “beliscar” a defesa gaulesa sempre que houvesse oportunidade para tal.

Um exemplo disso foi aos 12 minutos de jogo, quando após uma série de fases bem sucedidas, Manuel Nunes aproveitou a falta de um poste francês para sair a jogar e ganhar uns bons metros.

É nisto que Portugal pode apostar no futuro: arriscar. Se somarmos a isto um crescimento físico maior, um aumentar de garantias de sucesso no contacto e uma velocidade de jogo mais alta, os resultados serão melhores.

Todavia, atenção que a falta de “paciência” provocou erros no handling e no apoio ao ruck (perdemos 5 rucks da mesma forma), o que “condena” a estratégia de jogo.

PROFUNDIDADE, NÃO É UM PORMENOR, É O PORMENOR – 3 PONTOS

Portugal conseguiu criar fases de jogo, ganhar picks, realizar jogadas curtas com as unidades de avançados e garantir uma boa estabilidade na plataforma de ataque.

Só que quando se pedia umas linhas atrasadas rápidas, velozes e ágeis, tivemos alguns “efeitos” causados pelo adversário, isto é, os Lobos sub-18 tentaram encontrar espaço passando a bola sem termos a profundidade e calma necessária para tal.

O correr de lado é uma reacção natural numa equipa que está “asfixiada” pela defesa e tenta assim fazer a bola mexer o mais rápido possível… o problema é que, a certa altura, alguém vai ter que ir ao contacto sem estar com o ritmo ou “agressividade” necessária, dando possibilidade ao adversário para o turnover.

Isto aconteceu já com os EUA, mas com a França notou-se alguma falta de “voz”, de dentro de campo, a orientar a equipa nesse sentido. Sem profundidade, as linhas de ataque perdem velocidade, capacidade de criar uma rotura defensiva, ficando mais predispostos de sofrer com uma placagem mais forte.

Faltou comunicação, mais calma, mais cabeça e, sobretudo, outra confiança. Os franceses eram maiores, verdade, mas com uma linha profunda e enérgica poderíamos ter explorado outros pontos de ataque que ficaram por se desvendar.

Pedia-se mais capacidade de choque e genialidade a José Câmara ou a José Costa (sempre aguerrido e com uma dinâmica acima da média, falta-lhe, talvez, só atacar o espaço) ou estratégia a Vasco Morais (algo nervoso na sua missão de abertura).

“Entra, Entra!” (Foto: Pai Conde Fotografia)

FASES ESTÁTICAS DE INTERESSE- 3 PONTOS

Bons alinhamentos! Esta é a ideia com que se fica no final do jogo frente aos gauleses. Portugal perdeu apenas uma bola, conseguiu arrancar duas faltas (livres indirectos) e foi assertivo em garantir os seus “saltos”.

Nas formações ordenadas, Portugal foi empurrado para trás em algumas, aguentou em poucos e consentiu só uma falta neste ponto de jogo. Os franceses, voltamos a relembrar, eram fisicamente mais desenvolvidos e tinham outra capacidade de ataque com os 8.

Foram pontos bons e que deixam espaço para Portugal trabalhar num futuro próximo. Falta-nos ter uma execução melhor nos pós-fase estática, de conseguir montar um maul dinâmico inteligente e complicado de defender (a França estava sempre à espera que atacássemos pelo eixo) ou de conseguirmos partir para a linha de vantagem no momento de saída de bola da formação ordenada.

A 1ª linha portuguesa, encabeçada por João Almeida, Frederico Simões e Duarte Conde, esteve bem a trabalhar na FO assim como foi célere nos alinhamentos bem comandados por Manuel Nunes (no único alinhamento perdido, Nunes saiu a pressionar rápido e recuperou a oval criando uma boa saída para o ataque) ou Manuel Barros.

Portugal tem de ser mais célere a lançar o jogo após as fases estáticas, aproveitar um pick and go para lançar outro logo em velocidade ou abrir a bola de forma curta… sem isto, as fases estáticas deixam de ser importantes para a conquista de metros.

Foi um Portugal diferente, que ainda deu alguma resposta nas fases estáticas e que poderá servir de “rampa de lançamento” para a luta pelo bronze.

PLACAGEM NO 1º MOMENTO – 1 PONTOS

Como se pára uma equipa que é fisicamente mais “potente” que a nossa? Na primeira placagem. Seja aos pés (com um 2º apoio a ir logo à bola), à cintura (com a placagem clássica) ou à bola (tentar logo arrancá-la) são boas soluções para travares um opositor embalada.

Portugal sentiu dificuldades em parar a França na 1ª placagem, especialmente o nº13, 8, 11 e 15 da França, que colocaram um enfoque físico impressionante sobre a defesa portuguesa.

Os jovens Lobos permitiram que os franceses conseguissem quebrar a primeira placagem (não basta nos lançarmos às pernas, é preciso ter algum tipo de apoio para fazer pressão, algo que o sub-20 conseguiram fazer com excelência) o que deu espaço para irem a 4 ensaios da mesma forma.

Foi curioso ver a forma como os portugueses socorreram os colegas que não conseguiam parar no primeiro momento, lançando-se numa segunda placagem para parar o adversário. A França fez recurso de um bom offload (sem ser tão dinâmico ou bem trabalhado como a geração de sub-18 de 2016) para ganhar metros e espaço.

Notou-se, especialmente, alguns problemas quando a França lançava o jogo entre os centros, que aproveitavam da alguma distância entre os jogadores de Portugal para explorar o espaço e sair rápido para o ataque.

É um processo que estes jogadores só aprenderão com jogos internacionais, experiência competitiva e capacidade de resposta a problemas que as outras equipas colocam… só treinar não chega… os jogos-treino com os sub-20 resultaram num crescimento (substancial) da qualidade a defender, mas faltava enfrentar o desconhecido. Uma boa lição para o futuro

NOTA FINAL – 12 PONTOS

ASPECTOS POSITIVOS: Alinhamentos bem trabalhados, vontade de sair a jogar, capacidade de gerir a bola em certos momentos, apoio à placagem falhada, níveis de concentração, capacidade de trabalhar no contacto;

ASPECTOS NEGATIVOS: Primeira placagem a rever, velocidade na saída das fases estáticas, capacidade de leitura ofensiva, necessidade de endireitar as linhas de ataque, alguma falta de criatividade, afinar a finalização;

PORTUGAL: João Almeida, Francisco Simões , Duarte Conde, Martim Bello, Manuel Barros, Tiago Norton, Manuel Nunes, José Roque, José Borralho, Vasco Morais, Francisco Almeida, José Câmara, José Costa, Rodrigo Marta e Duarte Matos.
Suplentes: David Costa, Manuel Giões, João Carneiro, Manuel Maia, António Cunha, Pedro Lucas, Francisco Afra, Diogo Cabral, Tomás Marrana, Francisco Nobre.

PRÓXIMO JOGO: JAPÃO, sábado 15 de Abril às 14h00

RESCALDO E ANTEVISÃO COM FRANCISCO BRANCO (CO-SELECCIONADOR DE PORTUGAL)

fp. Jogo muito físico e duro no contacto contra a França. Como reagiram os jovens Lobos? Sentiram que deram uma boa réplica?

FB. Foi o jogo possível e cheio de momentos de aprendizagem para este grupo. Foi apenas o 3º jogo que fizemos juntos e a França não é um adversário qualquer. Falhámos em demasiados pormenores e isso, com equipas destas, leva a que os resultados se tornem mais desnivelados.

No entanto houve bons momentos, especialmente na 2ª parte, em que conseguimos colocar a França sobre alguma pressão, mas faltou-nos uma defesa mais eficaz (não podemos dar espaço aos off-loads) e maior acerto na pressão ao pontapé.

fp. Mantivemos a atitude de arriscar e de querer fazer valer o nosso jogo. O que faltou para conseguir chegar à área de validação francesa?

FB. Sim, é verdade. Na preparação do jogo, falámos bastante de continuarmos a ser uma equipa que joga correndo alguns riscos e que, nas zonas certas do campo, queríamos ter a bola na mão e atacar. Acho que na segunda parte fomos mais competentes e conseguimos estar bastante tempo a jogar nos 22m adversários.

Mas faltou-nos manter a cabeça na “zona azul”, ou seja, na zona onde mantemos o controlo emocional e, com isso, a capacidade de tomar boas decisões. Tivemos algumas oportunidades que não conseguimos aproveitar. E, a este nível, isso custa-nos ensaios que deixamos de marcar.

fp. O que podemos esperar do jogo contra o Japão?

FB. O Japão é um adversário bastante forte. Tem jogadores possantes fisicamente e com bons skills. Vai ser uma óptima oportunidade para os nossos jogadores poderem competir com um dos países que mais tem feito crescer o seu rugby nos últimos tempos e, ao mesmo tempo, jogarem contra jogadores com uma cultura completamente diferente.

Queremos, também, que a equipa Japonesa perceba qual é o rugby que gostamos de jogar. Por isso, queremos melhorar a nossa organização ofensiva, de forma a estarmos melhor preparados para aproveitar as oportunidades que possam surgir. Para isso, e como dizia uma das mensagens que recebemos antes do jogo da França, cada um dos 23 jogadores que entrar em campo tem de ser “a melhor versão de si mesmo”.

Será, sem dúvida, um grande teste para a nossa equipa.

Por uns “dedos” (Foto: Pai Conde Fotografia)


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