14 Dez, 2017

Irlanda ao som de Leinster e Munster – 4 pontos sobre a Champions Cup

Francisco IsaacAbril 4, 20176min0

Irlanda ao som de Leinster e Munster – 4 pontos sobre a Champions Cup

Francisco IsaacAbril 4, 20176min0

Munster, Leinster, Saracens e Toulouse estes são os vossos finalistas para a European Champions Cup. Chris Ashton bate o recorde, o Leinster arma um “show” em Dublin, a Red Army continua no caminho certo e o Clermont é o resistente francês. 4 pontos sobre os quartos da Champions Cup

A EQUIPA: RED ARMY NÃO É SÓ UM MOVIMENTO, É UMA FORMA DE SER

O Munster está qualificado para as meias-finais numa época que foi marcada pelo falecimento do seu treinador, Anthony Foley.

É fenomenal o que 30 jogadores têm feito em 2016/2017, motivados em surpreender a Europa e repor o Munster no mapa europeu.

Com um estádio cheio (algo que foi norma nos dois jogos das equipas irlandesas), a equipa, agora treinada por Rassie Erasmus, liquidou o super campeão europeu, Stade Toulousain, por 41-16.

Uma atmosfera incrível, um apoio de sonho e uma crença na equipa sem igual, estes foram três factores evidentes deste encontro, em que Tyler Bleyendaal foi a grande figura com 21 pontos em todo o encontro.

A capacidade de trabalho da avançada, onde CJ Stander (marcou mais um ensaio) desponta como a unidade mais dinâmica em campo, foi fulcral para “quebrar” fisicamente com a equipa “pesada” do Toulouse que só teve argumentos nos primeiros 30 minutos.

O Munster capitalizou sempre que pôde, imprimiu outra velocidade no jogo e foi sempre de encontro ao seu “sonho” de chegar à meia-final da European Champions Cup.

Foley estaria orgulhoso do que os seus jogadores, colegas e adeptos estão a fazer… pois a Red Army deixou de ser um simples “movimento” ou “alcunha”, é uma forma de ser e sentir o rugby.

O JOGADOR: O BRITISH BAD BOY, CHRIS ASHTON

Chris Ashton tem tudo para ser um típico Bad Boy ou vilão de um filme de James Bond. Com o seu arrogante, a sua forma de ser que vive no limiar do “ultraje” e as várias “cenas” estranhas que já foi responsável, o ponta merece esse alcunha.

Todavia, Ashton representa para os Saracens muito mais que isso, já que é neste momento o jogador com mais ensaios da European Champions Cup, a par de Vincent Clerc… 36 ensaios no total.

O 1º ensaio do jogo frente aos Glasgow Warriors, Ashton bateu o pé, procurou o espaço e depois já no chão, não deixou de rebolar até conseguir meter a bola dentro da caixa… êxtase nas bancadas e os Saracens a dominarem.

Num jogo que foi “relativamente” pacífico para os campeões em título, Ashton foi sempre um “quebra-cabeças” assumindo o papel de catalisador de jogadas de perigo, com boas trocas de pés, uma boa presença na linha de vantagem e uma clara vontade de deixar a sua marca no jogo.

O 2º ensaio chegou na altura mais oportuna, pondo fim ao sonho dos Warriors em seguir em frente… recepção à bola na ponta, aceleração no máximo para depois meter o pé para dentro e cravar mais um ensaio na sua – longa – lista.

Ashton tem mais um jogo para se afirmar como o melhor marcador de ensaios da Europa, demonstrando que os Saracens estão no topo da hierarquia europeia e serão o principal alvo (a par do Leinster) a abater na competição.

Em jeito de brincadeira, Ashton admitiu que “a minha mulher tem mais hipóteses de ir aos British&Irish Lions do que eu”, numa clara demonstração que o Bad Boy tem um sentido de comédia muito cativante.

O CANDIDATO: LEINSTER É A HORA DE DAR O 4º A DUBLIN

Vingança servida… foi assim que o Leinster sentiu no final dos 80 minutos frente aos ingleses dos Wasps no jogo de apuramento para as meias-finais da competição.

O Leinster em 2015/2016 tinha sofrido “humilhantes” derrotas às mãos da equipa de Coventry, por 06-33 e 10-51, algo que nunca foi esquecido pela formação de Dublin.

Mas as derrotas são lições de aprendizagem e erros do passado serão transformados em forças do presente… o Leinster seguiu essa “directiva” e na recepção aos irriquietos Wasps brindaram os seus adeptos com uma valente vitória.

Um jogo absolutamente irrepreensível, de uma classe tal que meteram os 50 mil adeptos do Aviva Stadium em euforia. 32-17 no final do encontro (estiveram a ganhar por 22-03 ao intervalo), em que nomes como Johnny Sexton, Sean O’Brien ou Robbie Henshaw fizeram a diferença durante os 80 minutos.

Os Wasps bem que tentaram alterar o rumo dos acontecimentos, mas nada lhes valeu a boa segunda parte (14 pontos) que fizeram… as meias-finais eram do Leinster.

A equipa de Dublin soma três títulos europeus no seu palmarés e sonha, neste momento, em atingir o 4º, rivalizando com o Stade Toulousain (que já está fora da corrida) pelo topo da hierarquia europeia.

O grande destaque da partida vai para o defesa Joey Carbery, que correu mais de 165 metros, completou duas assistências e tem umas série de rasgos que tiraram a capacidade de “ferrar” dos Wasps.

A QUEDA: RC TOULON: UM ATÉ JÁ OU ATÉ NUNCA

O Toulon foi eliminado, mais uma vez, nos quartos-de-final da European Champions Cup. Verdade que o adversário era o Clermont, o que lhes tirava o favoritismo e uma boa parte das possibilidades de seguir em frente, mas há sempre reparos a fazer.

No jogo frente ao seu grande rival dos últimos anos, o Toulon nunca foi uma equipa que conseguisse “danificar” as pretensões dos Jaunards em chegar às meias-finais.

O melhor que a equipa de Mike Ford (pai de George Ford) conseguiu fazer, foi chegar ao intervalo com um 06-06, apesar do domínio da equipa da casa.

Na 2ª parte a quebra física, a apatia geral e a falta de conexão entre jogadores, levou a que surgissem erros graves na linha de ataque e em alguns sectores da defesa. As penalidades transformaram-se em inícios de ensaio do Clermont e assim acabou a campanha do RC Toulonnais na Europa.

Nem com uma linha de 3/4’s admirável, onde está Ma’a Nonu, Basteraud, Leigh Halfpenny, François Trihn-Duc, entre outros, conseguiram fazer um ensaio sequer neste jogo dos quartos-de-final.

O que se passa com a suposta super equipa do TOP14? O excesso de estrelas está a “minar” a coesão de equipa? Ou isto é uma fase mais “negra” antes de voltarem ao domínio na Europa e em França?

São boas questões para o futuro e, decerto, haverão outras mais… o Toulon já foi tricampeão de forma consecutiva e nada nos diz que em 2018 não o venha a ser… mas, é necessário que se criem laços entre a equipa, onde o equilíbrio mental seja respeitado e não hajam pressões externas ou da direcção.

As meias-finais ficaram assim agendadas

Foto EPCR


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