14 Dez, 2017

Ioane arrasa no arranque: 5 pontos da 1ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacFevereiro 26, 201711min0

Ioane arrasa no arranque: 5 pontos da 1ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacFevereiro 26, 201711min0

Quente, muito quente foi este início de Super Rugby com os centros a dominarem, os “asas” a distribuírem placagens e as lendas a tentarem reerguer franquias. 5 pontos sobre a 1ª ronda do Super Rugby 2017

O JOGADOR: RIEKO IOANE ACERTA NA TRIPLA

Um, dois e três esta foi a conta que Rieko Ioane fez! Que regresso ao Super Rugby do jovem com apenas 19 anos. Três ensaios em 140 metros conquistados, aproveitando bem as suas cinco quebras de linha (dos melhores da ronda nesse sector) para chegar à área de validação.

Rieko esteve em 2016 na equipa dos Blues, mas só durante 5 jogos, já que optou por participar na campanha dos 7’s da Nova Zelândia, curiosamente a mesma decisão que o seu irmão, Akira, tomou também. Com o fim da temporada dos 7’s, Rieko decidiu manter-se fiel ao XV, conquistando espaço na equipa dos Auckland Blues.

Rieko no regresso ao Super Rugby decidiu “desmontar” a defesa dos Rebels (os australianos estiveram bastante bem durante os primeiros 25 minutos, denotando-se uma quebra anímica a partir dos 38′), com três ensaios ajudando os “azuis” a chegar uma vitória por 56-18.

Vale a pena ver cada um dos três, com especial atenção para o 1º e 2º. Aos 37′, o centro “escondeu-se” bem na linha de defesa e após uma boa pressão, consegue interceptar um passe mal trabalhado dos australianos.

A partir deste ensaio, os Blues passaram a dominar o jogo com uma “violência” atacante assustadora que foi pondo os rebeldes de Melbourne encostados a um “canto”. O 2º ensaio é uma entrada a la Nonu, conseguindo bater a defesa com step e força no contacto, para sair isolado até à área de validação.

Pressionante, intenso e com um ritmo alucinante, o jovem de 19 anos pôs os adeptos neozelandeses “loucos” com a possibilidade de terem mais uma excelente solução para a linha de 3/4’s All Black… ainda mais quando Fekitoa não revelou se fica na Nova Zelândia a partir de 2018.

O 2º ensaio de Ioane é um must para os centros:

A EQUIPA: A KOALA WITH TEETH!

Regresso de qualidade para Quade Cooper e George Smith, uma vez que os Reds conquistaram 5 pontos na recepção aos Sharks.

28-26 no fim de um encontro muito “suado” em que ambas as formações combateram por cada metro, especialmente os Reds que estiveram a perder até aos 70′ e nunca desistiram de procurar o caminho do ensaio.

Quade Cooper foi uma “chave-mestra” para tornar as movimentações ofensivas mais estáveis e equilibradas (um dos pontos fracos dos Koalas em 2016), apesar de não ter feito qualquer ensaio e de só ter acertado três dos seus sete pontapés.

Mais importante foi a integração de Stephen Moore no 5 da frente, com o talonador a garantir doze alinhamentos (bolas sempre bem introduzidas) assim como nas formações ordenadas ou na partilha de liderança com James Slipper.

A equipa esteve segura, confiante e bem competente, com alguns erros em alguns sectores (13 erros forçados, contra 18 dos Sharks). Porém, nos momentos mais difíceis surgiu um jogador lendário: George Smith.

O asa australiano de 36 anos, com 111 internacionalizações pelos Wallabies trouxe toda uma “artilharia” de peso, com 7 placagens (os Reds só completaram 64 placagens, o que demonstra um domínio de posse de bola), 2 turnovers (um crucial para garantirem um alinhamento que levaria a um ensaio) e uma liderança própria da experiência adquirida.

Estes três jogadores de renome ajudaram aos Reds a conquistarem uma vitória frente aos Sharks, que não estiveram nos seus melhores dias (Pat Lambie foi fundamental no jogo ao pé, mas pouco conseguiu mais fazer) permitindo que o “monstro” Samu Kerevi conseguisse chegar à linha de ensaio para fazer um bis.

O ensaio da vitória aos 70′ foi construído e finalizado desta forma:

A JOGADA: TOKYO GETS HIT BY OFFLOAD HURRICANE

Como esperado, os Hurricanes foram até ao Japão e “aniquilaram” os Sunwolves por 83-15. Com Beauden Barrett no banco, mas com Jordie Barrett a defesa (estreia em absoluto para o terceiro irmão da família que tem só 20 anos), os campeões em título marcaram todo o tipo de ensaios, para todos os gostos e de todas as formas.

Num fim-de-semana recheado de ensaios (COLOCAR NUMERO FINAL DE TOTAL), o 5º ensaio dos ‘Canes vale a pena ver uma boa série de vezes: alinhamento rápido, passe rápido para Ardie Savea, com o asa a apostar numa transmissão de bola média-longa para Matt Proctor.

O centro também aposta num passe bombeado, “carregado” de risco (os Sunwolves podiam ter tentado a intercepção) que é captado por Julian Savea, com o ponta a fugir a três defesas pelo caminho e antes de cair no chão, devolve a Jordie que num offload de categora põe a oval nas mãos de TJ Perenara.

Para além de todo o risco associado nos dois passes longos, o que se tira daqui é a forma como os jogadores dos Hurricanes bateram bem o pé, foram à procura do espaço interior num primeiro momento para depois voltar a ir para o exterior e encontrar o apoio.

Os offloads são sempre um must para as equipas neozelandesas e hoje, mais uma vez, os campeões não defraudaram os adeptos nesse sentido. É particularmente interessante ver é que o jovem Jordie Barrett já está bem integrado na cultura técnica da equipa dos Hurricanes, o que o torna em mais uma das “tempestades” que forma os Hurricanes.

Em suma, esta jogada é um exemplo excelente do que é o rugby do Hemisfério Sul, especialmente dos kiwis: eficácia, risco, velocidade, finta e passe em dificuldades extremas.

Destacar, também, o grande ensaio dos Jaguares no jogo frente aos Kings, tendo a bola sido passada/offloada 7 vezes, com a jogada a ter início dentro dos últimos dez metros dos argentinos.

A CONTRATAÇÃO: QUEM NÃO CAÇA COM POCOCK CAÇA COM ALCOCK

A saída de David Pocock no final de 2016 (licença sabática e possivelmente ida para o Japão) abriu um “vazio” imenso nos Brumbies, que se viam sem um dos seus placadores de topo e o jogador com mais turnovers  das 18 equipas.

A decisão da franquia passou por contratarem o asa dos Force, Chris Alcock, de 28 anos e que só tinha nos Waratahs antes de ter assinado pela Western Force entre 2010-2012. Não é fácil pedir a um jogador recém-transferido para substituir um dos maiores ícones do rugby mundial… nada fácil. Porém, Alcock fez uma excelente exibição contra os Crusaders.

Verdade que no final do jogo, o que conta era o resultado favorável para os Crusaders (17-13), mas ninguém pode tirar as 17 placagens e 2 turnovers a Alcock, que parou Israel Dagg, Seta Tamanivalu e Jordan Taufua, quando estes três preparavam-se para ir para o ensaio.

Garantiu três penalidades, lutou no apoio, prestou contas na “defesa” e assumiu o papel de nº7 com uma qualidade de saudar que até o próprio Pocock ficaria feliz… há jogador à altura das obrigações.

O regresso aos Brumbies, o realizar de um jogo imenso (a defender) e uma vontade de sacrificar-se em prol do colectivo, foram alguns dos destaques de Alcock nesta 1ª ronda. Estaremos com atenção ao que o asa pode fazer daqui até Julho.

Stop it on the tackle (Foto: Brumbies)

AVISOS: FORCE E CHEETAHS CAN THEY MAKE IT?

Rotulados de “últimos” e “perdedores”, Cheetahs, Force, Kings e Sunwolves estavam destinados a lutar pelos “restos” no Super Rugby. Curiosamente, os dois primeiros deram um “grito” de revolta e fizeram frente aos seus adversários.

Western Force viajou até Sydney para defrontar os Waratahs, uma equipa sempre destinada a ir aos playoffs do Super Rugby (nos últimos três anos só falharam as fases finais por uma vez, precisamente em 2016) e que queria somar uma vitória bonificada.

Incrivelmente, a equipa da Force “bateu o pé” e criou uma série de problemas aos Waratahs, especialmente na formação ordenada… foi incrível a forma como os Cisnes Negros (é o “animal” patenteado no logo) empurram Sekope Kepu, Silatolu Latu e Tom Roberton para trás.

Conquistaram quatro penalidades neste sector e puseram os Waratahs em conflito. O jogo foi, no geral, mal jogado com um rugby muito pálido, “sem sabor” com alguns “toques” de agressividade e placagens bem medidas.

O 19-13 final é aceitável, apesar dos Force terem merecido um resultado mais positivo, muito pela entrega e capacidade de “estragar” jogo aos Waratahs. Infelizmente, os Force permitiram que os de Sydney conseguissem realizar dez turnovers, seis dos quais em zonas muito próximas da área de validação.

Por outro lado, as Cheetahs do Free State meteram os vice-campeões em sentido, uma vez que os Lions só “fugiram” com três pontos de diferença.

O que se passou? Bem, a equipa dos Cheetahs forçaram vários erros aos Lions, com uma defesa alta que pressionava bem Elton Jantjies e tirava soluções aos leões que tiveram dificuldades em se aproximar do último terço do terreno.

A vitória dos vice-campeões só chegou aos 76′, quando Van Rensburg cruza a linha para ensaio, numa falha de placagem fatal das Cheetahs… 28-25, jogo terminado.

Mas, não se pode beliscar a capacidade e “coração” das chitas que sonharam em fazer a “desfeita” a uma equipa – supostamente – candidata a ir às meias-finais.

O Super Rugby é propenso a surpresas, a “revoluções” e a deixar qualquer um surpreendido… fiquem com atenção, as Cheetahs poderão ser uma dessas em 2017.

Vejam a partir de onde nasce o ensaio da Force

DICAS PARA A FANTASY

Para quem “apostou” em ser treinador de bancada da Fantasy do Super Rugby da Fox Sports (a liga Fair Play já atingiu os 40 participantes), deixamos algumas “dicas” para apostarem:

  • James Lowe (Chiefs – 68 pts) desde que chegou ao Super Rugby tem uma média de 4,5 ensaios por época, sendo que na última atingiu os 7 (sempre em crescendo). Na 1ª ronda marcou dois frente aos Highlanders… poderá ser uma aposta “estável”;
  • Waisake Naholo (Highlanders – 53 pts) ou Julian Savea (Hurricanes – 71 pts) são jogadores que conquistam bastantes metros (com uma média a rondar os 70 por jogo) para além que estão sempre perto da linha de ensaio;
  • Rieko Ioane (Blues – 72 pts) pelas razões que já falámos no segmento dedicado ao jovem de 19 anos. São pontos garantidos… não ficará por aqui esta temporada;
  • Samu Kerevi (Reds – 65 pts) com dois ensaios, 9 placagens e quase 100 metros percorridos na 1ª ronda. É uma aposta segura para a época;
  •  Israel Dagg (Crusaders – 47 pts) será uma peça fulcral nos Crusaders. Jogo brilhante contra os Brumbies;
  • Pauliasi Manu (Blues – 39 pts) o primeira-linha conseguiu um ensaio (não serão muitos nesta temporada), tendo sido imperial na formação ordenada, jogo no chão e placagem. Um 1ª linha de qualidade, fica a dúvida se será sempre titular;
  • O médio de abertura dos Stormers, Jean-Luc de Plessis poderá ser uma aposta credível para a camisola nº10 da vossa fantasy (pelo menos no banco de suplentes). Rendeu 12 pontos ao pontapé mais uma assistência para ensaio;
  • Tendai Mtawarira (Sharks) é um pilar experiente, com provas dadas… os 25 pontos na Fantasy podem servir para vos abrir o “apetite”;

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