23 Out, 2017

Highlanders Total Rugby 101 – 5 pontos da 10ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacMaio 1, 20178min0

Highlanders Total Rugby 101 – 5 pontos da 10ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacMaio 1, 20178min0

Reds e Waratahs proporcionam um espectáculo à boa moda australiana, Crusaders ganham mas ficam sem o seu “bispo”, Elton Jantjies volta a deslumbrar e avançados dos Highlanders abrem o seu próprio “skills show”. Estes e outros pormenores da ronda 10 do Super Rugby

O PORMENOR: Highlanders e os seus Amazing Avançados

Se ouvissem alguém dizer que um 2ª linha, com dois metros, fez um grubber e assistiu, desta forma, um ensaio de um centro, acreditavam? Dificilmente, correcto? Mesmo que adicionássemos o facto de ter sido um neozelandês a fazer, terra onde os skills têm um lugar fundamental na “escola” do rugby, continuariam com grandes dúvidas, certo?

Bem, mas aconteceu, num jogo que afinal não foi tão complicado como alguns auguravam que fosse… falamos dos Highlanders-Stormers, jogo de abertura da 10ª ronda do Super Rugby.

Foi um show autêntico de ensaios e skills, com Patrick Osborne (o ponta celebrou o seu 50º jogo pela equipa de Otago) a encantar com uma série de apontamentos deliciosos e de alta categoria (o offload para Rob Thompson é excelente, mas ficam várias críticas à forma como os Stormers abordaram a defesa e placagem nesse momento).

Mas o que nos interessa é falar de avançados e de como realizaram um belo espectáculo, que não esteve longe do que os 3/4’s fizeram. Há uma jogada de “sonho” com participação de Liam Coltman, Siate Tokolahi e Joseph Wheeler, com uma série de entradas no espaço, offloads onde os skills foram elevados ao alto.

Os Stormers sentiram amplas dificuldades em “parar” a velocidade, ritmo e intensidade dos Highlanders, que souberam explorar a alguma lentidão de processos da equipa da Cidade do Cabo. A equipa sul-africana quando tinha a oval em seu poder nunca deu melhor uso e, por várias vezes, cedia o controlo da mesma à equipa da casa.

Já na parte final do encontro, Wheeler vai conseguir entrar no contacto, aplicando um offload que Fletcher Smith leva até aos últimos 30 metros. Depois de duas fases, vai ser o mesmo Wheeler a receber a oval e… bem vejam o vídeo. O 2ª linha faz algo inacreditável que põe os comentadores a dizer “No Way… Impossible”.

O treino, a procura pelo detalhe e a forma como elevam a execução até ao máximo da sua perfeição, permite que a Nova Zelândia tenha os jogadores mais talentosos no globo.

O CAPITÃO: Michael Hooper, um olhar em várias direcções

Não foi um início de jogo nada pacífico para os Waratahs, que viram os Reds de Queensland a conseguirem um ensaio aos 10 minutos de jogo por Karmichael Hunt.

Um dos culpados desses 7 pontos foi Michael Hooper, o estupendo asa Wallaby, que deixou escapar Higginbotham pelo lado de fora do ruck, possibilitando um passe para ensaio para Hunt.

O “fantasma” do jogo com os Kings ainda pairava sob a cabeça dos Tahs, que voltavam a apresentar uma postura algo passiva na defesa. Contudo, como tudo na vida, há sempre 2ªs oportunidades para redenção.

Michael Hooper levantou-se, limpou a “lama” e voltou a entrar no jogo a 200%. Com quatro turnovers (dois dos quais foram elevados a penalidades, no qual Foley respondeu com dois bons pontapés) e 9 placagens (uma das quais a bloquear Eto Nabuli, o ponta que pouca bola teve disponível para si), o asa foi “alimentando” a esperança da sua formação em voltar às vitórias.

O “recital” de Hooper teve um dos seus pontos mais altos num ensaio de sua autoria, após uma jogada brilhante da equipa de Sydney. Vale a pena reverem com atenção o falso “falso” que Cameron Clark realiza, abrindo uma “brecha” para Hooper sair disparado até à linha de ensaio.

Os Waratahs conseguiriam uma vitória por 29-26, naquele que foi um dos melhores jogos da ronda 10, onde tivemos ainda Quade Cooper no seu melhor (a assistência para o ensaio de Perese) e pior (na 2ª parte desligou-se do jogo) com as duas formações australianas a voltarem aos bons velhos tempos (que diga George Smith).

O ALERTA: Chiefs e uma batalha contra a Alcateia como lição

Uma desilusão de exibição no geral a dos Chiefs na recepção aos japoneses dos Sunwolves. Um 27-20 no final dos 80′ diz muito, mas nem tudo, da exibição algo “pobre” da formação de Waikato.

Dos 23 jogadores da equipa da casa, só dois ou três merecem um destaque amplamente positivo, como o caso de Damian McKenzie (dois ensaios ao seu gosto, recheando o jogo de pormenores, bons pontapés e uma bela visão de jogo) ou Sam Cane (é “invisível” a sua participação directa no jogo, todavia tem um peso na segurança de jogo, equilíbrio defensivo e gestão no ataque importante).

A 1ª linha dos Chiefs chegou a ser “domesticada” perante a fome incessante dos “lobos” de Tóquio, que arrancaram três penalidades nas formações ordenadas. O par de centros pouco conseguiu se soltar das “amarras” de Willie Britz ou Derek Carpenter, assim como os pontas.

Os Chiefs têm vindo a somar jogos medianos nas últimas semanas, com algumas exibições bem abaixo do seu potencial, algo que deve preocupar Dave Rennie, uma vez que as “falhas” estão a começar a aparecer.

É verdade que faltou Retallick, um “monstro” na defesa e na condução de bola, James Lowe, Tawera Kerr-Barlow ou Liam Messam (entrou no decorrer dos segundos 40 minutos) e que todos esses de início podem e fazem diferença.

Porém, o que dizer do jogo algo “mole”, desconcentrado e pouco energético dos Chiefs? A gestão de bola não é propriamente a melhor e nota-se que têm dificuldades em encontrar “brechas” nas equipas adversárias.

Frente aos Hurricanes (jogo agendado para 9 de Junho), sem chuva e com um campo em condições, será que aguentam uma formação que imprima velocidade extrema, capacidade de perfurar e “agressividade” após a conquista da linha de vantagem? E existe dependência do trio de trás? Questões a serem respondidas nas próximas semanas.

A GUILHOTINA: Rebels doomed to oblivion?

Muito se falou na Western Force, Kings, Cheetahs e, até, nos Bulls ou Reds, mas que dizer da época fraca dos Melbourne Rebels?

Totalmente trucidados na África do Sul pela equipa dos Kings, que está num momento alto (pela 1ª vez somaram 15 pontos numa temporada, mais 6 que a época passada por exemplo), os Rebels estão a “pôr-se” a jeito para serem “cortados” do Super Rugby.

Na derrota por 44-03, os australianos nunca tiveram argumentos para fazer melhor do que espelhou o resultado final.

Sim, tiveram cerca de 61% de posse territorial, mas não fizeram nada com a mesma, somando 24 erros ofensivos, acrescendo a isto sete turnovers sofridos e pouca intensidade quando tinham de pôr o “pé no acelerador”.

Pior que tudo foi na defesa, onde uma passividade “brutal” tomou conta dos Rebels, que em apenas 88 placagens realizaram 26 falhas na altura de meter o adversário no chão. Por exemplo, Amanaki Mafi, terceira-linha, deixou o adversário passar por quatro vezes no contacto.

Os Rebels não existiram como equipa, foram “engolidos”  pela maior vontade dos Kings (a somar à paixão pelo jogo agora há alguma estratégia dentro do terreno) e agora, a par dos Sunwolves, moram no final da tabela do Super Rugby. Há salvação para a franquia de Melbourne?

AS PROMESSAS: Bridge, Perese e Banks e outras novas “revelações”

A cada nova edição surgem novas “estrelas” e promessas do rugby do Hemisfério Sul. Se em 2016 surgiram ou se afirmaram jogadores como Curwin Bosch, Damian McKenzie, Matt Faddes, Faf de Klerk, Van Rensburgh, Akira e Rieko Ioane, entre outras, 2017 também está a ter a sua “mão cheia” de aparições.

Desde George Bridge (que já leva oito ensaios, dezasseis quebras de linha e quase 700 metros com a bola), a Izaia Perese (três ensaios e muita “fome” de rugby, com uma atitude bem agressiva ao género dos pontas australianos), Thomas Banks (só surgiu nos últimos dois jogos, mas já leva 130 metros, quatro quebras de linha, possuindo um jogo ao pé perfurante e “retira” pressão à sua equipa), Anidisa Ntsila (nº8 dos Kings está a fazer uma temporada bem interessante) ou Vince Aso (um serial killer perto da área de ensaio, onde a forma como explora a defesa é o seu melhor cartão de visita), esta temporada o Hemisfério Sul tem aumentado o seu “contingente” de promessas.

Já falámos de outros nomes como Jean-Luc du Preez (asa dos Sharks), Rieko Ioane, Jordie Barrett ou Joe Powell, o que demonstra que o Super Rugby está de boa saúde, tem vários jogadores a caminharem para o “estrelato” internacional e, alguns, já nos dão “fome” para a edição de 2018.


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