18 Nov, 2017

Ericeira Beach Rugby – Um ponto de partida da Oval

Francisco IsaacJunho 6, 20178min0

Ericeira Beach Rugby – Um ponto de partida da Oval

Francisco IsaacJunho 6, 20178min0

Desde do Verão de 2009 que na Ericeira “reina” o rugby, em particular o Beach Rugby. Com a chegada da 9ª edição da prova do Ericeira Beach Rugby, o Fair Play foi convidado a desvendar os pormenores, detalhes e skills de uma das etapas mais emblemáticas da variante em Portugal.

11 meses… são 11 meses de rugby em Portugal… começamos em Setembro com os primeiros jogos da Divisão de Honra e Supertaça não parando nem na quadra natalícia, na celebração intensa do Ano Novo, na Páscoa (relembrar que os sub-18 de Portugal jogaram no sábado de Páscoa) ou na “porta de entrada” para o Verão.

Por muito que não se consiga fazer jus aos valores e princípios da modalidade tão bem como se gostava, a modalidade é um “vício” consciente da sua comunidade. Chegamos a Junho, já dentro do “forno” de Verão em que tudo está expectante não só para os 7’s mas, e principalmente, para o Beach Rugby.

O Fair Play tem falado do Figueira Beach Rugby todas as semanas, já que se trata da maior prova da variante não só em Portugal, mas de toda a Europa. Porém, existem outras “casas” que merecem um destaque máximo não só pela sua antiguidade, mas também por aquilo que representam.

Neste caso, falamos do Ericeira Beach Rugby, prova que resiste desde 2009 (a mais antiga do país) e tem lançado as “sementes” para fomentar o rugby na Ericeira… um caso de sucesso da modalidade em Portugal. É o maior torneio de beach rugby do Mundo para os escalões de formação, construindo um puzzle muito curioso com o Figueira beach rugby.

Na saída para a sua 9ª edição, a realizar-se nos dia 24 e 25 de Junho, na Praia da Foz do Lizandro, o Ericeira Beach Rugby vai contar com três provas: masculinos seniores, femininos e escalões de formação. Esta última prova (dos sub-8 aos 18) será realizada no dia 25, enquanto que os mais “velhos” terão o 24 de Junho por sua conta.

Um fim-de-semana em cheio (Foto: Luís Cabelo Fotografia)

Mas realmente, qual é o impacto do Ericeira Beach Rugby? Para o rugby Nacional foi sempre a etapa que abria a época do rugby de praia, uma prova mais “curta” em número de equipas, mas bastante intensa com participações do GD Direito (uma das equipas dominantes da variante), AEIS Técnico (campeões em algumas edições), os Caparica Sharks (as “gemas e diamantes” do rugby Nacional), CF “Os Belenenses” (campeões em duas edições, nunca falharam esta prova) ou os habitués do Belas (nunca falham esta prova).

É uma prova que reúne um interesse amplo e um carinho partilhado por todos, com um bom prize money (sempre um pormenor bem apetecível) e com excelentes condições em redor da área de jogo.

Mais uma vez, pode não ser “mega” em termos de dimensões, mas é enorme quando se fala na atmosfera, ambiente e participação. E quem foi o grande “maestro” de todo este acontecimento? João Silva. O director técnico actual do Ericeira Rugby, “sonhou” em 2009 com o rugby na região de Mafra… e o seu “sonho” passou a realidade quando um conjunto de pais e amigos uniram-se para criar a “Associação de Amigos Rugby Ericeira)” fundada no ano de 2010.

De lá para cá, o rugby na Ericeira tem vindo a crescer, tem bons escalões de formação (alguns jogadores que iniciaram a sua formação no Ericeira, já jogam pela equipa sénior de Agronomia, na Divisão de Honra), pratica os valores correctos da modalidade e tem uma “paixão eterna” pela oval que deveria ser a regra e exemplo para todos.

Uma pequena parte do que é o Ericeira Beach Rugby (Foto: Luís Cabelo Fotografia)

O sonho de João Silva é hoje uma forte realidade, com raízes cada vez mais profundas e que só deve orgulhar os altos dirigentes do rugby Nacional (há uma série de outros projectos como o Braga ou Guimarães rugby que merecem, também, uma atenção especial por exemplo) e que deve ser apoiada com afinco (a Federação Portuguesa de Rugby e o Município de Mafra celebraram um protocolo de cooperação).

Na ausência de umas Beach Rugby Series em Portugal, temos a Figueira e Ericeira como torneios-residentes.

Fomos falar com um dos jogadores que “nasceu” para a modalidade a partir do desenvolvimento da modalidade na Ericeira, Francisco Silva, jogador da AIS Agronomia (clube no qual tem uma parceria com o AMREriceira, como clube-satélite) e que já alinhou pela equipa da Divisão de Honra em 2015-2016 e 2016-2017, tendo até sido campeão de 7’s por Agronomia em sub-18 ou ter estado nos trabalhos da Selecção Nacional de formação.

Francisco Silva, começou a jogar nos sub-14 do Ericeirense e aos poucos começou a ganhar “gosto” pelo rugby, tendo ingressado nos sub-18 dos “agrónomos” em definitivo conquistando um espaço no novo clube. Mas qual terá sido o verdadeiro impacto do AMR Ericeira na vida do jogador?

O Beach Rugby da Ericeira foi importante para ti, na tua formação e desenvolvimento? E se sim porquê?
F.S.: Sim , porque em cada edição do Beach Rugby da Ericeira pude estar em contacto com novas experiências, tais como arbitrar jogos, publicitar o evento, montar o recinto, entre outras atividades que no fim do evento me fez um melhor atleta, profissional e cidadão.

Vale a pena participar no Torneio que se realiza na Foz do Lizandro? E porquê?
F.S.: Vale sempre a pena participar neste torneio, que para os mais novos foi durante muitos anos o único torneio de beach rugby. Este torneio tem sempre como objetivo fechar e abrir uma grande época de rugby e como tal tentamos sempre oferecer uma grande fim de semana de rugby onde a terceira parte é sempre garantida.

Como pode a comunidade do rugby ajudar o torneio em si?
F.S.: Qualquer ajuda é sempre bem vinda desde bolas, árbitros, elásticos para marcar os campos, patrocínios, mas o mais importante para este evento é a divulgação do evento e a presença da comunidade do rugby no mesmo.

Por isso, é um torneio que sobretudo prima por dar importância à competição de formação (algo exclusivo, para já, do Ericeira Beach Rugby), dando a possibilidade aos escalões de sub-8, 10, 12, 14, 16 e 18 de virem até à Ericeira e começarem a “afiar as garras” e a experimentarem o Beach Rugby.

Em 2016,  o GD Direito levou o título para casa, com os Caparica Sharks a terminarem em 2º e o CF “Os Belenenses” em 3º. Já no feminino foi a equipa do GDS Cascais a subir ao pódio com o “caneco” na mão, deixando o CR São Miguel como vice-campeão.

Haverá bi-campeonato? (Foto: Luís Cabelo Fotografia)

Para participarem no Ericeira Beach Rugby devem contactar a organização, sabendo desde logo que há um fee de inscrição de 100€ (as equipas podem ir com 10 a 12 jogadores, o que representa um valor baixo) e de terem de estar inscritos num clube federado (por motivos de seguro desportivo, isto norma geral para todos os torneios em Portugal).

O impacto do evento na Ericeira é monumental, já que foram uns bons milhares de pessoas que “invadiram” a praia nesse dia (seja para usufruir das instalações, acompanhar rugby ou passear junto à beira-mar) e acompanharam os torneios de seniores e formação. De acordo com a própria organização, “o evento de 2016 foi visitado por cerca de 6.000 pessoas nos dois dias, contou com presença de 700 atletas que representaram 70 equipas dos diversos escalões, estamos certos que foi o torneio que juntou mais equipas de sempre. Para este ano pretendemos continuar a crescer e aumentar o número de equipas.”

São eventos destes que podem bombear o rugby, fazê-lo a acordar do seu “sono”  e dinamizar não só um fim-de-semana mas toda uma região que de um ano para o outro pode ficar apaixonada pela modalidade, abrindo portas e iniciando todo um processo de crescimento na modalidade.

É altura de meterem as “botas” no armário, vestirem os calções e a camisola, preparem para o choque com a areia e de lutarem não só contra a oposição mas também contra o sol e calor… é a época do Rugby de praia, uma altura a não perder!


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS




Newsletter


Categorias


newsletter