20 Ago, 2017

Entre o Sonho da Irlanda e a eficácia Neozelandesa

João DuarteNovembro 25, 20166min0

Entre o Sonho da Irlanda e a eficácia Neozelandesa

João DuarteNovembro 25, 20166min0

Desta vez foram os All Blacks a levar a melhor, num jogo que tinha tanto de vingança pelo jogo perdido em Chigaco, como de amostra da verdadeira força da equipa bicampeã mundial. Se de um lado estava uma Nova Zelândia ferida no orgulho e à procura de dar mostras das suas capacidades, do outro estava uma Irlanda motivada pela vitória histórica de há duas semanas atrás, por jogar em casa frente aos seus adeptos e com esperança de arrancar uma segunda vitória à melhor selecção do mundo.

Irlanda e Nova Zelândia, o segundo round entre potências do Mundo do rugby. A Irlanda que queria dar seguimento à vitória em Chicago de duas semanas atrás e a Nova Zelândia que não queria voltar a “perder o sono”. Quem saiu por cima e, mais importante, como terminaram o jogo.

A Nova Zelândia sabia que não podia cometer os mesmos erros e entrou com vontade de ganhar o jogo. Marcou o primeiro ensaio logo aos 3 minutos, após 13 fases, Beauden Barrett através de um pontapé para a ponta contrária (crosskick) iria assistir Malakai Fekitoa, que tira dois defesas e segue para a área de validação. Barrett converte e abre o jogo de forma espectacular.

A Irlanda por sua vez, queria repetir o feito do jogo anterior e para isso pôs novamente em prática aquilo que tinha feito em Chicago, uma vez que na altura tinham “descoberto” a chave para atingir o sucesso perante a bi-campeã. Garantiu a posse de bola que foi de 57% na primeira parte, manteve o jogo no meio-campo adversário 60% do tempo, começou o jogo com uma defesa pressionante e tentou uma boa utilização do jogo ao pé.

Aos 8 minutos a Irlanda chegou a estar na área de validação de ensaio, mas o árbitro não o concedeu alegando bola presa. Mal menor o juiz concedeu uma penalidade que Johnny Sexton aproveitou para reduzir o marcador para 3-7.

Os All Blacks tentavam evitar surpresas e aos 14 minutos a partir de uma formação ordenada bem controlada jogaram rápido. Beauden Barrett recebeu o passe de Aaron Smith, perfurou a linha defensiva dos irlandeses, que concedeu muito mais espaço do que à duas semanas atrás (notem que a Nova Zelândia conseguiu 11 quebras de linha algo que foi sempre um dos principais problemas para a Irlanda neste jogo) marcando o segundo ensaio convertido pelo próprio, dilatando a diferença de pontos para 3-14. Ainda subsistiu a dúvida se o nº10 neozelandês tinha conseguido colocar a bola no chão, já que Johnny Sexton conseguiu apanhá-lo (placagem algo perigosa ao pescoço) e tentou evitar que assim se fizesse o 14-03.

Na primeira parte viu-se uma Nova Zelândia muito consistente na defesa e, mesmo a jogar com 14 jogadores entre os 17 e os 27 minutos por amarelo a Aaron Smith, apenas permitiu à Irlanda traduzir a superioridade e a manutenção da posse de bola em pontos através de uma penalidade aos 25 minutos, marcada por Paddy Jackson.

O jogo ia assim para intervalo com a Nova Zelândia a ganhar por 6-14, com os neozelandeses a deixarem a sensação de que podiam ter dado mais ao jogo, que não estavam a conseguir sobrepor à Irlanda com a clareza e que continuaram a cometer alguns erros no jogo corrido (10 só nos primeiros 40’).

Na segunda parte a Irlanda foi à procura do ensaio e manteve o mesmo plano de jogo, conquistando 70% de posse de bola e 77% de posse territorial, pressionando a Nova Zelândia e levando a que cometesse erros. Aos 49 minutos o árbitro assinalava falta contra a Nova Zelândia por placagem alta de Malakai Feikitoa (acabaria por ser suspenso pós-jogo por uma semana, falhando assim o último jogo do Tour dos All Blacks) e ficava assim reduzida a 14 jogadores, novamente por cartão amarelo.

A Irlanda continuava a atacar, mas não conseguia chegar ao ensaio e apenas conseguiu marcar de penalidade, após bola presa no ruck, novamente por intermédio de Paddy Jackson. Não conseguiram aproveitar a superioridade de 1 jogador para virar o marcador e a Nova Zelândia iria aproveitar para dilatar a diferença no marcador.

Aos 66 minutos e num erro de pontapé por parte da Irlanda, a Nova Zelândia após uma boa recepção de Ben Smith, iria dar seguimento a uma jogada repleta de offloads que acabaria dentro da área de ensaio nas mãos de Malakai Feikitoa, que bisava assim na partida. Beauden Barrett não falhou o seu registo de pontapés (100% neste jogo, algo incomum para o médio de abertura dos Hurricanes) e meteu o resultado a favor da sua Nova Zelândia em 21-09. A Irlanda ainda tentou reagir novamente, mas o marcador não se iria alterar até ao final da partida.

Este foi um jogo marcado pela insistência da Irlanda na procura do ensaio, a realização de um plano de jogo semelhante ao anterior por parte da mesma, por uma Nova Zelândia que primou pela eficácia no ataque e principalmente pela consistência e raça na defesa demonstrada pelos all blacks, onde os principais intervenientes foram Sam Whitelock (20 placagens), Kieran Read (17) Brodie Retallick (17), Anton Lienert-Brown (15) e Ardie Savea (15).

Ao contrário do jogo anterior a Nova Zelândia conseguiu ganhar as 7 formações ordenadas e os 7 alinhamentos com introdução própria, tendo ainda conseguido ganhar 2 dos 20 alinhamentos da equipa adversária. Para além das fases estáticas, os All Blacks conquistaram mais metros que o seu adversário, num claro 470 contra 361 dos irlandeses, mais quebras da linha, 11 contra 4, e fizeram mais offloads, 16 contra 9, de onde tiraram grande partido (o 3º e último ensaio teve direito a 4 offloads).

Como explicar o facto de a Irlanda ter terminado o jogo sem ensaios? Uma defesa imaculada da Nova Zelândia, que terminou o encontro com quase 200 placagens (193), tendo falhado 23, tantas como os seus adversários que só realizaram 100 tentativas. Os 8 turnovers a favor dos neozelandeses aconteceram já nos seus últimos 30 metros, tirando a possibilidade da Irlanda conseguir sair para uma fase mais perigosa de ataque.

Outra nota a reter é a diferença abismal entre faltas de ambas as formações: os All Blacks terminaram com 14 e a Irlanda com 4. Mais uma vez, a Irlanda teve aqui uma “vantagem” que não soube transformar em pontos (só optaram por ir três vezes aos postes, conseguindo sempre converter em pontos, ou seja, os tais 9 com que terminaram o encontro) e que penalizou as suas esperanças em ganhar pela 2ª vez à Nova Zelândia.

Para futuros encontros entre Neozelandeses e Irlandeses fica a promessa de grande espectáculo e disputa, com a incerteza de quem sairá vencedor. O Próximo jogo da Nova Zelândia é contra a França este sábado em Paris. Será que os gauleses conseguem impor aos All Blacks mais um derrota, ou será que os campeões mundiais não se vão deixar surpreender e vão ganhar mais um jogo nesta tour de outono? Na Eurosport1 às 20:00 deste sábado, 26 de Novembro.

 

Artigo da autoria de João Duarte


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