21 Ago, 2017

Super Campeão cai com estrondo!

Francisco IsaacOutubro 5, 20168min2

Super Campeão cai com estrondo!

Francisco IsaacOutubro 5, 20168min2

Supertaça de emoções fortes, a AIS Agronomia sai com o troféu debaixo do “braço”, após uma lição de bem defender, perante um GD Direito “perdido” no ataque. António Duarte, Vasco Ribeiro e António Monteiro foram as “estrelas” nos agrónomos, enquanto que no GD Direito pouco há a destacar

Um resultado final de 17-09, a beneficiar a equipa da AIS Agronomia (finalista vencido da Taça de Portugal 2015/2016), deu por concluído o dia do Rugby no Estádio do Jamor. Uma intensa entrega, alguma confusão e dois ensaios saídos de pura “manha”, levaram a que o GD Direito entrasse com o “pé” errado para a nova temporada. E por culpa de quem? Dois factores foram decisivos neste encontro: a defesa de excelência agrónoma; falta de qualidade do ataque dos “advogados”. Na primeira parte o jogo foi equilibrado, com o GD Direito a gozar de duas boas possibilidades de chegar ao ensaio (numa delas Manuel Vilela não conseguiu passar por Guilherme Covas, numa jogada que ia com cunho de ensaio), mas a falta de qualidade no último passe (normalmente os “lances” já começavam mal, com falta de velocidade e dinâmica nos grupos de ataque) acabou por ajudar à equipa de Agronomia. Notou-se, especialmente, que a bola parava, mal chegava a Nuno Sousa Guedes, o entusiasta defesa que foi brindado com a possibilidade de jogar à abertura. Iríamos notar que no final dos 80′ foi uma das piores decisões da equipa técnica do Direito, liderada por Francisco Aguiar. Foi uma primeira parte mal jogada por ambos os lados, como viríamos no factor dos alinhamentos já que só 60%  foram bem aproveitados, com os restantes a terminarem em bolas mal postas, avants ou faltas dentro dessa fase estática. Ou seja, a esses erros fomos brindados com uma “avalanche” de formações ordenadas onde, e a contrariar as duas últimas épocas, foi a equipa da Tapada a imperar e a forçar o erro dos seus adversários (Vasco Fragoso Mendes raramente teve uma formação ordenada que lhe possibilitasse sair em boas condições ou fornecer a bola a Pedro Leal).

José Rodrigues abriu o marcador aos 27′ para só aos 40′ Nuno Guedes empatar o encontro em 3-3. O encontro teve algumas escaramuças, o normal num jogo de emoções fortes e de alta intensidade, foram bem resolvidas pelo juiz de jogo, Paulo Duarte (o rugby português ficou a saber que hoje, o mesmo árbitro foi designado para fazer parte do painel de juízes do HSBC World Series), castigando com amarelo, António Duarte e José Maria Vareta (já José D’Alte tinha recebido a mesma admoestação no decorrer do jogo). Perto da hora de intervalo, houve um momento que podia ter “transformado” o jogo e que provou, por outro lado, a falta de compromisso dos “advogados”: 35′, ruck nos 22 metros do Direito, que parecia estar perfeitamente controlado, acabou por ser bem limpo por Gustavo Duarte, possibilitando os “agrónomos” de jogar rápido (por falta de paciência perderiam a bola a seguir). Todavia, vimos nesse momento a falta de concentração e entrega do Direito, que acabou por descurar a defesa no ruck, quando Pedro Leal pedia; e a vontade dos “agrónomos” de quererem provar que estavam ao mesmo nível que os seus rivais de Monsanto. Um empate no final dos 40′, não beneficiava ninguém, e em abono da verdade, nenhuma das equipas estava com as “garras” certas no ataque.

Ora, na 2ª parte foi um show de horrores para quem apoiava o GD Direito, muito pelos 12 erros forçados (7 avants no contacto ou na tentativa de passe) que aniquilariam com o ataque da própria equipa, um capítulo a rever por Francisco Aguiar e a sua equipa técnica. Nuno Sousa Guedes foi “engolido” pela defesa da Agronomia, que o impediu de fazer as típicas jigajogas e, também, de tirar velocidade e profundidade às linhas atrasadas do GD Direito. Do outro lado, a equipa “agrónoma” atacou q.b., jogando com paciência e lucidez, mesmo quando aos 63′ estavam a perder por 09-03 (Sousa Guedes tinha transformado duas penalidades no decorrer da 2ª parte, após faltas de fora-de-jogo e bola presa), algo que foi fundamental para reviravolta no marcador, com a chegada da hora dos ensaios: o primeiro ensaio proveio de um pontapé mal aplicado pelo defesa do GD Direito, que Manuel Murteira aproveitou para responder com um up and under de força e alto, que acabaria por apanhar e a dar a primeira estocada nos bicampeões nacionais quando o cronómetro batia os 64′. Não há qualquer falta de Tomás Gonçalves que no momento da bola a cair no chão, está a recuar com os braços levantados… lance bem ajuizado pela equipa de arbitragem. A partir daqui, a equipa dos “advogados” perdeu-se e começou a tentar jogar em todo lado, mas sempre de forma inconsequente e sem a capacidade de penetrar necessária para quebrar a linha dos seus opositores.

A defesa de Agronomia também foi elástica e altamente dinâmica, ocupando bem o terreno de jogo, placando os adversários de forma a que a bola não saísse rápida, destacando-se Fernando Almeida (retorno ao fim de quase 2 anos de lesão), Vasco Ribeiro e António Duarte. Os campeões nacionais, que pareciam ter melhores soluções no banco que os “agrónomos” acabaram por “tropeçar” nas suas próprias pernas e a efectuar jogadas de fraca qualidade. As ausências de João Correia (retirado após o término da época transacta), Vasco Uva, Adérito Esteves (transferido para França), Luis Salema, Luís Portela, acabaram por ter um peso grande na equipa do Direito que tem de aprender a viver sem os “veteranos” (excluir Portela e Salema desta categoria) e de encontrar soluções efectivas dentro do plantel. Pedro Leal bem tentou remar contra a “maré”, mas a posição 9 (que tem sido sua) prende o “Serevi” português e, talvez, nestes moldes colocá-lo a defesa não seria uma solução de todo despropositada. Antes do final do encontro, ainda houve oportunidade para Gonçalo Prazeres cruzar a linha de ensaio, numa saída inteligente do ruck em que nem Gonçalo Uva, Luís Salema ou Pedro Leal conseguiram se aperceber a tempo de pará-lo. 17-09, com 2 minutos no relógio e o jogo vai terminar com novo avant dos “advogados”, recuperação dos agrónomos, alinhamento e bola para fora.

Frederico de Sousa, antigo treinador do GD Direito e agora da AIS Agronomia, sai por cima do confronto com uma nota quase máxima, pelo trabalho que realizou na preparação de jogo e por ter conseguido passar para os seus jogadores a estratégia de como parar o Direito no contacto e no jogo corrido. A Supertaça volta para o “reino” de Agronomia até 2017, algo que não acontecia desde 2011 (vitória frente aos “advogados” por 35-10). Para o GD Direito esta perda pode ser benéfica de forma a voltarem à “terra” e lançarem-se na luta pelo tricampeonato (algo que conseguiram entre 2008 e 2011)… qualidade e valor não lhes faltam, com vários jogadores internacionais e que pode (e devem) fazer a diferença. Já a juventude “agrónoma” provou que está sedenta de títulos, apoiada pela experiência de alguns jogadores.

EQUIPAS QUE ALINHARAM:

GD Direito (1 a 15) 09

João Thomaz, Duarte Diniz, Francisco Bruno, Luís Sousa, João Travassos, Francisco Tavares, Pedro Rosa, Vasco Mendes, Pedro Leal, Nuno Guedes (3+3+3), Pedro Silvério, Manuel Vilela, José Vareta, Afonso Vareta e João Silva. Subs: João Moraes, Gonçalo Uva, Salvador Palha, Luís Salema e José Cabral.

Treinador: Francisco Aguiar

AIS Agronomia (1 a 15) 17

José Leal Costa, João Moreira, Gustavo Duarte, Fernando Almeida, João Rebelo de Andrade, José D’Alte, António Duarte, PJ van Ziyl, Gonçalo Prazeres (5), José Rodrigues (3+2+2), António Cortes, Francisco Mira, Vasco Ribeiro, Guilherme Covas e Manuel Murteira (5). Subs: João Paiva, Alexandre Garrett, Bernardo Campelo e Tomás Gonçalves.

Treinador: Frederico de Sousa

Última nota vai para as vitórias do SL Benfica frente ao Sporting CP na Supertaça (12-07), num jogo bem jogado, com os “nervos” à flor da pele mas sempre justo. E o CF “Os Belenenses”, no escalão sub-18, dominaram o RC Montemor, num jogo bem conseguido dos azuis do Restelo (29-06).

Supertaça é "agrónoma" (Foto: João Peleteiro Fotografia)
Supertaça é “agrónoma” (Foto: João Peleteiro Fotografia)


2 comments

  • ISA

    Outubro 6, 2016 at 11:21 am

    O treinador da Agronomia não se chama Francisco Sousa, mas sim Frederico Sousa

    Reply

    • Francisco Isaac

      Outubro 6, 2016 at 11:29 am

      Toda a razão. Foi um lapso de escrita, que estava a pensar nos dois treinadores ao mesmo tempo. Desde já peço desculpa pelo erro. Obrigado pelo reparo!

      Reply

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