19 Fev, 2018

Crusaders reign again! – A Final do Super Rugby em 3 pontos

Francisco IsaacAgosto 5, 20176min0

Crusaders reign again! – A Final do Super Rugby em 3 pontos

Francisco IsaacAgosto 5, 20176min0
Dia de decisões no Super Rugby com a final entre Lions e Crusaders.... como é que os Crusaders saíram vencedores? Quem foram os destaques? E qual o momento do jogo? A final do Super Rugby no Fair Play

Uma entrada de campeão, uma avançada mais “inteligente” e um momento que definiu a continuação do jogo… esta foi a final do Super Rugby entre Lions e Crusaders, com os neozelandeses a levantarem o título pela 8ª vez na sua História. 3 pontos de uma Super Final, física, pesada e “agressiva”

O MOMENTO: KWAGGA SMITH… OFF THE FIELD

O jogo não estando a ser espectacular, estava emotivo, eléctrico e intenso com os Crusaders de Christchurch a dominarem na defesa e na leitura de jogo, com os Lions a terem grandes dificuldades em fazer algo a acontecer dentro dos últimos 10 metros. Porém, quando o jogo aproximava-se de um equilíbrio territorial, com os Lions a pressionarem as linhas atrasadas dos Crusaders dá-se um momento crítico… Jantjies pontapeia a oval num up and under bem “armadilhado” que Havili não deixa de ir contestar. O defesa salta e ganha uma altura estupenda… no momento que ia captar a bola, embate em Kwagga Smith.

O asa dos Lions invés de entrar na disputa no ar deixou-se ficar no solo, precipitando Havili para uma queda “assustadora” que deixou o público em suspenso. Disputa ilegal, sem preocupação em como disputar a oval com o nº15 dos Crusaders, com este a embater com os ombros e cabeça no chão. Jaco Peyper no meio de algum nervosismo, decidiu invocar o cartão vermelho e expulsar o asa do encontro.

Não existia outra opção, de acordo com as leis é cartão vermelho pois a correlação de factores não deixava espaço para outra decisão. Foi o momento do jogo, pois os sul-africanos já se encontravam a correr atrás de um resultado negativo (12-03) e, a partir dos 38′ da primeira parte, viam-se sem um dos seus melhores jogadores. Mesmo um comeback surpreendente na 2ª porte foi “escasso” para dar a volta ao resultado.

O elemento decisivo num vermelho bem mostrado por Peyper.

A LENDA: KIERAN READ THE SUPER PLAYER

Kieran Read é, sem dúvida, o melhor nº8 a nível mundial e, talvez, um dos melhores de sempre nessa posição. Extremamente móvel (a forma como surgiu ao largo a apoiar os pontas), inteligente (o passe para Dagg ou a forma como ajudou a “corrigir” a formação ordenada), possante, foram alguns dos factores decisivos para os Crusaders somarem o seu 8º título no Super Rugby.

Com 31 anos, Read volta a somar mais um título na sua carreira, ocupando um lugar fundamental no rugby neozelandês… se Richie McCaw merece todos os louros por ter sido um jogador fenomenal (seja pela forma como defendia, a sua inteligência a ler o breakdown e a sua participação no ataque), Read merece igualmente receber o mesmo respeito. Não foi só a atacar que o 3ª linha foi importante, já que a defender nunca falhou (14 placagens e 1 turnover, ficando na retina aquele “mini-viranço” a Jantjies que antecedeu o ensaio de Tamanivalu) e foi uma voz uma voz de liderança e de comando dentro do jogo.

No ano de estreia de Scott Robertson, Read viu os seus Crusaders a renascerem das cinzas, a invocar um espírito de grupo fortíssimo e com vontade de voltarem a fazer história… a franquia que ficou quase 10 anos sem levantar um caneco, sorriu novamente e com um domínio total durante toda a temporada.

O INÍCIO: SCOTT ROBERTSON… HAT’S OFF!

Quem diria que Scott Robertson iria ganhar o Super Rugby no seu primeiro ano como treinador de uma franquia? O kiwi de 42 anos, que treinou o Canterbury (três vezes campeões no Mitre10, a divisão mais importante a nível regional) e os sub-20 da Nova Zelândia (campeões do Mundo em 2015), subiu ao lugar de Todd Blackadder (saiu para o Bath) em Agosto de 2016, reconstruíndo uma equipa que estava em plena “crise” (não eram campeões desde 2008 e estavam há dois anos afastados das finais do Super Rugby).

Robertson era um homem de Christchurch, uma vez que tinha sido atleta da franquia dos Crusaders na viragem para os anos 2000… para além disso, foi jogador dos All Blacks por vinte e três ocasiões. Ou seja, era o treinador perfeito para reerguer a franquia, apesar de todos os riscos que representava esta vinda para os Crusaders.

A verdade é que a equipa dos Crusaders conquistaram 17 vitórias em 18 jogos, catorze das quais de forma consecutiva. Um rugby prático, físico, móvel e apoiado, os Crusaders montaram uma equipa algo “assustadora”, com um colectivo tão forte que nem os adeptos dos Lions conseguiram quebrar no Ellis Stadium em Joanesburgo. Robertson é o primeiro indivíduo a conquistar o Super Rugby como jogador e treinador… único!

A formação dos Crusaders dominou na defesa, como provam os números na final com 120 placagens e só 26 falhadas, para além dos 8 turnovers ou a forma como forçaram os Lions a cometer erros de controlo da bola (oito avants dos Lions, seis dos quais aconteceram já em cima do contacto). Foi letal na disputa no breakdown (aquela penalidade arrancada em cima da linha de ensaio por Goodhue) e imperial no jogo de avançados.

Scott Robertson lançou Goodhue, Bridge,  deu confiança a Mo’unga, soube trabalhar bem Tamanivalu, garantindo um lugar permanente às lendas Kieran Read, Wyatt Crockett e Israel Dagg. Os Crusaders reiniciam o seu domínio na Nova Zelândia e no Hemisfério Sul? E Robertson poderá ser um futuro seleccionador dos All Blacks? Para já gozam os espólios da vitória!

LIONS (Johan Ackermaan) 17
15 Andries Coetzee, 14 Ruan Combrinck, 13 Lionel Mapoe, 12 Harold Vorster, 11 Courtnall Skosan, 10 Elton Jantjies (2,2,3), 9 Ross Cronje, 8 Ruan Ackermann, 7 Kwagga Smith, 6 Jaco Kriel (c), 5 Franco Mostert, 4 Andries Ferreira, 3 Ruan Dreyer, 2 Malcolm Marx (5), 1 Jacques van Rooyen
Suplentes: 16 Akker vd Merwe, 17 Corne Fourie (5), 18 Johannes Jonker, 19 Lourens Erasmus, 20 Cyle Brink, 21 Faf de Klerk, 22 Rohan Janse van Rensburg, 23 Sylvian Mahuza

CRUSADERS (Scott Robertson) 25
15 David Havili, 14 Israel Dagg, 13 Jack Goodhue (5), 12 Ryan Crotty, 11 Seta Tamanivalu (5), 10 Richie Mo’unga (2,2,3,3), 9 Bryn Hall, 8 Kieran Read (5), 7 Matt Todd, 6 Jordan Taufua, 5 Sam Whitelock (c), 4 Scott Barrett, 3 Owen Franks, 2 Codie Taylor, 1 Joe Moody
Suplentes: 16 Ben Funnell, 17 Wyatt Crockett, 18 Michael Alaalatoa, 19 Luke Romano, 20 Pete Samu, 21 Mitchell Drummond, 22 Mitchell Hunt, 23 George Bridge

O MOMENTO DO JOGO


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