23 Ago, 2017

França versus Austrália – Internacionais de Outono

Francisco IsaacNovembro 18, 201611min0

França versus Austrália – Internacionais de Outono

Francisco IsaacNovembro 18, 201611min0

França e Austrália, uma “luta de galos” entre duas selecções à procura de redefinições, ideias e futuro(s). Entre a irreverência de Foley ou Folau e a consistência de Fofana e Picamoles, Novés e Cheika vão procurar uma vitória categórica, num jogo que terá de tudo um pouco. Sábado às 20:00 na Eurosport2 mais um jogo dos Internacionais de Outono

Os vice-campeões Mundiais de 2015 continuam na sua viagem de final de ano, atracando, agora, em França para defrontar a selecção dos Les Bleus em mais um jogo dos Internacionais de Outono. A equipa de Michael Cheika vem de três vitórias consecutivas (Argentina, País de Gales e Escócia), tendo conquistado o 2º lugar no The Rugby Championship (maior competição de selecções do Hemisfério Sul), naquele que tem sido um ano inconsistente dos Wallabies. Inconsistente? Sim, veja-se pela fracas prestações frente à Inglaterra, com três derrotas em três jogos, com um saldo negativo de 31 pontos (marcaram só 75 para os 106 sofridos), onde os problemas da defesa e do ataque se notaram em larga escala.

Os Problemas dos Wallabies

Numa análise rápida a defesa padeceu dos seguintes elementos: inteligência (falta de noções de parar o ataque adversário e fazer com que a bola tivesse uma saída mais lenta), velocidade (foram várias as situações em que a Austrália conseguia uma primeira e segunda placagem, mas já tinha dificuldades em estender o jogo para chegar a uma terceira situação defensiva) e agressividade (os australianos foram passivos na defesa em largos momentos dos três jogos, cometeram penalidades sucessivas em zonas que não o podiam fazer, entre outros pormenores).

Em termos de ataque vejamos que faltou: apoio (raramente houve um apoio que fizesse a diferença perante a boa e equilibrada defesa inglesa), opções (Bernard Foley procurava sempre opções que possibilitassem criar situações de rotura na Inglaterra, mas várias vezes a 3ª linha estava longe de poder dar um novo “par de mãos” ou os pontas ficavam longe do processo de movimentação de ataque) e aproveitamento das fases estáticas (a Austrália teve problemas em garantir uma bola de qualidade nos seus alinhamentos ou ganhar metros na disputa das formações ordenadas).

Estes problemas foram todos visualizados durante as 6 jornadas do The Rugby Championship, com Michael Cheika a conseguir corrigir certos “desvios de curso” e a dar um novo impulso aos Wallabies. Nos últimos 6 jogos, a Austrália saiu vencedora em quatro jogos (Argentina 2x, País de Gales e Escócia) consentindo duas derrota apenas (África do Sul e Nova Zelândia). Para atingir estes números bem mais satisfatórios (note-se que o período entre Novembro e Julho, a Austrália tinha somado 7 derrotas consecutivas), a Austrália realizou significativas mudanças no seu XV, assim como na sua forma de jogar, não deixando cair o modelo actual de gameplay traçado.

A Austrália optou por ter dois segundas-linhas mais trabalhadores e eficientes (Rory Arnold e Adam Coleman, que nem atingiram ainda a sua 10ª internacionalização), David Pocock saiu de 8 para 6 (fruto das lesões que sofreu e que o impediu de alinhar na recta final do Rugby Championship) com Lopeti Timani a trazer outro poder físico; Henry Speight e Dane Haylett-Petty (a melhor surpresa, a par de Samu Kerevi, em 2016 na Austrália) não têm a classe ou visibilidade de Adam Ashley-Cooper ou James O’Connor, mas são mais dedicados, intensos e procuram se intrometer na linha de vantagem sempre que há um “rasgão”; e Foley regressou definitivamente à posição de abertura, com Quade Cooper a assumir apenas a titularidade dependendo do adversário em mãos.

Mas isto é em termos de jogadores… o que realmente mudou nos Wallabies? Intensidade e disciplina sobretudo. Se os erros defensivos ainda insistem em aparecer (veja-se os dois primeiros ensaios sofridos ante a Escócia, em que o par de centros falha quer na abordagem à placagem ou na análise às movimentações dos escoceses), já a disciplina no último terço do seu território, praticamente, desapareceram. No último jogo frente à Escócia, a Austrália realizou cerca de 9 penalidades, 3 delas nos seus 22 metros, o que impediu a Laidlaw atirar pontapés aos postes, num resultado que terminou num 22-23 a favor dos Wallabies. Uma vez que a disciplina melhorou (rondam as 8 faltas por jogo), a Austrália ganhou outro fôlego nos momentos mais cruciais e assim ter outra postura para lutar pelos jogos.

Aí entra a intensidade, com a Austrália a ter outra dinâmica dentro dos 80 minutos. Um ataque mais concentrado, eficaz e claro, permite ter outra força para ganhar os jogos. Com a Escócia, houve um equilíbrio final em números (390-372 metros conquistados a favor da Escócia, 7-6 quebras de linha a favor dos Wallabies ou 16-13 defesas batidos mais uma vez, para a equipa da casa), com a Austrália a sair com a vitória graças a um ensaio de Kuridrani e ao pontapé de conversão de Bernard Foley, isto aos 75′. A Austrália teve sempre uma boa intensidade durante o jogo, tendo aumentado a partir dos 60′, melhor altura para meter todas as suas sinergias em jogo. Já com o País de Gales foi um show da Austrália, onde o País de Gales (em queda livre na sua forma de jogar e viver o rugby, precisará de uma reabilitação forte por parte de Warren Gatland) permitiu aos seus adversários terem o espaço suficiente para jogar da forma que mais lhes interessava.

Kuridrani makes the save (Foto: Ian MacNico)
Kuridrani makes the save (Foto: Ian MacNico)

O Duelo entre Galos e Wallabies

Chegamos a este fim-de-semana de 19 de Novembro, no encontro que colocará frente-a-frente a Austrália e a França. O que sairá daqui? Dos australianos já sabemos o que querem fazer, como o vão tentar fazer e quais as suas principais “armas”. E da França?

A vitória por 52-08 frente à Samoa deu um “balão de oxigénio” aos novos processos e ideias de Novés. O seleccionador francês está preocupado em tornar a França uma equipa eficaz, coerente e, minimamente, interessante para quem a acompanha. Já se denota a tal intensidade que era característica dos tempos do seleccionador em Toulouse, com uma boa dose de rugby champagne. Para isto foi fundamental ter um par de centros ágeis, eléctricos e que façam a diferença no jogo directo (Wesley Fofana foi uma unidade “nuclear” no ataque à linha defensiva da Samoa) que lhes garantiu uma “ponte” para atacar as alas.

Outro detalhe importante proveio da excelente capacidade de trabalho e eficiência das formações ordenadas e dos alinhamentos, que garantiram possíveis estáveis para sair para o ataque e chegar, com mais facilidade, a fases dianteiras do terreno.

O bom jogo contra a Samoa não deve ser usado como exemplo máximo do que a França consegue ou não produzir… foi um jogo bem acessível e fácil, perante o desnível entre ambas as formações. Mas, devemos dizer que a França mostrou-se mais responsável com o modelo jogo a seguir, eficiente perante a pressão defensiva do adversário e suficientemente articulada para não cometer faltas ou erros graves que quebrem com a sua “toada” ofensiva.

A lesão de François Trinh-Duc pode tirar alguma fluidez ao jogo dos Les Bleus (lesão no pulso que poderá rondar os três meses de ausência dos relvados), já que o médio de abertura do RC Toulon consiste numa parte importante na forma de jogar de Guy Novés. Quem assume a vaga? Jean-Marc Doussain ou Camille Lopez? Doussain é mais estático, confiável no que toca à execução de planos bem detalhados e um jogador com alguma classe individual. Camille Lopez é outro tipo de médio de abertura, mais técnico, consegue alterar os ritmos de jogo, fugindo, por vezes, ao plano estabelecido para surpreender o adversário e com um poder físico bem curioso para um nº10. Será uma questão para Novés solucionar.

Broken France? (Foto: L'Equipe)
Broken France? (Foto: L’Equipe)

O que ter em atenção

Como foco interesse de jogo, convidamos a seguirem a “guerra” entre as duas terceiras-linhas. Gourdon, Goujon e Picamoles versus Pocock, Hooper e Timani. Pocock e Hooper são dos melhores nas suas posições, com o primeiro a ser uma dor de cabeça nos rucks (média de 3 turnovers por jogo) e no choque físico (vai com tudo) e o segundo é um asa que gosta de aparecer no jogo ao largo (aqueles ensaios contra a Inglaterra provam essa “teoria”) e um placador tremendo (média de 10 placagens por jogo). Do outro lado, há Louis Picamoles, um nº8 de elevada categoria que faz a vida muito difícil ao primeiro placador, já que consegue conquistar metros e metros com boas cargas, assim como é um líder de excelência e bastante bom na formação ordenada.

A luta entre ambas as formações ordenadas será outro ponto a seguirem, muito pela qualidade que a França vem a mostrar nos últimos jogos (Poirot, Guirado e Atonio completam uma das melhores 1ªs linhas da Europa) que terá de ganhar nesse parâmetro à Austrália.

Por outro lado, os Wallabies têm em Israel Folau (o defesa) num catalisador de ataque de elevada categoria… sempre que o australiano dos Waratahs agarra na oval, é um sufoco para quem tem de defender… veloz, ágil e com uma finta ardilosa e “agressiva”, Folau pode ser o princípio do fim dos franceses.

Por isso, um excelente jogo para acompanhar na Eurosport2 neste fim-de-semana que se aproxima. Às 20:00!

Na SportTV teremos mais uns quantos jogos com o Inglaterra-Fiji, o Irlanda-Nova Zelândia (possível vingança dos All Blacks da derrota em Chicago?), País de Gales-Japão (bem curioso para saber o que os japoneses podem fazer) e Escócia-Argentina. Começa às 14:30 e vai até às 22:00.

A França e Austrália vão jogar o seu 47º jogo frente-a-frente, sendo que em 2014 os Les Bleus conseguiram arrancar uma vitória tangencial por 29-26 frente a uma Austrália ainda pouco “solta”. De qualquer forma, os australianos em 88 anos de história de jogos contra a França, somaram 26 vitórias e só dois empates, em quanto que a França fica-se pelos 18 jogos ganhos aos Wallabies. Quem sairá vitorioso deste embate?

Os XV anunciados com Doussain, Baille, Ollivon, Nakaitaci e Vahaamahina a assumirem os lugares de Trinh-Duc, Poirot (estes dois por lesão), Goujon, Huget e Devedec. Na Austrália, Michael Cheika revolucionou o seu XV por completo, com as saídas de toda a primeira linha (Slipper, Latu e Alaalatoa) e da segunda (Simmons e Douglas por Coleman e Arnold). Michael Hooper e Lopeti Timani falham o jogo também, com entrada de Fardy e McMahon. Quade Cooper recupera o lugar de 10, o que poderá ser uma vantagem para a França, já que o médio de abertura não tendo os melhores “companheiros” das linhas atrasadas pode vir a cometer diversos erros… um risco mal calculado por Michael Cheika.ffraustralie

 

O jogador a reter, Wesley Fofana (Foto: L'Equipe)
O jogador a reter, Wesley Fofana (Foto: L’Equipe)


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