17 Ago, 2017

Chiefs lançam candidatura: 5 pontos da 3ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacMarço 13, 201711min0

Chiefs lançam candidatura: 5 pontos da 3ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacMarço 13, 201711min0

A 3ª ronda do Super Rugby foi propícia a jogos “pesados” na Nova Zelândia, a mais uma recuperação fenomenal dos Crusaders, a uma declaração de “playoff” dos Stormers e uns Jaguares com mais “fome” que os Lions

A DESILUSÃO: CINISMO E TEMPESTADE EM JOGO GRANDE

Chiefs e Hurricanes encontraram-se em Waikato num jogo que dava direito, ao vencedor, o 1º lugar do grupo Autralo-Neozelandês. A equipa de Cruden, Messam e McKenzie contra os campeões Barrett, Savea(s) e Perenara. Um jogo grande, um encontro de impactos!

Infelizmente, o hype foi superior ao que realmente foi o jogo, já que entre os vários erros de handling (a forte chuva que se fez sentir, estragou parte do espectáculo) tiveram de conviver com uma exibição melancólica dos Canes e um cinismo dos Chiefs.

A equipa da casa fez os básicos, trabalhou com excelência nos rucks (8 recuperações de bola), foi quase sempre imperial nas fases estáticas e souberam “irritar” os Hurricanes, ao ponto que estes entraram numa espiral caótica de jogo.

Não existiu fluidez da parte dos Hurricanes, sempre muito dispersos (curioso a falta de apoio que o portador da bola teve em metade das situações), pouco enérgicos e muito entregues a erros desmoralizadores (dois cartões amarelos no espaço de 20 minutos).

Não ajudou, também, a exibição medíocre da equipa de arbitragem que não soube pôr fim às picardias entre ambas as formações… “amarelou” os Canes, mas falhou ao não levantar a cartolina da mesma cor a Dominic Bird (carga fora de tempo sobre Perenara aos 37′) e a Broadie Retallick (agressão a Shields no decorrer da 2ª parte).

Para além disso, foi algo notório que os Chiefs fizeram um trabalho mais “controverso” nos rucks, com algumas faltas a não serem “apanhadas” pela velocidade com que os da casa atacavam esse perímetro do jogo, aproveitando a ligeireza e descontracção dos campeões em título e a colocação pouco clara de Brandon Pickerill.

No final do dia, o 26-18 (McKenzie converte uma penalidade aos 82′ que tira o ponto de bónus defensivo aos Hurricanes) é merecido para os Chiefs que estiveram mais juntos, mais interessados no jogo e mais preocupados em serem uma equipa, para os bons e maus momentos.

Desde da 1ª jornada que o rugby dos de Waikato não é “bonito”, algo desfasado do espírito e estilo de jogo dos All Blacks… mas talvez é aí aonde ganham.

Os Chiefs, obrigam as equipas a adaptarem-se à sua forma de ser, estar e jogar.

Onde não há brilhantismo em jogadas das linhas de trás, há cinismo na hora de marcar pontos.

Onde não há vontade de meter um step, há vontade de trabalhar mais intensamente no contacto. São estes pormenores que dão títulos, o trabalho na conquista de pontos.

Para os Hurricanes foi um jogo “triste”, melancólico e que os põe com os “pés na terra”. A somar a isto, as lesões de Uhila e Skudder podem ser de longa duração o que lança um sinal de alerta e “pânico” em Wellington.

TRY TIME: BOLA VIVA EM MÃOS DE STORMERS

Uma jornada com bons ensaios, com a maioria a não ter aquele brilhantismo total que muitos adeptos pedem ou exigem das suas equipas.

Houve a inteligência de Hall no Reds-Crusaders (atirou-se contra o poste), a visão de jogo de Nicolás Sánchez com um simulação e um offload no espaço de 2 segundos (ensaio de Moyano) ou o pontapé de Kerr-Barlow para o toque sublime de Pulu.

No entanto, o ensaio da semana vai para a formação dos Stormers, que obtiveram a sua 3ª vitória consecutiva após um 41-10 frente aos Southern Kings.

A equipa da Cidade do Cabo voltou a realizar mais um jogo “cheio” sem várias de algumas estrelas (Kolbe, De Allende estão lesionados enquanto Huw Jones continua a alinhar pela Escócia) e o segundo ensaio é uma prova do bom rugby praticado em Cape Town.

A equipa treinador por Robbie Fleck tinha chegado ao primeiro ensaio à passagem do minuto 15′ e voltaria ir aos postes aos 29′, na tal jogada que vale a pena ver e perceber o quão foi  bem construída e executada.

Após um ruck rápido, Nizaam Carr sai disparado e quando estava já “emaranhado” numa placagem solta um bom offload para Dewaldt Duvenage.

O formação só teve de rodar o torso e transmitir a oval para Robert du Preez, com este a sair rápido no ataque à linha de vantagem.

A partir daqui, foi só ter opções e bom apoio, especialmente do jogador que viria a quebrar a linha de defesa, EW Viljoen que forçou bem os defesas dos Kings a aproximarem-se de si, dando espaço a du Plessis e du Preez para nova entrada.

Com uma troca rápida de passes e já com a defesa completamente “trocada”, o nº10 só teve de capitalizar um belo passe para Basson e este meteu a bola no devido local.

Há muito mais que passes, offloads e bom apoio, pois houve também a aceleração correcta no momento ideal, a aproximação do adversário o que permitia agarrar um ou dois defesas e a comunicação de topo para que as combinações resultassem em pontos.

As linhas de corrida foram essenciais, mas acima de tudo a disponibilidade mental e física e a vontade de em 5 passes conquistarem 60 metros prova que estes Stormers querem ir mais além.

Vale a pena ver, rever e tentar copiar

O DISSABOR: KEREVI DÁ, KEREVI TIRA

Samu Kerevi tem sido um dos destaques, senão o destaque dos Reds em 2017, não há nesta afirmação qualquer “erro”.

No clássico frente aos Crusaders, o centro Wallaby, marcou um ensaio de força (bem ao seu jeito) mas foi a assistência para os 5 pontos de Nabuli que nos marcou.

Kerevi após receber a bola e dar uma “volta” em si próprio (factor perigoso, já que um defesa atento poderia ter marcado o alvo nas costas expostas) para depois fugir mais de 20 metros.

Com os Crusaders a correr na sua direcção, Kerevi mete, com velocidade, o pé para dentro o que força três placadores a lançarem-se na sua direcção.

Num suspiro e sem “piscar os olhos”, Kerevi deixa-se ser placado, ainda tem tempo para afastar com um braço Marty McKenzie e faz um pop fácil para Nabuli.

Kerevi estava imparável por assim dizer, com mais de 80 metros conquistados, sempre a criar problemas para a defesa da equipa de Christchurch, ao bom jeito daquilo que faz dele um dos melhores na sua posição.

Todavia, o momento de auto-flagelação viria aos 79′, quando os Crusaders procuravam freneticamente por uma penalidade ou ensaio, Kerevi conseguiu oferecer uma falta aos neozelandeses.

Quando só precisavam de gerir a oval até ao final, o centro deixou Taniela Tupou entrar sozinho e em desespero mergulhou para o ruck, o que valeu uma penalidade.

Os Crusaders apontaram aos postes, preparam o “cerco” e a “catapulta” de Mitch Hunt fez desmoronar a “muralha” dos Koalas.

Kerevi estava sem reacção, tinha acabado de contribuir para a 2ª derrota dos Reds em 2017, depois de ter feito uns incríveis 80 minutos de jogo… bastou uma falta “infantil” para arruinar com o que seria uma vitória importante para os Reds.

Há dias assim, em que tudo está efectivamente a correr bem mas um detalhe/pormenor deita tudo a perder no final… com Kerevi a 3ª ronda acaba com este dissabor.

A REVELAÇÃO: JEAN LUC “TACKLE” DU PREEZ

Ao fim de três jornadas, já temos um supra placador no Super Rugby, de seu nome: Jean Luc du Preez!

O sul-africano de 21 anos dos Sharks, tem sido uma das “ferramentas” para o bom início de época dos tubarões de Durban (duas vitórias e uma derrota) com números impressionantes e que merecem a noss atenção.

De forma rápida, Du Preez somou 47 placagens, 6 turnovers, 1 ensaio, 150 metros com bola, 7 quebras de linha e, mais impressionante, 0 faltas em 240 minutos de jogo.

Para um jovem de 21 anos, Du Preez está no caminho certo para merecer a atenção dos Springboks já que a posição nº7 está a precisar de “sangue” novo!

No recepção frente aos Waratahs, Du Preez somou 16 placagens e 1 turnover, parando por três vezes Israel Folau (todos sabem da dificuldade que é para o centro/defesa da Austrália) e duas vezes Andrew Kellaway.

Du Preez tem uma presença física de impor respeito, com 1,94m e 113 kilos, ao bom jeito dos avançados sul-africanos. Voltamos a mencionar: só tem 21 anos.

Foi impressionante a forma como conseguia pôr para trás as várias tentativas da avançada dos Tahs’ que se sentiram frustrados pelas boas paragens dos Sharks.

A intensidade durante 80 minutos é tal que Du Preez acaba por ser um dos centros das atenções durante o jogo.

Os Waratahs sofreram três quebras de linha do asa, sendo que numa delas precipitou o inicio de jogada para ensaio de Van Wyk, num jogo que fechou com 34-17.

Num jogo onde Pat Lambie saiu aos 5′, os Sharks conseguiram sobreviver e garantir mais uma vitória neste início de campeonato. Du Preez começa a ser uma das grandes figuras da “fila de dentes” dos Sharks de Durban.

Du Preez ao ataque (Foto: The Citizen)

O ALERTA: LESÕES, LESÕES E MAIS LESÕES

Ouvem este som ensurecedor? É o sinal de “Lesões ao Quadrado” que marcou a 3ª ronda toda!

Waisake Naholo, Seta Tamanivalu, Lima Sopoaga, Patrick Lambie, Israel Dagg, Loni Uhila, Nehe Milner-Skudder, Brad Weber foram só alguns dos nomes fortes que saíram lesionados dos jogos da 3ª jornada.

Para os All Blacks é uma situação muito complicada, já que levantam várias dúvidas no três de trás (Dagg, Skudder, Naholo são titulares ou pelo menos entram em 95% dos jogos), enquanto que Lambie seria um dos candidatos à camisola 10/15 dos Boks.

A intensidade do Super Rugby não é, de forma alguma, para brincar… é natural que aconteçam lesões em várias das estrelas do Hemisfério Sul.

Skudder foi a mais grave e que causou maiores sinais de apreensão, uma vez que há precisamente um ano atrás tinha sofrido uma lesão que o incapacitou durante 8 meses.

Será que vamos ter mais uma edição sem a magia do Messi do rugby?

Em relação a Israel Dagg, as preocupações não são tão intensas mas há uma alerta laranja (a cair para o vermelho) do ponta/defesa que foi fundamental durante as campanhas em amigáveis e no Rugby Championship dos All Blacks.

Patrick Lambie voltou a ser “atacado” por uma lesão e deixa o lugar de nº10 livre para Handré Pollard ou Elton Jantjies.

No lugar dos lesionados outros jogadores irão salta para a ribalta e conquistar a atenção dos treinadores, olheiros e bancadas. É a grande oportunidade para suplentes se tornarem em soluções e ganharem nome na maior prova de clubes.

DICAS PARA A FANTASY

Não avançado com muitos nomes esta semana, mencionamos o facto das lesões terem tomado conta de algumas das grandes estrelas do Super Rugby. Falamos de Naholo, Skudder, Dagg, Lambie ou Tamanivalu o que já mete as Fantasies em alerta total. Boas opções para substituírem esses? Porque não:

  • James Lowe;
  • Nizaam Carr;
  • SP Marais
  • Joaquin Tuculet
  • Santiago Cordero
  • Eto Nabuli

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