17 Dez, 2017

Candidatos definidos: 5 pontos sobre a 3ª Jornada das Seis Nações

Francisco IsaacFevereiro 28, 201711min0

Candidatos definidos: 5 pontos sobre a 3ª Jornada das Seis Nações

Francisco IsaacFevereiro 28, 201711min0

Irlanda e Escócia vão até ao fim pelas Seis Nações mas chegará para apanhar a imparável Inglaterra? O factor casa, a capacidade de gerir o jogo e a “fome” de ganhar marcaram esta 3ª Jornada das Seis Nações

Muito suor, muita dedicação e uma excessiva “fome” de lutar pela vitória permitiram que a Irlanda e a Escócia saíssem de resultados desfavoráveis e conquistassem a vitória que lhes permitem lutar, ainda, sonhar pelo 1º lugar da competição.

Porém, a Inglaterra está em modo imparável, com uma qualidade de jogo intensa e uma capacidade de estar sempre em alto ritmo que os torna… invencíveis.

Estas ideias, questões e valências estão nos nossos 5 pontos da 3ª jornada!

O REGRESSO: SEXTON PUTS THE FRENCH DREAM DOWN

Mudaram-se os tempos, mas a forma de jogar e pontuar é a mesma para a Irlanda… o ensaio só aconteceu por uma vez, por Connor Murray… então de onde vieram os restantes 14 pontos? Pela bota de Sexton (e Paddy Jackson).

O nº10 tinha falhado as duas primeiras jornadas por lesão, permitindo a Paddy Jackson ganhar espaço na selecção do Trevo. Todavia, Joe Schmidt não prescindiu de Sexton para este jogo, naquilo que tinha de ser uma resposta à derrota em 2016 (envolta em nuances de polémica).

Sexton acertou todos os pontapés que dispôs… incluindo um drop que foi letal para os Les Bleus que sentiram o peso desse pontapé e ficaram num “marasmo” de erros (jogo bem conseguido na parte dos passes e offloads entre os seus 22 e os últimos 40 metros, para depois não conseguirem finalizarem as jogadas ou movimentações que dariam ensaios) que a Irlanda agradeceu.

Para além disso, Sexton foi obrigando a França a recuar para captarem os pontapés do nº10, a sua maioria de excelente execução que só demonstraram toda a qualidade técnica e visão de jogo do jogador do Leinster.

Uma das melhores jogadas do encontro teve início pelas suas mãos, aos 59′, naquilo que podia muito bem ter sido o ensaio do encontro, não fosse uma grande placagem de Kevin Gourdon (18 placagens em todo o jogo) a parar Zebo.

Paddy Jackson é um jogador mais dinâmico, mais eléctrico e com uns rasgos de genialidade na finta de passe… mas Sexton é um virtuoso no que toca a montar o jogo, a planear a saída do meio-campo defensivo e na gestão de jogo, completando com um excelente jogo ao pé ou uma capacidade para iniciar jogadas de ensaio.

Sexton foi assim fundamental para estes 4 pontos, num jogo em que a França defendeu com tudo, já que foram responsáveis por 230 placagens (Gourdon e Maestri com 22) e 10 turnovers.

O brilhantismo de Sexton

A PLACAGEM: VISSER KEEPS THE DREAM ALIVE

Uma placagem faz a diferença… é esta a mensagem que podemos passar antes de começarmos esta ode a Tim Visser, o ponta e nº11 da Escócia que foi senhor de uma exibição de gala.

Num jogo de excelente qualidade, com uma série de momentos que deixaram todos entre um aperto e suspiro ou entre o festejo e a celebração. Por duas vezes, o País de Gales foi até à área de validação e acabou por ser parado in extremis pela defesa escocesa.

Por uma vez, Rhys Webb cometeu uma falta “infantil” ao puxar a camisola de Sean Maitland quando o nº14 ia tentar placar Scott Williams… felizmente e, em prol da verdade desportiva, a equipa de arbitragem parou e recorreu ao TMO. Decisão acertada.

Passou esse sufoco e chegou outro aos 57: a Escócia tinha dado a cambalhota no resultado e estava na frente por 19-13, era necessário acrescentar pontos ou impedir que o País de Gales somasse mais.

Rhys Webb (o protagonista da tarde em termos de azar) recupera bem a bola após uma formação ordenada e sai disparado para a linha de ensaio… passa por Henry Pyrgos e fica num um para um contra Visser.

Webb “sofre” uma placagem dos livros do ponta escocês e, numa última tentativa, estica o braço e mete a bola dentro da área de ensaio. Festa galesa… até que John Lacey (o juiz do jogo) pede para rever a jogada e “descobre” que Webb tinha tocado na linha antes de colocar a bola no chão.

Inacreditável como um centímetro fez a diferença, inacreditável como um segundo “salvou” a Escócia de sofrer um ensaio que podia virar o encontro e ainda mais inacreditável foi o facto da capacidade de Visser em armar uma boa placagem num momento delicado… só ao alcance dos “grandes”.

E para acabar bem a tarde, Visser fez o ensaio da vitória após um soberbo passe de Stuart Hogg (jogo soberbo do nº15)… a Escócia ao fim de 10 anos conseguiu nova vitória ante o País de Gales com um categórico 29-13.

O DUELO: O’SHEA VERSUS JONES, DAVID VERSUS GOLIAS

99,9% dos adeptos assumia que o Inglaterra-Itália seria um “passeio” para a Selecção de Sua Majestade, uma vez que a Itália é, sem dúvida, a selecção mais “fraca” das Seis Nações. Todavia, uma surpresa deu-se em Twickenham e daquelas que ninguém esperava por.

Um plano ardiloso e “manhoso” de Conor O’shea pôs a formação de Eddie Jones à prova. E que plano foi esse?

Bem, fazendo uso de uma regra dentro da regra, isto é, quando um jogador inglês ia ao contacto, só o placador (ou placadores) italiano(s) ia, não disputando o ruck o que permitia estarem em todo o lado, impossibilitando o formação inglês de abrir a bola para as linhas atrasadas.

Um loophole bem encontrado e trabalhado pelos italianos que irritou (e de que maneira) os campeões em título das Seis Nações. A 1ª parte foi um “sofrimento” para a Inglaterra, que permitiu que esta táctica italiana surtisse efeito… 10-05 a favorecer os transalpinos, com vários adeptos, comentadores e técnicos a aplaudir o esforço italiano.

Contudo, Eddie Jones conseguiu contornar as ideias e planos maquiavélicos de Conor O’Shea, impondo que os seus jogadores saíssem disparados do não-ruck e assim criassem situações de perigo iminente.

A Itália aguentou durante 50 minutos mas acabou por quebrar perante o maior poder de fogo inglês, a adaptação inglesa (que demorou mas chegou) e as soluções no banco que “resolveram” o jogo (Jack Nowell, Mako Vunipola, Ben Youngs e Kyle Sinckler).

A Itália optou por um jogo “feio”, sem qualquer vontade em praticar um rugby de “magia” ou de velocidade… mas há que respeitar a decisão, uma vez que a Itália tem de procurar soluções para quebrar com a maior capacidade de jogo das maiores equipas.

Hoje resultou durante algum tempo, chegaram a estar a ganhar mas depois os tempos apanharam-nos e puseram fim a este uprising italiano.

OS DECISORES: HOGG, NOWELL E STANDER

Em todas as formações das Seis Nações há jogadores que estão imbuídos de uma aura de decisão que os catapulta para uma posição de decisores. Neste fim-de-semana há três nomes que sobressaíram e vão continuar a sobressair até ao término da competição.

São eles: Stuart Hogg (Escócia), Jack Nowell (Inglaterra) e CJ Stander (Irlanda). Magia, ritmo e resiliência, seriam estas as palavras que definem cada um destes jogadores, respectivamente.

Stuart Hogg voltou a surgir nos dois ensaios da Escócia: o 1º nasce num passe delicioso de Hogg, que parece ter ficado “parado” no tempo, esperando um segundo a mais… a defesa galesa hesitou e permitiu que Tim Visser surgisse a entrar em rompante assistindo Tommy Seymour.

No 2º ensaio, a assistência para Visser foi feita num micro segundo, dando só um toque ligeiro na oval que prendeu, mais uma vez, a defesa do País de Gales. É fenomenal como em três jogos, Hogg marcou três ensaios e assistiu por três vezes os seus colegas.

Já Jack Nowell foi relegado para o banco de suplentes, mas nos 25 minutos que teve direito frente à Itália, marcou dois ensaios, um deles de uma insistência “irritante” para quem defende.

É um ponta que não teme o contacto, não recua na iminência da placagem e tem um gosto pelo ensaio que é difícil de parar. Em 21 jogos pela Inglaterra, Nowell soma 11 ensaios e no jogo frente à Itália só precisou de 31 metros e duas quebras de linha para chegar à área de ensaio.

Será fundamental para Eddie Jones ter um ponta como Nowell frente à Escócia e Irlanda… não o ter dentro de campo, tira ritmo, dinamismo e excentricidade ao jogo atacantes inglês.

Finalmente, o grande jogador da Irlanda nestas Seis Nações… CJ Stander. O asa tem estado numa forma delirante, com uma vontade de dar cada vez mais à sua Irlanda (se têm dúvidas que os jogadores “estrangeiros” sentem ou não a camisola, aqui têm um exemplo total de um jogador que não nasceu na Irlanda mas sente-a como se fosse sua).

No jogo frente à França, esteve em todo o lado… placou, placou e placou, somando 13 placagens (só atrás de Heaslip), um turnover. Acima de tudo, Stander foi o jogador que mais disponibilizou para receber a oval e trabalhar no contacto.

Foram 23 carries, somando 40 metros… muito mais que qualquer outro seu colega de equipa. Dá o corpo às balas (literalmente, as placagens na competição têm sido duras), não desiste, cerra os dentes e vai à luta.

É um jogador que faz a diferença em todos os jogos, obriga os adversários a trabalharem nele, sabe apoiar as linhas atrasadas e é um jogador de excelência.

Um toque de génio de Hogg

AS DECISÕES: ARBITRAGENS DE LUXO GARANTEM JOGOS DE LUXO

Os dois jogos de sábado tiveram um cariz complicado, obrigando as equipas de arbitragem a estarem na sua melhor forma, com atenção e concentração no máximo afim de manter o jogo justo, equilibrado e sem casos de polémica.

Nigel Owens ficou com a “primazia” de apitar o Irlanda-França, um encontro recheado (normalmente) por grandes disputas na formação ordenada, detalhes na “guerra” dos rucks e decisões relâmpago em movimentações de linhas atrasadas.

Um dos grandes momentos do jogo foi o ensaio de Lamerat, que acabou por ser invalidado por avant de Gäel Fickou. A jogada parecia não ter qualquer falta, tratando-se de uma excelente movimentação dos gauleses, finalizada pelo centro aos 17’… ficaria 00-08 com a possibilidade de Lopez aumentar para 00-10, um resultado confortável para os franceses.

Mas Nigel Owens desconfiou da acção de Fickou ao captar a bola que estava no chão… vamos ao TMO e em poucos “segundos” (precisamente dois minutos) identificou-se um ligeiro toque para a frente que determina uma formação ordenada para a Irlanda (nesta caso regressámos atrás para uma penalidade francesa).

Owens continuou imperial nas suas decisões, sempre com o propósito de engrandecer o espectáculo e permitir que ambas as equipas dessem o máximo… dentro das leis.

No País de Gales-Escócia, John Lacey teve uma tarde memorável ao demonstrar que consegue estar em cima do momento, de conseguir analisar uma falta que poderia passar a “olho nu”, administrando tudo isto com uma boa comunicação.

Neste encontro, o juiz irlandês notou a tal situação de Rhys Webb a segurar a camisola de Visser (curioso que ambos os jogadores iam estar no centro de todas atenções durante todo o encontro) no que podia ter sido o ensaio de Williams aos 26′ (daria um 17-03 a favor dos Dragões Vermelhos), assim como decidiu, e bem, o ensaio de Visser (o ponta mete a bola antes de tocar com o ombro na linha) e a tal grande placagem de Visser a Webb, negando um ensaio, que num primeiro olhar seria validado.

Isto tudo foi possível com a ajuda do TMO (vídeo-árbitro), que permitiu que a verdade do jogo se mantivesse acima da vontade de vencer de qualquer uma das equipas. Não recorreram sempre a esta situação (por volta dos 14′, Stuart Hogg parecia ter feito ensaio para Escócia, mas Lacey nem precisou do TMO para decidir que não) e continuaram a decidir bem, o que demonstra a excelente qualidade dos juízes das Ilhas Britânicas.

Uma das excelentes decisões de John Lacey


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