23 Out, 2017

“Campeões, nós somos Campeões” – O Rescaldo do Campeonato da Europa sub-20

Francisco IsaacAbril 3, 20177min0

“Campeões, nós somos Campeões” – O Rescaldo do Campeonato da Europa sub-20

Francisco IsaacAbril 3, 20177min0

Num fim-de-semana recheado para o rugby nacional, o Grand Slam da equipa sénior só foi “ofuscado” pela conquista do Campeonato da Europa Sub-20. O Fair Play falou em 1ª mão com os atletas que participaram no Europeu e ficou a saber como é que os jogadores viveram a competição

Em modo celebração, com o orgulho no alto e com algum frenesim…foi esta a recepção que os jogadores portugueses tiveram no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, neste Domingo primaveril.

As dúvidas dissiparam-se, Portugal somou três vitórias em três jogos, derrotou a super Roménia e a incrível Espanha, escrevendo o nome de Portugal (mais uma vez) como Campeão da Europa de Sub-20.

Para o leitor que desconhece a realidade do rugby Nacional pode até parecer que estamos a enaltecer exageradamente este facto, porém é preciso ter em atenção aos seguintes pontos:

  • Portugal veio de um dos períodos mais conturbados da sua recente história, com as despromoções para o Campeonato da Europa “C” (se considerarmos as Seis Nações como A) e a saída dos World Series de 7’s;
  • O investimento romeno, espanhol ou russo na formação é francamente superior ao português, destacando-se os vários amigáveis que estas selecções fizeram durante a preparação para o campeonato da Europa, com estágios fora de “casa”;

São dois factos que potenciam alguma preocupação e diferença entre nações e que podiam “abrir” uma divisão de qualidade entre adversários. Na verdade, após o término do Campeonato da Europa notou-se que Portugal está por cima dos seus adversários.

Resta agora a questão: é um cruzamento de duas gerações de soberba qualidade ou há de facto um crescimento de qualidade nos jogadores nacionais?

Poderá ser um pouco de ambas, já que as gerações de jogadores como António Vidinha, Manuel Picão, Vasco Ribeiro, José Cabral, João Melo ou outros “encontrou-se” com os bronzes João Vital, Manuel Peleteiro, os gémeos Costa e Campos entre outros.

No entanto, a estrutura das selecções está diferente, há outra coordenação e parece estarem a garantir um equilíbrio aos jogadores jovens que há uns anos não existia.

Ainda há um logo caminho a percorrer, verdade… mas nos últimos três anos o caminho está a ser feito com resultados, títulos, medalhas e testemunhos de claro desenvolvimento.

A Divisão de Honra tem propiciado um espaço para os jogadores jovens crescerem (nos dias de hoje há mais espaço para tal, com a falta de poder económico para recrutar jogadores profissionais) assim como a Taça Challenge, onde os reservas das formações nacionais podem jogar num campeonato intenso e animado.

Quando os Lobos sub-20 saíram pela porta de chegada do aeroporto lisboeta, o ar de contentamento era total, para além do cansaço acumulado que agora seria bem debelado.

O Fair Play aproveitou e conversou com António Vidinha (GDS Cascais) e João Bernardo Melo (CDUL), capitães da selecção Nacional de sub-20. Veja o vídeo abaixo com os comentários de ambos.

Os atletas só queriam ir “descansar”… era notório que era a hora de “abandonarem” os vários familiares, dirigentes e escassos membros da imprensa presentes nesta recepção.

Todavia, ainda houve tempo do Fair Play roubar a atenção dos MVP’s do torneio, José Luís Cabral (GD Direito) e Vasco Ribeiro (AIS Agronomia). O vídeo que se segue conta com os comentários na íntegra de ambos.

Por fim, conseguimos “incomodar” Luís Pissarra que se dispôs a responder a algumas perguntas do Fair Play assim como deixou uma mensagem especial para todos.

Sonhavas, alguma vez, que seria uma final praticamente dominada por Portugal? O que nos faltou para “matar” o jogo na 1ª parte?

LP. Não estávamos à espera de ter o domínio de grande parte do jogo nem as enormes dificuldades defensivas que a Espanha nos colocou. 

Cometemos alguns erros ofensivos, nomeadamente no que refere a profundidade do ataque e o não pausar o jogo esporadicamente para nós podermos organizar. Mas a verdade é que a Espanha foi tremenda na organização defensiva e na forma como foi atrasando a nossa vitória.

Consegues explicar o ambiente vivido em Bucareste? O que pensaste para ti durante aqueles minutos finais entre o empate da Espanha e o ensaio de Gonçalo Santos?

LP. Depois do ambiente hostil no jogo com a Roménia foi impressionante o apoio que as nossas famílias deram durante o jogo! A quantidade de pessoas que se deslocaram propositadamente a Bucareste empolgou ainda mais o grupo para chegar a vitória… ter caras conhecidas a apoiar num país distante, para mais numa final, é sempre um boost de energia.

 O ensaio da Espanha surge numa das poucas ocasiões em que foram aos nossos 22m na 2 parte, depois de uma acção em que não fomos disciplinados e por 2 vezes não conseguimos aliviar a pressão do nosso meio campo! 

 Nos sabíamos que o período em que os espanhóis marcavam mais pontos era o último quarto do jogo e após sofrermos o empate reagimos de uma forma incrível e após uma sequência de 19 fases conseguimos o ensaio.

 A equipa esteve sempre confiante e a forma como reagiram foi de quem já tem muita experiência!

Agora que o Europeu está terminado… este era o objectivo final: conquistar o 1º lugar? Concordas que estamos perante umas gerações novas que podem ter a “chave” para o rugby português dar o salto?

LP. Desde que o grupo se juntou que foi sempre esse o objectivo que definimos e nunca o escondemos!

Esta geração jovem tem muito talento e acima de tudo muita vontade de fazer coisas muito boas no rugby português…..

Aonde ganhámos os jogos? Na placagem, na gestão de jogo ou no acreditar?

LP. Não tenho dúvida que a nossa grande conquista começa no acreditar…. sem esse sentimento não teríamos conseguido os nossos objectivos e depois vêm as componentes técnicas em que a defesa foi um ponto muito forte!! A pressão defensiva e agressividade na placagem.

E agora? Descanso ou a cabeça já pensa no Mundial “B” que está aí à “porta”? Quais são os sonhos para esse patamar?

LP. Claramente que agora será um período de descanso e regresso dos atletas aos clubes para atingirem novos objectivos domésticos.

 A competição internacional é no fim de agosto, agora será tempo de organização da estratégia com a federação, para se poder disponibilizar meios e condições para o grupo se preparar para uma competição ainda mais séria e dura.

Um Especial agradecimento a todo o staff técnico, que para além de mim, era e é o António Aguilar, José Paixão, Paulo Vital e Rui Alvarez, para além de toda a estrutura da Federação Portuguesa de Rugby. 

Palavras de Luís Pissarra para o Fair Play


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter