20 Out, 2017

Campeões ao tapete? – 5 pontos da 12ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacMaio 15, 201710min0

Campeões ao tapete? – 5 pontos da 12ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacMaio 15, 201710min0

Os campeões, Hurricanes, foram “obstruídos” pela força dos Crusaders, Western Force pontua na Argentina no jogo caótico do ano, Samu Kerevi volta a “dominar”, Ntsila o “caçador do Tubarões” e Naholo uma baixa improvável. Isto e muito mais nos 5 pontos da 12ª Ronda do Fair Play

A DESILUSÃO: There was no Hurricane(s) in Christchurch

2º Clássico do ano para os Hurricanes, 2ª derrota frente a um adversário directo, o que levanta várias dúvidas em relação à capacidade de conseguir derrubar a concorrência mais forte no Super Rugby.

Os Crusaders foram, como se esperava, uma equipa unida, forte e paciente na defesa (apesar das seis penalidades cometidas dentro dos seus últimos trinta metros), pressionante q.b. (não abriu possibilidade a Savea ou Jane de fugirem pelos canal nas laterais) e que fez dos seus avançados a ponte que os levou até à vitória.

Não há dúvidas que foi um jogo equilibrado com uma uma diferença de 1% (para os da casa) no que toca ao controlo do “terreno”, com as duas equipas a igualarem-se na hora das penalidades (11-12) e a terem bastante tempo de bola jogável, que foi aproveitada menos vezes do que todos desejavam.

Houve especialmente um pormenor importante: a forma como os Crusaders fecharam o jogo de Beauden Barrett. O abertura realizou um jogo satisfatório, sempre muito pressionado ou sem soluções para entregar a oval em condições (Aso, J. Savea, Shields ou Prinsep foram sempre bem “caçados”) e que permitisse encontrar algum tipo de espaço para desatarem a fugir pela linha de vantagem até à área de validação.

Podemos dizer que quase tudo correu mal aos campeões, seja a sua abordagem ao jogo (pouco intensos e muito esbatidos na defesa dos Crusaders), as hipóteses de ensaio (aos 23′ Toomaga-Allen intercepta a bola e quando podia ter passado logo a um eléctrico Barrett, prendeu a “bola” o tempo suficiente para deixar a defesa apanha-los perdendo-se uma boa situação de ensaio), a leitura na defesa (Julian Savea foi “engolido” por Tamanivalu, Crotty e Havili em quatro situações) ou os passes (quantos passes foram para o chão, para cima da cabeça ou para trás e que tiraram possibilidade de saírem para o ataque de forma “normal”), quebrando com os campeões em título.

Os Crusaders foram, quase sempre, os melhores em campo, onde o trabalho dos avançados foi essencial na conquista de 4 pontos fundamentais que os colocam em 1º do Super Rugby com 50 pontos e zero derrotas em 10 jogos (!). Notem as quatro formações ordenadas que os cruzados conquistaram aos Hurricanes, com um trabalho imenso do 5 da frente (Moody, Taylor e Franks, um hino à 1ª linha) que “destruiu” os Hurricanes, onde nem Ardie Savea conseguiu salvar a situação.

É o princípio do fim para os Hurricanes?

O DEFESA: Andisa Ntsila, o novo rei da placagem?

Voltamos a “bater” neste ponto: todos os anos aparecem novos jogadores no Hemisfério Sul que vão deixar-vos “loucos” e com vontade de os seguirem até atingirem o seu pico mais alto (ou mais baixo). Esta semana trazemos Andisa Ntsila, o nº8 que terminou com 17 placagens (sem falha de placagem) frente aos Sharks, em mais uma vitória dos Kings.

23 anos, 1,82 metros e uma pulsação de jogo bem “engraçada”, o 3ª linha dos Kings foi uma “sombra” que seguiu quer Pat Lambie (Curwin Bosch merecia ter mantido o seu lugar de 10 nos “tubarões” de Durban), Van Wyk ou Lukhanyo Am, impedindo-os de surgirem numa 3ª fase soltos e sem oposição.

Para além disso, foi “agressivo” com os seus colegas, exemplificando uma entrega física enorme e que “atiçou” os Kings frente aos Sharks com 12 carries e quase trinta metros conquistados no contacto.

Determinante em certos processos de jogo, Ntsila “parou” com eficácia alguns lançamentos rápidos de jogo de Michael Claassens, surgindo a defender muito bem aos 34′ ou 65′ de jogo.

Numa era em que os Kings começam a deixar de ser o “parente pobre” das franquias sul-africanas (já estão à frente quer dos Bulls ou Cheetahs), Ntsila é um dos vários jogadores desta equipa a despontar em 2017 par além de Masixole Banda, Schalk van der Merwe, Lionel Cronje ou Alshaun Bock, o que dá outros “contornos” ao rugby da África do Sul.

A DESORGANIZAÇÃO: Entre Jaguares e Cisnes, mundos de diferença, um jogo inexplicável igual

Todos esperavam nova vitória dos Jaguares (com ponto de bónus) na recepção à Western Force, uma das equipas com pior registo no Super Rugby. Todavia, o “golpe de teatro” aconteceu, com os Cisnes Negros a saírem de Buenos Aires com uma vitória altamente improvável num jogo fortemente incaracterístico dos argentinos… passamos a explicar.

Caótico, para ambas as formações, a forma como se lidou com a bola no contacto foi “complicada” pondo em cheque várias situações de ensaio que se perderam com um avant ou um turnover.

Os Jaguares registaram no fim dos 80 minutos alguns pormenores “venenosos” que podem ter ajudado no caminho para a derrota: três formações ordenadas perdidas (duas delas em forma de penalidade), dois alinhamentos roubados/mal conduzidos (um deles já nos últimos 5 metros da Force), cinco rucks “destruídos” (dois deles acabaram em faltas a beneficiar os australianos), 23 falhas de placagem (o ensaio de Newsome foi um “somar” de 5 falhas na leitura e postura na hora de abordarem o atacante na jogada toda), entre outros pontos.

Os Jaguares não estiveram com a cabeça no jogo, com muitos erros, pouca frescura física e sem capacidade de trazer aquele jogo emotivo, mas altamente incisivo, que costumam apresentar.

Têm sido umas semanas complicadas para os Jaguares, que apesar da vitória frente aos Sunwolves na semana passada (pela diferença de um ensaio), não deixam de levantar algumas “sobrancelhas” e perguntar o que se passa com os argentinos que tinham começado tão bem o Super Rugby 2017.

A DÚVIDA: Cronjé, Jantjies ou Zeilinga, qual o melhor 10 para os Springboks?

Handré Pollard está, novamente, lesionado… este é um facto já com algumas semanas, atenção. Por isso, para Allister Coetzee é a hora de encontrar não só um médio de abertura titular, mas igualmente um suplente que garanta qualidade, pontos e “raça”.

Lionel Cronjé (Kings), Elton Jantjies (Lions) e Fred Zeilinga (Cheetahs) seriam os candidatos preferenciais, se o seleccionador respeitasse e entendesse que estes são os nº10 sul-africanos mais em forma em 2017. Contudo, Pat Lambie (Sharks) vai “forçar” a sua entrada pelo menos nos 23 convocados dos próximos Jogos de Verão que estão aí mesmo à “porta”.

Mas vamos, por um momento, deixar Lambie de fora e apostar nos outros três. Jantjies é um jogador de classe, velocista, “mágico” e irrequieto, que faz o jogo dos Lions entrar num dinamismo puro e quase único. Todavia, não é um jogador constante, quebra nos momentos mais estranhos e nas alturas menos oportunas, como foi nesta semana frente aos Brumbies. Os australianos de Canberra não o pressionaram excessivamente, nem foi alvo de “maldade” na placagem, simplesmente não apareceu no encontro de sexta-feira passada.

Fred Zeilinga jogou no mesmo dia, com umas horas de diferença, frente aos Blues de Auckland. O médio de abertura dos Cheetahs realizou uma exibição convincente, “elástica”, onde a forma como colocava o seu pontapé longe dos neozelandeses foi um ponto interessante a seu favor. Boa leitura de jogo, com vontade em participar (dez carries e 35 metros conquistados), um pontapé aos postes bem colocado (valeu 12 pontos) e ainda um defesa de confiança (dez placagens), Zeilinga é um jogador a ter em atenção.

Por fim, Lionel “Crazy” Cronjé, o nº10 que há umas semanas atrás fez a bola andar à volta do seu corpo para depois meter um grubber “maldoso” para o ensaio dos seus Kings, continua a ser o “maestro” da sua formação. É o médio de abertura em melhor forma da África do Sul e aquele pontapé para Bock demonstra todo o virtuosismo que o Cronjé carrega dentro de si. Vejam o ensaio da vitória dos Kings aos 78′, onde o 10 faz um passe rápido, bem medido que impossibilitou a defesa dos “tubarões” em tirar fulgor e velocidade ao jogo rápido dos Kings.

Três 10, dois lugares… quem fica com eles?

O DUELO: Mafi versus Higginbotham com Kerevi no canto

Batalha de super nº8 entre Rebels e Reds, um encontro entre formações australianos… os de Queensland, na qualidade de visitantes, estavam desesperados por uma vitória de forma a tentarem apanhar os Brubmies no topo da classificação. Os Rebels, pelo seu lado, precisam de pontos para não ficarem com a “etiqueta” de pior formação da Austrália em 2017 e assim não sofrerem com um corte.

Um dos detalhes do jogo era e foi o duelo entre Mafi e Higgingbotham. O nº8 dos Rebels tem realizado uma temporada bem curiosa, com 584 metros conquistados e 130 carries disponibilizados (um dos jogadores com maior % de entradas no contacto). Rápido, muito físico e “duro”, Mafi tem sido um dos poucos rebeldes a suscitar uma revolta interna… se estivesse numa equipa com outra “dimensão”, já teria, certamente, um ensaio marcada (pelo menos).

Higginbotham, por outro lado, não precisou de metade dos metros para sequer fazer ensaios (antes deste encontro possuía três) ou quebrar a linha, igualando Mafi no que toca à placagem (possuem 83% de eficácia no que toca à placagem).

Indo directamente para o duelo entre os dois, foi o 3ª linha dos Reds a sair por cima com um ensaio e assistência, para além dos 75 metros “ocupados” e um domínio total nos avançados. Mafi esteve bem, mas acabou por não conseguir “destruir” o jogo ofensivo dos Reds ou “replicar” o seu estilo enérgico e possante pelos Rebels.

Neste momento, Higginbotham é o melhor 8 australiano, com melhores números, com uma presença forte e determinante quer na formação ordenada, quer em redor do ruck, emergindo com qualidade nas situações de ataque… quatro das suas seis assistências foram em offload após uma bela quebra de linha e uma ocupação de espaço no contacto.

Vale a pena rever o Rebels-Reds, um encontro altamente emotivo, acelerado e dinâmico, ao bom estilo do rugby australiano.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter