20 Fev, 2018

All Blacks… what else? – A 1ª Ronda do Rugby Championship

Francisco IsaacAgosto 20, 20178min0

All Blacks… what else? – A 1ª Ronda do Rugby Championship

Francisco IsaacAgosto 20, 20178min0
A 1ªa ronda do Rugby Championship: os destaques do jogo, o Raio X e o Fair Play predictor!

All Blacks fazem uma entrada triunfal perante a apatia australiana; em Port Elizabeth os Springboks realizaram uma 2ª parte alta eficácia pondo fim à resistência Puma. Ryan Crotty, Rieko Ioane, Liam Squire, Beauden Barrett, Tevita Kuridrani, Israel Folau, Courtnall Skosan, Elton Jantjies, Jaco Kriel, Tomás Lavanini e Joaquin Tuculet foram as “estrelas” da Ronda 1 do Rugby Championship! Esta é à análise do Fair Play aos momentos, protagonistas e chaves-mestras dos jogos


ENTRADA DE CAMPEÕES… COM VÁRIAS DESILUSÕES! 

Os All Blacks estão imparáveis, não é verdade? Essa frase foi invocada por vários apoiantes dos kiwis pré-Lions tour, numa altura em que ninguém sonhava que a equipa dos British and Irish Lions iria fazer o impensável… conseguir um empate nas Series. Após esse momento e até ao arranque do Rugby Championship, várias questões foram sendo colocadas à selecção de Steve Hansen e até se deu “credibilidade” ao objectivo de Michael Cheika, o seleccionador da Austrália, que passava por conquistar uma vitória em casa frente aos bicampeões mundiais.

Ora, ao fim de 20 minutos de jogo, os All Blacks já ganhavam por 19-06, sem qualquer contestação. Cada vez que Ryan Crotty (autor de dois ensaios), Beauden Barrett (duas assistências e uma série de quebras-de-linha bem trabalhadas), Rieko Ioane ou Damian McKenzie (já vamos falar do supra Flash dos All Blacks) saíam para o ataque, a defesa dos Wallabies ficava em pânico, estendendo-se ao público australiano – E novamente o pensamento do são imparáveis, regressou à cabeça de todos.

Houve um ponto que  se traduziu num dos pontos chave da vitória dos All Blacks… o pânico defensivo dos Wallabies. Só na primeira parte tinham consentido 35 falhas de placagem, um número recorde nos últimos 15 anos em jogos internacionais para a selecção da Austrália. Era notório a dificuldade dos Wallabies em espalhar a defesa com seriedade e rapidez após uma 4/5ª fase de ataque dos neozelandeses, aproveitando para ir até à linha de ensaio com muita suavidade.

E por falar em “coisas” suaves, que dizer da exibição calma e exuberante de Liam Squire? O substituto de Jerome Kaino (o asa recebeu permissão para voltar para casa mais cedo, por razões extra-desportivas), foi um gigante na posição de nº6, com uma prestação que vai muito para além do ensaio (parecia um ponta a galgar terreno) e dos 115 metros com a oval na mão (no que toca à prestação defensiva, este irrepreensível com 100% de eficácia). Squire foi destruidor para os Wallabies, deu cabo de Samu Kerevi e Henry Speight (ambos com prestações falidas, com o 1º a receber a ira de Cheika sendo substituído ao intervalo), conquistando três quebras de linha, sendo o avançando com melhores números nesse sector.

Nem Jaco Kriel, o asa dos Springboks, somou melhores números na vitória dos sul-africanos na recepção aos Pumas. Aliás nesse encontro foi Siya Kolisi a ficar com o direito de “demolir”, com um ensaio, 30 metros, uma quebra-de-linha e uma série de entradas que moeram (e de que forma) uns irrequietos argentinos que voltaram a pecar na disciplina, com 12 infracções que permitiram Elton Jantjies converter três pontapés e dar o mote aos avançados dos ‘boks para avançar no terreno através de alinhamentos bem situados.

A África do Sul foi “suficiente” na primeira-parte e agigentou-se na segunda, confirmando o bom momento de forma (4ª vitória consecutiva), realizando nesses segundos 40 minutos uma exibição à campeões… algo que lhes foge desde 2009! Foi nos 8 avançados que os Springboks foram buscar a sua força, movendo-se calmamente e com assertividade no terreno, para depois soltar a oval para as suas “estrelas”, onde Courtnall Skosan se destacou, largamente, dos seus colegas.

O ponta dos Lions realizou uma exibição soberba com 75 metros conquistados, em 11 tentativas, metendo um ensaio na área de validação. Acima de tudo houve uma harmonia entre as “partes”, com a selecção sul-africana a criar boas dinâmicas (as variações no ataque, passando de picks de avançados para uma abertura rápida nas linhas atrasadas explorando os flancos) e arriscando q.b., de forma a surpreender à Argentina que acabou por se sentir “perdida” na segunda-parte.

Tanto os All Blacks como os Springboks foram “imperiais” nos seus jogos, com entradas de campeões, demonstrando que há uma divisão clara entre os vencedores e derrotados da primeira jornada.

DAMIAN MCKENZIE AO RAIO-X!

Podíamos ter escolhido Squire, Barrett, Ioane, Skosan (mas ainda o vamos mencionar!) ou Coetzee, mas o jogador escolhido para se sentar no Raio-X do Fair Play é Damian McKenzie.

Perante a pequena recaída física de Israel Dagg (estará disponível já para o jogo seguinte) e a ausência por lesão prolongada de Jordie Barrett, Steve Hansen escolheu o 15 dos Chiefs para assumir o lugar de defesa dos kiwis. Foi, sem dúvida alguma, uma opção de risco mas que há muito era pedida pela boa maioria dos adeptos que acompanharam o Super Rugby. E então, McKenzie foi uma aposta ganha ou não? Sim… com algumas reticências.

Vamos por partes… a atacar, McKenzie foi um lunático que impôs medo a Folau, Speight e Rona (dez placagens falhadas, com os pontas a realizar cinco cada), abrindo a defesa com uma facilidade que permitiu aos seus colegas de equipa terem espaço para “fugirem” pela defesa dos Wallabies a dentro. Ao todo, o defesa criou cerca de nove situações que foram transformadas em quebras-de-linha e depois em ensaios.

Não há dúvidas que é um super motor sempre ligado, sem nunca parar de procurar uma ideia ou solução de ataque para a sua equipa. Porém (e agora vem o tal “mas…”), McKenzie deixou a sua defesa exposta por três vezes, duas de quais resultaram em ensaios para os Wallabies. Uma delas foi “clara”, em que um passe seu foi facilmente interceptado por Kurtley Beale (que jogo enorme do centro). Mas isso foi um erro a atacar e não a defender.

A defender o flash dos All Blacks teve más leituras da organização ofensiva dos australianos, ficando muito na expectativa, especialmente quando Kuridrani entrou em campo. O centro massacrou a defesa dos neozelandeses e forçou McKenzie a defender mal à ponta, o que deu espaço suficiente para os Wallabies conquistarem metros e ensaios.

No jogo dos Springboks destaque para Skosan, com o ponta a realizar uma prestação de alto nível. A combinação de velocidade, técnica e cultura ofensiva do ponta garante um tónico letal para o ataque dos sul-africanos, que agora tem outra capacidade para infligir dano nas defesas contrárias. Para além disso, Skosan combina com excelência com Andries Coetzee e Raymond Rhule, uma tripla que somou 185 metros com a oval nas mãos, dois ensaios, sete quebras-de-linha e catorze defesas batidos.

BLEDISLOE JÁ RESOLVIDA? E SPRINGBOKS CONSEGUIRÃO REPETIR NAS PAMPAS?

Duas perguntas a serem respondidas já na 2ª ronda da competição… e na qual o Fair Play antecipa-se na sua resposta.

Sim, os All Blacks vão conquistar a vitória já na segunda ronda em Dunedin, no Forsyth Barr Stadium, casa dos Highlanders. O blitz (quando alguém ou uma equipa conseguem ganhar por uma larga vantagem, bastante desnivelada) da primeira-parte dos All Blacks prova que os bicampeões mundiais estão no ponto. É verdade que os Wallabies passaram de uma desvantagem de mais de 40 pontos para uma de 20, mas isso foi resultado de tirarem o “pé do acelerador” e levarem a segunda-parte com calma, arriscando em algumas jogadas mais perigosas (uma delas deu a intercepção de Folau).

Para a segunda pergunta… é um sim também. Os Pumas estiveram na toada até aos 65 minutos, altura em que a boa sucessão de fases dos Springboks resultaram no ensaio de Kolisi. Creevy, Lavanini, Landajo, Tuculet deram o tudo por tudo, foram até ao seu limite mas de nada lhes valeu a prestação valorosa, já que os ‘boks estão em melhor forma, com uma equipa mais forte e capaz.

Austrália-Nova Zelândia: Highlights | Jogo Todo

África do Sul-Argentina: Highlights | Jogo Todo 


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