20 Nov, 2017

“Advogados” perdem Supertaça Ibérica no(s) detalhe(s)

Francisco IsaacJaneiro 15, 20179min2

“Advogados” perdem Supertaça Ibérica no(s) detalhe(s)

Francisco IsaacJaneiro 15, 20179min2

Uma boa exibição dos campeões nacionais em título não bastou para saírem de Valladolid com uma vitória na Supertaça Ibérica. A falta de eficiência nas formações ordenas, a ausência de “paciência” e consistência nos dez minutos finais possibilitaram a reviravolta do El Salvador. Duarte Diniz, Salvador Palha, Nuno Sousa Guedes e José Vareta os destaques do GD Direito.

Os “advogados” do GD Direito e os “chamizos” do Club de Rugby El Salvador, campeões de Portugal e Espanha em 2016 respectivamente, jogaram um dos encontros mais importantes da temporada: a Supertaça Ibérica.

Uma competição de prestígio, honra e que realizou a sua 37ª edição, hoje dia 15 de Janeiro de 2017. Direito e El Salvador partiram para este jogo com 4 competições ganhas (destaque para os “advogados” que têm tido um certo domínio no século XXI, com as quatro conquistas a realizarem-se em 2000, 2003, 2013 e 2015, com esta última a ter sido realizada em Janeiro de 2016)… no final do dia, uma das equipas ia ascender como a mais vitoriosa de sempre na Península Ibérica.

Pelo GD Direito alinharam:

1 Francisco Bruno 2 Duarte Diniz 3 Bruno Raposo 4 Luís Sousa 5 Gonçalo uva 6 Vasco Fragoso Mendes  7 Salvador Palha 8 Vasco Uva 9 Pedro Leal 10 Luís Salema 11 José Vareta 12 José Luís Cabral 13 Manuel Vilela 14 Pedro Silvério 15 Nuno Sousa Guedes;

Suplentes: 16 Delfim Sany 17 Francisco Tavares 18 João Correia 19 João Granate 20 Salvador Águas 21 Pedro Rosa 22 João Dias 23 João Maria Palhavã

Já pela equipa espanhola do El Salvador “Silverstone” figurou o seguinte XV:

1 Leandro Wozniac 2 Daniel Marron 3 Andrés Alvarado; 4 Fernando González 5 Michael Walker 6 Matthew Foulds 7 Gerrardo de La Lallana 8 Joe Samuelu; 9 Juan Ramos 10 Hansie Graaff; 11 Jean Ives Zebango; 12 Antoine Sánchez 13 Jonathon Carter; Raphäel Blanco e Thomas Pearce

Com os regressados Vasco Uva e João Correia (sofreram lesões graves no final da temporada transacta), a equipa de Francisco Aguiar entrou com “tudo” para dentro de campo como provava o seu domínio durante os primeiros 10 minutos de jogo.

Os lisboetas transmitiam uma boa confiança no carregar a oval, assim como uma execução imaculada nos alinhamentos ou nas saídas de ruck. Vasco Uva com duas “esgueiradas”, conseguiu pôr a equipa de Valladolid a correr para trás e a defender de forma menos clara.

Aos 10′ e 14′ Nuno Sousa Guedes chamou a si a responsabilidade de converter as penalidades e, com calma, meteu a bola entre os postes. 6-0 à passagem dos 15 minutos eram um prémio justo para a equipa que melhor entrou na contenda.

Porém, o El Salvador esperou o seu momento para ir aos postes pela 1ª vez no jogo, também através de uma penalidade, por falta por fora-de-jogo defensivo da linha de defesa do GD Direito.

Era nestes aspectos que a equipa portuguesa não podia claudicar, uma falta de atenção ia ser explorada pelo campeão espanhol… neste caso, tudo começou por demasiado espaço concedido no e pós alinhamento, que resultou na tal penalidade após a 3ª fase.

Os advogados aos 20′ dispuseram de uma oportunidade clara para ir à área de validação, mas uma má decisão de equipa (tentativa de drop de Luís Salema quando estavam a 5 metros da linha de ensaio) impediu que somassem o primeiro ensaio do jogo.

O El Salvador marcou o pontapé de 22′, saiu a jogar e equilibrou a “balança”.

Pouco depois após uma fuga de Jonathon Carter, a equipa espanhola colocou pressão na defesa do GD Direito e chegou até aos 5 metros finais do Direito. Nova formação ordenada, os espanhóis superiorizaram-se e arrancaram para um ensaio de Joe Samuelu e conversão de Hansie Graaff.

Venha a “calma e bonança” durante 40 minutos

O Direito voltou à carga, com José Vareta a conseguir quebrar a linha de defesa pelo flanco, conseguindo encontrar Vasco Uva que por pouco não conseguiu um offload para Luís Sousa que poderia ter resultado em outro tipo de lance.

Manteve-se a pressão dos “advogados” na busca de um ensaio de reviravolta, com uma boa entrega da avançada onde Duarte Diniz realizava uma das melhores exibições dentro de campo.

Nova conversão de penalidade por Sousa Guedes davam um 10-09 a favor do El Salvador… que viria a voltar a meter a distância de 4 pontos com um drop de 40 metros de Graaff, após conquista de bola no reinício de jogo.

Antes do final da primeira parte, Sousa Guedes voltou a converter mais um pontapé e a separação de um ponto só demonstrava a intensidade que se “vivia” no jogo.

Os “advogados” pouco defenderam, tendo uma maior percentagem de posse de bola e domínio no território, todavia a ausência de quebras de linha ou aproveitamento das poucas que tiveram não resultaram em ensaios. Sousa Guedes, José Vareta e Duarte Diniz apresentaram-se no seu melhor, com uma série de lances e momentos de grande enfoque.

First blood de El Salvador (Foto: A. Mingueza)

Do lado do El Salvador, destaque para a frieza, “crueldade” e eficácia do seu ataque, que sempre que passou os últimos 40 metros, conseguiu pontos. Não precisaram de efectuar muitas fases para ter “direito”

Com o vento a favor, o Direito subiu no terreno com outra velocidade, sendo necessário agora aproveitar todos os erros do El Salvador para chegarem aos postes. Uma penalidade na formação ordenada (a favor dos campeões de Espanha) obrigou os lisboetas a recuar num primeiro momento, para depois recuperarem a oval já dentro dos seus 22 metros… estava a ser um jogo com alguns erros de parte a parte.

O nervosismo e falta de paciência estavam a toldar as decisões de ambas as formações, que dispuseram de boas oportunidades para chegar a terrenos mais avançados, como foi o caso do GD Direito aos 45′.

Domínio e lei de jogo dos “advogados”

Quando o cronómetro batia os 48′ minutos chegou um dos momentos do jogo: entrada de José Vareta no flanco esquerdo, com um bom apoio de Luís Sousa e Pedro Silvério, possibilitou uma perfuração que foi bem aproveitada e após um belo offload no limiar de sair do campo de Luís Sousa, deu o ensaio a Salvador Palha. Conversão de Sousa Guedes (irrepreensível) para meter o resultado a favor dos portugueses: 19-13!

O domínio do Direito era, no mínimo, evidente perante um El Salvador que não conseguia manter a bola sobre seu controlo e que sempre possível apostava num pontapé para “sacudir” a pressão… os “advogados” agradeciam porque iam trocando a bola com eficácia (Pedro Leal conseguiu meter alguma “água na fervura”, impondo paciência e controlo nas movimentações de ataque) e ocuparam os últimos dez metros de terreno.

Nas “asas” de Sousa Guedes (Foto: (Foto: A. Mingueza)

Um amarelo para Wozniac aos 57′, ia tirar algum poder de “fogo” na formação ordenada que o Direito tinha de aproveitar para garantir mais pontos e distanciar-se no marcador. Já só faltavam 20 minutos para o término do encontro e os “advogados” mantinham o controlo do terreno, tempo e marcador… Sousa Guedes volta a converter nova penalidade e eleva o jogo para 22-13.

O El Salvador estava com problemas em usar o seu trio de trás, que estava muito longe das incidências, o que garantia uma certa “paz” à equipa do Direito. Aos 67′ chegou ensaio de penalidade para os espanhóis (pelo nº8 Samuelu), que após novo domínio na formação ordenada e falta dos lisboetas, o árbitro não teve escolha senão a dar os tais 5 pontos por falta.

A partir daqui o encontro “virou” por completo… os campeões espanhóis superizaram-se, cresceram e mantiveram uma “dose” de ataque bem vincada, aproveitando o regresso ao nervosismo por parte dos “advogados”, que tiveram um par de decisões contestáveis e que acabaram por manchar uma boa exibição… novo ensaio do El Salvador que em três fases volta à área de validação.

Reviravolta do El Salvador e ponto final no “sonho”

27-22, o jogo estava pelas “costuras”, o Direito precisava de algo mais para chegar ao ensaio, um rasgo de génio de Sousa Guedes ou uma entrada a “matar” de Vilela Pereira… infelizmente, para a equipa de Monsanto, esse momento nunca chegou e após 15 fases consecutivas perdem a bola no chão. Penalidade, bola para fora e fim de jogo.

O El Salvador chega à “mão cheia” de títulos Ibéricos, ocupando, agora, o 1º lugar da hierarquia peninsular. O Direito teve o controlo de jogo durante setenta minutos mas acabou por não aproveitar o amarelo de Wozniac para aumentar o seu pecúlio.

Duarte Diniz, para o Fair Play, obtém o prémio de MVP do jogo com partilha com Nuno Sousa Guedes. O primeiro fez um trabalho excelente no jogo corrido e nos alinhamentos, com uma intensidade “agressiva”, dinamismos de qualidade e uma entrega absoluta na hora de ganhar aqueles metros “fechados”.

Já o número 15 parece estar de volta às exibições de classe, tendo espalhado algum “terror” na defesa do El Salvador, que mereciam mais apoio dos seus colegas. Para além disso, só falhou uma penalidade nas seis penalidades que dispôs em todo o encontro.

Do lado do El Salvador destacar a excelente exibição da sua primeira linha, onde Andrés Alvarado foi uma autêntica “rocha com motor” na formação ordenada, alinhamentos e na condução de bola no contacto curto. O nº8 samoano Joe Samuelu foi outro dos grandes destaques dos espanhóis, a liderar com excelência o pack avançado dos “chamizos”.

Uma exibição de qualidade, com vários caprichos ofensivos e uma qualidade defensiva satisfatória (pedia-se algo mais no 3º ensaio do El Salvador, já que a defesa dos “advogados” nunca conseguiu parar a manobra dos espanhóis) que pecou nas formações ordenadas (6 perdidas, uma delas dá direito a ensaio de penalidade) e na última perfuração e decisão.

El Salvador es el campeón! (Foto: A. Mingueza)


2 comments

  • Luis Abreu

    Janeiro 16, 2017 at 2:08 pm

    Super taça? não será apenas Taça Ibérica?

    Reply

    • Francisco Isaac

      Janeiro 16, 2017 at 2:15 pm

      Caro Luís,

      Obrigado pelo comentário. O uso da nomenclatura Supertaça advém de ser uma competição só disputada por dois campeões, não existindo qualquer fase de eliminatória com mais equipas como acontecem com as demais Taças Nacionais/Internacionais.

      Porém, na busca quer nos sites dos clubes ou wikipedia (convido a deitarem um olho, porque têm informação mais “séria” do que tinham há uns anos atrás) encontramos só Taça Ibérica ou Copa Ibérica.

      Foi uma opção minha e que já tinha ouvido antes. Quando descobrir um link que ajude a defender a minha tese aqui deixo em comentário.

      Até uma próxima,

      Francisco Isaac

      Reply

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