24 Nov, 2017

A um passo de serem Lobos… os sub-20 de Portugal!

Francisco IsaacDezembro 18, 201615min0

A um passo de serem Lobos… os sub-20 de Portugal!

Francisco IsaacDezembro 18, 201615min0

Muito destacamos os nossos sub-18 do rugby Nacional, que já nos habituaram a conquistas internacionais. Mas, desta feita falamos dos sub-20, os jogadores que mais perto estão de chegarem do estatuto de Lobos. A preparação para o Campeonato da Europa e U20 Championship, as caras, os técnicos e o sentimento por representar Portugal aqui no Fair Play

Os sub-20… categoria que ultima os atletas que vão dentro de pouco tempo vestir a camisola da Selecção Nacional de séniores. É o fim do caminho enquanto jogadores de formação, é aquele momento em que todas as suas qualidades e “tenra” experiência culminam no seu último estágio de desenvolvimento. Em 2016/2017 uma das selecções mais promissoras de sempre , subirá aos “palcos” internacionais para demonstrar que o desenvolvimento, treino e conquistas, adquiridas durante os anos como sub-18, estão ainda presentes e mais desenvolvidas do que nunca.

Luís Pissarra e João Pedro Varela, técnicos desta valorosa e valiosa selecção de sub-20, vão guiar os jovens atletas em direcção ao Campeonato da Europa da categoria, a realizar-se em terras distantes da Polónia, mais em concreto em Poznan. Neste artigo vamos falar em três secções distintas: entrevista com um dos treinadores, Luís Pissarra; destacar alguns dos atletas que devem seguir com mais atenção (alertamos que deveriam seguir todos os jogadores, uma vez que são a “nata” do rugby português); e informações dos jogos que se vão realizar nesta semana que antecede o Natal.

fpLuís Pissarra qual é a expectativa para esta semana de estágio/jogos que vai decorrer?

LP: Acima de tudo unir o grupo, uma vez que temos tido grande dificuldade em juntar todos os jogadores, não só pelas lesões e actividade dos clubes que limitam muito a disponibilidade para fazer mais um treino durante a semana, bem como pela impossibilidade de ter os atletas que não estão em Lisboa para participar nos treinos da equipa.

Como é óbvio pretendemos ainda estabelecer regras e implementar o sistema de jogo.

fpO grupo é um dos mais fortes dos últimos anos da Selecção de sub-20? O que é que as pessoas devem ter em atenção?

LP:Se é um grupo dos mais fortes ainda não posso dizer, porque o grupo ainda não existe, nem teve, ainda, oportunidade de ser montado, mas existem alguns jogadores, que têm condições de estar nesta equipa que já passaram por várias experiências internacionais, não só como sub18, mas de nível de topo, como o circuito mundial de sevens, treinos da selecção de XV e mesmo internacionais XV.

No entanto existem algumas lacunas, já habituais no rugby português…. escassez de jogadores da 1ª linha, e na 3ª linha (menos frequente)

No entanto, é uma equipa que tem atletas de bom nível que têm evoluído muito bem ao nível das selecções jovens e esta selecção será mais uma etapa com o objectivo de criar futuros lobos…. e esse é o grande objectivo!!

fpAchas que tem sido importante a inclusão de mais de metade destes jogadores em equipas seniores da Divisão de Honra? Qual é a diferença que pode fazer nos jogos?

LP: Esse é o ponto mais positivo de todos, a existência de alguns atletas que são titulares ou que jogam regularmente nas primeiras equipas dos seus clubes. Esse facto dá-lhes ( e à selecção) muito mais ritmo competitivo que será benéfico para todos.

No entanto acho que esse aspecto se deve, não só à sua qualidade mas também ao facto de haver, em grande parte dos clubes, uma taxa de abandono de atletas mais velhos (por várias razões, familiares, profissionais) que abrem as oportunidades aos mais jovens.

fpComo será o trabalho dos sub-20 de Dezembro até ao U-20 Championship em Maio?

LP:O championship será em fim de Agosto….. Segundo me foi transmitido! O campeonato da Europa em fim de Março (que irá ditar a participação no U-20 Championship ou Trophy).  Após este estagio vamos diminuir o numero de atletas no grupo (a ideia será começar a trabalhar com cerca de 35 jogadores) até ao campeonato da Europa, onde iremos disputar o acesso ao trophy/championship.

Pretendemos manter os treinos de 4f no EN, com carácter regional, bem como às 2f, no Porto para os atletas do Norte. Temos agendados 2 estágios, um no período do Carnaval e outro nas vésperas do campeonato de Europa!

Após o campeonato da Europa a ideia será dar folga da selecção aos atletas praticamente até ao fim do campeonato e voltar os treinos em fins de Maio/Junho de forma mais regular e, em Agosto apertar com a preparação! O aspecto que nos levanta alguma preocupação é a escassez de jogos de preparação que estão disponíveis até ao momento….. este será um ponto a trabalhar afincadamente!

fpQuais são os vossos objectivos para 2017? E quais são as vossas preocupações na evolução destes atletas?

LP: Em primeiro lugar preparar da melhor forma o máximo numero de atletas para serem incluídos no grupo sénior nacional a curto prazo.

A melhor preparação possível passa por elevar o nível competitivo e possibilitar experiências de jogo e internacionais de topo e, para isso pretendemos jogar com as melhores equipas possíveis, para tal, vamos ter um campeonato da Europa duro, onde vamos ter de chegar a final e ganhar para poder atingir o trophy, onde encontraremos equipas muito fortes com culturas diferentes que podem proporcionar não só uma experiência inesquecível, mas principalmente uma evolução no nosso nível rugbistico.

Lembro que o último grupo que participou no trophy, em Lisboa, em 2014, tem uma grande representação de atletas no XV nacional.

A preocupação passa muito por chegar, não só a um equilíbrio com a vida competitiva nos clubes, e respeitar os períodos de descanso/recuperação, mas principalmente por criar, para além dos treinos de campo da equipa, jogos de preparação competitivos que nos permitam criar as ligações e ritmo de jogo como equipa.

fpConcordas que, em termos de sub-20, a diferença de nível entre Portugal e selecções como a Geórgia, Rússia, Fiji, diminui nos últimos anos? Há alguma explicação fácil para esse facto?

LP: Concordo completamente que o desnível entre Portugal e os países que referes, a este nível,  não é tão acentuado como a partir daqui, e não tenho dúvida que isso se deve ao carácter amador deste desporto no nosso país.

Até esta fase os nossos jovens atletas têm uma vida académica que, com maior ou menor dificuldade lhes permite organizar o plano desportivo e académico de forma a dedicarem tempo ao treino e preparação das competições. Neste escalão competimos de forma muito mais próxima com as potências mundiais.

A partir desta faixa etária é que o desnível se acentua….. a procura de jogadores das nações mais periféricas para serem “profissionalizados” nos campeonatos francês e inglês é enorme e, juntamente com o apoio das federações nacionais, os jogadores destas nações assinam contratos que lhes permite evoluir nos campeonatos mais fortes e os reflexos surgem nas selecções seniores!

Na nossa realidade, os nossos jovens atletas entram nas universidades, criam outros objectivos nas suas vidas, iniciam vidas profissionais que são cada vez mais exigentes e o rugby acaba por ficar prejudicado por estas decisões importantes!

A verdade é que os nossos jogadores não são tão assediados pelos clubes de topo como os de outras nações hierarquicamente acima de nós, mas acima de tudo, acho que a evolução nestes campeonatos, com tudo a que isso obriga,  não é um objectivo que atraia os nosso atletas, por várias razões.

fpPara ti qual é o maior desafio que te espera para 2017?

LP: Acima de tudo, mais do que as questões técnicas ou estratégicas do jogo, aquilo que mais me desafia e me leva a estar neste escalão é o tentar incutir nos atletas o gosto pelo compromisso, pelo trabalho, pelo espírito de grupo, pela organização pessoal e pela vontade em chegar à selecção sénior com bons valores e que façam dos jogadores melhores indivíduos num grupo, porque a partir daí tudo vai aparecer.

Luís Pissarra (Foto: Miguel do Carmo Fotografia)

Depois da breve, mas sumarenta, conversa com um dos seleccionadores, ficamos a perceber que as dificuldades em unir  o grupo são “imensas” e que obrigam a um grande esforço, sacrifício e paciência quer da equipa técnica quer dos jogadores. No entanto, há um espírito positivo e uma ambição a bater forte entre todos os envolvidos nos sub-20 nacionais, tendo o Fair Play escolhido quatro atletas a manter debaixo do vosso “olho”.

JORGE ABECASSIS
Posição: Defesa/Abertura
Idade: 19
Clube: CDUL
Selecções: Sub-18

Um estratega, visionário e minucioso jogador, Jorge Abecassis tem ganho o seu espaço no CDUL, uma equipa que tem potienciado e lançado várias “estrelas” na Divisão de Honra e Selecção Nacional. Um autêntico perigo com espaço, o nº10/15 do CDUL já tem feito várias aparições no campeonato Nacional de séniores, com algumas jogadas de cortar à respiração. A abertura traz toda uma dinâmica e ritmo que pulsa “sangue” constante ao ataque, obrigando à sua equipa manter um rendimento físico muito alto. Não é um placador por natureza, não deixando de ser uma “peça” importante na gestão da linha de defesa ou na comunicação de tarefas. O CDUL tem apostado no jovem para assegurar a camisola mítica de nº10 (usada quer pelo já retirado Pedro Cabral ou do regressado Nuno Penha e Costa) ou garantir estabilidade e virtuosismo na posição de defesa.

O novo “mágico” (Foto: Luís Cabelo Fotografia)

GONÇALO PRAZERES
Posição: Formação/Abertura
Idade: 19
Clube: AIS Agronomia
Selecções: Sub-18/Sub-20

A novidade em 2016/2017 no XV dos agrónomos de Frederico Sousa, Gonçalo Prazeres tem sido o grande detentor da camisola 9 na equipa principal dos vencedores da última edição da Supertaça. Foi precisamente nesse jogo que Prazeres alcançou o seu primeiro ensaio nesta temporada, com uma fuga após um ruck, demonstrando todas as características que um formação deve ter: inteligência, velocidade e “manha”. Uma surpresa da Tapada da Ajuda, o jogador formado em Évora, tem sido uma autêntica “rocha” no quinze verde e branco, pois tem evidenciando uma qualidade de jogo intensa e apaixonada. Num clube marcado pela passagem de Luís Pissarra (nº9 por mais de 15 anos da Agronomia), Gonçalo Prazeres parece ser uma das certezas do futuro dos homens da Tapada. A inserção do 9 no desenho táctico dos sub-20 pode garantir um fluxo de jogo intenso, “agressivo” e fluído.

A famosa camisola 9 (Foto: João Peleteiro Fotografia)

JOSÉ LUÍS CABRAL
Posição: Centro
Idade: 19
Clube: GD Direito
Selecções: Sub-18/20

Em 2015, José Luís Cabral foi uma das grandes figuras dos sub-20. Aquele jogo “enorme” frente às Fiji ficou marcado na memória do rugby português de formação. Um centro físico, é um dínamo quase impossível de ser parado na primeira placagem, ultrapassando com vigor a linha de defesa, apostando na sua agilidade para ganhar o espaço suficiente para criar uma situação de ensaio iminente. Porém, é na defesa que devem ter particular atenção ao centro… a sua agressividade física impõe placagens “duras” que marcam o ataque adversário ao ponto de conseguir garantir uma situação de turnover para a sua equipa (a placagem que “meteu” ao nº10 das Fiji em 2015 em “estado de choque”). José Luís Cabral é um jogador disciplinado, paciente e que sabe garantir o melhor para a sua equipa, mesmo que isso implique sacrificar o “seu” jogo em prol do que a equipa precisa… o típico atleta do GD Direito. Talhado para ser um líder dentro de campo, o centro vai “marcar” esta selecção sub-20 mais uma vez.

Cabral, o físico dos “advogados” (Foto: João Peleteiro Fotografia)

NUNO MASCARENHAS
Posição: Talonador
Idade: 18
Clube: GDS Cascais
Selecções: Sub-18

A grande surpresa no quinze de Tomaz Morais na Guia… Nuno Mascarenhas “roubou” o lugar de nº2 do Dramático de Cascais e agora caminha para ser uma das figuras dos avançados da selecção de sub-20. Um autêntico “carro de combate”, o talonador aguenta o choque físico que é alvo formação ordenada após formação ordenada, evidenciando um “fome anormal” por garantir metros, evidenciando o espírito que os avançados portugueses devem ter. Numa época que está a ser inesquecível, Mascarenhas vai poder demonstrar que é um dos futuros a nível Nacional, ombreando pelo lugar de talonador – no futuro – com Duarte Diniz, do GD Direito. Para além de placar com raça, o nº2 de 18 anos sabe ter a oval na mão, provando qu há um trabalho de ponta a nível técnico para os lados da Linha de Cascais. Será dele (e da restante primeira-linha) a responsabilidade de garantir princípio de jogo para os sub-20, uma vez que a introdução de bola no alinhamento, o garantir da mesma na formação ordenada ou o apoio sistemático às fases de ataque terá o seu “cunho” de responsabilidade.

Mascarenhas no meio da contenda (Foto: Crocodilo Azul Fotografia)

Há muitos mais atletas a destacar e a seguir, mas para a primeira convocatória (em anexo) seleccionámos estes 4 jogadores que têm despontado no campeonato Nacional com ensaios (José Luís Cabral marcou na final da Taça em 2016 por exemplo), jogadas de risco e de classe (Abecassis frente ao GD Direito teve uma saída de “génio”), entrega e sacrifico (Mascarenhas no jogo frente à Agronomia foi um lutador nato na formação ordenada) e com uma inteligência e visão de jogo (Prazeres tem sido um dos “cérebros” dentro das 4 linhas da Tapada) que fazem Portugal ter boas perspectivas para o seu futuro.

Destacar, ainda, alguns nomes de jogadores que em 2016 eram sub-18 e agora surgem na selecção sub-20: os capitães de então, João Fezas Vital e Duarte Costa e Campos (cresceram fisicamente e mentalmente os dois, detonando-se um trabalho em crescendo de ambos), Manuel Cardoso Pinto (o “fantasista” continua a “assolar” defesas adversárias com a sua qualidade técnica e alegria de jogar), Manuel Peleteiro (será interessante ver se o segunda-linha “domina” as alturas), entre outros.

Vão poder ver Portugal a jogar na 2ª feira, 19 de Dezembro, no Brown’s (este centro de estágios no Algarve tem sido uma das “casas” do rugby e muito merece o agradecimento da comunidade nacional) frente ao Methodist College de Belfast (Paddy Jackson, Craig Gilroy ou Paul Marshall estudaram e jogaram pelo Methodist tendo dado o salto para o Ulster pouco depois) às 13:00. Segue-se um treino em Lisboa na 3ª feira e novo jogo na 4ª frente à selecção de sub-18, com hora a confirmar, naquilo que será um desafio entre os vários futuros de Portugal.

O rugby português é bem mais que a Selecção principal (de destacar as três vitórias em três jogos neste final de 2016, demonstrando que já há um “renascimento” dos Lobos), uma vez que serão estes sub-20 os vossos próximos membros de uma Alcateia que quer crescer e voltar a surpreender o Universo da Oval. Podem aceder à convocatória aqui.

O capitão de então..e o de agora? (Foto: João Peleteiro Fotografia)


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