16 Dez, 2017

5ª etapa do World Series – Las Vegas

João DuarteMarço 8, 201712min0

5ª etapa do World Series – Las Vegas

João DuarteMarço 8, 201712min0

Este fim de semana, de 3 a 5 de março teve lugar em Las Vegas a quinta etapa do circuito mundial de Sevens da World Rugby. Um torneio repleto de ação com 45 jogos que nos fazem ficar colados ao ecrã a ver qual será a próxima grande finta ou jogada, distribuídos pelos 3 dias desta 5ª etapa do HSBC Sevens World Series.

A África do Sul venceu o torneio em Las Vegas, desta vez encontrando as Ilhas Fiji na final e acabando por vencê-las, adicionando 3 pontos à vantagem que já trazia no ranking das anteriores etapas. A Inglaterra que era segunda classificada, nem se conseguiu qualificar para as meias-finais da Cup e acabou por descer à terceira posição do ranking, deixando os sul-africanos com uma vantagem de 26 pontos à sua frente e 24 pontos em à frente das Fiji.

Como “Wild Card” participou o Chile pela primeira vez esta época, tendo sido a segunda participação num torneio do World Series.

Uma vez que a etapa estava distribuída em três dias, no primeiro iríamos ter as duas primeiras jornadas da fase de grupos, no segundo a última jornada da fase de grupos e os oitavos de final da Cup e da Challenge, sendo que no último teríamos as restantes fases de apuramento e as respetivas finais.

Dia 1 – País de Gales e Escócia desiludem

As surpresas iriam começar logo no segundo jogo com um Austrália-Escócia a aquecer e entusiasmar os amantes do rugby e em particular dos sevens.

Se a Escócia tinha começado melhor, vencendo ao intervalo por 7-14 e dilatando o resultado para 7-21 no início da segunda parte, a Austrália por sua vez começou a aquecer nos últimos minutos de jogo e marcou dois ensaios através de Lachie Anderson para empatar o jogo em 21-21 a escassos segundos da buzina que dita o final do tempo de jogo.

O árbitro concedeu ainda uma última jogada, denominada “bola de jogo”, onde os australianos aproveitaram para selar a vitória final por 28-21 com um ensaio do veterano Edward Jenkins.

No sétimo jogo do dia a França iria “despachar” o País de Gales, vencendo por 7-33 num jogo que se previa ter algum equilíbrio.

Já no décimo primeiro jogo e algo que não é costume acontecer, a Argentina e o Quénia iriam empatar 14-14. Na primeira parte o Quénia começou melhor, impondo o seu poderio físico, mas a Argentina respondeu logo com dois ensaios antes do intervalo.

Na segunda parte o Quénia empatou logo aos dois minutos o jogo e a partir daí nenhuma equipa teve capacidade para chegar à área de validação e desempatá-lo.

A última surpresa do dia seria a vitória do Canadá sobre o País de Gales, que com duas derrotas em dois jogos realizados perdia a esperança de se qualificar para os quartos-de-final da Cup pela segunda vez esta temporada.

O Canadá começou melhor, mas na segunda parte o País de Gales até deu a volta ao resultado, tendo estado a vencer por duas vezes, acabando depois por perder na bola de jogo com um ensaio convertido de Fuailefau.

Fuailefau in great shape (Foto: World Rugby)

Dia 2 

O segundo dia começou com a última jornada da fase de grupos que iria determinar as equipas que iriam disputar a Cup e a Challenge.

Nesta fase tivemos apenas duas surpresas, a vitória da Argentina sobre a Nova Zelândia e a vitória do Canadá à França.

No primeiro, a Argentina fez uma primeira parte sem grandes falhas e pôs-se na frente do marcador com dois ensaios e uma conversão, na segunda parte foi a vez da Nova Zelândia responder com dois ensaios, com duas conversões falhadas, que podiam ter dado a vitória aos all blacks.

No Canadá-França, assistiu-se a uma primeira parte sem soluções ofensivas para marcar pontos por parte de ambas as equipas, tendo os canadianos chegado ao primeiro ensaio da partida no último minuto antes do apito para o intervalo. Na segunda parte o Canadá não quis abrir mão do jogo e marcou mais dois ensaios no último minuto para garantir a vitória e a qualificação para os quartos-de-final da Cup.

Terminada a fase de grupos era altura de emparelhar as equipas para a fase seguinte.

Do grupo A seguiram para a disputa da Cup a África do Sul com 3 vitórias e com alguma surpresa o Canadá, depois das vitórias sobre a França e o País de Gales. Para a Challenge seguiam assim a França e o País de Gales.

Do grupo B e como esperado seguiam para a Cup a Inglaterra e os Estados Unidos com 3 e 2 vitórias respetivamente. Nos quartos-de-final da Challenge iríamos encontrar a Samoa e o convidado Chile.

A Argentina era o líder do grupo C, depois de vencer com surpresa a Nova Zelândia, que seguia juntamente com os argentinos para a Cup. O Quénia e a Rússia iriam disputar a Challenge.

No grupo D eram as Fiji e a Austrália a assumir a liderança e consequentemente a preencher as últimas duas vagas na Cup. Em sentido contrário seguiam a Escócia e o Japão para disputar a Challenge.

Baker celebrates the passage to quarter finals! (Foto: World Rugby)

Consulte as tabelas em: https://goo.gl/3fSGRI

Quartos-de-final da Cup:

África do Sul vs. Austrália

Argentina vs. Estados Unidos

Fiji vs. Canadá

Inglaterra vs. Nova Zelândia

Quartos-de-final da Challenge

França vs. Japão

Quénia vs. Chile

Escócia vs. País de Gales

Samoa vs. Rússia

Nos jogos dos quartos-de-final da Challenge não houve surpresas, mas houve dois jogos equilibrados.

A França ganhou como era de esperar ao Japão por 24-14, com o estreante em etapas do World Series Alexandre Lagarde a marcar dois ensaios.

O Quénia depois de estar a vencer 21-0 na primeira parte acabou por sentir dificuldades contra um Chile que quase levou o jogo para prolongamento, mas falhou uma conversão.

No Escócia-País de Gales, os galeses conseguiram fazer uma melhor primeira parte assumindo a liderança da partida em 14-21 ao intervalo, na segunda parte a Escócia não quis piorar ainda mais a prestação nesta etapa do World Series, acabando por marcar dois ensaios por intermédio de Jamie Farndale e Dougie Fife que bisavam na partida e garatiam a vitória por 28-21.

No último jogo dos quartos-de-final da Challenge, a Samoa garantia a última vaga nas meias-finais e a certeza de que iria conseguir amealhar mais pontos que a Rússia na luta pelos últimos lugares do ranking geral, ao vencer os russos por 31-7.

Nos quartos-de-final da Cup as emoções aumentavam e os jogos eram cada vez mais empolgantes, deixando nos adeptos grandes expetativas para o último dia.

O jogo da África do Sul-Austrália foi muito equilibrado, com Lachie Anderson a somar mais um ensaio à sua conta pessoal, respondido por outro de Ruhan Nel que empatou a partida antes do intervalo.

Na segunda os africanos marcaram primeiro, mas a Austrália conseguiu responder e passar para a frente com uma conversão a mais no marcador. No penúltimo minuto de jogo foi Rosko Specman a dar a vitória à África do Sul e a permitir a passagem para as meias-finais da Cup.

No segundo jogo a Argentina começou melhor e ao intervalo vencia por 14-0, dilatando o marcador para 19-0 no início da segunda parte.

Mas os Estados Unidos a jogar em casa não quiseram desiludir o seu público e foram atrás do resultado, marcaram três ensaios em quatro minutos, dois dos quais através de Maka Unufe e conseguiram garantir a passagem às meias-finais da prova, vencendo por 19-21.

No Fiji-Canadá, as Fiji venceram com alguma facilidade o Canadá, que ao intervalo perdia já por 21-5, tendo o jogo terminado nos 31- 12 favoráveis aos campeões mundiais e olímpicos.

No último jogo do dia, haveria uma pequena surpresa com a Nova Zelândia a não dar chances à Inglaterra de marcar pontos e a vencer por 0-19 com dois ensaios de Tim Mikkelson na segunda parte do jogo.

Dia 3 – Dia das decisões

No último dia do torneio iriam disputar-se as meias finais, as respectivas finais e os jogos pelos lugares intermédios na etapa.

Nas meias-finais para a disputa do 13º lugar o Japão venceu facilmente o Chile por 24-7 e o País de Gales, que estava a realizar uma prestação do torneio abaixo do normal, venceu como era de esperar a Rússia por 24-5.

Nas meias-finais da Challenge tínhamos um França-Quénia e apesar do equilíbrio da primeira parte, seria o Quénia a levar a melhor com um ensaio no penúltimo minuto de jogo marcado por Collins Injera.

A outra vaga na final da Challenge iria ser ocupada pela Samoa que venceu a Escócia por 0-24, confirmando a má prestação da Escócia no torneio.

Nas meias-finais para a disputa do 5º lugar a Austrália venceu a Argentina por 14-0 e a Inglaterra venceu por 5-12 o Canadá, marcando encontro com a Austrália no jogo pelo quinto lugar.

Seguiam-se as meias-finais pela vitória na etapa e a conquista da taça mais importante, a Cup.

Os Estados Unidos defrontaram a líder do circuito e até começaram a ganhar por 12-0, ao que a África do Sul prontamente respondeu com dois ensaios. Na segunda os africanos marcaram outros dois ensaios e ainda houve tempo para os americanos reduzirem o marcador para 20-17, ficando ainda assim afastados da final do torneio.

Na outra meia-final as Fiji ganharam à Nova Zelândia, num jogo que os all blacks estiveram a vencer por 0-14 com um ensaio de penalidade, mas que acabaram por perder por 19-14.

Chegámos aos últimos jogos da etapa que iriam determinar as classificações finais da mesma.

Na disputa pelo 13º lugar o País de Gales acabou por vencer o Japão, que apesar de tudo deu luta e até esteve a vencer por 19-14 a 3 minutos do final da partida, tendo sofrido o ensaio da derrota por 19-21.

No jogo de disputa pela taça secundária, a Challenge, o Quénia garantia a vitória frente à Samoa, colocando-se na frente do marcador ao intervalo por 14-0 e selando a vitória por 21-14 no último minuto de jogo por intermédio de Andrew Amonde, depois da Samoa ter chegado a empatar a partida.

Pelo quinto lugar defrontaram-se a Austrália e a Inglaterra, num confronto forte física e taticamente. A Inglaterra começou a vencer com um ensaio não convertido, correspondido com um ensaio convertido dos australianos.

Na segunda parte a Inglaterra iria conseguir a vitória final na bola de jogo numa jogada em que Dan Norton chuta para as costas da defensiva australiana, seguindo a bola e assistindo Charlton Kerr que marcou o ensaio da vitória.

No jogo pelo terceiro lugar e à semelhança do jogo anterior, os Estados Unidos começaram a ganhar o jogo, mas rapidamente a Nova Zelândia reponde com um ensaio. Na segunda parte a Nova Zelândia consolidou a vantagem, mas na bola de jogo os americanos levaram a melhor sobre os All Blacks e venceram por 19-15, mostrando que as conversões muitas vezes são decisivas nos sevens.

Na final, repetia-se pela terceira vez esta época o confronto entre a África do Sul e as Fiji, onde nas duas anteriores os africanos tinham saído vitoriosos. As Fiji começaram na frente do jogo, marcando o primeiro ensaio da partida, mas no minuto a seguir iriam ficar reduzidos temporariamente a seis jogadores, o que foi aproveitado pelos sul-africanos para tomar a dianteira do jogo.

Na segunda parte e com as Fiji a jogar novamente com sete jogadores os africanos iriam marcar mais dois ensaios, que iriam dar alguma tranquilidade aos jogares. Nos últimos minutos de jogo as Fiji ainda marcaram mais um ensaio, mas já não conseguiram dar a volta ao resultado, entregando a vitória à África do Sul que venceu o quarto torneio esta época.

The Winners! (Foto: World Rugby)

Próxima etapa – Vancouver

A próxima paragem é em Vancouver, no Canadá, etapa que faz parte do circuito desde o ano passado. Começa já a partir das 17:10 de dia 11 (hora portuguesa).

A África do Sul tem já quatro vitórias em cinco etapas disputadas, será que vai haver outra equipa a conseguir vencer o torneio? Será que as Fiji ou a Inglaterra vão conseguir aproximar-se da África do Sul no topo da tabela?


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS




Newsletter


Categorias


newsletter