14 Dez, 2017

4ª etapa do World Series – Sydney

João DuarteMarço 3, 201712min0

4ª etapa do World Series – Sydney

João DuarteMarço 3, 201712min0

No fim-de-semana de 4 e 5 de fevereiro realizou-se a quarta etapa da World Series de Sevens da World Rugby em Sydney. Um fim-de-semana com muita ação e muitas surpresas, que são já uma imagem de marca do circuito, não fosse esta variante de rugby a que tem menor tempo de duração por jogo, mas que é ao mesmo tempo, provavelmente, a mais entusiasmante e incerta quanto ao resultado final.

Depois de no anterior fim-de-semana, em que a África do Sul se distanciou na liderança da competição ao vencer as Fiji na final, era altura de tirar dúvidas (não definitivas, uma vez que esta era apenas a quarta de dez etapas do circuito) em relação à capacidade das outras equipas fazerem frente ao poderio imposto pelos sul africanos e à possibilidade de se aproximarem destes na classificação geral.

Como “Wild Card” participou novamente a Papua Nova Guiné, que repetia a presença da semana anterior.

Dia 1 – Surpresas inesperadas

A primeira ronda de jogos decorreu sem grandes surpresas, com os Estados Unidos a vencerem a Argentina num jogo que já se previa ser equilibrado. Na primeira parte os americanos aproveitaram melhor as oportunidades concedidas e foram para o intervalo a ganhar por 7-12. Na segunda parte os americanos quiseram garantir desde cedo a vitória e marcaram 2 ensaios em 2 minutos, mas os argentinos não deitaram a toalha ao chão e se não fosse a vantagem adquirida pelos americanos, os argentinos podiam mesmo ter dado a volta ao resultado, que acabou nos 19-22 favoráveis aos estados unidos.

A primeira grande surpresa da etapa decorreu apenas no 12º jogo que opôs as Fiji ao País de Gales. Se o favoritismo para este jogo era dado aos fijianos, os galeses fizeram por desfazê-lo e quiseram marcar posição como uma das equipas de topo do circuito desta época. Ao intervalo venciam já por 10-21 e a segunda parte foi mais contida, com cada equipa a marcar apenas um ensaio e a colocar o resultado final em 15-28, com destaque para o galês Morgan Williams que marcou 3 ensaios.

A segunda surpresa aconteceu no jogo Escócia-Austrália, a Escócia que até agora estava a fazer uma participação no circuito superior à das anteriores épocas e se encontrava na 4ª posição do ranking geral do circuito à partida para esta etapa, acabou por perder com um Austrália muito aquém daquilo que são as suas reais capacidades e abaixo do nível a que nos habituou nos anos anteriores. Foi um jogo completamente dominado pelos australianos que venceram por 14-43, sem nunca dar hipóteses aos escoceses de vislumbrar o triunfo. Foram 7 ensaios australianos, 3 dos quais marcados por Tim Anstee, contra apenas 2 escoceses.

A este seguiram-se 3 jogos com surpresas, a primeira das quais o triunfo da Rússia sobre os Estados Unidos por 14-17, com os russos a marcar o ensaio da vitória na bola de jogo por intermédio de Vladislav Lazarenko. As outras duas partidas iriam acabar, inesperadamente, ambas em empate. A Argentina chegou a estar a ganhar por 7-17 no início da segunda parte, mas o Canadá conseguiu responder e podiam mesmo ter ido para além do empate, não fosse a conversão falhada do último ensaio. No Gales-Samoa, se o empate foi inesperado, o facto de não se terem marcado pontos na primeira parte do jogo foi ainda mais, o que muito se deveu às falhas de handling (manuseamento da bola) e às faltas constantes de parte a parte. Na segunda parte houve melhorias, mas o jogo acabou 7-7, num jogo marcado pela má utilização da posse da bola.

A última surpresa do dia foi a vitória da Inglaterra à imparável África do Sul. As espectativas eram bastante elevadas num jogo que se podia denominar como “final antecipada” e que colocou frente a frente 2 das 3 melhores equipas do circuito até ao momento (1ª e 3ª classificada do ranking geral à partida para a etapa). Na primeira parte a Inglaterra foi a primeira a marcar, mas a África do Sul respondeu com dois ensaios e levaram o resultado em 10-7 para o intervalo. Na segunda parte os papéis inverteram-se e foram os africanos a marcar primeiro, ao que os ingleses responderam com dois ensaios convertidos nos últimos dois minutos do jogo e arrecadaram uma vitória por 15-21.

Terminados os jogos da fase de grupos era altura de se fazerem as contas finais e definir os quartos-de-final da Cup e da Challenge.

No grupo A quem iria ocupar as duas vagas para a disputa da Cup eram a Inglaterra e a África do sul, deixando o Quénia e o Japão de fora desta competição e relegando-os para a Challenge.

No grupo B, o País de Gales era o líder com 2 vitórias e um empate, ocupando uma das vagas da Cup, sendo que a outra era ocupada pelas Fiji que apesar da derrota com os galeses tinham vencido os outros dois jogos. Para a Challenge seguiam a França e a Samoa.

A Nova Zelândia e a Austrália com 3 e 2 vitórias respetivamente lideravam o grupo C e garantiam as vagas da Cup. Em sentido contrário seguiam a Escócia, que parecia não estar no seu melhor e a Papua Nova Guiné, direcionados para a Challenge.

No grupo teoricamente de menos valia, sem equipas no topo do ranking geral do circuito, eram os Estados Unidos que tomavam a liderança, seguidos da Argentina que apesar de ter acabado com os mesmos pontos que o Canadá acabou por ter melhor diferença de pontos na soma dos três jogos realizados. Ficavam assim de fora da Cup e ingressavam na Challenge o Canadá e a Rússia, que não foi além de uma vitória com os Estados Unidos.

Consulte as tabelas em: https://goo.gl/AFkQFO

A impunência dos ingleses! (Foto: World Rugby)

Seguiu-se o emparelhamento dos jogos para segundo dia.

Quartos-de-final da Cup:

Inglaterra vs. Argentina

Nova Zelândia vs. Fiji

Estados Unidos vs. África do Sul

País de Gales vs. Austrália

Quartos-de-final da Challenge

Quénia vs. Rússia

Escócia vs. Samoa

Canadá vs. Japão

França vs. Papua Nova Guiné

Dia 2

O segundo dia prometia muitas surpresas e estas começaram logo nos quartos-de-final da Challenge. No primeiro jogo do dia, a Rússia venceu o Quénia marcando 22 pontos sem resposta, destaque para o russo German Davydov que marcou 2 dos 4 ensaios da sua equipa.

No segundo jogo seria a vez da Samoa vencer a Escócia, que demonstrava estar num mau fim-de-semana. Os escoceses até marcaram primeiro e estiveram sempre no controlo do jogo até ao último minuto de jogo, mas os samoanos acabaram por marcar o ensaio que selaria a vitória final por 14-21.

Depois foi a vez do Japão aproveitar uma primeira parte desastrosa do Canadá e marcar 19 pontos sem resposta na primeira parte, tendo a segunda sido apenas de gestão do resultado e onde os canadianos marcaram o ensaio da consolação apenas na bola de jogo.

O último jogo destes quartos-de-final foi ganho sem surpresas pela França por 0-17 e que demonstrou aos guineenses que para se juntarem ao circuito têm ainda algum trabalho.

Já na Cup começávamos com a Inglaterra a confirmar o favoritismo e a vencer à Argentina por 24-7.

No segundo jogo teríamos uma surpresa, com a Nova Zelândia a ganhar às Fiji, que este ano só não tinha participado nas meias-finais da Cup uma outra vez, em Cape Town. Num jogo equilibrado desde o início, os neozelandeses viram-se a perder por 17-21 e só com muita vontade e boa utilização da posse de bola conseguiram dar a volta ao resultado, estabelecendo-o nos 24-21 finais na bola de jogo, com 4 minutos para lá da buzina que marca o final do tempo de jogo.

A África do Sul não quis arriscar e apesar de até ter sofrido o primeiro ensaio, não entrou em pânico e geriu a partida acabando por ganhar por 10-21 contra uns Estados Unidos insuficientes para os primeiros classificados do ranking geral.

No último jogo dos quartos-de-final da Cup houve nova surpresa, com a Austrália a confirmar a primeira presença nas meias-finais da Cup em quatro etapas realizadas, vencendo o País de Gales por 0-26, com o jovem, mas “experiente” Henry Hutchison estar em destaque ao marcar dois dos quatro ensaios australianos.

Iriam agora começar-se a definir os finalistas da Cup, dos jogos do 3º e do 5º lugar, da Challenge e do jogo do 13º lugar.

Nos jogos que davam acesso à disputa do 13º lugar, o Quénia venceu a Escócia por 19-14 e confirmou o fim-de-semana desastroso dos escoceses que terminavam assim o torneio em último lugar. Quem se juntou à Escócia no último lugar da etapa foi a Papua Nova Guiné que apesar de ter ido a perder para o intervalo por 26-0 ainda marcou 20 pontos, mas não foram suficientes para vencer o Canadá que garantiu o triunfo por 33-20.

Nas meias finais da Challenge a Rússia mostrava-se em boa forma e com vontade de fugir ao lugar da despromoção que é ocupado pelo Japão, acabando por vencer a Samoa por 17-12, com um ensaio marcado no último minuto de jogo. Quem se juntou aos russos na disputa da Challenge foi a França, que ainda tremeu frente a uma boa réplica dos japoneses que se colocaram em vantagem por 12-0 na primeira parte, mas que acabaram por perder por 12-19 para os gauleses.

Nas meias-finais para jogo de disputa do 5º lugar encontrávamos a Argentina que iria perder por 21-38 contra umas Fiji candidatas ao título final do circuito e que sabia que iria ficar ainda mais distante do primeiro lugar do ranking geral, restando-lhes amealhar a maior quantidade de pontos possíveis.

Na outra meia-final foram os americanos a levar a melhor sobre o País de Gales e a garantir o outro lugar no jogo pelo 5º lugar, com Carlin Isles em destaque ao marcar dois dos três ensaios dos Estado Unidos e que colocariam o resultado final em 19-10.

Na disputa pela Cup, tínhamos nas meias-finais a Inglaterra que iria vencer à Nova Zelândia, concedendo apenas um ensaio na primeira parte deste jogo marcado pelo forte confronto físico e muito defensivo, selando a vitória com dois ensaios por 12-5.

Na outra meia-final e sem surpresas, era a África do Sul a seguir para a final da etapa, contra uma Austrália incapaz de igualar o nível de jogo dos africanos.

Chegávamos assim à parte dos jogos decisivos e que iriam ditar a classificação final do torneio. Na disputa pelo 13º lugar foi o Canadá a tomar liderança do jogo e a vencer por 5-10 o Quénia.

Na final da Challenge era a Rússia que dava uma lição de sevens à França e acabaria por vencer tranquilamente o jogo 26-0, levando a taça de menor valia para casa.

No jogo de disputa pelo 5º lugar eram as Fiji a dominar e a levar a melhor sobre os Estados Unidos que ainda se aguentaram na primeira parte, mas que na segunda não conseguiram travar a avalanche fijiana, acabando por perder por 35-12.

O jogo pela medalha de bronze foi disputado pela Nova Zelândia, que aos poucos está a recuperar a sua qualidade de jogo e a chegar ao nível a que nos habituaram a vê-los jogar e pela Austrália que independentemente do resultado alcançava a melhor classificação desta época. A Nova Zelândia dominou desde o início, mostrando-se mais fresca fisicamente e venceu com alguma facilidade por 29-14.

No jogo mais importante do torneio, tínhamos frente a frente pela segunda vez esta época em finais a Inglaterra e a África do Sul. Apesar de nesta etapa se terem encontrado na fase de grupos e a Inglaterra ter levado a melhor, o favoritismo recaia sobre a África do Sul, líder do circuito e totalista em finais esta temporada. E assim foi, mais uma vez demonstraram que têm de trabalhar muito para conseguirem chegar ao seu nível. Ao intervalo levavam já uma vantagem de 19 pontos, que iria terminar nos 14-29 finais, não dando grandes hipóteses aos ingleses. Destaque para Justin Geduld que marcou dois dos cinco ensaios e que é visivelmente uma das maiores valias dos africanos.

O pódio! (Foto: World Ruby)

Próxima etapa – Las Vegas

A próxima paragem é em Las Vegas, casa dos sevens americanos e que é uma das paragens obrigatórias do circuito desde 2004/2005. Começa já a partir das 00:09 de dia 4 (hora portuguesa) e promete muita animação, surpresas, equipas em ascensão e jogadores revelação.

Nas quatro etapas do World Series que se antecederam tivemos apenas 3 finalistas, Inglaterra, África do Sul e Fiji. Será que a final irá ser protagonizada novamente por duas destas equipas ou será que haverá uma equipa à altura a intrometer-se e a chegar à final? Quem será a equipa sensação da etapa? E qual o jogador mais influente?


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