18 Ago, 2017

3ª etapa do World Series – Wellington

João DuarteFevereiro 2, 201712min0

3ª etapa do World Series – Wellington

João DuarteFevereiro 2, 201712min0

Realizou-se no passado fim-de-semana, 28 e 29 de janeiro, a terceira etapa do circuito mundial de Sevens da World Rugby da época em Wellington, etapa que faz parte desde a génese do circuito, 1999/2000. Dois dias onde podemos verificar o trabalho desenvolvido durante a paragem do circuito. Um vencedor e um finalista repetentes, equipas a quem a paragem se fez notar positivamente e outras que parecem ter estagnado.

As expetativas eram altas, depois de 7 semanas de paragem do World Series. Ver o resultado dos treinos intensivos impostos pelas respetivas seleções e verificar as novas soluções para as falhas e obstáculos sentidos nas duas primeiras etapas.

Nesta etapa participou como “Wild Card” a equipa de sevens da Papua Nova Guiné, estreante esta época, sendo já a 8ª vez que participa no circuito mundial, sempre como equipa convidada.

Dia 1 – O surpreendente Canadá

O primeiro dia da etapa começou com uma vitória inequívoca do País de Gales sobre a Rússia por 33-0, seguido de um deslize da Escócia frente ao Canadá. A Escócia que tinha conseguido um 4º e um 6º lugar nas primeiras etapas do circuito esta época, começava assim a escorregar perante uma equipa do Canadá que vinha de dois 13ºs lugares e que parecia determinada em fazer esquecer essas prestações, conquistando uma importante vitória por 19-28.

No quinto encontro do dia era a Argentina quem surpreendia e mostrava intenções de disputar a cup pela primeira vez este ano ao vencer o Quénia por 12-17, com um ensaio marcado no último minuto de jogo e com Matias Ocsaduk em destaque com 2 ensaios na partida. O Quénia ficava desde logo numa posição difícil, a ser quase impossível conseguir a qualificação para a cup, tendo para isso de ganhar as outras duas partidas, umas das quais frente à Inglaterra, que esta época já mostrou querer lutar pelo título do circuito.

Ainda na primeira ronda assistia-se a um jogo de nervos, a opor os Estados Unidos à França. Se na primeira parte a França se superiorizou e aproveitou os erros dos americanos para levar o marcador em 7-21 para o intervalo com Stephen Parez em destaque com dois ensaios, na segunda a história foi diferente e os americanos correram atrás do prejuízo, tendo conseguido empatar a partida em 21-21, que seria o resultado final, já no último minuto de jogo. Este resultada deixava tudo em aberto para ambas as seleções.

No primeiro jogo da segunda ronda era o Canadá que voltava a surpreender ao vencer o País de Gales, vincando a sua posição no desejo de disputar a cup e garantindo desde já um lugar na disputa da mesma. Ao intervalo já venciam por 0-14, num jogo que acabaria 5-28 com Nathan Hirayama em destaque com 2 ensaios e 4 conversões.

No jogo que iria dar a conhecer a equipa que seguia para a disputa da cup no grupo D, juntamente com o Canadá, quem prevaleceu foi a Escócia, mostrando mais uma vez esta época que é uma das equipas de topo. Ao intervalo já venciam 12-0 e resultado que iria acabar nos 31-7 com Gavin Lowe em destaque depois de marcar 2 ensaios e 2 conversões.

No último jogo da fase de grupos os Estados Unidos ainda tentaram surpreender a Nova Zelândia para conseguir a qualificação para a cup, mas apesar dos 7-12 ao intervalo a Nova Zelândia não quis deixar o futuro nas mãos dos cálculos e acabou por vencer a partida por 24-12.

Terminado o primeiro dia, as equipas iriam verificar as classificações e ver o sorteio de jogos para o segundo dia.

No grupo A quem liderava era a Inglaterra com 3 vitórias, seguida da Argentina com 2 e que garantia também um lugar na disputa da cup. Para a challenge eram relegados o Quénia com apenas 1 vitória e a convidada, Papua Nova Guiné, apenas com derrotas.

No grupo B a África do Sul com 3 vitórias e as Fiji com 2 seguiam também para a cup, em sentido contrário seguiam para a challenge a Austrália, que este ano parece não ter grandes aspirações de defrontar e pôr-se de pé contra as melhores equipas do torneio e o Japão, com 2 e 3 derrotas respetivamente.

A Nova Zelândia e a França ocupavam os dois lugares da cup disponíveis para o grupo C, deixando de fora os Estados Unidos, que apesar do empate com a França tiveram um diferencial de pontos inferior ao dos gauleses nos outros dois jogos disputados e a Samoa, direcionados para a disputa da challenge.

Os últimos dois lugares disponíveis para a disputa da Cup viriam a ser ocupados pelo surpreendente Canadá, que tinha conseguido um primeiro dia em cheio com 3 vitórias, e pela Escócia, que acabou por conseguir vencer os outros dois jogos que disputou. Nos dois últimos lugares do grupo D estavam assim o País de Gales e a Rússia, que ficavam destinados disputar a challenge no segundo dia da etapa.

Consulte as tabelas em: https://goo.gl/yq2xmH

 

Super Canada (Foto: World Rugby)

Depois de feito o emparelhamento tínhamos os jogos para o segundo dia.

Quartos-de-final da Cup:

Inglaterra vs. Escócia

Nova Zelândia vs. Fiji

Canadá vs. Argentina

África do Sul vs. França

Quartos-de-final da Challenge

Quénia vs. Rússia

Estados Unidos vs. Japão

País de Gales vs. Papua Nova Guiné

Austrália vs. Samoa

Dia 2

O segundo dia começou sem surpresas nos jogos dos quartos-de-final da Challenge, com o Quénia, que em Cape Town se tinha qualificado para a Cup, a ganhar por 24-5 à Rússia, à semelhança do que aconteceu com os Estados Unidos que venceu o Japão por 19-14, apesar dos japoneses terem ido para o intervalo a vencer por 7-15, e do País de Gales que venceu a Papua Nova Guiné por 29-7. O último jogo destes quartos-de-final foi o mais atribulado, com a Samoa a ir a vencer para o intervalo por 12-14, acabando por perder essa vantagem no início da segunda parte, com os australianos a marcar um ensaio não convertido. Nos últimos minutos os australianos mostraram-se muito faltosos e acabaram por ver dois jogadores sair com amarelos, o que acabou por não ser aproveitado pela Samoa, não tendo o marcador sido alterado até ao fim do jogo.

Já nos quartos-de-final da Cup as surpresas começavam logo no primeiro jogo, no jogo que opôs pela terceira vez esta época a Escócia e a Inglaterra, se nas duas primeiras a Inglaterra tinha levado a melhor sobre a Escócia, agora foi a vez dos escoceses se vingarem e ganharem por 12-14 num jogo que os ingleses podiam ter empatado e levado para prolongamento se não tivessem falhado a conversão do seu segundo ensaio.

No segundo jogo, as Fiji mostraram mais uma vez esta época que estão num lote de equipas que se encontram uns furos acima da Nova Zelândia, vencendo os neozelandeses por 10-26.

Quem estava numa forma incrível este fim-de-semana era o Canadá e mostrou que não queria ficar pelos quartos-de-final da Cup, arrancando a vitória contra a Argentina já no último minuto de jogo por intermédio de Justin Douglas que fixava o resultado em 17- 12.

No último jogo dos quartos-de-final a África do Sul não deu hipóteses à França e cilindrou os gauleses por 45-0.

Nas meias-finais de disputa do 13º lugar a Rússia despachou o Japão, que o ano passado parecia prometer mais nas etapas em que participou, por 15-5 e a Samoa garantiu a outra vaga do jogo do 13º lugar frente à Papua Nova Guiné, que acabou esta etapa apenas com derrotas.

Nas meias-finais da Challenge, opuseram-se o Quénia aos Estados Unidos e o País de Gales à Austrália. No primeiro encontro os quenianos assumiram a liderança do marcador já na segunda parte e quando se pensava que este já não ia ser alterado, o Quénia ficou reduzido a 6 jogadores por amarelo a Colins Injera e os americanos marcaram um último ensaio, insuficiente para dar outro rumo à partida. Já no outro jogo, a Austrália cedo se pôs em vantagem, vencendo ao intervalo por 0-17 e limitando-se a gerir a segunda parte para vencer por 10-24, garantindo o outro lugar na final da Challenge.

Na disputa pelos lugares no jogo para determinar o 5º lugar encontraram-se a Inglaterra e a Nova Zelândia, com os neozelandeses a vencer por 0-24 num jogo de sentido único. Para ocupar a segunda vaga a Argentina venceu à França por 19-14, depois de ao intervalo estar a perder 5-14 e marcar os 2 dois ensaios que lhe dariam a vitória no segundo tempo.

Nas meias-finais da Cup, a Escócia defrontou as Fiji, dando uma boa réplica e aproveitando o amarelo dado ao fijiano Kalione Nasoko ao estar a vencer por 12-7 ao intervalo, mas acabando por deixar fugir a vitória e o lugar na final nos últimos minutos com 2 ensaios em 3 minutos do fijianos.

No outro jogo o Canadá defrontou a África do Sul e não conseguiu ultrapassar os líderes do circuito, deitando por terra as aspirações de chegar à final e vencer o torneio. Os africanos mostraram que são um dos candidatos à vitória final do circuito e garantiram pela terceira vez, em outras tantas vezes possíveis esta época um lugar na final, ganhando por 5-21.

Na recta final do torneio e onde se iriam determinar as posições finais, começávamos com um Rússia-Samoa na disputa pelo 13º lugar. Desde cedo os samoanos tomaram a dianteira do marcador e não mais a largaram com Laaloi Leilual a estrear-se e a marcar os seus dois primeiros ensaios no circuito para ajudar na vitória final por 12-19.

Na disputa da Challenge estavam o Quénia e a Austrália. Os quenianos foram os primeiros a marcar e na segunda parte chegaram a estar a vencer por 19-7, mas os australianos não se conformaram e se não fosse a conversão falhada do seu último ensaio, podiam ter dado continuação ao jogo e quem sabe levar a taça para casa.

No jogo pelo quinto lugar muito disputado, a Argentina defrontou a Nova Zelândia, que esteve a vencer até aos 13 minutos de jogo, com os argentinos a empatarem primeiro o jogo e depois a vencerem-no com um ensaio na bola de jogo marcado por Franco Sabato.

A luta pela medalha de bronze foi protagonizada pela Escócia e pelo Canadá, que até marcou primeiro e ainda vislumbrou uma segunda vez na partida por excelente terceiro lugar, depois de a 2 minutos do final da partida ter estado a ganhar por 21-22. Os escoceses não se contentaram com o resultado e foram atrás do ensaio da vitória que chegou na bola de jogo e lhes deu a vitória final por 28-22.

A final foi disputada pela totalista em finais esta época, a África do Sul e pelas Fiji, segunda vez finalista esta época. No Dubai, onde também se defrontaram na final, os africanos conseguiram uma vitória por 14-26, o que nos fazia interrogar se seriam capazes os fijianos de por em prática o rugby que os consagrou campeões olímpicos e do mundo o ano passado e vencer a África do Sul, ou se seria a África do Sul a vencer novamente e a distanciar-se na liderança da classificação geral do circuito.

Os fijianos começaram melhor e até marcaram o primeiro ensaio da partida, mas aos 5 minutos ficaram reduzidos a 6 jogadores por amarelo a Setareki Bituniyata e os africanos aproveitaram para marcar e passar para a frente do marcador antes do intervalo. Na segunda parte só os africanos conseguiram chegar à área de ensaio e venceram confortavelmente por 5-26, com um super Seabelo Senatla  e Ruhan Nel a destacar-se nos últimos minutos de jogo com 2 ensaios e a selar a vitória do torneio para a África do Sul, permitindo o seu distanciamento na liderança da classificação geral do circuito.

The winners! (Foto: Daily Maverick)

Próxima etapa – Sydney

A próxima paragem é Sydney, casa dos sevens australianos e que é uma das quatro etapas que faz parte do circuito desde o seu início, 1999/2000. E é já este fim-de-semana, 4 e 5 de Fevereiro, tendo o seu início marcado para as 9:30 de dia 4 (hora local), 22:30 de dia 3 em Portugal.

Em Sydney será que os finalistas serão novamente as Fiji e a África do Sul? Será que haverá outra seleção a surpreender como o Canadá nos surpreendeu em Wellington?


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