21 Out, 2017

2ª etapa do World Series – Cape Town

João DuarteDezembro 21, 201613min0

2ª etapa do World Series – Cape Town

João DuarteDezembro 21, 201613min0

Disputou-se no passado fim-de-semana, 10 e 11 de dezembro, a segunda etapa do circuito mundial de Sevens da World Rugby da época 2016/2017 e última deste ano 2016 em Cape Town, etapa que faz parte do circuito desde 2004/2005. Nestes dois dias houve equipas que se superaram, outras que ficaram à quem das expectativas e uma nova finalista e vencedora em torneios esta época.

Cape Town, na África do Sul, é uma das principais etapas do circuito mundial de Sevens. É a 13ª vez que a Cidade do Cabo organiza uma etapa dos World Series, um marco sempre importante de assinalar. Nesta etapa, para além das 15 equipas integrantes do circuito, participou novamente o Uganda como equipa convidada.

 Dia 1 – O anunciar de Sua Majestade

O primeiro dia começou com a Escócia a ganhar à Samoa, num jogo que começou com os samoanos a ganhar ao intervalo e em que a Escócia só conseguiu garantir a vitória final por 21-19 na bola de jogo.

O Quénia e a França voltaram a encontrar-se na fase de grupos, à semelhança do que tinha acontecido no Dubai, mas desta vez o resultado foi diferente, com os quenianos a mostrarem aos gauleses aquilo de que são capazes e a despacharem-nos por 14-33, deixando os franceses em apuros para a qualificação da Cup.

Ainda na primeira ronda do torneio, os Estados Unidos ganharam à Austrália por 0-19 deixando os australianos também em risco de não disputar a Cup, cenário que nunca ocorreu na época passada.

No segundo jogo da segunda ronda eram os galeses a surpreender e a ganhar à Samoa por 0-17, num jogo em que Matthew Owen esteve em destaque com 2 ensaios.

Logo a seguir a este jogo quem surpreendeu foi o Canadá ao empatar com a Nova Zelândia, marcando o último ensaio na bola de jogo por intermédio de Justin Douglas, ficando ainda assim arredado da disputa da Cup, faltando saber se ficaria em terceiro ou último do grupo.

No jogo seguinte foi a vez da Inglaterra ganhar à Argentina, arredando-a para a luta pela Challenge e mostrando vontade de conquistar uma boa classificação na etapa, com Dan Norton mais uma vez em destaque com dois ensaios marcados, um dos quais na bola de jogo e que vaticinou esta vitória.

No terceiro e último jogo da Argentina da fase de grupos a equipa conseguiu corrigir os erros efetuados até então e ganharam sem sombra de dúvidas ao Canadá por 43-14. Resultado que de nada iria adiantar na qualificação para a próxima fase da competição, uma vez que já se encontravam ambas as seleções sem hipóteses de disputar a Cup, encaminhando-se para a disputa da Challenge.

No final do dia faziam-se as contas finais e decidia-se o emparelhamento dos jogos dos quartos-de-final da Cup (1º – 8º lugar) e da Challenge (9º – 16º).

No grupo A passavam para a disputa da Cup a África do Sul, que mostrava mais uma vez querer vencer a etapa e não deixar a taça de Cape Town, liderando o grupo com três vitórias. Na segunda posição ficavam os Estados Unidos que após vencerem o duelo com a Austrália, garantiram a passagem à Cup no jogo com a Rússia. Para a disputa da Challenge seguiam a Austrália com uma vitória frente à Rússia e esta última, com três derrotas.

No grupo B seguiam para os quartos-de-final da Cup as Fiji, com três vitórias e o Quénia, com duas vitórias. Para a Challenge seguiam assim a França com 1 vitória e o Japão que chegou a assustar as Fiji, tendo marcado o primeiro ensaio no jogo disputado entre ambos, mas que acabou por perder 3 jogos num grupo com três seleções sempre candidatas à disputa da Cup.

No grupo C e ao contrário do que aconteceu na primeira etapa, a Nova Zelândia conseguiu garantir o primeiro lugar no grupo, isto apesar do empate frente ao Canadá, tendo vencido os outros dois jogos.

Quem se ia juntar aos neozelandeses era a Inglaterra que se mostrava em boa forma e determinada na conquista de outra boa classificação. Nós últimos dois lugares do grupo e para a disputa da Challenge seguiam com alguma surpresa a Argentina, que na época passada apenas não disputou a Cup por duas vezes e o Canadá, que apesar do bom resultado contra a Nova-Zelândia acabou por perder os outros dois jogos disputados e ficou em último lugar do grupo.

No grupo D a Escócia e Gales conseguiram superiorizar-se à Samoa e ao Uganda, tendo a Escócia ganho o duelo entre os dois, ficando na primeira posição do grupo e deixando a segunda vaga ocupada pelos galeses. A Samoa e o Uganda com 2 e 3 derrotas, respetivamente iriam ficar assim relegados aos quartos-de-final da Challenge.

Consulte as tabelas em: goo.gl/6krC6M

Fans supporting home team! (Foto: World Rugby)

O emparelhamento das equipas estava feito e ditava os seguintes jogos para o segundo dia.

Quartos-de-final da Cup:

Fiji vs. Inglaterra

Estados Unidos vs. Escócia

África do Sul vs. Gales

Quénia vs. Nova Zelândia

Quartos-de-final da Challenge:

Argentina vs. Japão

Austrália vs. Uganda

França vs. Canadá

Samoa vs. Rússia

O segundo dia começou com a Austrália a mostrar que a Challenge não é a sua competição e ganhou ao Uganda por 42-12, seguindo para as meias-finais desta competição. A Argentina disputou pela segunda vez os quartos-de-final da Challenge contra o Japão esta época e voltou a ganhar, desta vez por 33-12.

A primeira surpresa do dia aconteceu no Samoa-Rússia, com 2 ensaios nos últimos 2 minutos através de Vladislav Lazarenko, mostrando que a Rússia não se conforma com os últimos lugares da competição e que apesar de não ser uma das equipas mais fortes do circuito, quer subir o nível da mesma com a aquisição de experiência e correção dos erros praticados pela falta da mesma.

No último jogo dos quartos-de-final que opôs a França ao Canadá, quem levou a melhor foi a França que ganhou por 42-14, com Terry Bouhraoua em destaque com 3 ensaios e 4 conversões marcadas, mostrando que os gauleses não estavam na disputa da Cup devido à falta de rigor do primeiro dia.

Na Cup, a África do Sul não deu hipóteses a Gales, ganhou por 33-0 e ocupou a primeira vaga das meias-finais, mostrando que queria disputar novamente a final da etapa e ganhar a competição como já tinha acontecido na etapa anterior, mas desta feita frente aos seus adeptos.

A Nova-Zelândia que na etapa anterior não passou dos quartos-de-final da cup, desta vez ganhou ao Quénia por 28-7 e garantiu também um lugar nas meias-finais, com Scott Curry a marcar dois dos 4 ensaios neozelandeses.

A Escócia conseguiu ganhar aos Estados Unidos num jogo renhido, bem disputado e com sucessivas trocas na liderança do marcador, que acabou em 24-19, o que garantiu aos escoceses um lugar nas meias-finais e a certeza de que iriam ficar melhor classificados do que na etapa anterior.

A surpresa dos quartos-de-final aconteceu no último jogo com a Inglaterra a bater as Fiji, quando a 4 minutos do fim do tempo de jogo os fijianos ganhavam por 26-14. Os ingleses não se intimidaram e tinham bem definidos os seus objetivos, que passavam por vencer a etapa. Com dois ensaios marcados nos últimos 4 minutos, um deles já para lá do fim do tempo de jogo, a Inglaterra conseguiu empatar o jogo e levá-lo para prolongamento, tendo o lendário Dan Norton marcado o ensaio da vitória e estabelecido o resultado final em 26-31, que possibilitou aos ingleses prosseguir na realização dos objetivos traçados.

Nas meias-finais para disputar o 13º lugar encontraram-se novamente o Uganda e o Japão, à semelhança do que já tinha acontecido no Dubai e o desfecho foi igual, com o Uganda a levar a melhor sobre o Japão, com um Philip Wokorach, que já tinha estado em destaque no Dubai e que marcou um ensaio e duas conversões, que somados a outro ensaio de Pius Ogena e a um ensaio de penalidade por falta dos japoneses, sentenciou a vitória dos africanos e a passagem à final pelo 13º lugar.

O outro lugar nesta final viria a ser ocupado pelo Canadá que derrotou a Samoa, depois de estar a perder por 24-14 ao intervalo, dando a cambalhota no marcador na segunda parte com dois ensaios e uma conversão marcados nos últimos 4 minutos do jogo.

Nas meias-finais da Challenge tínhamos um inesperado Austrália-Argentina muito disputado, com os australianos a terem um Alex Gibbon imparável a marcar três ensaios, mas que com apenas um deles convertido, não chegou para os três ensaios convertidos dos argentinos, que seguiam para a final da Challenge.

Quem se iria opor na final à Argentina era a França, que ganhava à Rússia por 12-17, com os russos a ganhar ao intervalo por 12-5, dando depois a reviravolta no marcador.

Na luta pelos dois lugares na final pelo 5º lugar disputou-se um Gales-Quénia e um Estados Unidos-Fiji. No primeiro jogo os galeses entraram com tudo e ao intervalo ganhavam por 14-0, num jogo em que parecia não quererem dar hipóteses, mas nos Sevens tudo pode acontecer e os quenianos voltaram de espírito renovado para a segunda parte, tendo mesmo dado a volta no marcador com dois dos três ensaios a serem marcados por William Ndayara e a darem a vitória final por 14-19 aos africanos.

No segundo jogo estavam duas equipas que disputam normalmente os primeiros lugares nas etapas e que não queriam perder ainda mais pontos em relação às equipas que ainda disputavam a Cup. Quem levou a melhor foram as Fiji, que mostraram o porquê de serem campeões mundiais e olímpicos de Sevens e venceram por 12-28, resultado que ao intervalo já era de 0-21.

Já na disputa da Cup tínhamos pela frente um África do Sul-Nova Zelândia e um inédito Escócia-Inglaterra, a Escócia que o ano passado apenas chegou tão longe por uma vez, em que até acabou por vencer a etapa e a Inglaterra que também só alcançou por 2 vezes este patamar a época passada.

Num jogo com duas defesas muito bem trabalhadas e sem dar muito espaço ao adversário, foi a África do Sul quem ganhou, mostrando que quer disputar o título do circuito até ao final, à semelhança do que aconteceu a época passada.

O jogo acabou 14-7, mostrando o equilíbrio da partida e a escassez de opções ofensivas, perante defesas muito organizadas. No segundo jogo, que iria dar a conhecer o opositor da África do Sul na final, foi a Inglaterra quem saiu melhor com uns expressivos 14-33, mostrando estar com maior frescura física.

Os finalistas estavam todos encontrados e iriam começar a ser determinadas as classificações finais da etapa nestes últimos jogos.

No jogo pelo 13º lugar o Uganda, com o estatuto de equipa convidada, conseguiu equilibrar a partida perante um Canadá que parece ser capaz de atingir melhores classificações, mas que efetua muitos erros ofensivos e defensivos. Quem acabou por vencer foi o Canadá por 10-19, assumindo a melhor posição dos últimos quatro classificados.

A Challenge foi ganha pela França, que derrotou a Argentina por 7-19, mostrando que tem potencial para atingir outros patamares e que só não é uma das melhores equipas por falta de consistência.

Na luta pelo 5º lugar estavam o Quénia, que na etapa anterior tinha ficado pelas meias-finais da Challenge e as Fiji que ficaram em segundo na etapa do Dubai. Na primeira parte a partida ainda teve algum equilíbrio, com as Fiji a jogaram durante dois minutos com 6 jogadores por falta de Sevuloni Mocenacagi e a levarem o marcador para o intervalo em 14-14. Na segunda parte a história foi diferente e as Fiji impuseram o seu rugby a que já nos habituaram, acabando por ganhar por 21-33 e conquistado o 5º lugar.

A medalha de bronze foi disputada pela Nova Zelândia, que no Dubai escorregou logo nos quartos-de-final da Cup e que acabou por perder também nas meias-finais do 5º lugar, e pela Escócia que tinha disputado a final do 5º lugar. A partida foi equilibrada desde o início, mas a Nova Zelândia acabou por ganhá-la com um ensaio na bola de jogo e fechou o resultado em 24-19.

Na partida mais esperada do torneio, por determinar os dois primeiros lugares na classificação, opuseram-se a vencedora da etapa anterior, a África do Sul, e a equipa que estava a surpreender toda a gente por já ter eliminado os campeões olímpicos e por ter chegado tão longe no torneio, a Inglaterra.

A Inglaterra mostrou mais uma vez este fim-de-semana estar em excelente forma e conseguiu ganhar os africanos que perderam por apenas 2 pontos, que podiam ter sido conquistados nas duas de três conversões de que dispuseram e que desperdiçaram.

A selecção de Sua Majestade era assim a vencedora do torneio e ascendia à segunda posição da classificação geral.

The Podium (Foto: The Guardian)

Próxima etapa – Wellington

Wellington é a próxima paragem do World Series, a casa dos Sevens neo-zelandeses e que faz parte do circuito mundial desde 1999/2000.

Teremos um novo finalista e vencedor da etapa, como aconteceu em Cape Town? Será que a África do Sul consegue chegar mais uma vez à final e vincar a sua posição na luta pela vitória final do circuito?


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