21 Fev, 2018

Abram alas para 2018: Seis Nações, All Blacks vs Rosa e muito mais!

Fair PlayJaneiro 14, 20187min0

Abram alas para 2018: Seis Nações, All Blacks vs Rosa e muito mais!

Fair PlayJaneiro 14, 20187min0
Num ano que vai ter o duelo mais aguardado dos últimos anos (All Blacks vs Rosa), 2018 ainda tem mais algumas datas importantes. Fica a saber quais!

O Ano Novo significa muita coisa no mundo do desporto, dos campeonatos que vão quase a meio, permitindo que se comece a desenhar favoritos e desilusões, às competições anuais que vão surgindo no horizonte. No caso do râguebi, as Seis Nações e os internacionais, isto a ano e meio do mundial, e depois há as contratações que já foram anunciadas. Muito resumidamente, falemos por isso do futuro e de algumas expectativas para 2018, como sempre da perspectiva de um adepto.

As nações de Adriano

Inglaterra e Escócia são duas das grandes selecções do hemisfério norte, a primeira quase invicta desde que Eddie Jones assumiu as rédeas após o desaire do mundial de 2015, a segunda em aparente ascensão depois de um período de derrotas que até podiam ser encorajadoras ou cheias de aspectos positivos, mas que não deixavam de ser derrotas. No ranking global, estão separadas por três lugares, algo que poderá mudar este ano.

No caso de Inglaterra, não vai ser preciso esperar pelo mundial para um duelo com a Nova Zelândia, já que a selecção da rosa deverá enfrentar os All Blacks a 10 de Novembro. Tragam por isso as pipocas – e já agora um calmante para os mais nervosos – que a coisa deverá ser um dos pontos altos dos internacionais de Outono. Ou pelo menos é essa a expectativa e bom seria que a Eurosport, que tem transmitido os jogos da França nos últimos anos, abrisse uma excepção e passasse também o Inglaterra-Nova Zelândia. Por favor!

Até lá, no entanto, ainda faltam dez meses e antes disso há as Seis Nações, que estão já ao virar da esquina. A competição começa a 3 de Fevereiro em Cardiff, com um jogo entre o País de Gales e a Escócia, que parte com esperanças renovadas, bem reveladas pelas palavras de Stuart Hogg, que após a vitória contra a Austrália em Novembro passado disse desejar que “as Seis Nações fossem amanhã”.

Pela frente, porém, terá a selecção das terras a sul da muralha de Adriano, bicampeã das Seis Nações, um ano com um grand slam, no outro a um vitória de igual feito. Atenção por isso ao percurso da Escócia e da Inglaterra, para se ir medindo o pulso às duas equipas, e muita atenção ao duelo entre elas a 24 de Fevereiro. Com a potência reinante de um lado e um rival em ascensão do outro, pode vir a ser um dos jogos do ano, pelo menos no hemisfério norte.

O fuso sul-africano

De um torneio de elite entre nações europeias para um dos campeonatos do continente, vale a pena seguir também a evolução do PRO14 e perceber se a decisão de adicionar duas equipas sul-africanas veio para ficar. Não que os efeitos sejam imediatos ou possam ser devidamente analisados ao final de apenas uma temporada, mas a antiga Liga Celta tem-se transformado no parente pobre dos principais campeonatos europeus, atrás da Aviva e do TOP14 em audiências e lucros.

Para alterar esse estado de coisas, a saída dos clubes italianos é sugerida volta e meia, seja por problemas financeiros, seja pela falta de competitividade do Zebre e Treviso, mas a ideia nunca se concretizou.

Em 2016, houve negociações para incluir dois clubes da América do norte, um dos Estados Unidos e outro do Canadá, mas tem havido dúvidas sobre a viabilidade financeira do projecto, a real dimensão do público americano e o impacto do fuso horário nas audiências. Algo que aliás já se verifica no Super Rugby, pelo que a inclusão de duas equipas sul-africanas pode ter sido uma decisão mais ajuizada. E se pegar, talvez num futuro não muito distante haja mais clubes africanos a juntar-se ao PRO14.

Crise ou redenção?

Já em França, interessa seguir a evolução do Stade Français, que esteve à beira da extinção na Primavera passada, quando foi proposta uma fusão com o rival Racing 92, de início dada como certa pelos presidentes dos dois clubes, mas depois abortada após protestos e uma greve de jogadores.

Recorde-se que na raiz do projecto estavam problemas financeiros crónicos do Stade, em parte derivados de uma falta de público que afecta também o Racing, clube que entretanto tem um estádio novo que tenta rentabilizar não apenas por via dos jogos, mas também de espectáculos musicais. Thomas Savare, o homem que tentou a fusão, saiu da direcção do Stade em Junho, passando o testemunho a HansPeter Wild, um dos grandes investidores no rugby alemão, e a Hubert Patricot, que ocupa hoje a presidência do clube.

A ideia de fusão pode assim ter sido posta de parte, mas há ainda um caminho a percorrer até à sustentabilidade financeira e desportiva. Não serão por isso de estranhar as acções de convívio onde jogadores convivem com os parisienses nos parques e praças da cidade, a aposta renovada numa aplicação para telemóvel onde se acumula pontos e recebe prémios ou as contratações mais modestas, sem grandes nomes do râguebi mundial. Há que conter a despesa e não só manter o público do Stade, mas também cativar novos adeptos.

Já quanto aos resultados em campo, o desempenho tem sido misto: derrotaram o Rochelais (35-24), o Montpellier (31-20) e o Racing (27-17), mas perderam contra o Brive (19-20) e o Agen (13-29); contra o Bordéus, tiveram uma vitória (22-12) e uma derrota (10-30), tal como contra os russos do Krasny Yar (39-24 e 29-34), mas perderam brutalmente face aos London Irish (44-7). Contas feitas, o Stade Français está hoje em 11º, mas Pascal Papé disse em Setembro que não há época de transição. Se assim é ou não, se o clube consegue subir na tabela ou manter-se no Top 14, isso é algo que iremos descobrir em 2018.

Os migrantes escoceses

Por último, ainda em França, mas ligando de volta à Escócia, há a anunciada transferência de Finn Russell de Glasgow para Paris, onde vai integrar o plantel do Racing 92 na próxima época. Junta-se assim a Greig Laidlaw e Richie Grey no campeonato francês, mas os proveitos e os efeitos da mudança de clube talvez só sejam sentidos em 2019 ou depois.

Em primeiro lugar, nos Glasgow Warriors, onde há talento em abundância e podem, por ventura, desenvolvê-lo com a necessidade de substituir um trapaceiro em campo como Russell. Peter Horne, por exemplo, pode vir a ganhar com isso. Já da parte do internacional escocês, veremos como é que ele se vai adaptar ao clube parisiense, onde a experiência pode ser curta como a de Jamie Roberts ou Dan Lydiate, ou mais duradoira e bem sucedida como a de Dan Carter.

E depois há o impacto que a transferência pode ter na selecção escocesa, até porque isso tem sido difícil de determinar com Greg Laidlaw e Richie Gray, dado que ambos têm ficado de fora de duelos internacionais por força de lesões. Também nesse aspecto as Seis Nações deste ano vão ser interessantes de seguir, já que se espera o regresso de pelo menos um deles. O que pode dar uma amostra e ajudar a perceber qual o impacto francês na equipa da Escócia, se a favorece pela experiência no Top 14 ou se a prejudica pelo facto de jogadores-chave deixarem de estar sob a alçada do râguebi escocês e, desse modo, da continuidade de planos que se queira fazer entre clubes e selecção.


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