14 Dez, 2017

A série que estava prometida há 2 anos

João PortugalMaio 14, 20176min0

A série que estava prometida há 2 anos

João PortugalMaio 14, 20176min0

Kawhi Leonard vai jogar! Não é um começo meu de texto habitual, mas só vale a pena antever esta série com Leonard disponível. E vamos ter a Final da Conferência Oeste que nos estava prometida há 2 anos, que ainda não tinha acontecido porque os Spurs têm falhado nos momentos decisivos. O peso da contratação de Kevin Durant vai começar a ser sentido agora. Será que os Warriors chegam à Final só com vitórias? A ausência de Tony Parker pode ser uma coisa positiva para os Spurs.

Primeiro foi o game winner no jogo 7 de Chris Paul, como só ele consegue, no ano seguinte foram os Thunder que foram demasiado superiores em 4 dos últimos 5 jogos da série. Ao terceiro ano de existência dos Warriors de Steve Kerr, finalmente temos as duas melhores equipas do Oeste do passado recente a defrontarem-se nos playoffs. Quase que podemos dizer que veio tarde. Nunca o fosso entre elas foi tão grande…e Kawhi Leonard não deverá estar a 100%. Mesmo se estiver, conseguirão os Spurs vencer pelo menos um jogo desta Final?

Já devem ter reparado que Kevin Durant joga mais ou menos na mesma posição de Kawhi Leonard e de Lebron James. É a partir de agora que veremos a diferença enorme que faz ter Durant e não Harrison Barnes. E KD não só é o scorer mais letal da NBA, como tem um historial excelente a defender Leonard, que também ele se tornou num dos mais eficientes marcadores de pontos da liga. Ficou provado na temporada passada, quando os Thunder deram a volta de um blowout no jogo 1 para ganhar 4-2 com Durant a ser decisivo a defender The Klaw. E se acontecer o pior que é Leonard não estar a 100% ou perto disso, olhem para o gráfico abaixo que mostra a prestação dos Spurs na meia-final contra os Rockets e imaginem o que é não contar com o impacto daquele jogador ali do canto direito contra a melhor equipa da liga.

O Impacto de um franchise player [Fonte: NBAMath.com]
 

Deixemos para trás o duelo Durant vs Leonard da temporada anterior, porque este ano será bem diferente. O que mais me fascina nas séries de playoff, de uma maneira geral, são os match ups defensivos. Imaginar quem é que cada treinador usará para defender Curry, Durant, Leonard, Aldridge, etc. Que pick ‘n rolls é que cada equipa usará para abusar das trocas defensivas, para criar match ups favoráveis contra piores defensores. É aqui que acredito que a lesão de Tony Parker poderá ser boa para San Antonio. Patty Mills tem muito mais possibilidades de defender bem Curry, permitindo a Danny Green e Kawhi Leonard deambularem entre Klay Thompson e Kevin Durant. O ano passado os Spurs tentavam esconder Parker em Harrison Barnes. Imaginem como teria sido este ano, o base francês teria de começar no banco, que é algo que Popovich já devia ter feito há algum tempo.

Continuando na defesa, os Warriors (96,9 def rtg) estão a ser superiores a qualquer outra equipa em prova por pelo menos 9 pontos por 100 posses de bola. Esta defesa que tem sido asfixiante e um grande esforço colectivo é a segunda razão que me quer levar a imaginar um temível 4-0 também na Final do Oeste. E esta é uma percepção que depois também vai aparecer amanhã quando me virar para o Este. Ainda não vimos Warriors e Cavs perder na post season. A defesa de Golden State pode demolir San Antonio na inexperiência de Dejonte Murray, Jonathon Simmons, Dewayne Dedmon até, que espero que venha a ter minutos nos line ups bigs dos Spurs. Simmons provou contra os Rockets que não lançamento exterior, os Warriors vão oferecer-lhe lançamentos todas as jogadas e ele precisa de ter o discernimento de que não é bom para a equipa que ele lance muito.

E agora que toquei no tema de jogar small ou big, os Spurs têm de jogar muito tempo small, com Leonard a power forward e Aldridge a poste. Pau Gasol e David Lee, os Warriors vão arranjar maneira de fazer Greg Popovich concluir que a sua utilização será muito escassa, aliás ele já deverá saber isso de antemão. Quando Mike Brown (em substituição de Steve Kerr que fez uma intervenção cirúrgica às costas) detonar Iguodala ou Livingston no lugar de Pachulia,  eu não sei se os Spurs têm pessoal para aguentar os largos períodos de jogo a defender os melhorers 5’s de Golden State. Basicamente Simmons, Green e Leonard não podem ter problemas de faltas, é simples. Estou ansioso por ver Mills-Simmons-Green-Leonard-Aldridge vs Curry-Thompson-Iguodala-Durant-Green. Podiam ser os 48 minutos de cada jogo só com estes jogadores em court. O problema são as poucas variações que os Spurs podem fazer aqui que não tenham pontos fracos gritantes.

E tenho pouco mais a dizer, os jogos não andarão muito longe disto, os line ups acima são o tipo que será mais utilizado por cada equipa. Não falei muito em termos individuais, Curry será Curry se bem que tenho muita confiança em Patty Mills para o infernizar, Mills é o tipo de base que mais gosto de ver defrontar Curry, obriga-o a correr muito, defende e lança bem de longe. Não disse nada sobre Klay porque ele é assim, discreto, tirando o jogo 6 contra OKC o ano passado que incendiou o planeta por completo. Danny Green pode ter a capacidade para o alienar um pouco desta série e criar problemas aos Warriors. Mais uma vez reitero, se Leonard se ressentir, penso que será um 4-0 fácil, com Leonard fit que todos nós merecemos, aponto para um 4-1, e veremos se o quase quarentão Ginobili saca um derradeiro coelho da cartola como fez no jogo 5 há uns dias.

Os Warriors têm 3 dos 8 melhores em prova [Fonte: NBAMath.com]
 

Deixo-vos com o incrível quadro dos Warriors na série anterior contra Utah em que provaram que têm 3 dos melhores jogadores dos playoffs, têm os 3 uma preponderância que é insubstituível e quando estão os 3 bem são imbatíveis. Golden State não vai perder um jogo estes playoffs em que Durant, Green e Curry joguem os 3 muito bem, nem que o resto da equipa fique 0-50 em lançamentos. E para terminar, porque Manu Ginobili é realmente um jogador especial, um Hall of Famer, e podemos mesmo vir a assistir aos últimos jogos da sua carreira, vejam bem esta pequena montagem que o Coach Nick fez dele depois do jogo 5 que terminou com o abafo em James Harden, é de trazer lágrimas aos olhos.

 


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS




Newsletter


Categorias


newsletter