18 Dez, 2017

Por que temos saudades da NBA?

João PortugalSetembro 30, 20167min0

Por que temos saudades da NBA?

João PortugalSetembro 30, 20167min0

Estamos a pouco menos de um mês de iniciar a nova temporada da NBA e já estava na altura de apresentarmos o espaço que se dedicará à liga de basket mais espectacular do Mundo. Antes de entrarmos com as antevisões às 30 equipas, um pequeno artigo com 5 de muitas razões pela qual tanto eu como os adeptos da modalidade em Portugal sentirão saudades de passar as madrugadas agarradas à TV ou ao League Pass no computador a ver afundanços, triplos, abafos, trash talk, buzzer beaters… Não se preocupem, a NBA está mesmo quase a chegar!

Quem encontrará o antídoto contra Golden State?

Os Cleveland Cavaliers são os Campeões em título, mas os derrotados na Final de 2016, depois de estar em vantagem por 3-1, os Warriors, e a grande aquisição deste verão, Kevin Durant, serão, novamente, a grande atração da nova temporada. No início da Free Agency assistimos a algo raro, o ex-MVP pelos Oklahoma City Thunder decidiu ir jogar para um rival na luta pelo topo do Oeste e pelo título da NBA, matando dois coelhos com uma cajadada: retirou qualquer hipótese de OKC contestar o anel na época que se avizinha e tornou Golden State no favorito quase indisputável a atingir a Final pelo terceiro ano consecutivo na Conferência Oeste. O que para mim será mais fascinante esta temporada é apreciar e estudar todas as estratégias que os outros 29 treinadores usarão para tentar derrotar os comandados de Steve Kerr ao longo dos 82 jogos da fase regular. Não nos podemos esquecer que, um pouco menos de 2 meses antes de serem derrotados no jogo 7 pelos Cavs, os Warriors conquistaram o melhor resultado da história da fase regular com 73 triunfos e apenas 9 desaires. Entretanto “trocaram” Harrison Barnes, o patinho feio do 5 inicial, por alguém que já foi eleito MVP (2014), é All-Star desde 2010 e foi o melhor marcador da NBA por 4 vezes.

O Adeus a mais duas Lendas

Desde o abandono de Kobe Bryant no último dia da regular season anterior, já tivemos mais 4 ilustres jogadores a pendurar as botas: Tim Duncan, Kevin Garnett, Chris Bosh e Amare Stoudamire. Duncan, o melhor poste que vi jogar, acabou por ter uma carreira tão ilustre como a de Kobe Bryant ao nível de títulos (5) e que termina a carreira com uma marca que dificilmente alguém conseguirá igualar ou chegar perto sequer: a sua pior fase regular da NBA foi em 2009/2010 quando “apenas” venceu 61% dos jogos (50-32). Tirando essa, o pior que fez foi ganhar 65% em 99/2000, sendo que em 12 dos 20 anos de carreira ultrapassou os 70% de vitórias na regular season. Estou a falar em valor percentual e não em total pela simples razão de terem havido duas temporadas com lock out (greve) no início que foram encurtadas. Kevin Garnett sempre viu a sua carreira muito comparada à de Duncan, contudo ele foi único e não precisa de ser comparado com outras lendas que ganharam mais títulos que o seu em 2008 (Celtics) para o rebaixar. O que há de comum entre KG, Duncan e Kobe ainda na actualidade é que tinham mais que qualidade, vontade e capacidade mental para permanecerem na liga, mas o corpo não os deixou continuar. Chris Bosh viu a sua situação de saúde (coágulos de sangue no pulmão) agravar-se nas últimas semanas e teve um abandono prematuro, sai da NBA com dois aneís ganhos ao lado de DWade e Lebron James. Stoudamire é o único deste quinteto que não foi campeão, mas fez parte de uma das equipas revolucionárias deste século, os Phoenix Suns, conhecidos como “7 seconds or less” pelo ritmo com que atacavam. Uma coisa é certa, que venha a nova época para ver se acabam as más notícias.

KG numa última homenagem a Flip Saunders, momento icónico [twitter]
KG numa última homenagem a Flip Saunders, momento icónico [twitter]
 

Quem são os próximos a dar o salto?

O draft para esta época não será tão profundo em qualidade como o anterior, de onde saíram Karl-Anthony Towns, Jahill Okafor, D’Angelo Russell, Kristaps Porzingis, Justise Winslow entre muitos outros, porém o talento de Ben Simmons e de Brandon Ingram significam a continuação da tendência para que a posição de extremo seja uma das mais bem apetrechadas da NBA. Este draft também fica conhecido por ser o mais internacional de sempre. Ao todo foram 21 nacionalidades diferentes escolhidas nas duas rondas. A Europa e a Ásia (+ Austrália) têm conseguido formar grandes talentos nos últimos anos e as principais ligas desses continentes estão cada vez mais competitivas. 76ers, Lakers, Wolves, Nuggets, Magic e Bucks são os franchises que mais têm “angariado” jovem talento nas últimas épocas, mas que ainda não deram o passo seguinte que é disputar o acesso aos playoffs. Se a equipa de Minnesota a Oeste e de Orlando a Este parecem as escolhas óbvias para dar esse salto já em 2016/17, haverá mais alguma a conseguir fazer o mesmo?

Who’s the real MVP?

Esta época que se avizinha será particularmente importante para Russell Westbrook. Do quarteto fantástico que atingiu a Final da NBA em 2012, é o único que sobra em OKC depois das idas de Kevin Durant para Golden State e de Serge Ibaka para Orlando. Poderá ser a última melhor oportunidade para Westbrook conquistar o prémio de melhor jogador da fase regular, está no pico de carreira, não tem concorrência interna, que apesar de beneficiar tremendamente a performance colectiva dos Thunder, sempre o impediu de ser o MVP. Num ano em que dificilmente OKC lutará pelo título, deveremos ter o Russell mais louco que vimos em busca deste troféu individual. Por outro lado, quem será o Warrior em melhores condições de conquistar prémios individuais? Curiosamente, Golden State reuniu uma série de condições que lhes permite desligarem-se um pouco de tudo o que não seja serem Campeões. Tanto Curry como Durant já foram MVP’s, perderam a Final anterior e KD nunca foi campeão tendo também perdido a única Final que disputou.

CP3 e Westbrook entram em épocas decisivas
CP3 e Westbrook entram em épocas decisivas [hooplife.net]

A derradeira chance para Chris Paul?

Neste século, só duas equipas ainda não conseguiram chegar à Final da Conferência a Oeste: New Orleans que antes de serem Pelicans eram Hornets e os Los Angeles Clippers. Por acaso foram as únicas formações por onde passou Chris Paul. Aquele que ainda é considerado por muitos como o melhor base puro da NBA, sendo que eu me incluo nesse grupo, está a terminar o pico físico da sua carreira e a entrar aos poucos na fase decrescente, em ligeira decadência. Para além disso, tanto o seu contracto como o de Blake Griffin podem terminar este ano, isto é, os dois têm uma opção para continuarem mais uma época em LA, o que até pode vir a acontecer, porém vai haver um aumento dos salários tão significativo dos salários no próximo verão, outra vez, que com toda a certeza ambos serão Free Agents. Quando faltar uma semana para o começo da regular season, publicarei diariamente as antevisões de todas as Divisões da NBA e posso já avançar que conto colocar os Clippers como 2ºs favoritos no Oeste. A ameaça da separação, por vezes, transcende os jogadores e sem anel, Doc Rivers, Chris Paul, Blake Griffin e DeAndre Jordan não continuarão juntos para lá de 2017.


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