25 Nov, 2017

NBA Trade Deadline: O Medo superou todas as trocas

João PortugalFevereiro 25, 201713min0

NBA Trade Deadline: O Medo superou todas as trocas

João PortugalFevereiro 25, 201713min0

DeMarcus Cousins foi o grande nome a ser movido, mas acabou por haver muito pouca agitação. A razão foi simples, o topo está longínquo para as restantes 28 equipas da NBA. Golden State e Cleveland dominam a liga com tal facilidade que dificilmente havia algum negócio disponível para que outro franchise se aproximasse. Ainda assim, se for mesmo verdade que os Pacers rejeitaram 4 escolhas da primeira ronda do draft por Paul George, dos Boston Celtics, então Danny Ainge nem pode ser o único culpado de eles não se terem mexido. Ainda assim, quando vemos o que levou Serge Ibaka e Cousins a sairem de Orlando e Sacramento, leva-nos a pensar que os Celtics facilmente fariam ofertas melhores. Pelicans, Raptors, Rockets e Thunder foram os grandes vencedores das trocas que aconteceram mesmo.

Nota: sempre que há movimentação de picks do draft, estas não aparecem no título da troca mas são sempre mencionadas no texto abaixo

Troca: DeMarcus Cousins e Omri Casspi (Kings -> Pelicans); Buddy Hield, Langston Galloway e Tyreke Evans (Pelicans -> Kings)

A troca mais “blockbuster” desta semana foi a que levou Boogie Cousins do desastre de Sacramento para New Orleans. Para além da movimentação de jogadores, os Kings terão direito à pick do draft deste ano por parte dos Pelicans, que deverá ser entre a 15ª e a 18ª posição, e a pick da 2ª ronda dos 76ers, também deste ano. Em vez de criticarmos o front office de Sacramento por ter feito esta troca, a crítica deveria recair em Sacramento por não terem sido competentes em construir em torno de Cousins nos últimos 6 anos e meio. Em 2010, os Kings conseguiram Cousins e Hassan Whiteside! No mesmo draft! Os franchises dos K’s são de longe os mais doentes da NBA, mas a incapacidade de desde 2010 até hoje, dos Kings terem conseguido draftar ou contatar peças para moldar o plantel em torno de um dos Bigs mais dominadores de toda a liga, que está no seu prime, é de bater com a testa na parede repetidamente e com muita força.

Para além destes falhanços, existia a pressão financeira. DeMarcus Cousins ficaria elegível para a extensão contratual no dia 1 de Julho, que provavelmente obrigaria Sacramento a oferecer-lhe 5 anos por mais de 200 milhões de dólares, a partir do verão de 2018, se quisessem ficar com ele. E a decisão de ficar com ele, nestas condições, ele no seu prime, o resto do plantel tremendamente disfuncional e nada preparado para o acompanhar aos playoffs, a somar aos casos de indisciplina onde Cousins era o principal culpado, e um front office mal preparado que não conseguiu acertar num draft de 2011 para cá, acaba por ser uma boa decisão. A troca foi bem decidida, mas receberam muito pouco de retorno. Mesmo assim, os relatos dos principais insiders da NBA é que não houve melhores ofertas. Equipas que podiam bater a proposta de Buddy Hield e uma pick do meio da tabela da primeira ronda, não apareceram, não quiseram arriscar com Boogie Cousins. A certa altura também temos que dar a mão à palmatória, apesar de ser um All-star e um fantástico talento, Cousins é o jogador mais indisciplinado da NBA, capaz de arranjar confusão em qualquer momento de qualquer jogo.

Para terminar, e porque ainda não falei dos Pelicans, a possibilidade de juntar Anthony Davis e Cousins não se desperdiça, ainda por cima por um preço tão baixo. É verdade que o plantel em New Orleans está carecido de bons defensores de perímetro e de bons atiradores, que muito provavelmente o melhor que conseguirá esta época é o 8º lugar do Oeste com direito a serem corridos em 4 ou 5 jogos pelos Warriors na primeira ronda da post season. DeMarcus Cousins nunca foi aos playoffs. Já ganhou o Mundial e o Ouro Olímpico com os EUA, já foi 3 vezes All-star, mas conseguir ter esta primeira experiência nos playoffs já seria muito importante para a sua carreira. Vendo bem a escolha da equipa, parece que os Kings facilitaram a troca de Cousins, enviando-no para perto de casa (Boogie é de Mobile, Alabama que fica a duas horas de carro de New Orleans), para ser colega de um bom amigo em Davis, que andou na mesma universidade, embora não tendo coincidindo lá, a famosa UK, dos Kentucky Wildcats de John Calipari.

Troca: Serge Ibaka (Magic -> Raptors); Terrence Ross (Raptors -> Magic)

Para além de Terrence Ross, os Magic também receberam a pick de primeira ronda do draft deste ano dos Raptors. Os planos para esta temporada de Orlando sairam completamente furados. São uma das piores equipas da NBA, acumularam uma série de Bigs de qualidade que jamais conseguiriam jogar juntos e que vinham roubar minutos uns aos outros. Esta troca é o assumir do erro e a tentativa de trazer mais qualidade jovem através de outra pick do draft de 2017, que tem o potencial de ser dos melhores e mais profundos dos últimos anos, e Terrence Ross, que é um extremo que tem imenso talento mas que não atingiu o potencial que tinha. Enquanto que Ibaka será um free agent no verão, Ross vai continuar a ganhar 10,5M$ por mais dois anos.

Ibaka vai em busca da sua segunda Final na carreira [Foto: Retagram]

Troca: PJ Tucker (Suns -> Raptors); Jared Sullinger (Raptors -> Suns)

Para Toronto, e já estou a juntar aqui a troca de Tucker por Sullinger e duas escolhas de segunda ronda do draft nos próximos dois anos, foram duas trocas que melhoraram bastante a defesa e a capacidade dos Raptors lutarem pelo primeiro lugar no Este com os Cavaliers e desafiarem-nos depois nos playoffs. Uma vez mais, Masai Ujiri, o General Manager de Toronto, fez magia ao melhorar significativamente o plantel para tentar tirar o máximo partido do pico de carreira de Kyle Lowry e de DeMar DeRozan. Fundamentalmente é esta a diferença entre Toronto e Boston. Os melhores anos dos Raptors são agora, os dos Celtics ainda estão para vir, com o seu melhor activo, a pick de Brooklyn no draft em Junho, provavel primeira escolha, com excelente probabilidade de se tornar num jogador que trará grande sucesso para o franchise na próxima década.

Troca: Lou Williams (Lakers -> Rockets); Corey Brewer (Rockets -> Lakers) e Marcelo Huertas (Lakers -> Rockets); Tyler Ennis (Rockets -> Lakers)

Foram duas trocas diferentes, mas juntu-as porque a segunda é quase insignificante. Em adição a Corey Brewer, os Lakers receberam a pick da primeira ronda dos Rockets do próximo draft, que era exactamente o que eles queriam quando disponibilizaram Lou Williams no mercado. Para Houston, Sweet Lou é mais uma arma fortíssima para vir do banco e assenta perfeitamente no sistema de run ‘n gun do treinador Mike D’Antoni. Com um plantel tão explosivo e ofensivo, os Rockets serão uma ameaça para qualquer adversário nos playoffs, mesmo para os Spurs ou Warriors.

Os Lakers para além da pick, recebem o contracto de Corey Brewer, que olhando para a sua capacidade actual de ajudar uma equipa, é horrível, só que estes 7,6M para este e para o próximo ano, não pesam nos Lakers. A sua presença como veterano pode ajudar os jovens em desenvolvimento e este milhões que parecem deitados à rua, até são mais uma garantia de que não haverá mais contratações de Dengs e Mozgovs este verão, já que também não terão cap space para tal. Volto a lembrar que os Lakers também só ficam com a sua própria pick de primeira ronda no draft em Junho se esta calhar no top3. A troca acabou por ser também o primeiro statement de Magic Johnson como novo President of Basketball Operations dos Lakers.

Lou Will venceu Cousins num duelo entre estreantes [Foto: The Dream Shake]
 

Troca: KJ McDaniels (Rockets -> Nets)

Só para concluir o assunto Rockets, deixo este último negócio que, em conjunto com o de Ennis para os Lakers por Huertas, permitiu a Houston poupar 3M$ que pode utilizar ainda esta temporada em jogadores que venham a ser ou já tenham sido dispensados, como Andrew Bogut ou Deron Williams. Os Nets ficam assim com McDaniels, como os Lakers ficam com Ennis, que entram os dois numa espécie de período à experiência para as derradeiras 6 semanas da temporada regular, e se as equipas assim o entenderem, podem vir a dar-lhes contracto para lá desta temporada. Os Nets enviaram para Houston uma pick de segunda ronda do draft altamente protegida, o que significa que não deram nada, mas na NBA é proibido trocar por 0, logo as equipas adicionam protecções inatingíveis a uma pick de segunda ronda e usam como “moeda de troca”.

Troca: Roy Hibbert (Bucks -> Nuggets)

Para não ter que estar a escrever exactamente o mesmo duas vezes, os Bucks o os Nuggets fizeram um negócio semelhante com Roy Hibbert, por troca por uma pick altamente protegida que nunca vai sair de Denver. A razão desta troca foi para ajudar os Nuggets a atingirem o salário mínimo colectivo na NBA, de modo a pouparem alguns milhões de dólares. Esta troca funciona da seguinte forma: Denver estava a 6,3M$ do salary floor de 84,7M$, absorvendo o contracto de Hibbert, fica a apenas 1,3M$, o que significa que vai poupar a diferença entre os 5M$ que o salário anual de Hibbert cobre na folha salarial e o valor que efectivamente já foi pago pelos Charlotte Hornets desde que a temporada começou. Se Denver não contratar mais ninguém até ao fim da época, os 1,3M$ que sobram para o salary floor serão distribuidos pelos jogadores do plantel, de acordo com a % de cap que os seus salários representam.

Troca: Taj Gibson e Doug McDermott (Bulls -> Thunder); Cameron Payne, Joffrey Lauvergne e Anthony Morrow (Thunder -> Bulls)

Esta é uma das trocas mais desiquilibradas que aconteceram esta semana. Parece uma sobrevalorização clara de Chicago perante Cameron Payne, de quem eles acreditam que possa vir a ser um base titular na NBA no futuro. A meu ver, ele é demasiado limitado para atingir essa posição. Gibson e McBuckets são duas adições extremamente úteis para Oklahoma cimentarem a sua posição no top7 do Oeste e, talvez, até tentarem subir mais, já que os Clippers estão vulneráveis com a lesão de Chris Paul. Os Thunder tinham espaço e utilizaram-no para tentarem criar condições para atingirem, pelo menos, a segunda ronda da post season. Gibson vem ser o PF titular e McDermott vai ter muitos minutos quer a 2 ou 3.

Do lado de Chicago, como já disse em cima, é a esperança de que Payne venha a tornar-se no seu base titular, o que duvido muito. É um risco, só poderá ser avaliado dentro de algumas épocas. Lauvergne e Morrow serão free agents no verão, sendo que o francês será restricted, ou seja, os Bulls detêm o poder de decidir se querem renovar com ele ou deixá-lo assinar por outra equipa. Chicago deu ainda uma pick da segunda ronda do draft a Oklahoma.

Gibson não mais precisará de perseguir Russell [Foto: Hoops Habit]
 

Troca: Bojan Bogdanovic e Chris McCullough (Nets -> Wizards); ndrew Nicholson e Marcus Thornton (Wizards -> Nets)

Esta é mais uma troca em que os Wizards fazem o papel de equipa à procura de rentabilizar ao máximo o prime de John Wall e de Bradley Beal. Bojan Bogdanovic é alguém que vai trazer muitos minutos de qualidade à posição de SF, melhorar o banco e diminuir um pouco a utilização de Beal e Otto Porter Jr. Só faltou aos Wizards conseguirem trocar por algum base que pudesse ajudar e poupar um pouco mais John Wall, ainda assim, boa trade deadline para Washington. Conseguiram ainda ver-se livres dos contractos de Nicholson e Thornton, o que permitirá que aceitem quaisquer que sejam as exigências no verão para a renovação de Porter Jr.

A grande vantagem desta troca para Brooklyn é a escolha da primeira ronda do draft de 2017 que recebem, por absorverem os contractos de Nicholson e Thornton, que é exactamente o que deveriam ter feito. Claro que não será uma pick muito boa, já que os Wizards deverão terminar no top4 do Este, mas para quem não tem quase nenhuns activos para o futuro, é uma grande ajuda.

Troca: Jusuf Nurkic (Nuggets -> Blazers); Mason Plumlee (Blazers -> Nuggets)

Se pensarmos que Portland para além de Nurkic recebeu ainda a pick de primeira ronda deste ano, que pertencia aos Memphis Grizzlies, e enviou Plumlee e a sua pick da segunda ronda de 2018, gosto mais da troca para o lado dos Blazers. Não só tomo preferência pelo poste bósnio em relação ao americano, como ter mais picks da primeira ronda deste draft é excelente. Neste momento os Trail Blazers têm 3, a sua, a dos Cavs e agora a dos Grizzlies. O facto de Denver estar actualmente na oitava posição do Oeste e poder ainda atingir a post season pode ter precipitado a troca de modo a dar mais qualidade à rotação de Bigs liderada por um dos principais candidatos a Most Improved Player of the Year, Nikola Jokic. Ainda assim, este oitavo lugar no Oeste não mudará grande coisa no futuro de Denver, nem está minimamente garantido, já que os Pelicans de Davis e Cousins estão a caminho.

Troca: Ersan Ilyasova (76ers -> Hawks); Tiago Splitter (Hawks -> 76ers)

Terminamos com esta troca que, para além de Splitter ainda trouxe para Philadelphia a pick de segunda ronda do draft de 2017 de Miami e o direito a trocar de picks de segunda ronda, também em 2017, entre Atlanta e Golden State. O que significa isto? Que os 76ers ficarão com a melhor escolha entre Hawks e Warriors na segunda ronda, ou seja, com a dos Hawks, já que Golden State ficará com o melhor record pela terceira temporada consecutiva e terá assim a 60ª escolha do draft.

Em termos basquetebolísticos, esta troca ajuda a rotação de Bigs de Atlanta já que Ilyasova estava a fazer uma boa época em Philadelphia e contribuirá certamente na recta final da regular season e nos playoffs. Splitter não vai ajudar em nada em Philly, mas a saída de Ersan Ilyasova abrirá minutos para os jovens dos 76ers.


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