20 Ago, 2017

NBA: Conferência Oeste

João PortugalOutubro 25, 201611min0

NBA: Conferência Oeste

João PortugalOutubro 25, 201611min0

A nova temporada da NBA começa na próxima madrugada! Daqui a umas horas, teremos a cerimónia de entrega dos Anéis aos Cavaliers. Depois Cavs-Knicks e Warriors-Spurs, tudo para ver na SportTV1. O Oeste vai ser novamente mais forte que o Este. Os Warriors vão à procura de todos os records e mais alguns. Os Clippers vão ficar à frente dos Spurs e Chris Paul terá um MVP como recompensa. Utah Jazz serão uma das equipas sensação da prova. Entre James Harden e Russell Westbrook, um deles deverá falhar os playoffs.

Conferência Este

À procura de serem os melhores de sempre

Adivinhem lá! Os Golden State Warriors vão ser a melhor equipa do Oeste e da NBA, pela terceira temporada consecutiva. Chocados? Então aqui está algo que já difere de quase todos os analistas. Toda a gente tem dado 65-68 vitórias na fase acreditando que eles, depois de conseguirem o record de 73-9 na época passada, vão abrandar e descansar mais, só que isso não é o ADN dos Dubs. É quase impossível que a liga encontre uma forma de derrotar o absurdo potencial que esta equipa tem por 12 ou mais vezes. A minha aposta é que Golden State ganhe, no mínimo, 70-71 jogos, sendo que não coloco de parte irem atrás de um segundo 73-9 ou melhor. O ciclone Warriors começa, oficialmente, amanhã e só pára no título.

Ser Campeões é o que já toda a gente espera da nova equipa de Kevin Durant, portanto os Warriors vão querer deslumbrar ao longo do ano. Para além de quererem bater todos os records de triplos, que Steph Curry e Klay Thompson têm vindo a bater continuamente há 4 anos para cá, o record que eles mais querem acredito que seja o de melhor ataque de todos os tempos. Neste momento está na posse dos Lakers de 86-87, os famosos ShowTime liderados pelo lendário Pat Riley, com 115,6 pontos por 100 posses de bola. Pergunta importante: A defesa de Golden State vai piorar sem Andrew Bogut? É bem provável que sim, mas também é garantido que as das outras 29 equipas, quando jogarem contra eles, vão piorar ainda mais! Para além de que os Warriors contrataram três peças importantes para o interior: Zaza Pachulia (imaginem agora se os georgianos tivessem conseguido levar avante o seu esforço para colocarem o poste do seu país no All-Star Game da temporada passada, Golden State teria cinco titulares All-Star); David West e JAVALE MCGEE.

Os Candidatos ao resto do top4

O Oeste está um pouco mais aberto no topo do que em anos anteriores, e por topo, neste caso, falo dos outros lugares que dão acesso a home court advantage (4 jogos em casa) na primeira ronda dos playoffs. Com uma ligeira vantagem sobre os Spurs, penso que os Clippers irão terminar em segundo, esta temporada. Também acredito que ficarão encostados às 60 vitórias, ou até podem mesmo alcançá-las. Como já escrevi há umas semanas, deverá ser o derradeiro ano de Chris Paul, Blake Griffin, DeAndre Jordan e Doc Rivers juntos. Os jogadores e a equipa técnica sabem que têm que exceder-se para que o franchise não se desmembre quando chegar a Free Agency de CP3 e de Griffin. Têm armas suficientes para atacar Golden State e a aposta em melhorar o banco com muita experiência foi porque acreditam que chegarão às fases decisivas da temporada onde esses nomes podem ter mais relevância, tais como Brandon Bass, Marreese Speights, Raymond Felton, Alan Anderson ou Dorel Wright.

Os Spurs irão seguramente ganhar uns 55 jogos, o que será suficiente para o terceiro lugar no Oeste. A minha grande intriga com San Antonio são os rumores em torno de LaMarcus Aldridge e a conclusão que eu retiro daí é que algum negócio poderá acontecer quando os Spurs tiverem a certeza absoluta de que não conseguirão derrotar os Warriors esta época e que então tentarão trocar Aldridge enquanto está no auge do seu valor de mercado. Tem mais dois anos de contracto depois deste, tem 29 anos e está no topo das suas capacidades como atleta. Kawhi Leonard é o futuro do franchise e LMA pode não ser o parceiro ideal para o futuro MVP. Ainda assim, a chegada de Pau Gasol para o lugar de um dos melhores de sempre, Timothy Theodore Duncan, prejudicará bastante a defesa dos texanos.

Jazz e Spurs poderão ficar muito próximos na tabela [Foto: San Antonio Express News]
Jazz e Spurs poderão ficar muito próximos na tabela [Foto: San Antonio Express News]
 

E o quarto classificado do Oeste, com pelo menos 50 vitórias, será o franchise de Salt Lake City, os Utah Jazz. A maior debilidade da equipa era na posição de base, Trey  Burke não dava garantias para os objectivos da equipa em chegar ao topo a médio-prazo, Dante Exum passou um ano no estaleiro, Raul Neto e Shelvin Mack tiveram demasiados minutos para comandar o ataque de Utah. Este ano tudo isso é posto de parte com a chegada de George Hill. E do banco virá outro veterano que ainda poderá ter uns cartuchos para gastar, Joe Johnson. Boris Diaw também veio fortalecer o banco e de que maneira. Os Jazz não só terminarão no top4, como terão Gordon Hayward e Derrick Favors eleitos para o All-Star 2017.

As restantes equipas que vão aos Playoffs

Portland, Minnesota, Memphis e Oklahoma City serão as restantes equipas do Oeste na post season. Acredito que nenhuma passe das 50 vitórias e que o mínimo de entrada na post season ande perto das 40-41. Este ano, o Oeste está mais acessível, no que toca ao número de triunfos necessários para o top8, muito por culpa dos Warriors. Os Trail Blazers têm a minha aprovação para o 5º lugar porque já fizeram uma fase regular fantástica o ano passado quando não davam muito por eles e este ano devem melhorar um pouco mais em todos os aspectos, especialmente na defesa onde foram um dos 10 piores franchises da NBA em 2015/16. Al-Farouq Aminu e Festus Ezeli farão uma boa dupla defensiva entre as posições 4 e 5.

Os Timberwolves contam com Tom Thibodeau para os colocar na rota dos playoffs pela primeira vez em 13 anos. Karl-Anthony Towns vai ser um dos 10 melhores jogadores da NBA esta temporada, vai ser All-NBA e All-Star. Os Wolves devem ser uma excelente formação defensiva que, juntando ao talento ofensivo que Towns, Wiggins, Lavine, Rubio têm pode mesmo surpreender. Claro que o banco não é famoso e este plantel pode ser demasiado jovem para aguentar a exigência física de Thibs logo no primeiro ano juntos, mas dou-lhes o benefício da dúvida porque têm as peças necessárias para alcançarem a post season.

Os Grizzlies surpreenderam-me por terem continuado a apostar no mesmo projecto dos últimos anos. Deram o máximo a Mike Conley que recebe assim um contracto que o valoriza monetariamente ao nível do seu jogo, que é dos melhores bases da NBA. Depois deram 94 milhões por 4 anos a Chandler Parsons que decidiu sair de Dallas, o que com as novas conjunturas e os milhões que as equipas têm para dar e vender não é um mau contracto, porém Parsons não esteve propriamente livre de azares nos Mavs. Tem um corpo propenso a lesões e os Grizzlies não têm banco para aguentar lesões de Parsons, Gasol ou Conley. Curioso também para ver como funciona Zach Randolph como sexto homem, acredito que vá funcionar bastante bem.

Qual deles ficará de fora da post season? [Foto: PBA-Online]
Qual deles ficará de fora da post season? [Foto: PBA-Online]
 

Os Thunder ficam à frente de Houston na minha lista, apesar de achar que ambas serão terríveis defensivamente, muito porque os Rockets perderam Patrick Beverley por um mês para começar a temporada e os jogos deles vão ser absolutas auto-estradas, nos dois sentidos. OKC tem o jogador “Auto-estrada”, Russel Westbrook, que tentará certamente ter um triplo-duplo de média de temporada e ser MVP pela primeira vez. Duvido que consiga ambas, já que sem Kevin Durant e Ibaka as 10 assistências por jogo não vão aparecer com um estalar de dedos como nos anos anteriores. No que toca a MVP, digamos que o único a conquistar o prémio sem terminar num dos dois primeiros lugares da Conferência, nos últimos 30 anos, tem o nome de Michael Jordan e os Bulls foram terceiros no Este, mesmo assim.

As  equipas que vão ficar à porta da post season

Houston, New Orleans, Dallas e Denver, serão as equipas que lutarão por esse objectivo, sem o conseguirem. Diria que são todas capazes de mais de 40 vitórias no seu auge de capacidade, mas que nenhuma o vai atingir, logo ficar-se-ão pelos 35 a 40 triunfos.  As contratações dos Rockets foram com o entuito de ter um ataque fantástico esta época, sob os comandos de Mike D’Antoni: Eric Gordon, Ryan Anderson e Nenê Hilário.

Os Pelicans esperam ter o melhor Anthony Davis de volta, só que Jrue Holiday continua lesionado e mesmo Davis ainda não provou que consegue estar uma temporada inteira sem parar. Ryan Anderson vai deixar saudades no banco, mas ao menos Buddy Hield, o melhor atirador da classe de rookies que entrou agora para a liga, tem caminho aberto para ser Rookie of the Year. Claro que enfrentará a concorrência desleal de Joel Embiid que ainda pode ganhar esse prémio, apesar de estar a entrar na sua terceira temporada, porque passou as duas anteriores no estaleiro.

AD e Dirk com os mesmos objectivos em fases bem distintas da carreira [Foto: Jerome Miron - USA Today Sports]
AD e Dirk, mereciam melhores planteis [Foto: Jerome Miron – USA Today Sports]
 

Os Mavericks aproveitaram os negócios que os Warriors foram obrigados a fazer para arranjarem espaço para Kevin Durant e montaram mais uma equipa decente, que nas mãos de Rick Carlisle pode surpreender tudo e todos e alcançar os playoffs. Ainda assim e muito porque Harrison Barnes lançou a 22% de campo na pré-época, que é anedótico, se Carlisle levar os Mavs ao top8, tem obrigatoriamente de ser Coach of the Year.

Quanto aos Nuggets, será que finalmente vão conseguir ser activos no mercado e trocar Danilo Galinari, Wilson Chandler ou Kenneth Faried, para rodearem os jovens com jogadores/escolhas de draft mais próximos da idade destes? Acredito que será o ano da explosão de Nikola Jokic, que só não explodiu mais cedo por falta de tempo de jogo na temporada passada. Resta saber se a dupla de Bigs europeia Jokic-Jusuf Nurkic resultará, visto que serão titulares e são ambos postes.

E no fundo da tabela…

Kings, Suns e Lakers. nenhuma destas equipas ultrapassará as 30 vitórias. Sacramento e Phoenix são dois franchises que precisam deste ano para estabilizar, ser activos no mercado para alinhar o plantel com um plano a longo-prazo, já que no presente não têm grandes hipóteses de sucesso. Os Lakers entram numa nova fase, com Luke Walton a treinador, que é marcada pela última temporada em que têm que ser maus de propósito, para poderem manter a escolha da primeira ronda do draft de 2017. Recordo que caso esta cai para fora do top3, passa para os Philadelphia 76ers. A partir da próxima temporada, se continuarem a ser maus, é porque não evoluíram o suficiente. Ainda assim tenho plena confiança que D’Angelo Russell tenha uma temporada altamente prometedora e que Brandon Ingram seja um dos grandes candidatos a Rookie of the Year, apesar de começar no banco. Só 3 jogadores do draft de Junho serão titulares esta época, logo não esperem uma corrida a Rookie do ano muito concorrida.

Previsão dos prémios individuais:

Most Valuable Player – Chris Paul (Clippers)

Defensive Player of the Year – Rudy Gobert (Jazz)

Rookie of the Year – Joel Embiid (76ers)

Sixth Man of the Year – Andre Iguodala (Warriors)

Most Improved Player of the Year – Nikola Jokic (Nuggets)

Coach of the Year – Quin Snyder (Jazz)

Executive of the Year – Bob Myers (Warriors)

Vem aí um prémio de carreira para CP3 [Foto: Noah Graham - NBAE
Vem aí um prémio de carreira para CP3 [Foto: Noah Graham – NBAE]


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter