20 Ago, 2017

Educar a NBA em Portugal

João PortugalOutubro 17, 20168min0

Educar a NBA em Portugal

João PortugalOutubro 17, 20168min0

A uma semana de se iniciar mais uma temporada da NBA, decidimos avançar com uma nova rubrica cujo objectivo é incentivar a aprendizagem dos adeptos portugueses desta modalidade espectacular. Também tentaremos educá-los para que tenham acesso aos melhores conteúdos de análises em artigos, podcasts e vídeos para que ganhem rotinas e venham a saber encontrar estes mesmos conteúdos de qualidade por iniciativa própria. O primeiro artigo desta série apresenta-vos aqueles que considerámos os melhores ao longo deste verão que passou. A partir do começo da nova época, será lançado semanalmente.

A Case For Chris Paul, Second-Best Point Guard Of All Time

Ainda a temporada anterior não tinha terminado completamente, e Shane Young, neste trabalho fantástico para o TheCauldron, colocou a fasquia altíssima para o resto do defeso. O grande objectivo do autor é mostrar e argumentar que Chris Paul é o segundo melhor base de todos os tempos, ficando apenas atrás de Magic Johnson. O texto está extremamente bem estruturado, há indicadores estatísticos que o comparam com os melhores de sempre e da actualidade, testemunhos e relatos dos seus treinadores antes de chegar à NBA. A conclusão principal do artigo e algo com que sempre concordei, Chris Paul não tem fraquezas, é o que acho mais notável. Passador sensacional, atirador letal, finalizador debaixo do cesto entre os melhores, inigualável no espírito competitivo e de liderança, exímio defensor. Todas estas qualidades incríveis e nunca foi MVP nem esteve sequer perto de ser campeão. Como escrevi na semana passada, deverá ser a derradeira oportunidade dos seus Clippers conquistarem algo com o actual coreTerá CP3 ainda a capacidade de guiá-los ao anel, já depois de entrar na casa dos 30 anos? Curiosamente, só duas equipas no Oeste ainda não atingiram a Final de Conferência neste século, os Hornets (que quando Paul foi draftado moravam em New Orleans) e os Clippers, os dois franchises onde o extraordinário base dividiu a sua carreira.

Kevin Garnett and the Inevitability of Finality

É difícil imaginar um ano mais emocional que aquele que os Minnesota Timberwolves estão a ter. Começou com a morte do emblemático Presidente e treinador Flip Saunders, a construção de um core jovem com um potencial quase ilimitado com o mais recente Rookie of the Year, Karl-Anthony Towns, a encabeçar a lista, a escolha certa para conduzi-los ao sucesso em Tom Thibodeau e o abandono da maior lenda do franchise, Kevin Garnett. Tornou-se mesmo uma montanha russa imprópria para cardíacos, é por se ter passado tudo isso que, graças à mestria e talento de Zach Harper, analista para a CBSSports e para o site que só cobre os Timberwolves, AWolfAmongWolves, e
à sua capacidade de nos agarrar a estes textos que são tão emocionais como factuais, que acabo por colocar dois trabalhos seus nesta compilação. Tal como Kobe Bryant e Tim Duncan, KG só abandonou a NBA porque o corpo manda mais que a mente e que força de vontade. Nenhuma destas lendas decidiu simplesmente deixar os courts, foi o Father Time , expressão muito usada em inglês, que lhes infligiu uma pesada derrota, a maior da suas carreiras.

Flip’s Script

Foi, então, por todas essas razões que escolhi este segundo artigo de Zach Harper, sobre o plano de Flip Saunders que começou a ser elaborado há mais de 20 anos quando Kevin Garnett foi selecionado no draft de 1995 e a herança deixada com o rebuild iniciado em 2013, cujos três momentos mais importantes foram: o regresso de Kevin Garnett para terminar a carreira na casa que o fez nascer para a NBA; a troca de Kevin Love para Cleveland pela primeira escolha do draft Andrew Wiggins, em 2014, e, no verão seguinte, a selecção de Karl-Anthony Towns como número 1 desse draft. No texto é contada a história de como os Wolves passaram de um Jahlil Okafor garantido na noite em que ficou decidido que escolheriam em primeiro lugar, para um outro Big que começava a emergir. Karl Towns. KAT teve uma época de rookie que apenas pode ser comparada a duas lendas, Shaquille O’Neal e Tim Duncan. Está projectado para ser eleito numa das All-NBA Teams da temporada que está para principar no dia 25. O texto traça o seu perfil, o trabalho realizado para ser um dos melhores postes da história da NBA, o trajecto feito para alcançar o objectivo máximo de um jogador, ser campeão. A grande motivação de Towns foi ter sido sucessivamente depreciado, desde os tempos na escola secundária, até à noite do draft.

Russell Westbrook Is Not As Good As You Think At The Rim

Porque o objectivo deste artigo não é ser muito extenso e denso, serei muito conciso a explicar a escolha destes vídeos. Russell Westbrook é um dos jogadores mais amados da NBA, deixa tudo em court, é explosivo, é espectacular, é um saltitão e faz tudo em campo. Ainda assim, o Coach Nick, criador do site BBALLBREAKDOWN, decidiu mostrar-nos que, afinal, Westbrook não é tão bom finalizador como parece a olho nu, quando o vemos jogar pela televisão. Todos os 291 ataques ao cesto que ele fez na temporada transacta foram analisados. Tem tabelas comparativas com os outros bases que foram melhores que ele e mostra também o seu historial nesta categoria.

Was Larry Bird Better Than LeBron James?

O segundo vídeo, da mesma página, e posso garantir-vos que quase todos os vídeos que postarei nestes artigos virão do site BBALLBREAKDOWN, porque, na minha opinião, estão bem à frente de toda a concorrência no que toca à produção de conteúdo sobre a NBA de fácil acesso para os adeptos. Desta vez, para ser um pouco diferente, uma comparação histórica entre um dos grandes do passado e outro do presente. Larry Bird e Lebron James são ambos Small Forwards, ou seja, jogam na posição 3, extremos, e, com a conquista do terceiro anel por parte de Lebron, há cada vez mais pessoas a considerá-lo no melhor SF de sempre, incontestado. Este vídeo procura mostrar que talvez não seja bem assim.

Dunc’d On: Mock Offseason (Part 1) (Part 2)

Para terminar, com a categoria dos podcasts, porque tentarei sempre agradar aos que gostam de ler, ver e também apenas ouvir, Nate Duncan, Danny Leroux, Kevin Pelton e Dan Feldman fizeram uma encenação de como iria decorrer o defeso deste verão. Se sempre tiveram curiosidade em perceber como funcionam as negociações entre jogadores e franchises, este podcast é um must-listen! É ainda melhor ouvi-lo agora, depois de todos os negócios estarem concluídos e fazer a comparação entre a previsão e a realidade.

Naturalmente que este tipo de artigos necessitam do entendimento da língua inglesa se são para ser lidos, ouvidos ou vistos na fonte. Tentarei ser mais sucinto na escrita, nos próximos capítulos, sendo que na semana que vem, porque vamos publicar a nossa Antevisão à nova época, não farei esta publicação, acontecendo apenas no final da primeira semana de jogos. Ficarei naturalmente disponível para responder a qualquer questão, dúvida ou crítica. Todo o feedback que quiserem deixar é bem-vindo. Podem usar a caixa de comentários deste artigo ou enviar por Twitter. Houve muitos outros trabalhos de enorme qualidade que deixei de fora desta primeira lista, porque o nosso objectivo também não é ocupar os nossos leitores com horas e horas de conteúdo em inglês logo de entrada. Iremos realizar esta experiência ao longo da temporada e tentaremos sempre balancear entre análises a jogos, jogadores, equipas, determinadas estatísticas, movimentações de mercado. Quero também reiterar, para finalizar, que esta coluna não substituirá a nossa cobertura da modalidade em português.


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