18 Dez, 2017

Termina a natação no Rio e a carreira de Phelps

João BastosAgosto 14, 20167min0

Termina a natação no Rio e a carreira de Phelps

João BastosAgosto 14, 20167min0

A última jornada de natação no Rio de Janeiro foi também a última jornada desportiva de Michael Phelps, o maior desportista olímpico de todos os tempos. 28 medalhas, 23 ouros e 39 records do mundo depois, o Rei vaga um trono muito difícil de vir a ser ocupado.

Blume consoma a surpresa

O último título individual feminino do Rio foi para Pernille Blume | Fonte: Reuters
O último título individual feminino do Rio foi para Pernille Blume | Fonte: Reuters

É difícil classificar a vitória da dinamarquesa Pernille Blume nos 50 metros livres como uma surpresa, já que fez o melhor tempo das eliminatórias e também das meias finais. Ela tinha avisado!

Mas a verdade é que chegava ao Rio apenas com o 10º melhor tempo da start list e ia enfrentar na final a nadadora mais rápida de sempre sem fatos de poliuretano, a campeã olímpica em título, a vice-campeã olímpica e a vencedora dos 100 metros livres, entre outras nadadoras com grande currículo.

Nada disso impressionou a dinamarquesa que venceu com 24.07, superiorizando-se à americana Simone Manuel que teve um torneio olímpico de sonho e juntou ao ouro dos 100 metros, a prata nos 50 com o tempo de 24.09. A búlgara Aliaksandra Herasimenia desceu um lugar relativamente aos Jogos de há 4 anos, levando desta vez o bronze com 24.11.

Cate Campbell, a grande favorita, tal como nos 100 (onde é recordista do mundo) voltou a desiludir e ficou apenas em 5º, consumando a desilusão que constituiu para ela estes Jogos Olímpicos.

Imperador Paltrinieri vence de ponta a ponta

Paltrinieri juntou o título olímpico ao título mundial. Falta agora o record do mundo | fonte: Zimbio
Paltrinieri juntou o título olímpico ao título mundial. Falta agora o record do mundo | fonte: Zimbio

Sem a concorrência de Sun Yang, o campeão do mundo, recordista europeu e segundo melhor de sempre Grigorio Paltrinieri, de Itália, era o único favorito na prova mais longa do programa da natação em piscina, os 1500 metros, e quis prová-lo desde o início. Paltrinieri nadou a prova sempre sozinho e sempre abaixo do parcial para record do mundo de Sun Yang. No entanto, para se sagrar o homem mais rápido de sempre nos 1500 metros, o italiano sabia que tinha de entrar nos últimos 100 metros com uma margem de 3 ou 4 segundos sobre o parcial do record, uma vez que o chinês concluiu a sua prova em Londres (onde estabeleceu o record do mundo) em 53.49, o que é um tempo surreal para conclusão de uma prova de 1500 metros.

Grigorio Paltrinieri não conseguiu manter a vantagem para a marca e terminou com 14:34.57 (3.55 segundos acima do record mundial). Título olímpico e bronze para a Itália, com Gabriele Detti em 14:40.86 a repetir o lugar dos 400 metros. Entre os dois ficou o americano Connor Jaeger que para além da prata, consegue também o record americano com 14:39.48. Paltrinieri e Jaeger repetiram os primeiro e segundo lugares do mundial do ano passado.

Americanas fecham com chave de ouro

Americanas campeãs olímpicas dos 4x100 estilos | Fonte: USA Swimming
Americanas campeãs olímpicas dos 4×100 estilos | Fonte: USA Swimming

As americanas vinham para a estafeta 4×100 metros estilos como favoritas, mas antes de se iniciarem os Jogos Olímpicos, a Austrália era encarada como a equipa com fortes possibilidades de estragar a festa às americanas, já que tinham teoricamente melhores percursos de costas e crawl, com uma mariposa equilibrada. Mas depois destes 8 dias em que as americanas se mostraram no seu melhor e as australianas no seu pior, já ninguém esperava que o título não fosse para os States.

E assim foi. Os EUA com um quarteto constituído por Kathleen Baker (vice-campeã nos 100 costas) que nadou em 59.00, Lilly King (campeã nos 100 bruços) nadou em 1:05.70, Dana Vollmer (bronze nos 100 mariposa) em 56.00 e Simone Manuel (campeã dos 100 livres) que fechou a estafeta em 52.43. O tempo total da equipa dourada foi de 3:53.13.

A Austrália de alguma maneira “limpou a face” e chegou à prata, com prestações individuais até bastante positivas. O entrave para lutar pelo ouro foi mesmo o percurso de bruços. Emily Seebohm (58.83), Taylor McKeown (1:07.05), Emma McKeon (56.95) e Cate Campbell (52.17) completaram o percurso em 3:55.00.

Apenas 1 centésimo depois chegou a fantástica equipa da Dinamarca. Mie Nielsen (58.75), Rikke Moller Pedersen (1:06.62), Jeanette Ottesen (56.43) e Pernille Blume (53.21) fecharam no bronze com 3:55.01.

E fechou-se a cortina a Michael Phelps

EUA ganham 5 estafetas em 6 | Fonte: Reuters
EUA ganham 5 estafetas em 6 | Fonte: Reuters

A prova de despedida e consagração de Michael Phelps foram os 4×100 metros estilos, prova que faz parte do calendário olímpico desde 1960 e que os EUA nunca perderam. Era por isso praticamente garantido que Phelps ia sair do palco onde foi o protagonista nos últimos 16 anos pela porta grande. Ainda para mais quando o quarteto era composto pelo campeão dos 100 costas, pelo terceiro classificado dos 100 bruços, pelo vice-campeão dos 100 mariposa e pelo medalha de bronze dos 100 livres.

Para a despedida, Phelps viu-se envolvido numa verdadeira prova de loucos. Ryan Murphy abriu a estafeta com novo record mundial dos 100 metros costas, batendo o tempo de 2009 de Aaron Peirsol. Abriu a estafeta americana em 51.85, dado uma vantagem que parecia ser super confortável para o resto da equipa. O problema é que pela Grã-Bretanha ia nadar o fenómeno Adam Peaty que foi o primeiro ser humano a nadar um parcial de 100 bruços em 56 segundos! (Na realidade, nem sequer nunca ninguém nadou em 57). Peaty percorreu o percurso em 56.59 levando a estafeta britânica ao primeiro lugar.

Mas essa prestação de Peaty só veio abrilhantar a festa de Phelps que ficou com a responsabilidade de ultrapassar os britânicos…e assim o fez, sendo o homem mais rápido na piscina no percurso de mariposa. 50.33 foi o parcial de Phelps. Para selar a vitória, Nathan Adrian nadou o percurso de livres em 46.74. O resultado final da estafeta composta por Ryan Murphy, Cody Miller (59.03), Michael Phelps e Nathan Adrian foi um novo record olímpico, em cima do record do mundo (que seria uma despedida ainda mais de sonho para Phelps) em 3:27.95.

A Grã-Bretanha ficou com a prata em 3:29.24 com um quarteto composto por Chris Walker-Hebborn em 53.68, Adam Peaty, James Guy em 51.35 e Duncan Scott em 47.62, fechando em 3:29.24.

O bronze ficou para Austrália que também nos masculinos ficou aquém do que podia fazer, uma vez que chegava ao Rio com os melhores nadadores do ano nos 100 costas e 100 livres. Mitch Larkin (53.19), Jake Packard (58.84), David Morgan (51.18) e Kyle Chalmers (46.72) fecharam a prova em 3:29.93.

E assim se despediu o maior desportista olímpico de todos os tempos. Foi a 23ª medalha de ouro olímpica, de um total de 28 medalhas. Na História do Olimpismo da era moderna apenas 38 países em 116 anos conseguiram conquistar mais medalhas de ouro que Phelps em 16. Até em relação aos Jogos da era antiga bateu um record, este com 2168 anos ao superar o grego Leonidas de Rôdes que ganhou 12 medalhas de ouro individuais. Phelps ganhou o número da sorte de 13.
Durante a sua carreira, Phelps bateu 39 records do mundo, durante 16 anos o desporto natação confundiu-se com Phelps, um atleta que muitas vezes foi maior que o maior evento desportivo do mundo….Foi Phelps e foi um privilégio testemunhar a sua lenda!

Fonte: USA Swimming
Fonte: USA Swimming


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