14 Dez, 2017

A caminho do Mundial: O mundo aos pés de Sjöström

João BastosJunho 28, 20175min0

A caminho do Mundial: O mundo aos pés de Sjöström

João BastosJunho 28, 20175min0

Com os Campeonatos do Mundo de Desportos Aquáticos à vista, o Fair Play elabora uma série de 10 artigos sobre os potenciais destaques em Julho, na Hungria. O oitavo é sobre a sueca Sarah Sjöström

Nos último par de anos as grandes referências das piscinas têm sido mulheres. Esta observação não é tão visível pelo efeito do regresso bem sucedido de Michael Phelps no ano passado ou pelos tempos estratosféricos de Adam Peaty, mas o que é facto é que algumas das melhores nadadoras de sempre, temos o privilégio de as ver agora em acção.

Falamos, naturalmente, de Katie Ledecky, Katinka Hosszu e…Sarah Sjöström. A sueca nem sempre é colocada no patamar da americana e da húngara, injustamente, mas os mundiais na Hungria configuram-se como uma excelente oportunidade para afirmar inequivocamente o seu valor.

Foto: Várias Fontes

Apesar de contar apenas 23 anos, a sueca já é uma veterana da natação, uma vez que o seu primeiro grande sucesso veio logo com 14 anos, quando foi campeã da Europa dos 100 metros mariposa em Eidhoven. Logo no ano seguinte, provou que o êxito europeu não tinha sido por acaso e sagrou-se campeã mundial da mesma prova, batendo por duas vezes o record do mundo.

Sjöström obteve assim o seu primeiro record do mundo com 15 anos e 344 dias, mais nova do Katie Ledecky, que bateu o seu primeiro máximo mundial (1500 metros livres) com 16 anos e 135 dias e apenas um pouco mais velha que Michael Phelps, quando marcou o seu primeiro record mundial (200 mariposa). Tinha 15 anos e 275 dias. A diferença é que foi o único que Phelps estabeleceu com 15 anos, ao passo que Sjöström bateu dois.

Em campeonatos do mundo, só há duas nadadoras que conseguiram vencer a mesma prova por três vezes: Katinka Hosszu nos 400 metros estilos e Sarah Sjöström nos 100 metros mariposa. Ambas fizeram-no em Roma2009, Barcelona2013 e Kazan2015. Curiosamente nenhuma das duas guarda boas recordações de Xangai2011.

Há ainda outro parâmetro no qual a sueca tem um desempenho notável, apenas superado, por pouco, por Katie Ledecky: Sjöström tem os 12 melhores tempos de sempre na prova de 50 metros mariposa, ao passo que a americana tem as 13 melhores marcas de sempre nos 800 metros livres

Apesar da nórdica só ter batido o record do mundo dos 50 mariposa por uma vez, com os seus 24.43 em 2014, depois já nadou por mais 11 vezes melhor que a segunda melhor nadadora de todos os tempos que é a sua compatriota Theresa Alshammar que tinha esse record do mundo com o tempo de 25.07. Se não existisse Sjöström, esse tempo ainda era o melhor do mundo.

Foto: Soobum Im

Este ano, Sarah atravessa uma das suas melhores época de sempre. É a líder destacada do ranking mundial em 4 provas e tem à sua mercê esses 4 recordes mundiais.

Nos 50 metros livres é a segunda melhor nadadora de todos os tempos, a melhor sem fatos, a apenas 1 décimo de segundo do record do mundo da alemã Brita Steffen. Os 23.83 que a sueca fez no Open de Estocolmo é apenas 1 centésimo melhor que o record pessoal de Cate Campbell estabelecido o ano passado nos trials australianos.

Infelizmente a australiana não estará em Budapeste porque também os 100 metros livres seria uma prova imperdível com as duas em compita. Sarah Sjöström fez este ano 52.08, ficando à beira do record do mundo que pertence a Campbell com 52.06. No meio das duas, na lista das melhores de sempre ainda há Brita Steffen com 52.07!

Os 50 metros mariposa até é a prova onde a sueca está mais longe do record do mundo este ano, mas a sua distância para o resto do mundo é tão grande que deverá vencer sem sobressaltos. Há duas semanas marcou 24.76 na etapa de Barcelona do circuito Mare Nostrum. O seu record mundial é de 24.43, numa prova fantástica na Suécia, na qual não respirou uma única vez:

Apenas 3 dias depois da competição em Barcelona, nadou os 100 mariposa em Canet-en-Roussillon para 55.76. O seu máximo mundial está à distância de 18 centésimos, muito mais perto do que a segunda melhor do ano, a júnior japonesa Rikako Ikee com 56.89, está dela.

Depois de uns Jogos Olímpicos que, não correndo mal, não foram o que a sueca ambicionava, com um balanço de um ouro, uma prata e um bronze, a tetra-campeã mundial aparece na pole position para ser a MVP na Hungria e dobrar a conta aos seus títulos mundiais.

A reedição do duelo com Ledecky nos 200 livres fica adiada, mas Sjöström sozinha promete ser motivo mais do que suficiente para fazer manchetes de jornais.

Por aqui ansiamos por um “perfect 4”: 4 provas, 4 títulos e 4 recordes do mundo para a sueca.

*Este artigo é o sétimo de uma série de 10 antevisões do mundial de Budapeste:
1º – Adam Peaty, a perfeita imperfeição
2º – O regresso da prova rainha (versão masculina)
3º – O regresso da prova rainha (versão feminina)

4º – Os donos da casa
5º – A oportunidade de Le Clos
6º – Resgate do orgulho Aussie
7º – 10 teenagers a seguir com atenção


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