20 Ago, 2017

Phelps é tetracampeão dos 200 estilos

João BastosAgosto 12, 20169min0

Phelps é tetracampeão dos 200 estilos

João BastosAgosto 12, 20169min0

Parece impossível, mas Phelps ainda tem marcos para atingir na carreira. Hoje atingiu mais um. Assim como a compatriota Simone Manuel que se tornou a primeira afro-americana a sagrar-se campeã olímpica de natação. Tamila Holub concluiu a participação portuguesa na natação em piscina.

Kaneto vence em bruços

Rie Kaneto chegou ao ouro dos 200 metros bruços | Fonte: SWM
Rie Kaneto chegou ao ouro dos 200 metros bruços | Fonte: SWM

Os 200 metros bruços femininos eram talvez a prova mais imprevisível de todo o programa. Nas meias finais baralhou-se (com algumas candidatas a ficarem de fora) e voltou-se a dar (porque as finalistas ficaram separadas por pouco mais de 1 segundo).

Numa prova em que a recordista mundial começou forte, mas acabou no último lugar, foi a líder mundial do ano, Rie Kaneto, do Japão que levou o ouro numa prova bastante equilibrada (1:08/1:12) para um tempo total de 2:20.30.

A nadadora mais polémica destes Jogos Olímpicos, e campeã do mundo em 2013, Yuliya Efimova (Rússia) chegou à prata, à semelhança do que já tinha feito nos 100 metros. 2:21.97 foi o tempo final.

Shi Jinglin tinha sido a primeira das últimas nos 100 metros bruços – ou seja 4ª – e por isso o bronze na prova de 200 metros terá tido um sabor a ouro. Nadou em 2:22.28.

A dinastia americana

Ryan Murphy é o rei de costas do Rio 2016 | Fonte: NBC
Ryan Murphy é o rei de costas do Rio 2016 | Fonte: NBC

Ryan Murphy, tal como nos 100 metros costas, é o novo herdeiro de uma dinastia de costistas americanos que fazem com que o ouro nos 200 metros costas vá para os Estados Unidos desde 1996 (Bridgewater em Atlanta, Kreyzelburg em Sydney, Peirsol em Atenas, Lochte em Pequim e Clary em Londres). É impressionante que em 20 anos os americanos consigam 6 ouros, 3 pratas e 1 bronze em 12 medalhas possíveis. Murphy nadou em 1:53.62.

O campeão do mundo desta vez ficou com a prata. Mitchell Larkin, da Austrália, pelo menos nesta prova melhorou o desempenho da prova de 100 metros, onde também é campeão do mundo, mas ficou à porta das medalhas. Larkin foi vice-campeão olímpico com a marca de 1:53.96.

O russo Evgeny Rylov deve estar a pensar que se a prova fosse de 201 metros tinha chegado à prata. É que o jovem costista fez uma excelente recuperação nos últimos 50 metros, mas chegou à parede apenas um centésimo atrás de Larkin.

Phelps ainda tem records para bater

Mais uma página de História escrita pela mão de Michael Phelps | Fonte: Sportv
Mais uma página de História escrita pela mão de Michael Phelps | Fonte: Sportv

Os 200 metros estilos masculinos eram a prova mais esperada da jornada. Eventualmente de todo o programa de provas da natação nos Jogos Olímpicos.

  • Michael Phelps queria tornar-se no primeiro tetra-campeão olímpico na mesma prova, na natação, juntando a um restrito grupo de 5 desportistas que já o fizeram na História dos Jogos Olímpicos da era moderna;
  • Ryan Lochte é o recordista mundial dos 200 estilos, mas nunca superou Phelps nuns JO;
  • Os dois juntos são detentores de 93 medalhas em JO e Mundiais;
  • Repartem entre os dois os 10 melhores tempos de sempre nos 200 estilos.

A juntar ao dois havia Thiago Pereira, a jogar em casa, o que fazia com que o ambiente na piscina olímpico fosse autenticamente de Maracanã.

Talvez por toda essa envolvente, Thiago foi para a frente e passou em primeiro a mariposa, continuando a “forçar a barra” e passando com Phelps nos 100 metros. Começou a sentir o estrago no percurso de bruços onde ele até é mais rápido que Phelps e Lochte, mas no final do percurso de bruços Phelps liderava, com Thiago em segundo e Lochte em 3º. Chegados ao percurso de crawl, Phelps não esperou por ninguém, enquanto Lochte e Pereira pagaram caro a ousadia de seguir o campeão.

No final, Phelps entrou na galeria dos tetracampeões onde estavam Paul Elvstrom, Ben Ainslie, Al Oerter, Matthew Pinsent e Carl Lewis à espera. Apenas estes (agora) 6 desportistas venceram a mesma prova individual em 4 Jogos. A diferença é que Phelps pode voltar a fazê-lo amanhã. Michael Phelps é campeão olímpico dos 200 estilos com 1:54.66.

O vencedor dos 400 metros estilos chegou à prata nos 200, provocando uma meia surpresa. O japonês Kosuke Hagino nadou em 1:56.61. No lugar de bronze ficou o chinês que tinha nadado as meias finais ao lado de Alexis Santos. Wang Shun nadou em 1:57.05.

A História continuou a ser escrita

Simone Manuel e Penny Oleksiak protagonizaram um momento inédito | Fonte: NBC
Simone Manuel e Penny Oleksiak protagonizaram um momento inédito | Fonte: NBC

Quem ligou a televisão para a ver os confronto do século nos 200 estilos e esperou para ver os 100 metros livres femininos pôde continuar a ver a História desportiva mundial a ser escrita.

A recordista mundial australiana Cate Campbell era a super favorita e pelo desempenho nas eliminatórias e meias finais previa-se uma luta contra o cronómetro e a hipótese de ser a primeira mulher a nadar em 51 segundos. Para além disso, havia a forte hipótese de pela primeira vez haverem duas irmãs nos lugares mais altos de um pódio, uma vez que Bronte Campbell também era uma forte candidata ao pódio.

Por ser isso mesmo que desejavam, as irmãs Campbell saíram disparadas e passaram aos 50 metros abaixo do parcial para record do mundo. Na volta caiu-lhes um piano em cima e pagaram caro o esforço terminando em 4º (Bronte) e em 6º (Cate) e a prova podia ficar sem história a partir daqui. Nada mais errado…

A história que se seguia era talvez ainda mais singular. Simone Manuel, a nadadora norte-americana tornou-se na primeira nadadora negra a ser campeã olímpica na natação! E inédito foi também o facto do 1º lugar ser repartido…com uma nadadora júnior! À semelhança da prova masculina, também a prova feminina foi vencida por uma nadadora júnior. Penny Oleksiak, do Canadá consagra-se como a grande revelação destes Jogos Olímpicos tendo para já na sua conta pessoal uma medalha de ouro, uma de prata e duas de bronze. Simone e Penny nadaram em 52.70, novo record olímpico, também ele partilhado.

Por haver uma medalha de ouro ex-aequo, não houve medalha de prata atribuída, ficando o bronze com a campeã olímpica dos 100 metros mariposa, Sarah Sjöström que nadou em 52.99 e que tem agora os 50 metros livres para desempatar (uma vez que tem três medalhas, uma de cada “cor”).

“Meias” com vitórias folgadas

O francês Florent Manaudou tinha dado a impressão nas eliminatórias dos 50 metros livres que até deu tempo para travar antes de chegar à parede. Qualificou-se para as meias finais com o 4º tempo e nesta fase mostrou que de facto ainda tem mais para dar. Para já marcou 21.32, a 2 centésimos do record olímpico, mas amanhã o record do mundo supersónico de 20.91 de César Cielo pode ser possível. Seria um rude golpe o brasileiro perder o seu record na sua casa!

Katinka Hosszu só tem mais um ouro para conquistar nestes Jogos Olímpicos e é nos 200 metros costas. E ela não quer deixar margem para dúvidas que esta medalha é mesmo dela. Nas eliminatórias venceu com dois segundos de avanço e nas meias finais nadou no seu novo máximo pessoal de 2:06.03, desta vez “só” com 1.14 segundo de avanço.

Em condições normais, Michael Phelps não teria grandes dificuldades em se classificar para a final dos 100 metros mariposa, mas o facto da meia final ser 25 minutos depois da final dos 200 metros estilos colocou algumas dúvidas…a quem se esqueceu que Phelps não é humano. Ficou em 5º, mas qualificou para a final, que era o objectivo. Nessa final Joseph Schooling, de Singapura, promete ser uma grande dor de cabeça para o norte-americano. É que os 50.83 com que se qualificou em 1º para a final é o segundo melhor tempo de sempre sem fatos.

Tamila Holub fecha participação portuguesa na piscina

Tamila Holub é a portuguesa mais jovem no Rio | Fonte: COP
Tamila Holub é a portuguesa mais jovem no Rio | Fonte: COP

A benjamim da comitiva portuguesa no Rio, Tamila Holub, fechou a participação portuguesa na natação de piscina nos Jogos Olímpicos. Tamila chegou ao Rio de Janeiro na condição de campeã europeia de juniores nos 1500 metros livres (prova que em Tóquio 2020 já deverá fazer parte do calendário de provas olímpicas) e vice-campeã europeia de juniores de 800 metros livres – prova que vinha nadar ao Rio.

Aos 17 anos, esta foi a primeira participação olímpica da maior esperança da natação portuguesa, já recordista nacional absoluta de 800 e 1500 metros livres. Apresentava-se à partida com o tempo de 8:36.21 na pista 6 da 1ª série, record nacional obtido há menos de 3 meses.

A prova não correu de feição e Tamila Holub concluiu as 16 piscinas no tempo de 8:45.36, classificando-se no 24º lugar. Neste momento, este tempo não deixará contente a nadadora portuguesa, mas há um ano seria record nacional, o que diz bem da evolução brutal que a bracarense experimentou esta época – e que provocou uma melhoria do record nacional de quase 10 segundos – , na qual atingiu vários picos de forma, prejudicando o seu momento de forma nos Jogos.

A participação portuguesa na natação segue agora com as águas abertas no dia 15 de Agosto com a competição de 10 km onde participará Vânia Neves.


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